quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O vingador do futuro - 2012 (Total Recall - 2012)


Título Original: Total Recall
Ano de lançamento: 2012
Direção: Len Wiseman
Roteiro: Kurt Wimmer, Mark Bomback, Ronald Shusett, Dan O'Bannon, Jon Povill
Elenco: Colin Farrell, Jessica Biel, Kate Beckinsale
Sinopse: A premissa da nova versão envolve uma disputa entre os estados-nações Euroamerica e New Shanghai. Vilos Cohaagen (Bryan Cranston) é o líder de Euroamerica, que secretamente prepara uma invasão do estado-nação asiático sob o pretexto de defender o povo euroamericano. Farrell faz Quaid, um operário de fábrica em New Shanghai que começa a acreditar que é um espião (para qual lado, ele não sabe).


Por Jason

Tem certos filmes que nunca deveriam ser refilmados e outros que deveriam ser refilmados por gente competente. O Vingador do futuro, clássico inquestionável de ficção, é do segundo grupo. Sempre acreditei que uma refilmagem do filme de Paul Verhoeven, que envelheceu horrores, podia render um filmaço de ficção capaz de superar o original. A situação aqui é outra.

Não é de espantar o motivo pelo qual o filme foi um fiasco - uma superprodução de 125 milhões que não faturou nem 200 em bilheterias (e foi um fiasco nos EUA onde não conseguiu nem metade). Aliás, MOTIVOS... Incomoda - e muito - a abordagem estilo Playstation 3 do diretor Len Wiseman, de Anjos da Noite, que usa uma fotografia aporcalhada que destoa do tom filme, efeitos irregulares e, para ferrar com tudo, transforma tudo numa correria vazia, sem tamanho (e sem estilo). A partir dos 25 minutos do filme, Wiseman, o roteiro e o espectador perdem o controle completamente do que acontece na tela. Tome carro desgovernado, elevadores desgovernados, trens desgovernados, pessoas desgovernadas e roteiro desgovernado.

E que roteiro porco... cinco pessoas envolvidas, com inspiração em um filme original e um material excelente de Philip Dick ("We Can Remember It for You Wholesale") não conseguiram perceber a total falta de dramaticidade desse monstro. Total Recall 2012 é um filme sem drama, sem as piadas do original e sem nenhuma beleza plástica e cena digna de nota que tanto recordam aqueles que viram o original. Sai Marte e a mistura de ficção, de crítica ácida a sociedade atual, violência e fantasia e entra um filme que tenta se levar a sério demais o tempo todo e deixa uma sensação completa ao final de que o espectador saiu do nada para lugar nenhum. O subtexto político, envolvendo uma colônia ligada a uma Unidade Federativa por um transporte em forma de trem elevador que cruza o núcleo da Terra (e é desculpa esfarrapada para cenas de ausência de gravidade) simplesmente se perde com meia hora de filme e só é retomado na última parte. Percebam que a ideia de que um pedaço de terra é a coisa mais valiosa do planeta (citado no começo) desaparece como uma informação completamente inútil à trama.

Jessica Biel e Kate Beckinsale cumprem bem suas funções de bibelôs ambulantes com cabelos, corpos e maquiagens impecáveis mesmo depois de um quebra pau dentro de um elevador (são vários, todos desgovernados). Recai sobre Kate, aliás, o pior do filme - ela entende que ser vilã é fazer cara de fome o tempo todo e sacudir o cabelo fazendo beicinho (Sharon Stone, me socorre aqui). Colin Farrell não tem o carisma que Schwarzenegger tinha a época do primeiro filme. Mesmo sendo mais ator, Colin é incapaz de dar qualquer importância e relevância ao personagem e a dualidade que o personagem carrega (se aquilo que ele está vivendo é realidade ou ilusão) é completamente desinteressante do ponto de vista de Wiseman. 

Pior: Colin despenca de andar em andar, cai de todas as formas, pula, se esborracha, arranca um aparelho celular de dentro de usa mão, cai do céu com um carro, leva tiro, luta com robô, cai de elevador, morre, ressuscita, e continua com a mesma cara de sempre. Engessado por esse roteiro horrível, todo mundo é abafado rapidamente dentro de um monte de clichês em nome da ação - que vai culminar na patética cena de briga entre Doug (Colin) e o fraquíssimo e caricato vilão ao final (com direito a paradinha antes do tiro/ da facada/ da gravata/ de qualquer golpe para fazer aquela ameaça de morte básica e, pasmem, de repente, algo do nada interferir na cena). Qualquer tentativa de dar um pouco mais de peso para o roteiro (como na cena em que ele e sua parceira Melina estão encurralados) desaparece dois minutos depois num tiroteio.

Os efeitos especiais, mesmo com esforços combinados de diversas companhias menores, não se sustentam e falham amargamente no (horrível, só para lembrar) clímax do filme. Se há algo que preste e é notável positivamente na produção, é unicamente a direção de arte, que é magnífica, transformando a Terra num lugar superpopuloso, onde diversas culturas se misturam (reparem nos letreiros asiáticos, nas gondolas venezianas, e nas espécies de cafés parisienses pós modernos disputando espaço com trens como nos subúrbios de Nova York e favelas suspensas no ar como em morros cariocas futuristas) - e onde a tecnologia se une ao passado em bazares, painéis interativos, trens e toda uma parafernália eletrônica, emulando outros filmes conhecidos (como Inteligência Artificial, Minority Report e Blade Runner). O mundo mostrado no filme é um formigueiro humano amontoado, sujo, desordenado, onde os prédios cresceram ao ponto de se espalharem como uma praga pelos céus e onde os carros transitam não só por ruas suspensas com em pistas magnéticas. 

Há além disso, ideias interessantes incorporadas ao filme, como os telefones implantados nas mãos, fazendo com que o homem seja parte da tecnologia, o disfarce usado pelo herói (mais realista, mas sem graça), os patrulheiros androides e armas diferenciadas e inovadoras (como aquela que laça o bandido e através de magnetismo, o atrai). Mas o péssimo roteiro do filme e a inabilidade de Wiseman em fazer algo que preste se encarregam de atirar tudo para o espaço.

Cotação: 1/5

Para quem curte um filme descartável ao custo de 125 milhões de dólares.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...