quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

007 Operação Skyfall - 2012 (007 Skyfall - 2012)



Título Original: 007 Skyfall
Ano de lançamento: 2012
Direção: Sam Mendes
Roteiro: Ian Fleming, John Logan (I), Neal Purvis, Patrick Marber, Robert Wade
Elenco: Daniel Craig, Naomie Harris, Judi Dench, Ralph Fiennes
Sinopse: A lealdade de Bond a M é testada quando o passado dela volta a assombrá-la. Com o MI6 sob ataque, 007 deve rastrear e destruir a ameaça, mesmo que isso tenha um custo pessoal.

Por Jason

007 estava fadado ao limbo cinematográfico até que alguém lá pelo começo dos anos 90 resolveu trocar a cara dele e dar um upgrade geral no agente mais conhecido do cinema. A fórmula deu certo por um tempo, com a série revitalizada no ótimo 007 Goldeneye (de 1995, seis anos depois do último filme do personagem lançado até então), de Martin Campbell, e sobreviveu com Pierce Brosnan por sete anos até o irregular Um novo dia para morrer. Foi Martin que foi chamado de novo para revitalizar a franquia. Sai Pierce Brosnan e entra Daniel Craig com um dos melhores filmes da franquia, Cassino Royale, em 2006.


A mudança é necessária e bem vinda na franquia (007 é uma marca multi milionária, lembremos, e todo o cuidado é pouco), uma vez que o personagem estava com um pé no desgaste - e o último filme da franquia, Skyfall, é também, percebam, um filme de mudanças. Aliás, grandes mudanças. Sam Mendes, diretor de filmes mais sérios como Foi apenas um sonho e Beleza Americana tapa a boca daqueles críticos que achavam que ele não teria potencial para dirigir um filme de ação com cenas mirabolantes e eletrizantes, ao passo que dá aos personagens a profundidade necessária para segurar o espectador do começo ao fim. Saem personagens importantes, outros ganham mais profundidade, outros morrem. Conhecemos um pouco do passado de 007, vemos M na linha de frente do combate, novos personagem aparecem, personagens do passado retornam para assombrar M e 007. Aliás, o foco da trama, diga-se de passagem, não é 007 e sim M (o que me agrada). Tamanho empenho fez o filme bombar nas críticas e romper a barreira de um bilhão de dólares, se transformando no maior sucesso da série.

Skyfall não é um primor ou arrombo absurdo de técnica, mas se defende muito bem. Seus efeitos especiais são funcionais, práticos e orgânicos. O filme começa com uma sequência de ação excelente que termina de forma surpreendente. A trilha sonora repete o tema consagrado, é genérica, mas não compromete em nada (ela está indicada ao Oscar 2013). E tem o tema de Adele, que a julgar pela recepção e pela fama da cantora, deve levar o Oscar (o filme está indicado a outros três prêmios técnicos). Direção de arte, fotografia, montagem, tudo tem visual, ritmo e clima redondo, integral, dinâmico. Reparem na cena em que 007 adentra um cassino asiático, com velas e um dragão enorme no cenário ou quando briga com um assassino tendo um salão de espelhos com painéis externos ao fundo, um exemplo de bom uso de uma combinação entre fotografia, cenário, efeitos, direção. O mesmo vale para cena do trem desgovernando que despenca rumo aos subterrâneos, outra parte surpreendente. Nada disso porém teria êxito se não tivéssemos a presença do time de atores escolhidos para a trama.


Daniel Craig é o Bond da nova era, sintonizado com o nosso tempo. Musculoso, feio, mas charmoso, Craig consegue passar arrojo físico e inteligência, ao mesmo tempo em que o roteiro determina ironicamente sua aposentadoria por estar velho. Judi Dench é uma monstra. Vai para a linha de frente da ação quando precisa e o destaque dado para o roteiro a ela é um alívio: e aqui vale o fato de Sam Mendes demonstrar ser um ótimo diretor de atores, porque ele sabe usar um talento como ela a seu favor. Naomie Harris é eficiente como uma agente que auxilia Bond em suas missões e Ralph Fiennes representa no filme mais uma mudança. Mas é Javier Bardem que rouba a cena na metade do filme, como o vilão Silva (que vai fazer sua revelação bombástica em uma cela de vidro a certa altura do filme). Silva, aliás, é o link entre o passado e presente não só a agência para qual 007 trabalha, mas também da personalidade e a figura enigmática e insensível de M. Ele protagoniza pelo menos uma cena divertida, aquela em que assedia Bond com diálogos de duplo sentido, e uma marcante - a sequência já citada da cela. Não é uma atuação merecedora de Oscar, mas a presença de Javier garante qualidade e profundidade ao roteiro do filme.

Mas é aqui que o bicho pega: roteiro. Temos uma melhor dinâmica entre Bond e M, em que parte do passado dos dois se revela aqui e ali (parte, apenas). Há um sentimento de rivalidade e afeto (ou amor e ódio) entre os dois mais explicito dessa vez, de desconfiança (o vilão fala em traição) e confiança (M sabota os resultados dos testes e joga novamente 007 na missão). Ambos buscam sempre a execução perfeita dos seus trabalhos em detrimento do perigo, e essa dualidade percorre o filme até o final. É a relação dos dois que importa - e Silva é apenas um componente a mais no jogo por perseguir não 007, mas M. Tudo isso é excelente. Mas esse mesmo roteiro também cria aberrações como a Bond Girl Severine, com a qual Bond se envolve rapidamente. A mulher é uma inútil e no saldo final, sua função se resumirá a tripé para um copo de whisky em uma cena descartável que não avança em nada na trama. Ela entra e sai sem deixar saudades.


Há também as partes em que 007 vira um ninja, afinal ele cai, se arrebenta, pula de explosões, toma tiro, cai de cabeça de uma ponte altíssima do alto de um trem, "morre", "ressuscita", arranca estilhaços de bala como quem passa fio dental na boca, e está ali, com uma cicatriz aqui e ali, adivinhando planos mirabolantes apenas olhando para um painel e descobrindo códigos que nem um Hacker e seu computador poderoso é capaz de descobrir. 

Há ainda as sequências perto do final, que nos fazem lembrar que, por qualquer descuido, Hollywood é capaz de assassinar facilmente um bom trabalho. Bond deixa de ser um agente para virar a essência de Rambo, o típico filme de um homem contra um exército inteiro. Refugiado com M em sua mansão quase abandonada, ele é atacado por um exército de homens e, claro, sobrevive sem um arranhão. O lugar então é atacado pelo vilão com um helicóptero e, depois de incêndios, uma saraivada de balas e claro, explosões megalomaníacas que vaporizam todo o local numa nuvem de fumaça e labaredas de fogo feitas para mostrarem os efeitos especiais da queda do veículo, vem aquele final, com suas mortes indecentes, sem tensão alguma, sofríveis, risíveis e sem drama, na tentativa de surpreender o espectador - mas o efeito, para os desavisados, pode ser o de decepção.

É para nos lembrar que, não importa o quanto mudem aqui e ali, o saldo geral é sempre o mesmo. James Bond é só... James Bond. Para Hollywood - e para muitos -, isso basta.

Cotação: 4/5

Ótimo filme de ação, bem dirigido, com boa técnica, boa trama, com bons personagens. Desconte as cenas em que é possível ver os dublês de Bardem e Craig (são muitas); Bardem rouba a cena e faz um vilão divertido e ao mesmo tempo crível e o foco da trama em M garante mais humanidade ao filme.

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