quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Hitchcock (2012)


Título Original: Hitchcock
Ano de lançamento: 2012
Direção: Sacha Gervasi
Roteiro: Jonh J. McLaughlin, baseado no livro de Stephen Rebello
Elenco: Anthony Hopkins, Helen Mirren, Scarlett Johansson, Toni Collette, Jessica Biel, James D'Arcy, Danny Huston, Michael Wincott
Sinopse: Filme focado no "Making Of" do clássico "Psicose", acompanhando desde o surgimento do interesse de Alfred Hitchcock em filmá-lo, e os desafios que enfrentou para gravar o filme enquanto passava por crises em seu casamento e consigo mesmo.

Por Ravenna Hannibal

O Hitch original
É claro e evidente que não foi a toa que resolvi falar de “Psicose” do meu querido Tio Alfie ontem, não é queridinhos?

Dirigido com eficiência por Sacha Gervasi e roteirizado por Jonh J. McLaughlin baseado no livro “Alfred Hitchcock and the Making of Psycho” de Stephen Rebello, “Hictchcock” é um projeto audacioso. Afinal, um filme sobre um dos mestres do cinema e o “making of” do seu maior sucesso gera expectativas.
Principalmente se essas expectativas forem acompanhadas com o bônus de uma indicação merecida ao Oscar de Melhor Maquiagem e nomes como Anthony Hopkins e Helen Mirren no elenco. 

O fato é que “Hitchcock” é um ótimo filme e mesmo com toda a significação que carrega e um trailer arrebatador, nos surpreendemos com um resultado final da obra que não mostra nenhuma ambição de ser o filme soberbo que o Mestre do Suspense com cara de grão de bico merecia.
Sim, temos uma atuação soberba de Hopkins – e isso não surpreende ninguém,  mesmo debaixo de quilos de maquiagem bem feita. A sempre diva Helen Mirren também traz o ar de grandiosidade ao filme, mas ele não é um filme grandioso e – pasmem! – muito menos apoteótico.

Por isso o filme deve ficar abaixo das expectativas de muitos, pois no final das contas temos um roteiro leve e sem muito peso dramático – o que não é um defeito aqui. O filme tem alguns incômodos nesse sentido: vez ou outra durante o filme a gente se depara com algumas poucas cenas que parecem completamente desnecessárias, deslocadas e colocadas ali apenas para lembrar que Hitchcock estava filmando uma película muito mais pesada do que a que estamos assistindo. Assim como algumas cenas tem um sutil tom de documentário de informações especiais num Blu Ray Disc. 

De qualquer forma, além das atuações do casal principal, o filme cuida de usar pitadas de humor bem hitchcockeanas e a dose certa de drama para nos aproximar daquele que parece sempre inatingível por expressões faciais, mas que na verdade tinha sentimentos e dificuldade de lidar com eles. Eu, Hanni, me peguei apreensiva com alguns momentos do filme e em outros gargalhando com algumas piadas constrangedoras que o humor atípico do Tio Alfie proporcionava (“Call me Hitch, hold the cock”).
Algumas cenas são particularmente criativas, como a gravação da cena do chuveiro (adorei o modo como a câmera acompanha os fios e mangueiras por onde a água passa para chegar à ducha) e a genial sequencia em que Hitchcock observa a reação da plateia no cinema diante dessa mesma cena. As sequencias inicial e final são particularmente divertidas e icônicas. 

Mas não são apenas essas cenas. “Hitchcock” é realmente bem filmado e tem algumas referências bem divertidas ao estilo do tio Alfie e também o modo como Sacha Gervasi utiliza a famosa silhueta do cineasta. E isso inclui brincadeiras em cenas que parecem insinuar que a qualquer momento vai ocorrer um assassinato. 
Mesmo que isso tenha sido aproveitado menos do que eu esperava, volta e meia nos pegamos tentando achar pistas e referências aqui e ali, ou tentando comparar com filmes dele (as cenas na praia com Alma e Whit me lembraram muito algumas sequencias de “Um Corpo que Cai”). 

Além dos já citados Hopkins e Mirren, temos no elenco James D’Arcy como um Anthony Perkins MUITO Anthony Perkins (desculpa, não achei melhor expressão), temos Scarlett Johansson bem adequada – nada muito brilhante – no papel de Janet Leigh, comentário que vale também para Jessica Biel como Vera Miles, que não aparece muito aqui.

O grande problema do filme reside justamente na diferença entre o que as pessoas esperavam dele e o que ele se propõe a fazer. Mesmo que parece ter sido a real intenção dos realizadores fazer um filme leve e divertido, com a dose certa de drama e humor, sem muitas situações com peso, isso acabou tornando um filme sobre uma grande personalidade do cinema numa produção que pode ser bastante frustrante para quem espera algo muito denso.
O resultado parece não ter a ambição que tinha o personagem título. Por isso, muitos vão sentir o filme como um drama insosso que parece faltar tempero. E realmente falta um pouco.  Mas essa seria uma declaração superficial por que se deixarmos de lado o que esperávamos do filme e prestarmos atenção no que Gervasi propõe aqui, vamos nos divertir com as situações, torcer para que o Hitchcock consiga filmar Psicose e também resolva seus problemas do estranho relacionamento com sua mulher, Alma (relacionamento e atuações responsáveis pelos melhores diálogos do filme).

