domingo, 23 de dezembro de 2012

As aventuras de Pi (2012)




Título Original: Life of Pi
Ano: 2012
Roteiro: David Magee
Direção: Ang Lee
Elenco: Suraj Sharma, Irrfan Khan, Tabu, Adil Hussain, Gerard Depardieu, Rafe Spall
Sinopse: Pi Patel (Suraj Sharma) é filho do dono de um zoológico localizado em Pondicherry, na Índia. Após anos cuidando do negócio, a família decide vender o empreendimento devido à retirada do incentivo dado pela prefeitura local. A ideia é se mudar para o Canadá, onde poderiam vender os animais para reiniciar a vida. Entretanto, o cargueiro onde todos viajam acaba naufragando devido a uma terrível tempestade. Pi consegue sobreviver em um bote salva-vidas, mas precisa dividir o pouco espaço disponível com uma zebra, um orangotango, uma hiena e um tigre de bengala chamado Richard Parker.

Por Lady Rá

Ang Lee é sem dúvida um dos diretores mais versáteis, sensíveis e competentes da atualidade. São dele filmes considerados obras-primas como O tigre e o dragão, O segredo de Brokeback Moutain e Tempestade de Gelo, o controverso Hulk e o romântico Razão e Sensibilidade, dentre outros. Embora sejam filmes bem diferentes, em todos eles é possível identificar a sensibilidade do diretor que possui a capacidade de extrair emoção de qualquer história. Não é diferente com As Aventuras de Pi (tradução infeliz para Life of Pi, que quebra simbologia presente no título) baseado na obra literária de Yann Martel (obra marcada por uma polêmica envolvendo plágio, mas não pretendo entrar nesse assunto), que não li, vale ressaltar.

As aventuras de Pi faz um estudo da relação do homem com a religião, com Deus e com si próprio. A história segue um adolescente indiano chamado Pscine Patel, ou simplesmente Pi, que se vê a deriva em um bote no oceano pacífico, tendo que dividi-lo com uma zebra, uma hiena, um orangotango e um tigre de bengala. Tudo isso porque, sua família, proprietária de um zoológico, viajava com os animas para América em um navio que naufragou no oceano pacífico após uma forte tempestade. Pi seguia três religiões: era hindu de nascença, se tornou católico por admirar a história de Jesus e mulçumano por se identificação.


O tema religião é constantemente abordado pelo roteiro, que em alguns aspectos soa explicativo demais, limitando as possibilidades do público fazer sua própria interpretação, situação que fica evidente nos diálogos entre Pi adulto e um escritor para quem ele conta sua história. E também as explicações quase didáticas sobre a vida de Pi antes do naufrágio torna o primeiro ato menos envolvente. Além do fato de já sabermos que Pi sobreviverá, o que nos priva da torcida pela sobrevivência do rapaz, embora esse não seja o foco do filme. Por outro lado é importante entendermos certas coisas para compreendermos os fenômenos que acontecem durante o período que Pi fica no oceano.

De qualquer forma, esses pequenos detalhes que podem soar como excessos do roteiro, ou não, dependendo da percepção de cada um, são minimizados graças à direção magistral de Ang Lee. O diretor consegue transformar o texto, que por si só já leva a grandes reflexões em um show visual, nos levando junto com Pi em sua jornada espetacular de luta pela sobrevivência. Lee consegue transformar em imagens, as relações entre o ser humano com Deus, com os animais, com sua própria natureza, explorando as mais profundas e primitivas emoções do ser humano. Auxiliado por uma bela fotografia que explora o colorido dos cenários e da cultura indiana, transformando o extenso oceano em um cenário intrigante, cheio de criaturas fantásticas, concebidas por Pi em sua solidão. A cena do naufrágio consegue ser triste e visualmente espetacular, Destaque para um plano que mostra Pi dentro do mar enquanto o navio afunda, a imagem fala por si só. É angustiante e sensacional. Cena, aliás, que conta com o belo trabalho da equipe de efeitos especiais, que são um show a parte.

Dessa forma o maior mérito da qualidade de As aventuras de Pi está na condução criativa de Ang Lee, que extrapola os limites do conhecido, num magnífico misto de fantasia e realidade. Usando de uma sensibilidade única que é marcante na carreira do diretor, Lee extrai as emoções do ator estreante Suraj Sharma, que vive Pi na adolescência, sem jamais cair no drama exagerado. As aventuras de Pi, é sem dúvida, um dos melhores filmes do ano e um dos mais criativos dos últimos tempos.

Cotação: 4/5

Só não dou nota máxima, pelos problemas de roteiro, que, para mim, quebram um pouco as sensações e reflexões a respeito da história. Mas, sem dúvida, As aventuras de Pi é um ótimo filme. 

2 comentários:

  1. Assisti hoje no cinema. Fiquei maravilhado. E um pouco perturbado também, rsrs.
    Excelente crítica, Lady Ra, só discordo da opinião sobre o primeiro ato. Achei muito envolvente e divertida a introdução da história, com o Pi adulto contando sua infância. Me lembrou levemente o estilo narrativo do Jean Pierre Jeunet, em Eterno Amor e, é claro, (minha amada idolatrada e fofa) Amélie Poulain.
    Mas enfim, é um filme sensível, envolvente, um orgasmo visual, e principalmente, tem um carisma que poucas vezes se vê num filme. A atuação do protagonista é excelente, mas quero destacar o Pi adulto. Puxa vida, que naturalidade, tranquilidade, tipo... fiquei com aquela sensação de "como seria legal ser amigo desse professor Pi".
    Assisti em 2D e não me arrependi. Ultimamente 3D só tem me dado cefaleias... E é isso. Nite nite!

    PS: Reparou que a ilha dos suricatos vista do horizonte tinha a forma de uma mulher deitada?
    PPS: Sentiu uma leve aura de "O Labirinto do Fauno" nesse filme? heheheh

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    Respostas
    1. OI Fábio, desculpa o atraso, só agora vi seu comentário. Bom, o filme é lindo mesmo. Mas sobre o primeiro ato, eu fiquei ansiosa pelo naufrágio e não queria que ele me explicasse tudo explicadinho, se explicasse menos coisas e deixasse mais aberto a interpretações seria ainda melhor do que já é, na minha opinião, claro. :)
      Mas sem dúvida, Pi é um ótimo filme, e merece todo destaque que vem tendo nas premiações, e só de apresentar algo diferente do que é comum se ver no cinema de hoje, já é um grande mérito.
      Labirinto de Fauno??? Humm, não pensei nisso, assisti há tanto tempo... agora fiquei curiosa por uma revisitada. Mas na época que vi, gostei bastante. Obrigada pela visita!

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