quinta-feira, 8 de novembro de 2012

E o vento levou - 1939




Título Original: Gone with the Wind
Ano: 1939
Direção: Victor Flaming
Roteiro: Sidney Howard, baseado no livro de Margaret Mitchell
Elenco: Vivien Leigh, Clark Gable, Olívia de Havilland, Leslie Howard, Hattie McDaniel
Sinopse: O filme conta a história da voluntariosa Scarlett O'Hara, filha de um imigrante irlandês que se tornou um rico fazendeiro do Sul dos Estados Unidos, pouco antes da Guerra Civil Americana.
Scarlett começa o filme como uma bela e mimada jovem, que vive na fazenda de seus pais. Ela é apaixonada por Ashley Wilkes, filho do fazendeiro vizinho, mas este fica noivo da doce Melanie Hamilton. Em meio a esta descoberta, Scarlett conhece Rhett Butler, um cavalheiro de má reputação e que não toma partido na disputa entre Sul e Norte do país. Butler se apaixona instantaneamente por Scarlett, que não o retribui. Para fazer ciúmes em Ashley, logo em seguida, Scarlett casa-se com Charles Hamilton, irmão de Melanie. Após os casamentos, Ashley e Charles partem para a Guerra Civil, recém-declarada. Contudo, Charles morre pouco tempo depois disso. Após ficar viúva, Scarlett vai para a cidade de Atlanta para viver com Melanie e aguardar a volta de Ashley, e acaba por servir ao Sul, como enfermeira, ajudando a cuidar dos feridos da chamada Guerra de Secessão. Durante esse tempo fora de casa ela começa a sentir na pele o sofrimento, fome e pobreza. Ao voltar para a fazenda dos pais, Scarlett encontra sua mãe morta, seu pai louco e toda a fortuna destruída. Diante dessa situação desesperadora ela toma as devidas providências para não deixar que tomem a sua querida fazenda Tara. Para tanto, ela casa-se com o noivo de sua irmã por este estar prosperando, mesmo ainda amando Ashley. Todavia, Scarlett torna-se viúva novamente.
Durante esse processo, Scarlett precisa da ajuda de Rhett diversas vezes, chegando até a se casar com ele após a perda de seu segundo marido, por interesse. O casamento é conturbado e o casal têm uma filha, Bonnie, que morre tragicamente. Pouco depois, Melanie adoece e morre. Ao ver a desolação de Ashley pela morte da esposa e Rhett indo embora, Scarlett faz uma importante descoberta; contribuindo assim para o desfecho surpreendente.

Por Lady Rá, a caçadora de tesouros. 

“E o vento levou...” é um daqueles filmes que sempre valem uma revisita. É impressionante a grandiosidade e riqueza de detalhes com que foi feita essa obra máxima da sétima arte, em uma época em que não existiam os recursos tecnológicos que se tem hoje. O filme foi adaptado a partir do livro “Gone with the Wind” de Margaret Mitchell (a única obra lançada pela escritora, aliás), que conta a saga da jovem Scarlett O’hara, filha de um rico senhor de escravos, que tem sua vida transformada pela Guerra Civil Americana. Ao longo dos anos, Scarlett nutre uma paixão platônica por Ashley, que tem um relacionamento com sua prima Melanie. E ao mesmo tempo vive uma relação de amor e ódio com Rhett Buttler.