Aliás, uma das virtudes mais notáveis de Gervasi é conseguir que fiquemos apreensivos com o que pode acontecer durante a produção, mesmo que já saibamos que Psicose foi um sucesso (virtude que falta a muitos filmes de prequel, por exemplo, que necessitam disso). Não mostrar o resultado final do filme na tela também foi um toque de gênio: além de evitar refilmar as cenas de Psicose (o que poderia ser desastroso), causa um efeito espetacular em quem já assistiu o clássico. 

O filme também merece créditos pela reconstituição de tudo, pelas atuações dos protagonistas, por cenas criativas e bem filmadas. E, claro, por nos mostrar um lado do gênio do suspense que não é tão conhecido. Não é TUDO o que se esperava do filme, mas com certeza é ótimo e é recomendadíssimo para os fãs do Tio Alfie e também para os fãs do bom cinema.


Cotação: 4/5

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Psicose (Psycho, 1960)




Título Original: Psycho
Ano de lançamento: 1960
Direção: Alfred Hitchcock
Roteiro: Joseph Stefano, baseado no livro de Robert Bloch
Elenco: Janet Leigh, Anthony Perkins, Vera Miles, Jonh Gavin
Sinopse: Filme mais famoso do Hitchcock que gira em torno de Marion Crane (Janet Leigh), que num impulso em busca da sua felicidade, rouba uma quantia de dinheiro e foge com ele. No meio da estrada tem que se abrigar no Bates Motel onde conhece o estranho Norman Bates. É quando ela e a sua irmã se envolvem numa louca história que envolve psicose e assassinato.

Por Ravenna Hannibal



O mais famoso filme de Alfred Hitchcock, o marco do suspense e do horror na história do cinema, uma obra prima do suspense, um dos filmes mais surpreendentes da história do cinema, uma das melhores adaptações de livros.
Esses são apenas alguns dos termos usados para definir “Psicose” de Alfred Hitchcock, filme com roteiro que leva o nome de Joseph Stefano, adaptado do livro homônimo de Robert Bloch.

E é claro e evidente que está entre os meus preferidos, não é, minha gente? Afinal, Ravenna Hannibal aqui é realmente chegada num assassinato, num bom suspense, cai de amores pelo Tio Alfie Hitchcock e também leu e adora o livro do Robert Bloch.
Como li o livro, cabe aqui uma pequena observação já feita por mim no meu texto sobre Rebecca: Hitchcock, além de mestre do suspense, é mestre das adaptações. “Fidelidade absoluta” não é o melhor termo para definir Psicose como adaptação, tanto por questões de conveniência de roteiro como por questões óbvias de censura. Mas é extremamente bem adaptado e tudo o que tem de melhor no livro foi magistralmente traduzido para a linguagem cinematográfica.

Mas sem me demorar demais nesse ponto, vamos ao filme puro e simples.
Os créditos iniciais bem trabalhados graficamente para o padrão da época e acompanhados da sempre eficiente e alarmante trilha sonora de Bernard Herrman, já avisam o espectador que ele está prestes a ver algo que na época era diferente e ainda hoje causa impacto à sua maneira.
Então somos apresentados a Marion Crane. Interpretada com talento pela bela Janet Leigh, Marion é quem nos conduz no primeiro ato da história. A primeira cena do filme em que ela aparece com seu namorado a princípio pode parecer desnecessária para alguns, mas é fundamental para compreender os fatos que a levam a moça, até então honesta, a roubar uma quantia considerável de dinheiro do seu chefe.

A partir disso, temos o desenrolar de uma linha que nos conduz ao conflito de Marion com sua culpa, sua necessidade e também seu nervosismo e apreensão diante das consequências que pode sofrer. Isso foi retratado magistralmente no trabalho conjunto de Janet Leigh e Hitchcock. Há uma cena em que Marion está no carro e ao invés de cortar para imagens que mostrassem o que estava acontecendo após a fuga dela, Hitchcock genialmente mantém a câmera no rosto da personagem enquanto ouvimos apenas os diálogos que nos mostram o que acontece nos lugares que ela deixou.

Então entra em cena o icônico Norman Bates, que parece ter sido criado para que Anthony Perkins o interpretasse. Ele é simpático, tem jeito de garoto inocente, mas ainda assim há algo de estranho nele que logo é explicado por um diálogo nada amistoso que Marion ouve dele com a sua mãe. E todo o clima estabelecido desde o início do filme, lenta e gradualmente começa a ficar mais nítido e óbvio e o público pode finalmente sentir que algo de ruim irá acontecer.  Com isso, Alfred Hitchcock garantiu sutilmente que nos minutos que antecedem a célebre cena do chuveiro já estivessem carregados de tensão antes de vermos o  assassinato que além de ser muito bem filmado e – para época pelo menos – assustador , serve como ponto de referência para uma mudança brusca de direção do roteiro, e então, passamos a acompanhar os outros personagens empenhados na procura de Marion.

