quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Dredd 3D - 2012




Título Original: Dredd
Ano de lançamento: 2012
Direção: Peter Travis
Roteiro: Alex Garland (I), Carlos Ezquerra, John Wagner
Elenco: Karl Urban, Lena Headey 
Sinopse: Na cidade violenta e futurista de Mega City One, a 120 anos no futuro, a polícia tem autoridade para agir como juiz, júri e carrasco. O juiz Dredd (Karl Urban), o mais temível deles, recebe uma missão: fazer um teste com uma juíza novata, a poderosa médium sensitiva Cassandra Anderson (Olivia Thirlby). No que seria apenas um dia de avaliação, os juízes aparentemente seguem para uma cena rotineira de crime, num cortiço conhecido como Peach Trees, administrada pelo clã da Ma-Ma. Quando eles tentam prender um dos capangas da organização criminosa, ela manda fechar o prédio de 200 andares e sai na captura dos juízes, que agora se encontram encurralados, numa luta implacável pela sobrevivência.


Por Jason

Para começar, vamos deixar claro que o filme é superior aquela bomba fenomenal com Silvester Stallone. Não há tom cômico nem piadinhas idiotas aqui - o que me agrada - e a seriedade e o tom pessimista e violento da produção é um ponto a favor. Em Dredd somos levados aos escombros da América - e ao que sobrou dela na forma de uma megacidade, a Mega City 1, entulhada com 800 milhões de pessoas e atolada de favelas que se desenvolvem como prédios com gangues dominando diversos setores. Um dos setores - Peach Trees - é comandado por Ma-Ma, uma ex prostituta que foi deformada pelo seu cafetão e que se apossou dos negócios destruindo as gangues locais. Ela e sua nova gangue produzem e distribuem a droga Slo-Mo (nome originário de Slow Motion, cujo efeito é deixar o cérebro num tipo de vertigem como se o usuário visse tudo em câmera lenta). 

É nesse setor que vai parar o juiz Dredd que, como todo juiz, determina a lei e a executa no local seguindo um procedimento de uma central. Acontece que após três homicídios, os juízes são acionados, Dredd é enviado ao local com uma novata, mas o prédio é fechado e os dois precisam se virar lá dentro enquanto são atacados pelas gangues e pelos moradores, uma vez que Ma-Ma determinou que só abrirá os portões se os dois forem executados. Os dois estão encurralados e um jogo de mate ou morra é iniciado nos corredores apertados, quartos superpopulosos e sujos do local.

Dredd é eficiente na ação e na violência estilizada. A trilha sonora é por vezes estranha, tecno e futurista e toca quase o filme todo, que não poupa o espectador de revelar sua carnificina, seja nos corpos que caem e se esbagaçam no chão depois de voarem por duzentos andares, sejam naqueles que são retalhados por balas em câmera lenta. Tudo é cru, o que deixa de certa forma deixa o filme corajoso e acima da média se compararmos com os últimos lançamentos do gênero (daí a classificação para maiores de 18 anos). Quando os usuários da droga surgem ou são mortos, o diretor coloca sua câmera em Slow Motion e não se incomoda em dar closes de pedaços de gente voando por tudo quanto é lado - ao mesmo tempo que cria sequências como a do banho de Ma-Ma, espalhando bolhas de sabão em câmera lenta pelo ar, o que dá ao filme uma estética não inovadora, mas curiosa, interessante e eu diria até poética

Mas, se a direção é precisa e o filme inspira estilo, Dredd é um filme barato, de orçamento pequeno e isso, em certo ponto, começa a pesar terrivelmente. Lena Headey, embora com um personagem bem construído, não convence como Ma-Ma e nunca parece oferecer realmente perigo como tal (sem contar o final do personagem, completamente abrupto e sem nenhuma tensão). De Urban não se pode exigir nada - ele passa o tempo todo com o capacete típico do personagem. O roteiro de Dredd também é maniqueísta (o juiz é um canivete suíço High Tech com armas, granadas e toda uma produção de todos os tipos de munições,  além de tomar bala, cair, rolar, saltar, tomar um tiro perfurante, dar aquela costurada rápida no ferimento e se manter, claro, de pé) e comete os clichês do gênero - além de embutir uma novata paranormal mutante capaz de ler mentes, o  que antecipa a ação tirando o peso da surpresa e que é, por um deslize idiota, presa pelos vilões mas ela, óbvio, aprendeu a se virar sozinha (sem contar os diálogos intermináveis em que os personagens precisam falar toda vez que pretendem matar alguém). 

Fica evidente a quase todo momento do filme os efeitos especiais baratos, como se fossem encomendados por uma rede de tv aberta de quinta categoria: a sequência de invasão da paranormal na mente do traficante é uma vergonha e as montagens com efeitos a luz do dia, capengas. Há também a direção de arte e cenários, tão deficiente e precária que faz com que as novelas da Record sejam um primor de técnica se comparado a ele. Por fim, o roteiro parece insistir em resumir o filme a uma produção de ação qualquer, perdendo a oportunidade de explorar o "algo mais", por não se aprofundar no drama social (o filme carece terrivelmente de dramaticidade) e esquecer a crítica a esse mundo do futuro que nada mais é do que uma visão piorada, decadente, mais violenta e pessimista do nosso presente.


Cotação: 3/5

É melhor do que o bizarro longa estrelado por Silvester Stallone, e o resultado final é louvável, mas a falta de um orçamento melhor e de um maior cuidado com os personagens e seu roteiro comprometem o filme.

Um comentário:

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