O filme é maravilhoso em todos os aspectos, o roteiro é magistralmente adaptado, fidelíssimo ao livro em seu enredo e em sua essência, mesmo que haja pequenas diferenças, por exemplo, na obra de Margaret Mitchell, Scarlett tem um filho de cada casamento, são páginas e páginas dedicadas a formação da família O’Hara ou mesmo para retratar os costumes e o modo de pensar da sociedade sulista dos Estados Unidos na época. O roteiro consegue capturar o essencial de tudo isso. A parte técnica é cuidadosa, cheia de detalhes, desde direção de arte, passando por figurinos e a bela fotografia, o bom uso da câmera em cenas importantes salta aos olhos, como naquele baile que a Scarlett dança usando vestido preto, de luto. Ou numa cena que a policia vai à casa de Melanie e as senhoras estão costurando. Cena magistralmente filmada, onde toda a tensão vivida por aquelas mulheres é captada pela câmera! E existem muitas outras que eu ficaria dias citando aqui. A direção que passou por várias mãos, embora o creditado seja Victor Flaming. O trabalho é tão bem feito esse detalhe acaba não fazendo diferença, o filme é grandioso, épico, rico. E tudo isso com uma trilha sonora tão marcante quando o próprio filme.


Os personagens são bem desenvolvidos e multifacetados, especialmente nossa heroína Scarlett O’Hara. Não preciso dizer que Vivien Leigh domina o filme (aqui é impossível ser imparcial, Lady Rá venera essa atriz), desconheço entrega maior ou interpretação mais intensa que a de Vivien como Scarlett. Ela é o próprio retrato da “mulher a frente de seu tempo”, uma jovem de “olhos esmeraldinos” que passa de menina mimada e voluntariosa, a mulher fria e forte como uma rocha. Batalhadora, prática, egoísta, egocêntrica, mas que preza sua família e sua amada Tara, e para proteger o patrimônio de sua família foi capaz de (assim como ela um dia jurou), matar, roubar, mentir, trapacear. Mas quem é capaz de julgá-la, naquelas condições? E Clark Gable também merece aplausos, não imagino outro ator para interpretar Rhett, que se encaixe perfeitamente no comportamento, na aparência física, com seu “sorriso de escárnio”, que Margaret Mitchell cita em seu romance. E nas cenas dramáticas, ele desconstrói aquela figura de homem cínico e autoconfiante, surgindo frágil, cansado, sofrido, humano. Olívia de Havilland, maravilhosa como a bondosa Melanie, uma mulher virtuosa e justa que Scarlett nunca pode ser. Ela é o contraponto ideal da protagonista. O único que não alcança esse nível que grandeza é Leslie Howard no papel de Ashley, mas também não compromete em nada, porque o personagem é aquele ser passivo, ele ama Melanie, não pensa nunca em traí-la, mas é incapaz agir como homem e dar um basta nas investidas de Scarlett

É brilhante a forma como a história é construída, como o cotidiano daquelas pessoas pacatas é transformado pela guerra, como suas vidas e sua cultura é devastada, levada pelo vento, como diz o título metafórico. Pois a guerra passou como uma tempestade, um furacão que levou os sonhos e a cultura daquela sociedade, que teve que se recriar e se readaptar aos novos tempos. E no olho desse furacão estava Scarlett, uma mulher que, quando jovem teve seus sonhos e suas vontades, mas que, seja pelas escolhas equivocadas, seja pela força das circunstâncias, viu seus sonhos serem levados por aquele vento também e precisou se reinventar.

Há também a questão político-histórica que é abordada tanto no livro como no filme, (vamos considerar a obra foi escrita por uma pessoa que é descendente daquela sociedade retratada no romance). O livro e, conseqüentemente, o filme, parecem demonizar o povo do Norte dos EUA, que, a seu modo, queria o avanço do país. Em certos momentos mostram os sulistas como vítimas, como gente corajosa e honrada, que cuida dos escravos, mas em outros como arrogantes e conservadores extremistas, e existe aquela questão de uma camada da população apoiar o fim da escravidão e outra não. O problema, a meu ver, é retratar a terrível Klu klux Kan como algo bom e justo. Mas esses aspectos não depõem contra a produção, pois isso é uma questão de visão política ou fidelidade histórica. E um bom cinéfilo há de saber separar as coisas. Até porque são detalhes irrelevantes perto da grandiosidade desse filme e do que ele representa para o cinema.

Cotação: 5/5

Lady Rá só tem uma palavra para definir este filme: PERFEIÇÃO



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