Então depois disso o filme começa a ser conduzido com a mesma maestria de antes, porém agora concentrado no que o Alfred sabia fazer de melhor: manter os olhos grudados na tela através de uma história que nos deixa ávidos para saber como se concluirá.
Apresentando recursos que hoje em dia são utilizados largamente nos gêneros terror/suspense, Hitchcock guia com sua usual maestria o filme até o clímax chocante e com um plot twist que até hoje ecoa em muitos filmes.

Não é segredo pra ninguém o final de Psicose, assim como não é segredo pra ninguém a genialidade que acompanha essa história e de como é dada a surpreendente revelação.
A única ressalva é a exposição explicativa demais a que se propõe a penúltima sequencia em que um oficial diz algumas palavras de esclarecimento. Em contrapartida, a cena final é particularmente perturbadora.

Mas quem se importa com a exposição? “Psicose” é copiado e usado como inspiração exaustivamente até hoje (até rendeu uma fraca refilmagem do Gus Van Sant que reproduziu até os erros de gravação do original). É um clássico absoluto e não há como negar.


Cotação: 5/5

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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Hotel Transilvânia - 2012 (Hotel Transylvania - 2012)



Título Original: Hotel Transylvania
Ano de lançamento: 2012
Direção: Genndy Tartakovsky
Roteiro: Dan Hageman, David Feiss, Kevin Hageman
Elenco: Adam Sandler, Andy Samberg, Selena Gomez, Kevin James, Steve Buscemi, Ceelo Green
Sinopse: O Hotel Transilvânia é um resort cinco estrelas que serve de refúgio para que os monstros possam descansar do árduo trabalho de perseguir e assustar os humanos. O local é comandado pelo Conde Drácula (Adam Sandler), que resolve convidar os amigos para comemorar, ao longo de um fim de semana, o 118º aniversário de sua filha Mavis (Selena Gomez). O que ele não esperava era que Jonathan (Adam Samberg), um humano sem noção, fosse aparecer no local justo quando o hotel está repleto de convidados e, ainda por cima, se apaixonasse por Mavis.

Por Jason

A animação começa no final do século XIX, com um vampiro Drácula paizão de uma pestinha vampira que ama sua filhinha Mavis e tem que se desdobrar em cuidar da fofura. O filme corta para a época atual. A menina é agora uma adolescente, e o pai super protetor precisa enfrentar os problemas típicos e as exigências da idade. Ela quer ser livre para poder andar na cidade dos humanos, vistos aqui como os verdadeiros monstros, mas o pai, claro, vai segui-la para proteger. Ele constrói uma cidade cenográfica com a ajuda de outros monstros, para fazer a menina desistir da ideia e não sair do castelo. Acontece que um humano aloprado, Jonathan, acaba rompendo a barreira criada para proteger o castelo - um hotel feito para receber apenas monstros -, chegando até ele durante os festejos de aniversário da menina. 

Drácula vai fazer de tudo para esconder o humano e assim manter a fama do hotel como um lugar seguro de repouso para os monstros, sem a interferência humana só que, previsivelmente, sua filha se apaixonará por Jonathan, o que só vai aumentar as confusões, uma vez que Drácula é extremamente controlador e arcaico e não quer mudanças nos festejos de aniversário da filha. O menino acaba ganhando a confiança de todos os monstros e mudando a forma de realização da festa.

O filme é colorido e cheio de referências a outros filmes e outros monstros, de lobisomens a pé grande, de Frankemstein a bruxas, passando por homem invisível, o monstro do pântano, uma hidra, a bolha assassina, e uma múmia obesa desequilibrada mental, dentre outros. Chama atenção a direção de arte da animação, super criativa, com seus pedreiros zumbis que param as obras quando uma morta viva sensualiza de salto alto, castelos assombrados e os monstros, que se reúnem regularmente para festas em que comemoram o aniversário de Mavis e o fato de que estão livres de humanos por muito tempo. Há cenas alopradas, como esqueletos tomando banho de chuveiro, pulgas em lua de mel, jogos de mímica com um homem invisível e compositores clássicos como Beethoven e Mozart, transformados em zumbis. É bizarro, mas inspira genialidade.

Há algumas cenas divertidas, como a dos saltos na piscina e da corrida aérea de mesas, além de personagens divertidos - Drácula é uma alopração. A própria estrutura do castelo, com um dragão como aquecedor, é um show de criatividade. Há também uma metáfora sobre crescer, na pele da menina Mavis, e de viver a vida, aproveitá-la da melhor maneira possível - nada muito diferente de praticamente todas as animações. Mas Hotel Transilvânia tem que apelar para musiquinhas bizarras como um desenho Disney e números musicais enfadonhos ao final feliz. É também previsível e óbvio a todo momento e as piadas nem sempre funcionam - além da apelação do melodrama nos momentos finais. Falta também um perigo, um "vilão" que norteie o filme e a missão dos personagens dentro dele. O filme gira em torno o tempo todo da festa de aniversário de Mavis, da questão de aceitação entre humanos e monstros, e da relação perturbada entre Drácula e Jonathan, o que deixa uma sensação de que sai do nada - para lugar nenhum. 

