segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O Enviado (2010)




Título Original: Sympaphy for Delicious
Ano: 2010
Direção: Mark Ruffalo
Roteiro: Christopher Thorton
Elenco: Christopher Thornton, Mark Ruffalo, Laura Linney, Orlando Bloom, Juliette Lewis.
Sinopse: Dean O'Dwyer, também conhecido como "Delicious D", é um brilhante DJ do cenário musical de Los Angeles. Quando um acidente de moto deixa Dean paralizado, ele abandona seus toca-discos por uma cadeira de rodas, enquanto sua promissora carreira desaparece ante seus olhos. Forçado a viver em becos sujos, Dean começa sua descida à depressão quando encontra o jovem padre Joe Roselli. Ele introduz Dean no mundo da cura pela fé, uma maneira incomum para ele começar seu desafio de andar novamente. Logo descobre que ele possui o poder sobrenatural de curar pessoas, mas numa brincadeira do destino, ele não pode curar a si mesmo. Ignorando os avisos do padre Joe, Dean decide furiosamente usar seu dom recém-descoberto para a fama e fortuna. Ele junta-se a uma banda de rock liderada pelo carismático vocalista The Stain, com o baixista Ariel e a empresária Nina Hogue. Mas sua recém-descoberta notoriedade não pode curar a dor que permeia sua vida...

Por Lady Rá


Antes de falar sobre o filme O enviado, dirigido por Mark Ruffalo, vou só frisar uma coisa pra vocês: Eu amo demais essa criatura linda, com esses olhinhos cor de mel. ^^ Além disso, eu no meu juízo normal, também o considero um ótimo ator. Ruffalo sempre empresta humanidade aos seus personagens, seja em comédias românticas bobinhas ou em filmes mais sérios. Ele tem aquela coisa demonstrar através do olhar o que o personagem realmente sente, mesmo em cenas simples, que não revelem muita coisa. E eis que este talentoso ator resolve se arriscar na direção com o longa O enviado. Ruffalo e seu amigo de longa data, e também ator e roteirista, Christopher Thorton tentaram por anos tirar o projeto do papel, até conseguirem orçamento de uma dessas pequenas produtoras que bancam filmes independentes.

A premissa é boa e poderia gerar debates interessantes: Dean, um DJ paraplégico, vive na mais absoluta miséria, na periferia da cidade. Ele vaga pelas ruas, levando a vida como pode, lamentando sua própria desgraça e tentando fazer uns bicos por uns trocados. Na comunidade em que vive, um há um padre que tenta ajudar aquelas pessoas, distribuindo comida, dando conselhos, tentando conseguir-lhes remédios, roupas e até mesmo abrigo. Um dia Dean descobre que tem o dom da cura, o que logo chama atenção do padre, que o incentiva a usar o seu dom para ajudar as pessoas, Mas há um problema, Dean não consegue curar a si próprio o que faz com que ele perca cada vez mais sua fé e acabe se envolvendo com pessoas interessadas em usar o seu dom para ganhar dinheiro. Dean então passa a participar de shows com uma banda de rock (diga-se de passagem, horrível) liderada por The Stain (Orlando Bloom) e Ariel (Juliette Lewis). Stain e a empresária da banda Nina (Laura Linney) fazem as vezes de “vilões”, que não tem o menor escrúpulo em explorar o dom do rapaz, já Ariel, uma mulher viciada em remédios e álcool que sempre acreditou no talento de Dean e tentou ajudá-lo, não concorda com tais atitudes.

Obviamente este não é o tipo de filme para diversão e sim para reflexão, o problema é que o roteiro de Christopher Thorton é tão didático que não abre espaço para que o público pense sozinho. A mensagem que o filme pretende passar fica evidente ainda no primeiro ato e só resta ao telespectador esperar pelo desfecho. Além disso, à exceção do protagonista Dean, os demais personagens são pouco desenvolvidos. E, infelizmente, a mão pesada de Ruffalo pouco ou nada contribui para melhorar este quadro, o elenco que conta com gente talentosa como Laura Linney e Juliette Lewis está caricato e perdido em cena. Thorton que vive o protagonista, não consegue dar a dimensão necessária ao personagem e Ruffalo está adequado, dentro das possibilidades de seu personagem. Quem parece se divertir fazendo o filme é Orlando Bloom, que vive o líder da banda que explora Dean, embora o ator continue demonstrando sua falta de talento, dá pra perceber que ele curtiu brincar de astro do rock. Quanto à parte técnica, a fotografia é simplória, os enquadramentos não favorecem os cenários e os atores, a iluminação é cansativa. O filme, que tem uma introdução que mais parece um video-clipe, posteriormente sofre com um problema de ritmo e uma montagem problemática, resultando numa espécie de misto de simulação daqueles programas de TV que mostram pessoas com problemas pessoais, tipo Márcia Goldsmith, com programas religiosos. 


A sensação de tédio só começa a desaparecer no terceiro ato, quando há uma reviravolta que fará Dean e o Padre Joe repensarem suas atitudes. Mesmo assim, a falta de experiência de Ruffalo na direção ainda incomoda, embora as cenas sejam mais bem filmadas em comparação com o resto. Nos momentos finais, a última conversa entre Dean e o Padre Joe se torna um dos raros bons momentos do filme e é Ruffalo quem domina a cena. Porém o roteirista acaba forçando um pouco a amizade com um desfecho bizarro e enfiando uma mensagem religiosa pela goela abaixo do telespectador. Ainda assim, a última cena ao som de “I Started a Joke” é bonita. O caso aqui é que o filme não cativa, não choca, não emociona e muito menos leva a reflexão como deveria. Torço para que em uma próxima tentativa o Ruffalo tenha mais êxito.
  
Cotação: 1/5

Valeu a intenção, Mark, mas não foi dessa vez, seu lindo! S2

Curiosidades:

- Christopher Thorton, o roteirista e ator principal do filme, é uma velho amigo de Ruffalo, da época em que ele fazia teatro. O ator sofreu um acidente que o deixou paraplégico, o que acabou limitando um pouco suas possibilidades como ator, mas ele não abandonou o teatro.

- Ruffalo dedicou o filme ao irmão, que morreu de forma trágica em Dezembro de 2008.

Recadinho: Se você é fã do Mark Ruffalo sugiro que assista em DVD e confira os Extras.




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