terça-feira, 15 de janeiro de 2013

A viagem - 2012 (Cloud Atlas - 2012)





Título Original: Cloud Atlas
Ano de lançamento: 2012
Direção: Andy Wachowski, Lana Wachowski, Tom Tykwer
Roteiro: Andy Wachowski, David Mitchell, Lana Wachowski, Tom Tykwer
Elenco: Tom Hanks, Halle Berry, Jim Broadbent, Hugo Weaving, Hugh Grant, Jim Sturgess
Sinopse: O filme segue seis histórias que vão e voltam no tempo, com personagens que se cruzam, desde o século 19 até um futuro pós-apocalíptico, cada um deles narrador de sua história, de um simples viajante no Oceano Pacífico em 1850 a um jornalista durante o governo de Ronald Reagan na Califórnia.


Por Jason

Há uma mensagem, um subtexto no roteiro de A viagem, que parece dizer que não importa o quanto o tempo passe, as marcas dos nossos antepassados passam com ele, de gerações para gerações. Herdamos assim, dos nossos antepassados desde sinais corporais, até personalidades, atitudes, e somos predestinados a fazer determinados atos por uma força maior que rege o tempo (seria Deus?). O filme também sinaliza que não importa o quanto você viva e onde você viva, nem em que época você viva, o que é importante é o que você é capaz de fazer com a sua vida, seus amores, suas experiencias, o sexo, o "viver" e o fazer a diferença (o personagem que precisa salvar o escravo e é retribuído, a personagem de Berry que salva uma menina doente na vila, o ambicioso jovem que ajuda o velho a compor, mas termina de forma ruim etc). 

Todos os personagens, em A viagem, estão procurando um tipo de libertação, seja do conceito de mortalidade à libertação do amor,  e à medida que evoluem, de geração para geração, o mundo muda, seja tecnologicamente ou espiritualmente (a coreana de 2144 vai virar uma espécie de entidade, notem), mas as questões são as mesmas para todos: qual o verdadeiro sentido da vida? 

Nesse sentido, o filme se torna interessante, na busca pelos propósitos dos personagens - e no sentido de apontar que todos nós temos um e que temos que correr atrás dele - e mesmo que não corramos atrás, eles chegarão até nós de uma forma ou de outra, seja no passado, no presente ou futuro. Para contemplar isso, a trilha sonora é ótima, climática, funciona perfeitamente dentro do filme. Dela se tem um dos melhores momentos do filme, uma bela passagem pelo tempo que ocorre com 2 horas de projeção. Os efeitos especiais são bem feitos, mas nada que se destaque nos filmes do ano. A direção de arte é bonita e a fotografia excelente, muito competente. Mas vamos aos problemas...

O filme é longo, com quase três horas. Após um prólogo em que somos apresentados a vários personagens, voltamos no tempo para 1849, nos tempos da escravidão - com Tom Hanks numa maquiagem bizarra - e o filme avança para 1936, com um casal homossexual, um deles um jovem ambicioso em busca da fama que tem um mesmo sinal como um dos personagens anteriores - e com Halle Berry com outra maquiagem bizarra que a transforma em uma loira. Pula para São Francisco em 1973, com Berry como a jornalista Luisa Rey, presa num elevador com um velho. A jornalista também tem um sinal, uma marca de nascença, como as outras pessoas. A pessoa que ela ficou presa no elevador é na verdade o mesmo homem que se relacionava em 1936 com o jovem ambicioso por fama e fortuna. 

Pula para 2012. Tom Hanks retorna como outro personagem, que trata de um tom mais cômico com a participação de Jim Broadbent, um escritor em busca de sucesso que vai parar em um asilo. O filme salta para 2144 e vamos para a Nova Seul, um espetáculo visual consumista, com pessoas clonadas robotizadas destinadas para fazerem o mesmo serviço diariamente como escravas. São humilhadas e abusadas, até que uma delas se decide se rebelar e se dá mal, mas uma de suas amigas é salva - a Sonmi 451 - e descobre um novo mundo. Mais tarde ela vai descobrir que os clones, que acreditam que serão libertados depois de certo tempo, estão sendo usados para alimentar as novas gerações de clones na forma de um sabão (é o melhor seguimento do filme). Avançamos mais um pouco no tempo. Estamos numa ilha havaiana no futuro mais adiante, em que a tecnologia se junta ao rústico, com aspecto de passado, com Tom Hanks presenciando um assassinato enquanto parece delirar com uma alucinação. Mais tarde, ele encontra uma visitante - Halle Berry -  uma integrante de sua tribo, Susan Sarandon, onde os homens se resumiram a seres ignorantes habitantes de vilas cavernosas. O roteiro do filme assim, vai tentar conectar todas essas pessoas através do tempo, indo e voltando, trocando os atores, colocando homens no lugar de mulheres e vice versa.

