sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Não adormeça - 1982 (Don't go to sleep - 1982)




Título Original: Don't Go To Sleep
Ano de lançamento: 1982
Direção: Richard Lang
Roteiro: Ned Wynn
Elenco: Dennis Weaver, Ruth Gordon, Valerie Harper
Sinopse: O filme tem foco em uma família suburbana americana com três filhos: um garotinho, Kevin, e duas garotas: Jennifer e Mary. A primeira, mais velha, morre em um acidente de carro. Uma tragédia que faz com que a família se mude para outro lugar. Todavia o fantasma da garotinha retorna e aparece para sua irmã Mary. Ela diz estar muito triste e irritada, já que seus pais, sua avó e seu irmão não se lembram mais dela e que apenas Mary ainda a ama. E pra demonstrar esse amor, Jennifer pede um favor para Mary para que só assim possam ficar juntas pra sempre.



Por Jason

Passeando pela net, encontrei essa pérola feita para a televisão e lançada no ano de 1982, "Não adormeça" e achei que deveria compartilhar com os leitores minha opinião sobre o filme. Não, o filme não é bom, é ruim que dói, mas soube que é raro e que costumava passar em canais da Tv Aberta quando ainda era criança. Confesso que tem tem até um plot interessante (ou seria "curioso?"), mas uma execução digna dos melhores trash. E trash, vocês sabem, a gente AMA!

tagline de divulgação do filme dizia algo como "Mary acredita que existe algo vivo debaixo da cama dela. Mary está certa", o que me despertou logo atenção uma vez que o que está debaixo da cama dela, no filme, já morreu (!) e não é nenhum monstrengo. O filme conta a história de uma família que se muda para uma casa e lá, a filha mais nova, Mary, começa a mudar de comportamento. A irmã da menina, Jennifer, morreu num acidente de carro causado pelo pai alcoolizado, que bebeu antes com o total apoio da sogra. Durante a viagem de volta para casa, Jennifer perturba demais Mary, a ponto de ela se juntar com o irmão e amarrar os cadarços da menina. O pai perde o controle do carro e bate, Jennifer fica presa sem conseguir sair, Mary foge, bate a porta deixando-a lá e o carro explode com ela. 

O resultado desse fato é que a família empurra a culpa um para o outro, claro, enquanto a mãe tenta seguir em frente pois tem outros dois filhos para cuidar. A sogra, no entanto, coleciona fotos da menina morta tentando se livrar da culpa por ter alcoolizado o pai da menina - e tanto ela quando o pai trocam rusgas pelo acontecido. 

Uma noite, alguém solta um lagarto de criação do menino na cama da velha e ela infarta. Em seguida, o irmão de Mary cai do telhado e morre. O pai é eletrocutado na banheira. Todos os eventos acabam tendo a presença de Mary. Descobre-se que Mary está, na verdade, adotando a personalidade da menina morta, uma vez que era obcecada pela irmã - mas a última cena, contudo, muda o que foi visto anteriormente, deixando uma interrogação na cabeça do espectador - seria Jennifer não uma visão causada pelo distúrbio de Mary, mas um espírito que se apossou do seu corpo para se vingar? 

Como visto, a ideia do filme poderia render algo brilhante, deixando na cabeça do espectador uma dúvida ao final - cuja resposta dependeria exclusivamente de suas crenças. Ocorre, porém, que o filme coleciona certas bizarrices trashs e vícios porcos de filmagem, como aquela trilha sonora insuportavelmente brega que sobe além do limite da paciência toda vez que algum evento paranormal ou assassinato vai acontecer (ou quando uma boneca simplesmente vai se mexer sozinha). O drama de desestruturação familiar falha porque os atores são ruins e o roteiro não dá espaço - as mortes acontecem sucessivamente praticamente, sem que o espectador nem a família sejam capazes de senti-las. A direção não tem criatividade - em determinado momento, Mary está batendo um papo descontraído com a "irmã" morta que lhe pede um "favor" - e a montagem, uma das coisas mais importantes num filme de suspense, falha amargamente - transformando até mesmo um cortador de pizza em um assassino mortal. É bizarro.

O filme tem a participação de atores como Dennis Weaver (de Encurralado, que dizem ter sido o primeiro filme comercial de Steven Spielberg) e Ruth Gordon, cinco vezes indicada ao Oscar e premiada pela Academia como coadjuvante em O bebê de Rosemary. Preste atenção no menino irmão de Mary. Ele faz o papel de irmão de outra menina atormentada, desta vez no cinema - a Carol Anne em Poltergeist.

Cotação: 0,5/5

Vale pela ideia, que melhor executada renderia um filme digno de nota. No mais, serve apenas para os fãs de filmes do gênero saciarem a curiosidade dessa "pérola" - e para aqueles que se sentiram perturbados quando criança perceberem o quanto o filme é ruim.
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