sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Revelação (What Lies Beneath, 2000)






Título Original: What Lies Beneath
Ano de Lançamento: 2000
Direção: Robert Zemeckis
Roteiro: Clark Gregg
Elenco: Michelle Pfeiffer, Harrison Ford, Amber Valetta, Miranda Otto, Diana Scarwid
Sinopse: Depois de um ano com mudanças de casa, um acidente traumático e a ida da filha única para a faculdade, a vida de Claire Spencer parece que vai seguir tranquila, e o seu marido, um renomado cientista, o Dr. Norman Spencer está numa vida próspera e é o marido perfeito. Mas nenhuma dessas coisas ajuda quando começam a acontecer coisas estranhas e segredos começam a vir à tona (literalmente).

Por Ravenna Hannibal
 
Ok, filme de 2000, dirigido pelo até então competentíssimo Zemeckis, que passava sempre no Supercine e pra variar com um nome em português que não é exatamente parecido com o título original. Nessa época, principalmente depois do sucesso de “O Sexto Sentido”, estava na moda fazer filmes de suspense com pitadas sobrenaturais e coisas de “Ver Gente Morta”. E era o que mais tinha em Tela Quente e Supercine. Ainda assim, apesar de bem conhecido, com nomes como Zemeckis, Harrison Ford e Michelle Pfeiffer no elenco, hoje em dia não é um filme exatamente memorável do qual todos lembram. Não é mainstream como O Sexto Sentido. Mas Revelação, apesar de não ter revolucionado nem ter sido exatamente original em nada na sua execução, tem lá seus méritos.
E como já comecei a falar de que o filme não é exatamente lá essas coisas, vamos fazer o contrário hoje. O que não presta no filme primeiro.

DESCE!

Bem minha gente, Zemeckis é do time do tio Spielba e adora um espetáculo. Por isso o clímax do filme, quase em seu desfecho se torna algo um tanto... ahh... “OI? COMOASSIM?”. Não que seja TÃO sem noção assim, mas sabe aquelas coisas que são “mais ou menos”, mas onde o “menos” incomoda bem mais? Pois é... por um momento você pensa estar vendo um filme de fantasia.
O esforço de apresentar os personagens e as situações destes com calma é louvável e é um ponto positivo, mas o filme enrola um bocado antes de começar com o que realmente interessa. Aliás, falando em enrolar e em intenções louváveis mas ligeiramente exageradas, aqui temos ótimas e perceptíveis referências a filmes e estilo de Alfred Hitchcock, mas muitas delas em exagero, a mais óbvia inclusive tomando tempo demais, mesmo sendo contada como uma espécie distorcida de McGuffin (oooutro elemento que Hitchcock utilizava muito), que geralmente é um elemento de distração, desculpa ou mesmo um condutor inicial para o público antes que realmente entremos no foco do filme. Mas aqui tem mais destaque e importância do que merece.
As vezes isso se torna extenso demais e parece que o filme vai começar a ficar chato. E no fim das contas você percebe que o filme poderia ser menor. BEM menor (e olha que ele nem é grande).
Porém o que considero o pior defeito do filme são algumas coisas que o Clark Gregg colocou no roteiro que atrapalham a direção e o clima de suspense: Alguns diálogos claros DEMAIS, acabam tornando previsíveis algumas coisas que acontecerão no roteiro, o que tira metade da graça da história.
Mas...

SOBE!

Para ser justo, vou citar aqui como qualidades, duas coisas que apontei também como defeitos por conta dos exageros: O desenvolvimento e preparação sem pressa dos personagens e do clima e as referências a Hitchcock, que algumas vezes cansa, noutras apenas torna a história ainda mais charmosa.
Acho que podemos chamar “Revelação” de suspense limpo. Sem sangue, sem representações gráficas demais de fantasmas (ok tem uma cena constrangedora em relação a isso, mas relevo), sem exageros demais na trilha sonora pra provocar sustos (sim, esse elemento está lá e aparece muitas vezes, mas não é o que realmente faz o filme ser tenso), e ainda assim prende o espectador na cadeira.
A atmosfera de suspense é criada inteiramente por dar ao espectador a chance de ver tudo apenas pelo ponto de vista de Claire, que parece confusa, limitada e frágil – o que é apenas parcialmente verdade. As sequencias na banheira são interessantíssimas e acabam tornando a banheira de “Revelação” como um souvenir emblemático assim como o clássico Psicose tem o chuveiro, Poltergeist tem a televisão, O Chamado tem a fita, etc.
A dinâmica entre Michelle Pfeiffer e Harrison Ford é mais do que competente.
Com algumas reviravoltas surpreendentes (pra quem não leu a sinopse “spoilerenta” do filme), ele usa os clichês do gênero sem exageros, fotografia sem ser muito escura, mas ainda mantendo a tensão.
Algumas sacadas nos planos são interessantíssimas, brincadeiras com movimentos, ângulos e coisas do tipo, trazem muitos pontos positivos para a trama. A trilha sonora é adequada (e também lembra as trilhas de Bernard Herrman, queridinho do tio Alfie Hitch).

Resumo da Ópera:

Enfim, Revelação é um ótimo filme de suspense que foi feito de uma forma da qual não mais se vê hoje em dia. O final é meio desanimador, mas não estraga a boa experiência de assisti-lo e se sentir realmente tenso em algumas cenas.
Mas ele tem lá seus defeitos que o tornam bem mediano em vista de outros bons suspenses lançados na época e que o ajudaram a não se tornar um filme memorável. Uma pena, por que quem conhece o trabalho de Zemeckis e da dupla principal do elenco sabe que poderia ser bem melhor.

Cotação: 3/5

TRAILER

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