Cotação: 3/5

O filme custou relativamente pouco, 85 milhões de dólares, mas arrecadou mais de 300 milhões, o que pode ser considerado um sucesso. É merecido porque visual interessante, referências divertidas e deve servir como passatempo para a criançada. Para os adultos, o melhor são as referências pop.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Resident Evil Recomeço - 2010 (Resident Evil Afterlife 2010)

Apertem os cintos, o roteiro sumiu!

Título Original: Resident Evil Afterlife
Ano de lançamento: 2010
Direção: Paul W. S. Anderson
Roteiro: Paul W. S. Anderson
Elenco: Milla Jovovich, Shaw Roberts, Sienna Guillory, Ali Later
Sinopse: Em um mundo devastado por uma infecção viral, em que as vítimas tornaram-se mortos-vivos, Alice continua sua batalha mortal contra a Corporação Umbrella. Ela invade a base subterrânea em Tóquio, comandada pelo impiedoso Albert Wesker, e, usando seus poderes, consegue destruí-la, mas recebe uma injeção que a faz com que volte à condição de humana. Buscando por sobreviventes ela reencontra uma antiga amiga que sofre de amnésia e ao sobrevoar o Alasca, ela encontra um grupo de sobreviventes cercados por uma multidão de zumbis. O grupo esperava que ela fosse uma enviada da "Arcádia", lugar seguro da qual ouviram falar em transmissões radiofônicas. Alice quer saber se o lugar existe mesmo ou é uma armadilha, mas para chegar lá deverá escapar dos zumbis e enfrentar a traição de um dos membros do grupo.


Por Tia Rá

Há algo de errado no Recomeço da série Resident Evil com esse filme Resident Evil Recomeço, com o perdão do trocadilho infame hahaha.

Ok, parei. Povo pede pra tia trolar, né gente? A-f-e!

Camomilla Xoxavixe correndo pra
derrubar o barro, todos chora....
Enfim, voltando ao batentchy. Durante os quase vinte minutos iniciais vemos uma infecção começar em Tóquio, avançar para uma invasão de clones da parapsicóloga ninja vidente mutante Trinity XMEN Alice numa base subterrânea da Umbrella e assistimos a um acidente de um veiculo aéreo em que a ninja super humana heroína Alice escapa. Há pelo menos uma série de aberrações nesse começo de filme que só uma criança de oito anos não notará. 

Primeiro, o fato de que Alice sobrevive a queda do veículo, que soletre comigo produção E-X-P-L-O-D-E ao se chocar com uma montanha - mesmo tendo injetado em seu lindo corpo, pelo vilão loiro gatão tirado a galã Shawn Roberts em forma de porta, uma substância que aniquila o T Virus de seu corpo e devolve sua "humanidade". Ou seja, tia Alice deveria ser vaporizada na hora da pancada, né gente? Mas a gente releva. Só que... NÃO! Porque, segundo, não dá para fingir que não notamos que o T Virus tem a forma de, olha só, um "T" (OI PAUL? WTF?), desenhado em uma animação vagabunda de quinta categoria feita pela equipe de efeitos da Rede Recópia. Terceiro: é de doer a barulheira absurda da trilha sonora, que não consegue criar tensão nem empolgar, com um festival de sons gritando nos meus lindos ouvidos e querendo estourar os meus tímpanos. Porque, na cabeça de Paul W S Anderson, isso é "maneiro"? Ele não tem ouvidos? Não tem tímpanos? Comofas pra ele ouvir? Será que ele acha que aquilo lá é trilha sonora? COMOLIDAR COM ESSA BAGAÇA? Sexta, no Globo Repórter. 

Comofas se eu quiser ir no banheiro
com essa roupa apertada, produção?
Quarto: ninguém avisou para tchio Paul que câmera lenta e filmagem estilo Matrix não funcionam mais desde... Matrix RISOS. Paul adquiriu a mania de Michael Bay de fazer um filme inteiro com câmera lenta - e emular Bay não é ruim, é um desastre. Quinto, e não menos importantchy, gatos e gatas de meu Brasil: quando a porcaria da sequência inicial acabar, se pergunte: no que ela acrescentou a trama???? OIIIIII PAULLLL?

Depois dessa aberração inicial, somos levados por Alice a um local onde ela encontrará a inútil Claire Redfield, que adora fazer pose de fodona, e agora tá sendo comandada por uma aranha bizarra colada nos peito. As duas, claro, brigam, e Alice arranca a aranha. Claire, óbvio, faz a desmemoriada, mas só um pouco (ao menos nesse filme há essa linha "dramática", uma vez que no filme seguinte, quando a personagem Jill Valentine também é parasitada pela aranha safada que adora um peitinho, nem isso faz). Alice, ninja como é, vai pousar avião em topo de prédio, encontrará uns refugiados da praga zumbi e viverá altas aventuras #sessaodatarde lutando contra os mortos vivos.

