sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Trilhas Sonoras - O hobbit - Uma jornada inesperada




E continuamos a falar de trilhas sonoras, agora trazendo a trilha de "O hobbit, uma jornada inesperada", de Howard Shore, o maior lançamento nos cinemas do mês de dezembro de 2012. Claro, não vimos o filme ainda - o que fazemos aqui é ouvir a trilha e saber se ela funciona fora dele, se é agradável e se nos convida a visitar a produção na qual ela está inserida.

Howard é conhecido pela trilha sonora de "O senhor dos Anéis" - aliás, exceto o segundo filme, todas são maravilhosas -, falaremos mais delas aqui, em breve. Essas trilhas, aliás, deram merecidamente a ele três Oscar. Agora, Howard retoma sua parceria com Peter Jackson e o que podemos dizer - não como especialistas em trilhas porque não somos, mas como ouvintes e apreciadores mesmo - é que a coisa degringolou de vez. 

Estamos aqui falando da versão original da trilha (circulam pela internet várias versões, incluindo uma estendida com mais faixas). Choca saber o quanto a trilha sonora de O hobbit é genérica, enfadonha, enorme, limitada e sem originalidade - seria esse o motivo de ela ser ignorada nas premiações e no Globo de Ouro 2013, ficando fora das indicações? 

"My Dear Frodo", por exemplo: é fácil saber como e por qual motivo essa faixa foi escolhida para abrir a trilha - ela retoma a série O senhor dos anéis, trazendo ecos de "A sociedade do anel" até o final de "O retorno do Rei". O problema, no entanto, se dá com a entrada de vocais no melhor estilo "Star Wars A ameaça fantasma" (principalmente na cena de luta de sabres com Darh Maul) e pior - é uma faixa gigante de quase 8 minutos que não empolga em nenhum momento.

"O hobbit" é um samba de crioulo doido. "Old Friends" é um martírio musical. "An unexpected party" lembra filme de fantasia de quinta categoria ou um jogo de vídeo game de RPG, com seu tom alegre e um tanto cômico desagradável - falta um tema que se repita e isso impede uma conexão de quem ouve com a trilha sonora - embora deva servir ao filme. Sim, o que se percebe mesmo de ponto negativo nesse começo é a falta de um tema central que nos pegue a audição e nos segure, nos desperte interesse. Saímos dessa faixa para entrarmos na tenebrosa "Axe or Sword", uma espécie de reciclagem piorada de alguma faixa de "O senhor dos anéis". A faixa é lenta, demorada, enjoativa. Ela não se conecta com "Misty mountains", sombria, que começa com sussurros antes de uma canção quase murmurada e estranha (voz creditada a Richard Armitage) indigna de qualquer nota.

"The adventure begins" é mais feliz, alegre, solta. Tanto no violino que abre, quanto na suavidade com a qual se desenvolve e na empolgação que se desenrola usando um tema reciclado da trilogia. Ponto positivo. Ao menos ela se conecta bem com "The world is ahead", uma das melhores da partitura. Ambas, reparem, evocam a trilogia dos anéis e toda vez que ela faz isso, há uma sensação de alívio e beleza, mas ao mesmo tempo de total ausência de personalidade.

Os vocais de "An ancient enemy" e a histeria da faixa não ajudam. "Radagast the brown", traz vocais femininos que tentam passar um tom épico para a faixa, como numa espécie de coral - mas o efeito parece contrário quando a música muda o tom e incorpora violinos, terminando de modo sombrio e misterioso. O tom continua nas faixas seguintes, mudando repentinamente na faixa de ação vibrante "Wrag scouts", com instrumentos de sopros, tambores e muita tensão (e chateação por, de novo, a falta de um tema central interessante).