Ou seja, com seis linhas de tempo e um sem fim de personagens, com gente trocando de lugar o tempo todo, A viagem é uma confusão absurda de vai e volta no tempo durante quase 3 horas de duração, muitos dos quais personagens surgem e desaparecem sem que o espectador tenha tempo para entender suas funções e se importar com eles. Sua narrativa não linear é tão confusa que, no momento em que estamos acompanhando um seguimento e nos envolvendo, somos cortados para outro nada a ver e a sensação de que se tem é que o filme saiu do nada e não se chegará a lugar algum. 

Não que um filme para ser interessante ele precise seguir um esquema de linearidade de roteiro, pelo contrário. A questão é que o excesso de personagens e de coisa acontecendo quebra o ritmo do filme completamente. O conceito de que somos todos interligados, de alguma maneira, de algum modo, não importando épocas, estágios, etc... é evidente como 2 + 2 são 4 até no final, quando a personagem oriental tem que mastigar tudinho para o espectador (depois de baterem na mesma tecla por 3 horas de duração, se alguém tiver dúvida ainda, é melhor se matar). É como se todo mundo que se encontra aqui já se encontrou em outra época, de forma que nem a morte é capaz de quebrar essa corrente - porque a morte, segundo os personagens, é uma porta para outro lugar temporário antes de abrirmos outra e voltarmos. Só que foi tudo por água abaixo. 

Para cada cena linda (a passagem no tempo, com o sonho de um dos personagens se encontrando com o seu amor) temos cinco ou seis ordinárias e sem inspiração. No campo de atuação, todos se defendem como podem, mas a maioria está caricata e canastra, até Tom Hanks. O destaque fica por conta de Jim Broadbent, que faz um velho fugitivo de um asilo no seguimento mais cômico e outro velho compositor, além do capitão de uma embarcação. Todos, contudo, são prejudicados justamente pela maquiagem horrorosa (tente encontrar os atores e atrizes no filme cobertos de maquiagem, ao menos a tarefa diverte) e pela narrativa, que dá a sensação de falta de coesão - acredito que se o filme tivesse seis linhas de tempos seguidas, com uma conexão ao final, o resultado do composto fosse bem melhor e mais eficiente.

Cotação: 2/5

A viagem é tecnicamente competente, mas é longo além do suportável, cheio de personagens, prejudicado pelas opções do roteiro, da maquiagem tosca, seguimentos e sequências desinteressantes e uma prova cabal de que ideia interessantes não fazem um filme bom nas mãos de pessoas sem habilidades para executá-las.


2 comentários:

  1. Todo mundo comentou o filme comigo... Preciso ver!

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  2. Assisti esse final de semana, debaixo de muita chuva e do último frio antes da primavera...
    Como já estava devidamente alertado da confusão que era o filme, assisti com a maior atenção possível e fiquei feliz de chegar ao fim e entender o que se passou nos 6 arcos (pelo menos eu acho que entendi tudo, hehee).
    Gostei muito. Mesmo. A historia é intrigante, vai instigando a gente a querer saber o que acontece a seguir. O lance da Sonmi se tornar uma espécie de Messias foi genial, além da empresa/culto que ela servia, uma mistura de McDonalds com Igreja de um certo pastor milionário...
    O filme tem problemas, como as maquiagens por vezes bizzaras, mas adorei o fato de ser uma historia complexa, mas possível de ser entendida (ao contrário da Árvore da Vida, que é longo, é chato, e não se entende nada... mas ainda assim eu gostei tambem, ehueheuhue).
    Enfim, acredito que valeu o final de semana!

    PS: acho que sou muito bonzinho com filmes... sei lá também.

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