quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Além da vida - Hereafter (2010)



Título Original: Hereafter
Ano de lançamento: 2010
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Peter Morgan
Elenco: Matt Damon, Bryce Dallas Howard, Cecile De France
Sinopse: Três pessoas são tocadas pela morte de maneiras diferentes. George (Matt Damon) é um americano que desde pequeno consegue manter contato com a vida fora da matéria, mas considera o seu dom uma maldição e tenta levar uma vida normal. Marie (Cécile De France) é jornalista, francesa, e passou por uma experiência de quase morte durante um tsunami. Em Londres, o menino Marcus (Frankie McLaren/George McLaren) perde alguém muito ligado a ele e parte em busca desesperada por respostas. Enquanto cada um segue sua vida, o caminho deles irá se cruzar, podendo mundar para sempre as suas crenças.



Por Tia Rá, a múmia.

Antes que venham aqui queimar essa bruxa que vos fala na fogueira da santa inquisição, vou logo avisando: Tia Rá ama o Tio Clint, esse caso de amor louco regado a muito charuto, tiros e viagra. Então, nem comecem com a choradeira. Eu entendi o filme, a ligação entre as pessoas, a função de cada uma ali, e tals, ok? Firmamos o pacto. Mas o fato é que aqui nessa bagaça de filme tá tudo trash e tudo tá errado, produção!

Matt Damon (Mete Demo, né, Nana Buracão?) vira Oda Mae Brown (sobe a música: ooooowwww mmmaaaiiii looooveee) num filme insosso, de fotografia péssima, trilha sonora estranha e deslocada, com um começo fenomenal - oito minutos em que gritei horrorizada com tanta água na minha frente (o que será de mim em O impossível com a Naomi Watts? Não quero morrer afogada!) mas um desenvolvimento sonolento e um final tipo Glória Perez beijos para quem acompanha Nada Consta em Salve Flop.

Vocês anotaram a placa daquele carro?
A trama pega um arco com uma personagem chamada Marie, que tomou um banho de tsunami lá na Ásia - um festival de efeitos visuais de oito minutos que abre o filme que me deixou zonza e toda molhada aterrorizada e desorientada - e quase que vou para o além com a coitada. Paralelo a isso, um médium que abandonou a vida de caboclagem e contato parapsicólogo tenta colocar sua vida nos eixos, fazer a linha sou normal, entendem? Mas aí, como se não bastasse essa água batizada, entra na trama dois guris, irmãos gêmeos, com uma mãe toda metralhada de droga, que acabam se separando por um acaso uma vez que um deles morre atropelado (ainda tá aí, gente?). Cada um então vai tentar lidar com seus problemas com a morte, sabe? A Marie procura entender mais sobre sua experiência de quase #partiu. O guri tenta compreender a perda e superar a morte do irmão - e fica sem aceitar mesmo.  Paralelo a isso, o personagem de Mete Demo tenta escapar dos ataques de pessoas que querem ser suas mãos lidas pelo vidente para falar com aquelas pessoas que eles gostavam e que morreram. Enfim, essa coisa toda boring.

Olha, vamos falar a real... Quando o filme cai naquele conflito de ciência vs crença vs religião vs ateísmo vs Mortal Kombat e uma série de discussões (preste atenção no encontro entre Marie e a dona da clinica, que era ateia e cientista, mas passou a observar padrões em experiências quase morte e passou a crer em algo além do que a ciência podia explicar) o filme dá aquela respirada e sinaliza que vai subir, entende a situação? 

Oi? Tchau.
Mas a procura do guri pelo contato do irmão poderia comover, uma vez que ele cai na lábia de inúmeros charlatões que prometem contato com o espiritual, mas não se realiza. Só que é entendiante - eu mesma ia entrar no filme pra empacotar esse exu! Que guri pé no saco! AFE! O roteiro ainda tem aquela mensagem piegas de novela da Record de que devemos aproveitar a vida o máximo e que tudo isso aqui é uma passagem que pode terminar em nada (o namorado de Marie não crê num pós morte, confere?) e a de que todo mundo tem seus altos e baixos na vida, mas enquanto respirarmos e não podemos fazer aquilo que gostamos, nos realizarmos, a vida não terá sentido. Perceberam que tinha potencial né? Mas tudo tem aquele aspecto trash. Não sou obrigada, gente!

Para cada cena construída brilhantemente - a sequencia do metrô, que o menino escapa, é perfeita e surpreendente! - tem a fotografia do filme, escura, estranha, que parece feita por alguém sem experiencia em iluminação. Tem o irmão do personagem de Mete Demo (ambos são tão desinteressantes que nem me preocupei em gravar o nome), cujo papel é totalmente sem importância, do tipo "cheguei e saí do filme e ninguém percebeu, hein?". A trilha sonora é totalmente deslocada, broxante. Toda vez que ela sobe (ui...), o filme fica sem emoção, com notas de piano soltas, acordes soltos, interferindo negativamente na emoção dos atores (repare na cena em que Dallas descobre sobre o seu pai lhe pedir perdão pelo que fez a ela. De repente, a trilha surge do nada e queima a interpretação dela; o mesmo vale para a cena em que Marie toma um fora homérico do namorado num jantar. A atriz se segura, mas a trilha praticamente afunda o trabalho dela). A única que se salva ilesa do elenco, aliás, é a atriz que interpreta Marie, defendendo um personagem que transita entre a crença e o cético e que sabe o que viveu mas não consegue convencer as pessoas de tal. Gostaram da tia falando difícil, né? 

Mãe Dináda
E o resto do elenco, gente? kkkkkkkkkkkkkkkkkkk COMOLIDAR? Não dá para não disparar aquele risinho de canto de boca toda vez que Mete Demo faz a Mãe Dináda e cria uma conexão espiritual com o além - e vem aqueles flashs de filme B de fantasmas meets SupernaturalLogo, a imagem de Oda Mae Brown em Ghost, com aquele cabelo armado e toda aquela espiritualização charlatona brega aparece para acabar com qualquer possibilidade de seriedade da produção. O que é aquilo? Cadê a o túnel, Clint? Cadê a luz lá no final, cadê a emoção? Mas Mete Demon é ótimo, né? Faz aquela cara de quem peidou, cheira o ambiente, se espreme, esfrega as mãos.... hummm fedeu! 

Não ajuda em nada a entrada de Bryce Dallas Howard como uma mulher que tem seu segredo revelado e some do nada também. (Braice Dalas Ráuarde, é isso mesmo, Nana? Don't me criticaise, plise). O discurso de dom e maldição se perde no meio do caminho, a divisão de tramas é totalmente deslocada - a personagem Marie e o personagem de Demo (não o ator, que aqui é uma porta) seriam suficientes para render um filme fenomenal - mas nada que livre o ritmo do filme massacrante, a ponto de virar um sonífero pra ninguém botar defeito. O final deve dar orgulho a Gloria Perez, com direito a Paris e dois personagens que se encontram do nada para nada a ver, entende a situação, produção?

Cotação: 1/5

Melhor e mais emocionante é morrer afogada num tsunami.


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