No Disco 2, Shore evoca mistério, fantasia, vocais femininos e de novo a trilogia dos anéis em uma boa faixa, "The hidden valley", deixando transparecer a sua competência e capacidade, algo que não é visto em nenhuma outra anterior. "Moon Runes" tem notas de "Into the West" escondidas e uma aura dramática que agrada. Tambores, trombones e trovões entram em cena em "The Defiler", desnecessária. Pule para "Over Hill", outro ponto alto da trilha sonora (e recordem do reencontro de Frodo e seus amigos ao final de "O retorno do Rei"). Era esse o Howard que queríamos! 

A partir daí, apenas a bela "A good omen", transmite um tom épico maravilhoso, como realmente deveria ser essa "jornada inesperada", com um tom de fantasia maravilhoso e empolgante. Mas logo depois vem a horrível "Song of the lonely mountain" que me lembrou o tema cantado horroroso de Gollum em "As duas torres". Disparado a pior da trilha, talvez fosse melhor com um vocal feminino (Florence?)? A música tenta jogar uma pá de cal no trabalho de Howard e nem a presença da bela "Dreaming of bag end" logo em seguida consegue nos comover e nos convidar a ouvir toda essa enorme trilha novamente.

Cotação: 1/5

Só para lembrar, é uma opinião pessoal, mas a trilha de O hobbit me pareceu um trabalho sem empolgação, insossa e sem inspiração. Não há um tema central original para identificá-la como em outros trabalhos do ano (a ótima trilha de PI e a partitura de Cloud Atlas) e os tons conhecidos vêm de enxertos reciclados da trilogia dos anéis (que é importante como conexão entre as tramas e personagens mostrados no filme, diga-se de passagem, mas que não deveriam ganhar destaque dentro da trilha). 


Segue em negrito as faixas escolhidas como destaque e que vale a pena conferir.


Disc 1:

My Dear Frodo
Old Friends
An Unexpected Party
Axe or Sword?
Misty Mountains performed by Richard Armitage and The Dwarf Cast
The Adventure Begins
The World is Ahead
An Ancient Enemy
Radagast the Brown
Roast Mutton
A Troll-hoard
The Hill of Sorcery
Warg-scouts

Disc 2:

The Hidden Valley
Moon Runes
The Defiler
The White Council
Over Hill
A Thunder Battle
Under Hill
Riddles in the Dark
Brass Buttons
Out of the Frying-Pan
A Good Omen
Song of the Lonely Mountain performed by Neil Finn
Dreaming of Bag End 


3 comentários:

  1. Bem... como você mesmo disse é uma opinião pessoal!
    A musica foi escrita pelo próprio J.R.R Tolkien criador da história, e acho que as melodias foram perfeitas e feitas exclusivamente para o filme,mas se a melodia feita pelo Howard Shore não te agradou já é uma questão de gosto! Não dá pra saber qual a verdadeira melodia de Tolkien afinal acho que ele não cantou pra ninguém apenas escreveu a música no livro o resto é trabalho da imaginação de cada um que lê! Eu amei, achei que teve tudo a ver com a História.

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    1. Sra. Otsu,

      Eu amei a trilha sonora. A trilha se encaixa como uma luva nas cenas. Inclusive, a canção "Song of the Lonely Mountain", que toca nos créditos finais é linda, tem um arranjo maravilhoso e uma pegada meio "folk", que dá o tom exato da jornada do Bilbo. Combina com o tema "viagem por caminhos estranhos e desconhecidos". A trilha é feita para acompanhar o filme e faz isso bem. Não é a mais linda que já ouvi nada vida, mas é bem eficiente. Mas é questão de gosto mesmo. :)

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  2. Concordo com a Sra Otsu. Ao ouvir as músicas de "O Senhor dos Anéis" percebi que sempre relacionaria aos filmes, mas quanto à trilha sonora de "O Hobbit" foi exatamente o contrário, pois elas trasmitem uma vibração de lutas e vitórias em qualquer circunstância até de nossa vida, um sensação de força que dá ânimo como em Carmina Burana. Em algumas músicas a voz masculina então...faz-nos sentir poder !

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