segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Gonzaga, de pai para filho - 2012



Título Original: Gonzaga, de pai para filho (Nacional)
Ano: 2012
Direção: Breno Silveira
Roteiro: Patrícia Andrade
Elenco: Adélio Lima, Julio Andrade, Chambinho do Acordeon, Nanda Costa, Silvia Buarque, Claudio Jaborandy, Zezé Mota,
Sinopse: Decidido a mudar seu destino, Gonzaga sai de casa jovem e segue para cidade grande em busca de novos horizontes e para apagar uma tristeza amorosa. Lá, ele conhece uma bela mulher, Odaléia (Nanda Costa), por quem se encanta. Após o nascimento do filho e complicações de saúde da esposa, ele decide voltar para a estrada para garantir os estudos e um futuro melhor para o herdeiro. Para isso, deixa o pequeno aos cuidados de amigos no Rio de Janeiro e sai pelo Brasil afora. Só não imaginava que essa distância entre eles faria crescer uma complicada relação, potencializada pelas personalidades fortes de ambos. Baseada em conversas realizadas entre pai e filho, essa é a história do cantor e sanfoneiro Luiz Gonzaga, também conhecido como O Rei do Baião ou Gonzagão, e de seu filho, popularmente chamado de Gonzaguinha.

Por Lady Rá

Todo mundo sabe que Luiz Gonzaga, ou simplesmente Gonzagão é um dos maiores artistas brasileiros de todos os tempos, se não o maior. Todo mundo sabe também, que seu filho Gonzaguinha também é um dos maiores nomes da música popular brasileira. O que talvez, nem todos saibam é que a relação entre pai e filho nem sempre foi boa. Na verdade, eles nunca tiveram uma relação de pai e filho de verdade, até que Gonzaguinha chegasse a idade adulta. Os dois só se reconciliaram nos últimos anos de vida de Luiz Gonzaga, quando o filho foi visitar o pai no Nordeste e acabou tomando a decisão de entrevistá-lo. Essa reconciliação é o fio condutor do longa Gonzaga, de pai para filho, que está em cartaz nos cinemas.

O filme dirigido por Breno Silveira (Dois Filhos de Francisco) procura penetrar na intimidade da família do sanfoneiro ao mesmo tempo em que mostra como Gonzagão se tornou um artista reconhecido e querido pelos brasileiros. Mas para alcançar o sucesso ele pagou um alto preço, sempre viajando pelo Brasil fazendo seus shows, Gonzagão deixava sua família de lado, principalmente seu filho, que ele deixava aos cuidados dos padrinhos. Este por sua vez, cresceu ressentido por nunca ter tido uma demonstração de amor por parte do pai, mas isso não impediu que ele se tornasse um grande artista também. Já adulto e bem sucedido, Gonzaguinha, a pedido de sua madrasta Helena, vai procurar seu pai em Exu (sua terra natal), a essa altura, aposentado, fazendo poucos shows. E lá eles acertaram suas contas. Gonzaga rememora tudo que viveu desde que saiu de Exu, e assim, finalmente seu filho  conhece quem foi o homem por trás do “Rei do Baião”.

O roteiro é eficaz em mostrar as mudanças pelas quais pai e filho passaram ao longo da vida e os acontecimentos que os levaram a se tornar aqueles dois homens que se confrontavam, expondo suas mágoas, suas lembranças, seus desejos. Enquanto a câmera explora as paisagens sertanejas, numa fotografia de encher os olhos A trilha sonora, escolhida a dedo para os momentos mais importantes da vida do artista, se encaixa perfeitamente na narrativa. Porém, se a ideia era retratar pai e filho, faltou mostrar quem era Gonzaguinha como artista. É possível entender que o que Gonzaguinha mais quis a vida inteira foi o amor e atenção de seu pai, e que, por mais mágoas que ele guardasse, ele sempre esteve disposto a uma reconciliação, e quando ela finalmente acontece, é pouco explorada. A escolha de Breno Silveira de colocar imagens de arquivo tira um pouco do brilho deste momento, mas não compromete o filme.

No elenco, quem chama mais atenção é Julio Andrade, no papel de Gonzaguinha adulto, é impressionante a transformação e a entrega do ator. Chambinho do Acordeon, que interpreta Gonzaga adulto, embora não seja um ator experiente, se esforça ao máximo e seu desempenho merece atenção, assim como Adélio Lima, Gonzaga já idoso, que tem seus bons momentos. O restante do elenco também faz um bom trabalho, cada um dentro de suas possibilidades.

Se há pequenas falhas, o grande público irá relevar, pois se a ideia era homenagear o Rei do Baião, isso o filme faz com justiça. No fim das contas, Gonzaga, de pai para filho, embora não seja perfeito, é um belo filme, que emociona e encanta. E isso é o que realmente importa.

Cotação: 4/5

Ps: reparem nesse vídeo em que Gonzaguinha e Luiz Gonzaga cantam e belíssima canção “Vida de Viajante”, no vídeo é possível perceber a felicidade de ambos por cantarem juntos. E eu não sei se é impressão minha, mas reparem na expressão de felicidade, realização e respeito do filho, ao cantar ao lado do pai. 


TRAILER




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