sábado, 26 de janeiro de 2013

Albert Nobbs - 2011 (Albert Nobbs - 2011)




Título Original: Albert Nobbs
Ano de lançamento: 2011
Direção: Rodrigo García
Roteiro: Glenn Close, John Banville
Elenco: Glenn Close, Mia Wasikowska, Aaron Johnson, Janet McTeer, Jonathan Rhys Meyers, Brendan Gleeson, Maria Doyle Kennedy
Sinopse: Irlanda, século XIX. Albert Nobbs (Glenn Close) trabalha como mordomo e esconde um segredo: é, na verdade, uma mulher. Durante 30 anos ela vestiu roupas masculinas e se fez passar por um homem, para poder se manter e concretizar o sonho de ser a dona de uma tabacaria. Entretanto, sua farsa é ameaçada quando um pintor, Hubert Page (Janet McTeer), divide o quarto com Albert por não haver outro dormitório disponível no hotel em que ambos trabalham.


Por Jason

Há algo de extraordinário em Albert Nobbs que, por si só, já garantem uma visita ao filme: as performances esmagadoras de Glenn Close e Janet McTeer. Quando Close entra em cena como Albert, como um garçom em um hotel, o choque é inevitável. Com cabelos curtos, trejeitos masculinos, rosto sem maquiagem, Glenn não é apenas uma atriz travestida de homem, ela É Albert Nobbs, nos seus trajes, nos seus trejeitos, na sobriedade e discrição com que faz Albert parecer uma pessoa real e humana - e é. A complexidade do personagem não seria atingida sem uma atriz de grosso calibre como Gleen, capaz de compreender completamente o personagem, seus anseios, seus sonhos, sua ingenuidade com apenas um olhar. É um trabalho magnífico, difícil, que a atriz consolida com a densidade certa. Não há em Close um só deslize de atuação, o que é assustadoramente impressionante.

Por outro lado, a personagem masculinizada de Janet, que foi humilhada pelo marido e o abandonou para trocá-lo por uma mulher, é seu contraponto perfeito. Janet faz um papel propositalmente exagerado, atrevido, e bem resolvido, como uma mulher que se traveste de homem não só porque precisa sobreviver (ela adotou os dotes do marido pintor) mas porque é lésbica e masculinizada. É um suporte preciso e coerente ao personagem de Close. Repare que quando Janet fala sobre seu nome verdadeiro, ela sabe quem é e o que fez para se tornar aquilo. Ela está assim porque gosta e porque quer. Ao ser perguntada sobre seu nome verdadeiro, Albert responde o seu nome masculino, porque ele um dia foi mulher e não traz boas lembranças. Albert viveu como um homem durante tanto tempo que não sabe mais diferenciar nem reconhecer a sua própria natureza. Corajosa, o personagem "Hubert" de Janet não se mostra relutante em abrir seu casaco e mostrar seus seios avantajados para Albert como prova de que é, sim, uma mulher. Já Albert se mostra hesitante em se atirar em um beijo homossexual porque, mesmo com tanto tempo sendo aquilo que ele é, ainda precisa reafirmar sua sexualidade - e ele vê na amiga uma forma de, através do jeito com que ela lida com isso, se reconhecer. O trabalho de ambas é tão impecável que atire a primeira pedra quem não se emocionar na conversa reveladora entre as duas a beira de uma lareira.

Enveredamos então pelo mote central do filme - uma crise de identidade. Albert Nobbs é um filme triste, sobre sonhos desfeitos, sobre uma sociedade cruel e machista - e tudo isso sem nenhuma apelação ou dramalhão; Nobbs, ao ver um casamento entre duas "mulheres" dar certo, alimenta um sonho ingênuo e tolo de repetir a dose com a jovem Helen (Mia Wasikowska, fraquíssima), fantasiando um mundo em que as duas poderiam tomar conta de uma loja que Albert está juntando dinheiro para comprar e administrar. Mas Helen é interesseira, deseja sair da vida que leva, ir para América, e instruída pelo namorado pilantra que a engravida, Joe (Aaron Johnson, caricato), começa a explorar Albert, que cego de tanto alimentar a possibilidade de uma vida "normal", não consegue enxergar as verdadeiras intenções da menina - até o relacionamento, que nem começou, terminar de maneira trágica.

Albert Nobbs é perfeito na reconstituição de época, com fotografia bela, ótima trilha sonora, direção de arte, figurinos e maquiagem, além de uma direção segura, capaz de extrair o melhor da dupla principal. A cena em que Janet e Glenn passeiam na praia e Albert relembra o tempo em que era uma mulher - e acaba desajeitadamente na areia - é de uma beleza ímpar. Notem como ela é filmada de forma a mostrar que Albert tenta resgatar sua identidade feminina, mas fracassa em sua empreitada e se aceita como é seguindo os conselhos da amiga - ou amigo, "Hubert". 

Tudo feito sem uma gota de apelação, com delicadeza e sensibilidade magistral.

Cotação: 4/5

Desconte a presença de Aaron Johnson e a Mia Wasikowska. O filme é de Close e McTeer.


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