Espera Milla que eu vou
pular contigo amiga, tamo junta
... 
Eu só tenho a dizer de bom que a direção de arte e os figurinos, mais uma vez, se defendem da direção assassina vagabunda porcalhona de Paul W S Anderson - mas é o seu roteiro o ponto mais negativo dessa aberração (sim, é pior que a direção). O objetivo de todos os personagens, reparem, é chegar em um navio, o Arcádia, que teoricamente recolhe os sobreviventes da praga. A ideia, como visto, é interessante. O arcádia funcionaria como uma arca (OIIIII), um veiculo de esperança e segurança para aqueles que vivem fugindo dos zumbis (não perguntem como eles viveriam ali nem como arranjariam comida, se precisariam ancorar em terra firme pra isso, enfim, tia Rá tá com a bola de cristal quebrada...). Mas Paul joga uma pá de cal naquilo que criou: Milla, carregada com 51257516544 armas das mais variadas é inacreditável que ela consiga carregar tudo de uma unica vez sem perder mobilidade é uma profusão de frases feitas bizarras e capacidades absurdas. 

A mulher, mesmo sem os seus poderes, voa, salta, anda pelas paredes, pula, cacareja, luta, faz a Daiane dos Santos, nunca se cansa, nunca sofre um arranhão, toma uma martelada gigante, se arrebenta nas paredes, tudo, claro, em câmera lenta, porque Paul Anderson entende que é um diretor fodão por fazer slow motion, olha que tudo gente?! SOQUENÃO. E o que é melhor: sem borrar o make Revlon e bagunçar o impecável cabelo Loreal, né gente? Porque não dá para ser uma heroína descabelada que o povo num gosta. 

Tô gatan com essas lentes de contato
de Drag, num tô? riariaria
A cara que Milla faz quando está com o personagem Chris tentando chegar ao depósito de armas e são atacados por zumbis é bizarra - e ela inacreditavelmente espera o homi atirar e ver alguns zumbis serem derrotados para correr minutos depois (sádica a moça, néam...). E o que dizer do personagem vira casaca que, no meio da trama, do nada, resolve fugir usando o avião da heroína e se alia ao vilão lá do começo? Comolidar com este vilão com pose de galã e pernas gostosas que quer comer CamoMilla Xoxavixe literalmente, chupar todo o seu blood e lutar como Neo de Matrix, desviando das balas, meu povo??? Não me pergunte como os personagens Claire e Chris entraram no cenário final do vilão se as portas de acesso estavam fechadas (isso nem a tia aqui nem o tio Paul sabe). R-i-d-i-c-u-l-o!

O filme traz consigo efeitos especiais ordinários, mas isso seria até perdoável em uma produção barata, não fosse as atuações que encantam pela mediocridade e personagens descartáveis - o Chris, que entra no filme em mais da metade da duração, faz aquele drama porco de irmão da desmemoriada, e depois sai sem acrescentar absolutamente NADA. Pior: nada é tão momento "OI" no filme quando o monstrengo que aparece com um machado gigante, vem do nada, ataca aqui e acolá e Alice acha que pode derrubá-lo com um chute - você não leu errado, um CHUTE (!) e o monstro simplesmente morre... com um tiro. Desculpa para colocar personagem dos games, né, tchio Paul. Você finge que ficou foda e eu finjo que gostei, pode ser? 

Para coroar os momentos Blade o caçador de vampiros, temos zumbis cuspidores de tentáculos (outra coisa que tchio tirou dos games). É ou não um deleite de qualquer apreciador de filme trash, minha gente?! Há, ao menos, uma certeza nisso tudo: Paul W S Anderson continua maravilhosamente bem em sua sina de destruir uma franquia que poderia render algo muito interessante mas, de tão esfolada, virou isso daí. Uma montanha de lixo.

Cotação: 0/5

Paul, só tenho uma coisa pra te dizer, gaton...


Juro por Nossa Sinhora dos Zumbis de George Romero que se Camomilla aparecer de nuevo falando MOVE! num filme de morto vivo, eu acabo com ela! Tia Rá não é OBRIGADA a ver essa LÁSTIMA! LEEESSSHOOOO!



domingo, 27 de janeiro de 2013

Ratatouille (2007)




Título Original: Ratatouille
Ano: 2007
Direção: Brad Bird
Roteiro: Jon Pinkava, Brad Bird
Elenco de vozes: Patton Oswalt, Ian Holm, Lou Romano, Peter Sohn, Brian Dennehy, Brad Garrett, Janeane Garofalo, Will Arnett, James Remar, John Ratzenberger e Peter O’Toole.
Sinopse: Paris. Remy (Patton Oswalt) é um rato que sonha se tornar um grande chef. Só que sua família é contra a idéia, além do fato de que, por ser um rato, ele sempre é expulso das cozinhas que visita. Um dia, enquanto estava nos esgotos, ele fica bem embaixo do famoso restaurante de seu herói culinário, Auguste Gusteau (Brad Garrett). Ele decide visitar a cozinha do lugar e lá conhece Linguini (Lou Romano), um atrapalhado ajudante que não sabe cozinhar e precisa manter o emprego a qualquer custo. Remy e Linguini realizam uma parceria, em que Remy fica escondido sob o chapéu de Linguini e indica o que ele deve fazer ao cozinhar

Por Lady Rá
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Poucas animações entrariam no meu Top 100 de filmes favoritos. Digo isso, porque não sou grande fã do gênero. Mas sim, tem aquelas que eu gosto (como é o caso de Happy Feet, A Dama de o Vagabundo, Ta chovendo Hambúrguer dentre outras que ainda não comentei aqui no blog), e quando eu gosto é pra valer. Este é o caso de Ratatouille, uma animação que reúne qualidade técnica, bom roteiro, ótimos personagens, humor e drama bem dosados, resultando na mais pura poesia.


