sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Filadélfia -1993




Título Original: Philadelphia
Ano: 1993
Direção: Jonathan Demme
Roteiro; Ron Nyswaner
Elenco:Tom Hanks, Denzel Washington, Antonio Banderas, Marry Steenburgen, Jason Robards, Joanne Woodward.
Sinopse: Andrew Beckett (Tom Hanks) é um promissor advogado que trabalha para um tradicional escritório da Filadélfia. Após descobrirem que ele é portador do vírus da AIDS, Andrew é demitido da empresa. Ele contrata os serviços de Joe Miller (Denzel Washington), um advogado negro que é homofóbico. Durante o julgamento, este homem é forçado a encarar seus próprios medos e preconceitos.

Por Lady Rá

Sabe gente, outro dia eu estava ouvindo a belíssima música “Streets of Philadélfia” de Bruce Spreengsteen e me deu vontade de dividir com vocês minhas considerações sobre o belíssimo filme que é Filadélfia (filme que tem a música em questão na trilha sonora), estrelado por três dos amores de Lady Rá (sim, o coração da Lady tem espaço para muitos S2): Tom Hanks, Denzel Washington e Antônio Banderas. O filme, que deu ao Tom Hanks seu primeiro Oscar de melhor ator (ele ganhou o segundo no ano seguinte por Forrest Gump – O cantador de histórias) é um belíssimo “drama de tribunal”.

Filadéfia acompanha a história do jovem e promissor advogado, Andrew “Andy” Beckett (Hanks) é demitido por justa causa da empresa de advocacia para a qual trabalha. Isso porque ele havia perdido um documento que seria usado em uma audiência importantíssima para a empresa. Porém, Andy era um advogado super competente, organizado, centrado e tinha a mais absoluta certeza de que havia salvado a cópia do documento no computador. No dia da audiência, não havia mais cópias e depois de muita procura, aos 45 do segundo tempo, uma cópia do documento é encontrada. Porém, os responsáveis pela empresa alegaram que Andy quase causou um prejuízo de proporções épicas para a empresa. Para Andy, tudo aquilo soava armação, e por quê alguém armaria contra ele? Por causa do mais deplorável sentimento humano, o preconceito. Afinal, Andy era homossexual e portador do vírus HIV. Se hoje em dia o preconceito ainda é enorme, imagine no início da década de noventa? Quando o tabu do “câncer gay” ainda imperava nas mentes desinformadas das pessoas?

Disposto a provar que foi vítima de preconceito, Andy resolve processar a poderosa firma de advocacia que o demitiu. Parai isso ele procura vários advogados, mas nenhum quer pegar a sua causa, seja por puro preconceito ou por medo de encarar a firma poderosa nos tribunais. Após procurar nove advogados, ele vai atrás de Joe Miller (Washington).  Joe, advogado negro, que em um país como os EUA em que naquela época (e ainda hoje) se respirava o ranço da segregação racial, comprou a causa de Andy. Mas não sem antes recusá-la na primeira abordagem de Andy e de deixar claro com água, que ele não gostava de homossexuais. Sim, vítimas de preconceito também têm os seus próprios. E é nesse debate que o filme se firma como um dos mais belos dramas já feitos. Destaque para a belíssima cena em que Andy deixa o escritório de Joe, e câmera fecha no rosto de Hanks, mostrando a expressão devastada de seu personagem. O ator mereceria o Oscar só por aquela cena.

A batalha de Andy e Joe seria árdua, pois seria muito difícil provar que ele era uma vítima. E o pior de tudo, as pessoas que julgavam a causa viam a doença de Andy como um castigo pelos seus pecados, se ele tinha AIDS, era culpa dele, ele merecia isso por seu comportamento promíscuo. Sua vida pessoal é virada de cabeça para baixo, Andy é exposto, é praticamente tratado como réu de sua própria causa. A medida em que o processo corre na justiça, a doença de Andy vai se agravando. É especialmente tocante uma cena em que seu advogado solicita que ele abra a camisa para mostrar as manchas em seu corpo, diante de todo tribunal. Aliás, o filme é um show de belas interpretações do início ao fim, em que Tom Hanks se destaca em absoluto, mas não devemos deixar de reconhecer o excelente trabalho de Denzel Washington e até mesmo Antônio Banderas, que em um papel menor, como namorado de Andrew, faz direitinho o dever de casa. E se o elenco é brilhante, a direção usa a abusa do talento deles. O roteiro é feliz em transformar a aversão inicial de Joe por Andy, aos poucos, em admiração e com o tempo em amizade. Bem como a situação que leva Joe a passar por cima do próprio preconceito e aceitar a causa e a pressão que este sofre no decorrer do processo.

Filadélfia é um filme belíssimo que merece ser visto e apreciado. E Tom Hanks tem a interpretação mais poderosa e tocante de sua carreira e sua premiação com um Oscar, foi mais que merecida.

Cotação: 5/5





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