quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Trilha sonora - A viagem (Cloud Atlas)




Ao ouvir a trilha sonora de A viagem (Cloud Atlas, 2012) duas certezas vieram à tona para mim: a primeira, a de que algumas faixas da trilha cumpriram sua função de provocar uma sensação de viagem atemporal em quem a ouve (ou seria "sente"?). A segunda é a de que não havia necessidade de tantas faixas, se ela tem uma trinca inicial maravilhosa e uma trinca de faixas finais arrebatadoras, do tipo que a gente não se cansa de ouvir. 

O tema do prelúdio se repete em muitas outras faixas, de diferentes formas ("Papa Song" parece uma versão com sintetizadores de "Adieu"), dando coesão ao trabalho e conectando, aliás, diversos períodos no filme (ao menos é o que sugere a musicalidade da trilha). As últimas faixas, para mim, são as melhores: o tema "Cloud Atlas (finale)" lembra uma valsa, misturando romance, e é interferido lentamente por vocais, incorporando drama com notável sensibilidade e poder de nos transportar - mentalmente - para longe. Os dramáticos violinos incendeiam a penúltima faixa, como se estivéssemos assistindo a um espetáculo dramático em uma ópera ao vivo; e a última faixa, o tema final, que se inicia com notas de piano deslumbrantes fecha o conjunto muito bem. 

Preste atenção na repetição do tema central em "New Direction" e a forma como ele foi retrabalhado. "Temple of Sacrifice" retoma um piano do tema e incorpora um violino dramático - é uma das mais belas da trilha. A trilha sonora do filme atinge seu ápice antes do final com a bela e doce - ao som de um piano elegante novamente -, "All bondaries are conventions", que, numa musicalidade crescente, termina de modo emocionante, brusco e arrasador. "Death is only a door" funciona da metade para o final - como diz o título, o começo é esquisito e sombrio, mas o ouvinte pode sentir uma mudança de tom e uma leveza ao final como se uma porta se abrisse para o céu -, enquanto a faixa abre as portas para a trinca de faixas arrebatadoras da trilha sonora.

Mas a trilha está longe de ser perfeita e é - na minha opinião - apesar de um trabalho acima da média, inferior a de outra trilha excelente do ano, a de "As aventuras de Pi", torcida do pessoal aqui do blog para o Oscar 2013. Além da duração e da quantidade de faixas, joga contra ela, seus momentos de ação e comicidade que parecem destoar do composto - o filme precisa deles, acredito, mas o fato é que a trilha não. Daí surgem as esquisitas e chatas "The escape" - longa além da conta, por sinal - "Luisa’s Birthmark", "Won't let go", "The message" e a comicidade de "Adieu", "Kesselring" e "Cavendish in Distress", idênticas. Sem falar na obscura "Sloosha's Hollow", na tensa "Sonmi 451 meets Chang", pesada, com ares futuristas, que vai de encontro ao revelado nas outras faixas e soa deslocada.

Composta por seis mãos - Tom Tykwer, Johnny Klimek e Reinhold Heil - a trilha sonora de Cloud Atlas, salvo exceções, deve ser eficiente dentro do filme e funciona bem fora dele, se considerado que dez faixas dela formam um composto musical belo e sólido. Às vezes, menos pode ser mais.

Abaixo, em negrito, os destaques.

Track Listings:

1. Prelude: The Atlas March
2. Cloud Atlas Opening Title
3. Travel to Edinburgh
4. Luisa’s Birthmark
5. Cavendish In Distres
6. Papa Song
7. Sloosha’s Hollow
8. Sonmi-451 Meets Chang
9. Won’t Let Go
10. Kesselring
11. The Escape
12. Temple Of Sacrifice
13. Catacombs
14. Adieu
15. New Direction
16. All Boundaries Are Conventions
17. The Message
18. Chasing Luisa Rey
19. Sonmi’s Discovery
20. Death Is Only A Door
21. Cloud Atlas Finale
22. The Cloud Atlas Sextet for Orchestra
23. Cloud Atlas End Title


Cotação: 3/5

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