O filme tem como fio condutor a ideia de que qualquer um pode cozinhar, assim, o ratinho Remy, que é admirador de boa culinária, aromas e sabores, acaba se perdendo de sua família e vai parar na cozinha de um famoso restaurante em Paris. Restaurante, cujo falecido dono, o chef Gusteau, era o grande defensor dessa ideia. Lá Remy conhece o jovem Linguini que é contratado como faxineiro do restaurante e acidentalmente, faz com que todos pensem que ele é um excelente cozinheiro. O problema é que o restaurante Gusteau’s, que havia tido seu auge quando o chef ainda era vivo, recebeu uma crítica arrasadora de Anton Ego, um implacável crítico de culinária que não comprava a ideia defendida por Gusteau, o que fez com que o estabelecimento perdesse uma estrela, causando muito desgosto ao Chef. Quando Remy chega ao restaurante, ele é administrado com a mãos de ferro pelo chef Skinner, que fará de tudo para impedir a ascensão de Linguini.

Dirigido por Brad Bird, Ratatouille um deslumbre técnico que quase me fez sentir como se assistisse a um clássico de William Wyler.  Especialmente no que diz respeito as belíssimos cenários, que explora toda a beleza de Paris em imagens de tirar o fôlego. Além do luxo da cozinha e do salão do restaurante ou mesmo a simplicidade do apartamento de Linguini. As cenas de ação passam uma sensação de realismo, ao mesmo tempo em que faz com que não esqueçamos que se trata de animação. A caracterização dos personagens humanos é perfeita e condiz com suas personalidades muito bem desenvolvidas, diga-se de passagem. Os roedores jamais soam como criaturas fofinhas e irreais, mas a aparência deles não é repulsiva a ponto de não envolver o público.

A roteiro se desenrola num excelente ritmo, fugindo dos clichês típicos de animação. Embora nós logo nos identifiquemos com a história do protagonista Remy, o filme jamais passa a ideia errônea de que um roedor realmente possa ser aceito numa cozinha de um restaurante, fazendo com que o público entenda a mensagem transmitida pelo filme, sem didatismo ou melodrama barato. O filme ainda traz uma referência ao trabalho dos críticos, na figura do temível Ego, o que acaba revelando o verdadeiro papel de um bom crítico.

No fundo, a mensagem de Gusteau é mais do que a ideia de que qualquer um pode cozinhar. Ela mostra que verdadeiro talento pode sair de qualquer lugar. E nenhuma metáfora soaria melhor do que a mostrar um rato (o último animal que gostaríamos de ver em nossa cozinha) como um excelente cozinheiro. Aliás, o título do filme, em francês, que se assemelha à pronúncia da palavra rato, refere-se a um prato francês feito pelos camponeses, o que enriquece ainda mais a mensagem final. Quem não derramou uma lágrima no momento em que o prato é servido a Anton Ego?

Sobra ainda espaço da se refletir sobre  a relação entre a arte e seus apreciadores, além da intolerância e o preconceito. Belo, comovente e divertido, Rataouille entra facilmente na lista dos melhores filmes de todos os tempos. Obra-prima!

Cotação: 5/5

Como diria uma amiga "Remy >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> abismo >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> vidas!

TRAILER


sábado, 26 de janeiro de 2013

Albert Nobbs - 2011 (Albert Nobbs - 2011)




Título Original: Albert Nobbs
Ano de lançamento: 2011
Direção: Rodrigo García
Roteiro: Glenn Close, John Banville
Elenco: Glenn Close, Mia Wasikowska, Aaron Johnson, Janet McTeer, Jonathan Rhys Meyers, Brendan Gleeson, Maria Doyle Kennedy
Sinopse: Irlanda, século XIX. Albert Nobbs (Glenn Close) trabalha como mordomo e esconde um segredo: é, na verdade, uma mulher. Durante 30 anos ela vestiu roupas masculinas e se fez passar por um homem, para poder se manter e concretizar o sonho de ser a dona de uma tabacaria. Entretanto, sua farsa é ameaçada quando um pintor, Hubert Page (Janet McTeer), divide o quarto com Albert por não haver outro dormitório disponível no hotel em que ambos trabalham.


