quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Poder Paranormal (Red Lights, 2012)






Título Original: Red Lights
Ano de Lançamento: 2012
Direção: Rodrigo Cortés
Roteiro: Rodrigo Cortés
Elenco: Cillian Murphy, Sigourney Weaver, Robert De Niro, Elizabeth Olsen, Toby Jones, Joely Richardson,
Sinopse: Tom Buckley (Murphy) e Margareth Matheson (Weaver) são especialistas em desmascarar fenômenos e pessoas que se dizem paranormais, eles costumam fazer isso com uma facilidade incrível, até que depois de 30 anos sumido, um famoso vidente, Simon Silver (De Niro) reaparece e Tom se torna obcecado em desmascará-lo, busca que o levará por caminhos perigosos. 


Por Ravenna Hannibal

Quando falei aqui sobre o aclamado “Enterrado Vivo”, lembro-me de ter elogiado a direção do ainda novato Rodrigo Cortés, principalmente no quesito visual. Os diálogos eram ruins e eu coloquei a culpa no roteirista. Aqui, infelizmente não consigo poupar Cortés pois ele mesmo escreveu esse filme, cujo titulo foi pavorosamente traduzido para “Poder Paranormal”.
Lançado diretamente em DVD aqui no Brasil, devido ao fraco desempenho nos cinemas do Hemisfério Norte, “Poder Paranormal” é um dos poucos filmes para os quais eu considero realmente válida a questão do “quanto você espera desse filme” e também do “quanto você sabe a respeito antes de assistir”. Falo isso por que as opiniões sobre ele parecem se dividir entre quem esperava uma obra prima no nível de “O Sexto Sentido” e quem não esperava grande coisa da história, apenas do elenco.
A verdade é que dependendo do ponto de vista, “Red Lights” pode ser frustrante, ruim ou genial. E as críticas parecem se dividir entre dois extremos. Alguns louvam o filme, outros o acham a maior decepção de 2012.
Não concordo com nenhum desses. Infelizmente, o filme se encontra, assim como o aclamado trabalho de estreia de Cortés, no rol dos “quase lá”. 
Três fatores me levaram a querer ver desesperadamente esse filme: O elenco principal estelar, o fato de ter gostado da direção de Cortés e o trailer instigante a respeito de um tema que parece não se tornar obsoleto.
O filme revisita aspectos tanto filosóficos, quanto narrativos e cinematográficos de filmes como “O Sexto Sentido”, “Atos que Desafiam a Morte” e “O Grande Truque”. Temos o estilo reviravolta e dramático de “O Sexto sentido”, a discussão intrigante de “Atos que Desafiam a Morte” e o jogo de quebra cabeças com brincadeiras de prestidigitação de “O grande Truque”.
A direção de Cortés continua eficiente, apesar de ser bem menos limpa aqui. Tudo o que ele não pôde usar em “Enterrado Vivo” para mostrar suas ideias em relação ao visual do filme, aqui ele usa e abusa, tornando o filme um pequeno excesso de estilos dentro de uma narrativa só. O filme as vezes parece oscilar entre um estilo e outro.
Por outro lado, ele é hábil em nos distrair. Muito hábil mesmo! Inclusive em relação ao visual. Desde o início ele te faz querer prestar atenção nos mínimos detalhes para tentar pescar algo, mesmo sem nos apresentar uma narrativa complexa ou que pareça esconder segredos demais. Simplesmente procuramos algo. E no decorrer da trama, começamos a procurar a mesma coisa que os personagens estão procurando: precisamos achar o que o filme chama de “Luzes Vermelhas” que é aquele elemento que chama a atenção, que parece estar fora do lugar. É isso o que procuramos.
Uma das coisas que a maioria critica no filme são justamente as tais “Luzes Vermelhas” que vez por outra, e em vista do desfecho nos fazem pensar: “Mas que raio de cena foi essa?”
Nesse quesito tenho muito a elogiar o Cortés, pois ele utilizou prestigitação, McGuffins e “luzes vermelhas” o suficiente para nos fazer confundir uma coisa com a outra. Isso tudo numa narrativa que é basicamente “parada”. A ação está lá, mas é muito pouca, e o suspense está mais na curiosidade em si do que na tensão.
Mas ele precisa treinar mais isso, pois o resultado acabou não agradando o público, tornando o filme incompreensível para muitos ou forçado demais para outros. Ele se perde no meio de todos esses truques e acaba fazendo com que muitos riam no desfecho da história.
O final é controverso, ousado, talvez forçado e polêmico. Polêmico no sentido de “opiniões divididas” mesmo. O fato é que a subjetividade é importante aqui. Ele não cria nada como a “Capitu” de Machado de Assis, mas ainda assim ele permite que o ponto de vista e mesmo a visão de mundo do espectador defina o que ele realmente viu no final. Aliás essa estratégia, além de interagir com o público, faz parte da mensagem. A intenção é fazer você questionar, e fazer você questionar inclusive a sua questão.
Eu gosto muito de roteiros que não subestimem a minha inteligência e não ficam explicando tin tin por tin tin, mas aqui também cabiam algumas explicações que não chegaram a existir.
O resultado final da narrativa é um tanto decepcionante para quem esperava uma obra prima de roteiro. A discussão sobre o tema é muito bem construída, mas no enredo em si parece ficar vaga.
O visual do filme é interessantíssimo, com jogos de contraste que fazem alusão ao título o tempo todo. Os cortes são adequados, e aqui mais uma vez – em menor escala – Cortés se mostra fã do Hitchcock, inclusive em algumas referências pequenas e até bobas, como pássaros se chocando contra janelas - e aqui, assim como em Enterrado Vivo, temos mais uma vez a pretensão além do alcance do projeto. Na verdade a direção aqui é essencial para que um cinéfilo goste pelo menos de alguma coisa no filme.
Sigourney Weaver e Cillian Murphy também são elementos importantíssimos para os pontos positivos do filme, e Robert DeNiro é o ator completo de sempre, mas ainda um pouco distante das suas melhores e mais intensas atuações. Elizabeth Olsen não precisava estar ali, nem sua personagem, mas ela faz um trabalho adequado e é bem melhor que suas irmãs nesse negócio de atuar.

Resumo da Ópera:

No final das contas, tudo o que eu fiz nesse texto foi apontar alguns aspectos da maneira como o filme foi narrado ao invés de dizer realmente se foi ou não um bom filme nesses aspectos. E talvez seja essa a sensação que temos ao terminar de ver “Poder Paranormal”. Uns gostam muito, outros detestam e se decepcionam, outros simplesmente assistem e pensam por um tempo no filme até esquecerem. Sim, por que infelizmente o filme não é nada inesquecível quanto poderia ser. E nem tão ruim quanto pode parecer. É um filme que mostra que Cortés pode não ter alcançado seu objetivo de ser o novo Hitchcock ainda, mas tem potencial para ter uma carreira bem mais promissora do que a de M. Night Shyamalan por exemplo.

Cotação: 3/5

Um comentário:

  1. Uma correção: o filme foi lançado sim nos cinemas, aqui no Brasil - eu mesmo assisti no Multiplex de minha cinema e gostei muito.

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