Por Jason

Há algo de extraordinário em Albert Nobbs que, por si só, já garantem uma visita ao filme: as performances esmagadoras de Glenn Close e Janet McTeer. Quando Close entra em cena como Albert, como um garçom em um hotel, o choque é inevitável. Com cabelos curtos, trejeitos masculinos, rosto sem maquiagem, Glenn não é apenas uma atriz travestida de homem, ela É Albert Nobbs, nos seus trajes, nos seus trejeitos, na sobriedade e discrição com que faz Albert parecer uma pessoa real e humana - e é. A complexidade do personagem não seria atingida sem uma atriz de grosso calibre como Gleen, capaz de compreender completamente o personagem, seus anseios, seus sonhos, sua ingenuidade com apenas um olhar. É um trabalho magnífico, difícil, que a atriz consolida com a densidade certa. Não há em Close um só deslize de atuação, o que é assustadoramente impressionante.

Por outro lado, a personagem masculinizada de Janet, que foi humilhada pelo marido e o abandonou para trocá-lo por uma mulher, é seu contraponto perfeito. Janet faz um papel propositalmente exagerado, atrevido, e bem resolvido, como uma mulher que se traveste de homem não só porque precisa sobreviver (ela adotou os dotes do marido pintor) mas porque é lésbica e masculinizada. É um suporte preciso e coerente ao personagem de Close. Repare que quando Janet fala sobre seu nome verdadeiro, ela sabe quem é e o que fez para se tornar aquilo. Ela está assim porque gosta e porque quer. Ao ser perguntada sobre seu nome verdadeiro, Albert responde o seu nome masculino, porque ele um dia foi mulher e não traz boas lembranças. Albert viveu como um homem durante tanto tempo que não sabe mais diferenciar nem reconhecer a sua própria natureza. Corajosa, o personagem "Hubert" de Janet não se mostra relutante em abrir seu casaco e mostrar seus seios avantajados para Albert como prova de que é, sim, uma mulher. Já Albert se mostra hesitante em se atirar em um beijo homossexual porque, mesmo com tanto tempo sendo aquilo que ele é, ainda precisa reafirmar sua sexualidade - e ele vê na amiga uma forma de, através do jeito com que ela lida com isso, se reconhecer. O trabalho de ambas é tão impecável que atire a primeira pedra quem não se emocionar na conversa reveladora entre as duas a beira de uma lareira.

Enveredamos então pelo mote central do filme - uma crise de identidade. Albert Nobbs é um filme triste, sobre sonhos desfeitos, sobre uma sociedade cruel e machista - e tudo isso sem nenhuma apelação ou dramalhão; Nobbs, ao ver um casamento entre duas "mulheres" dar certo, alimenta um sonho ingênuo e tolo de repetir a dose com a jovem Helen (Mia Wasikowska, fraquíssima), fantasiando um mundo em que as duas poderiam tomar conta de uma loja que Albert está juntando dinheiro para comprar e administrar. Mas Helen é interesseira, deseja sair da vida que leva, ir para América, e instruída pelo namorado pilantra que a engravida, Joe (Aaron Johnson, caricato), começa a explorar Albert, que cego de tanto alimentar a possibilidade de uma vida "normal", não consegue enxergar as verdadeiras intenções da menina - até o relacionamento, que nem começou, terminar de maneira trágica.

Albert Nobbs é perfeito na reconstituição de época, com fotografia bela, ótima trilha sonora, direção de arte, figurinos e maquiagem, além de uma direção segura, capaz de extrair o melhor da dupla principal. A cena em que Janet e Glenn passeiam na praia e Albert relembra o tempo em que era uma mulher - e acaba desajeitadamente na areia - é de uma beleza ímpar. Notem como ela é filmada de forma a mostrar que Albert tenta resgatar sua identidade feminina, mas fracassa em sua empreitada e se aceita como é seguindo os conselhos da amiga - ou amigo, "Hubert". 

Tudo feito sem uma gota de apelação, com delicadeza e sensibilidade magistral.

Cotação: 4/5

Desconte a presença de Aaron Johnson e a Mia Wasikowska. O filme é de Close e McTeer.


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Twister - 1996 (Twister - 1996)


Título Original: Twister
Ano de lançamento: 1996
Direção: Jan De Bont
Roteiro: Michael Crichton, Anne Marie Martin
Elenco: Bill Paxton, Helen Hunt, Philip Seymour Hoffman, Cary Elwes, Jami Gertz
Sinopse: No Oklahoma, uma tempestade que não acontece há décadas está se prenunciando e dois grupos de cientistas rivais planejam entrar para a história colocando sensores no tornado, para que estas informações possam ir até um computador e, assim, seja possível prever sua chegada com maior antecedência. Mas para colocar os sensores é necessário ficar o mais próximo possível do tornado e torcer para que os sensores sejam sugados pela tempestade. Em uma das equipes está uma jovem (Helen Hunt) obcecada por tal ideia  pois em 1969 ela viu o pai ser sugado por uma tempestade, e atualmente ela planeja conseguir seu intento ou morrer tentando.


Por Jason


Twister é um filme que me desperta empatia e ódio quase que da mesma forma. Empatia porque o filme traz efeitos especiais portentosos, que sobreviveram bem ao tempo - ao menos ao advento da tecnologia Blu Ray - e traz ação e aventura em doses certas. A combinação dos produtores de Jurassic Park, incluindo Steven Spielberg, e direção de Jan De Bont, de Velocidade Máxima, é certeira - bem como o envolvimento do já lendário Michael Crichton, autor de Jurassic Park. A trilha sonora é ótima e os efeitos sonoros são outro ponto alto do filme (experimente em Home Theater). A personagem principal, Jo, é simpática, bem delineada e bem defendida por Helen Hunt antes de ganhar o seu Oscar por "Melhor é impossível". Jo é sem sombra de dúvidas o relevante e único eixo dramático para o filme de roteiro frágil.

Porque Twister não escapa, contudo, de uma melhor revisão. Há sequências em que os cabelos dos personagens mudam constantemente (em uma cena está cheio de lama, na próxima está limpo; em outra está molhado, na seguinte estão secos). Quando um tornado errante arranca uma série de postes, nas tomadas seguintes eles milagrosamente estão lá - pior, o céu, que estava escuro, muda também duas ou três vezes seguidas em uma única tomada. Nessa mesma sequência, vemos o carro ser atingido por um poste e ter o aparelho arrancado com a tampa da carroceria - mas nas cenas seguintes, tudo está intacto. Vemos granizo caindo fora do carro e, num corte para o interior do carro, percebemos que não tem nada caindo do lado de fora, notamos que o céu não está escuro - até a próxima tomada de dois segundos. É para-brisa que quebra numa cena e aparece intacto um segundo depois; é janela de carro que aparece aberta e fechada em questão de um segundo. Os carros estão numa pista de asfalto num momento e um segundo depois somos transportados para uma pista de lama. 

É algo que a montagem de Michael Kahn, um notável e experiente editor colaborador constante de Spielberg, o mais indicado nesta categoria ao Oscar e ganhador de três prêmios da Academia (ele concorre com Lincoln este ano, já ganhou três com filmes de Spielberg) não consegue solucionar. Sem falar na ausência de física: na cena do cinema, por exemplo, nenhum carro se movimenta quando o tornado está chegando - mas pouco depois um deles (apenas um) é arremessado contra um galpão que serve de abrigo; nas sequências finais, os ventos do tornado balançam enlouquecidamente os cabelos de Helen Hunt, mas o milharal permanece intacto sem se mover; as cercas são arrastadas pela ventania, mas em uma tomada seguinte a vemos intactas, para depois serem arrastadas novamente. 

A iluminação do filme é outra loucura. O céu de Twister muda de cor em fração de tempo. Temos um céu escuro do lado de fora e, de repente, quando a câmera está dentro do carro, pode-se notar que o céu está azul e limpo por várias vezes em diversas cenas. Em um take noturno temos o céu escuro em que é impossível ver um tornado. No próximo, vemos o tornado nitidamente. Depois não o podemos ver mais - e em seguida, olha lá ele! São coisas bobas que, certamente, para quem viu o filme no cinema quando estreou mais de quinze anos atrás, no calor da emoção, passaram desapercebidas, mas começaram a ficar nítidas a partir de quando revemos o filme com frequência. Nada disso, entretanto, supera a aberração do script. 

Personagens secundários só fazem volume em cena. O roteiro é didático e precisa colocar a descartável personagem Melissa apenas para que os outros possam ensinar detalhes sobre os tornados - tudo mastigado, sem que o espectador conclua nada por si. Pior: o vilão de Cary Elwes some em parte do filme sem que sintamos saudades - para depois aparecer apenas para morrer. E somos levados a aturar que os dois personagens se prenderam em cintos e não foram destroçados pelas forças de um tornado daquela categoria ao final do filme, claro - nem os fones de ouvido da personagem Jo, que permaneceram inteiros.  

Em se tratando de elenco, Jami Gertz, indicada ao framboesa de ouro pelo filme, é ruim, mas Bill Paxton é péssimo. O resto do elenco incluindo aqui um então jovem Philip Seymour Hoffman, é puro enfeite de cenário. Mas Twister, de algum modo inexplicável, como num milagre Spielberguiano, funciona. Funciona porque tem aquela sequência excelente e bem filmada da picape amarela avançando com o tornado ao fundo. E o que dizer da já antológica cena da vaca voando? Há de se reclamar das cenas de troncos de árvore sendo atiradas pela pista e impedindo uma picape (tração nas quatro rodas que o motorista esqueceu de usar, recordemos) de desencalhar - um mero artifício de roteiro para fazer um caminhão tanque ser jogado contra os personagens - e contra a plateia - indefesa. Não chega a ser uma aberração como um filme catástrofe de Emmerich, nem uma tortura picotada como um filme barulhento de Michael Bay. Ele tem estilo, tem uma marca, é eficiente no que se propõe e uma vez que fisga você, não adianta, o espectador embarca.  

Tamanho empenho só poderia gerar um divertido espetáculo.

Cotação: 3/5

Filme vem sobrevivendo bem como uma aventura eletrizante cheia de ação e efeitos especiais. Se você quer mais, fuja disso.




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