quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Hitchcock (2012)


Título Original: Hitchcock
Ano de lançamento: 2012
Direção: Sacha Gervasi
Roteiro: Jonh J. McLaughlin, baseado no livro de Stephen Rebello
Elenco: Anthony Hopkins, Helen Mirren, Scarlett Johansson, Toni Collette, Jessica Biel, James D'Arcy, Danny Huston, Michael Wincott
Sinopse: Filme focado no "Making Of" do clássico "Psicose", acompanhando desde o surgimento do interesse de Alfred Hitchcock em filmá-lo, e os desafios que enfrentou para gravar o filme enquanto passava por crises em seu casamento e consigo mesmo.

Por Ravenna Hannibal

O Hitch original
É claro e evidente que não foi a toa que resolvi falar de “Psicose” do meu querido Tio Alfie ontem, não é queridinhos?

Dirigido com eficiência por Sacha Gervasi e roteirizado por Jonh J. McLaughlin baseado no livro “Alfred Hitchcock and the Making of Psycho” de Stephen Rebello, “Hictchcock” é um projeto audacioso. Afinal, um filme sobre um dos mestres do cinema e o “making of” do seu maior sucesso gera expectativas.
Principalmente se essas expectativas forem acompanhadas com o bônus de uma indicação merecida ao Oscar de Melhor Maquiagem e nomes como Anthony Hopkins e Helen Mirren no elenco. 

O fato é que “Hitchcock” é um ótimo filme e mesmo com toda a significação que carrega e um trailer arrebatador, nos surpreendemos com um resultado final da obra que não mostra nenhuma ambição de ser o filme soberbo que o Mestre do Suspense com cara de grão de bico merecia.
Sim, temos uma atuação soberba de Hopkins – e isso não surpreende ninguém,  mesmo debaixo de quilos de maquiagem bem feita. A sempre diva Helen Mirren também traz o ar de grandiosidade ao filme, mas ele não é um filme grandioso e – pasmem! – muito menos apoteótico.

Por isso o filme deve ficar abaixo das expectativas de muitos, pois no final das contas temos um roteiro leve e sem muito peso dramático – o que não é um defeito aqui. O filme tem alguns incômodos nesse sentido: vez ou outra durante o filme a gente se depara com algumas poucas cenas que parecem completamente desnecessárias, deslocadas e colocadas ali apenas para lembrar que Hitchcock estava filmando uma película muito mais pesada do que a que estamos assistindo. Assim como algumas cenas tem um sutil tom de documentário de informações especiais num Blu Ray Disc. 

De qualquer forma, além das atuações do casal principal, o filme cuida de usar pitadas de humor bem hitchcockeanas e a dose certa de drama para nos aproximar daquele que parece sempre inatingível por expressões faciais, mas que na verdade tinha sentimentos e dificuldade de lidar com eles. Eu, Hanni, me peguei apreensiva com alguns momentos do filme e em outros gargalhando com algumas piadas constrangedoras que o humor atípico do Tio Alfie proporcionava (“Call me Hitch, hold the cock”).
Algumas cenas são particularmente criativas, como a gravação da cena do chuveiro (adorei o modo como a câmera acompanha os fios e mangueiras por onde a água passa para chegar à ducha) e a genial sequencia em que Hitchcock observa a reação da plateia no cinema diante dessa mesma cena. As sequencias inicial e final são particularmente divertidas e icônicas. 

Mas não são apenas essas cenas. “Hitchcock” é realmente bem filmado e tem algumas referências bem divertidas ao estilo do tio Alfie e também o modo como Sacha Gervasi utiliza a famosa silhueta do cineasta. E isso inclui brincadeiras em cenas que parecem insinuar que a qualquer momento vai ocorrer um assassinato. 
Mesmo que isso tenha sido aproveitado menos do que eu esperava, volta e meia nos pegamos tentando achar pistas e referências aqui e ali, ou tentando comparar com filmes dele (as cenas na praia com Alma e Whit me lembraram muito algumas sequencias de “Um Corpo que Cai”). 

Além dos já citados Hopkins e Mirren, temos no elenco James D’Arcy como um Anthony Perkins MUITO Anthony Perkins (desculpa, não achei melhor expressão), temos Scarlett Johansson bem adequada – nada muito brilhante – no papel de Janet Leigh, comentário que vale também para Jessica Biel como Vera Miles, que não aparece muito aqui.

O grande problema do filme reside justamente na diferença entre o que as pessoas esperavam dele e o que ele se propõe a fazer. Mesmo que parece ter sido a real intenção dos realizadores fazer um filme leve e divertido, com a dose certa de drama e humor, sem muitas situações com peso, isso acabou tornando um filme sobre uma grande personalidade do cinema numa produção que pode ser bastante frustrante para quem espera algo muito denso.
O resultado parece não ter a ambição que tinha o personagem título. Por isso, muitos vão sentir o filme como um drama insosso que parece faltar tempero. E realmente falta um pouco.  Mas essa seria uma declaração superficial por que se deixarmos de lado o que esperávamos do filme e prestarmos atenção no que Gervasi propõe aqui, vamos nos divertir com as situações, torcer para que o Hitchcock consiga filmar Psicose e também resolva seus problemas do estranho relacionamento com sua mulher, Alma (relacionamento e atuações responsáveis pelos melhores diálogos do filme).

Aliás, uma das virtudes mais notáveis de Gervasi é conseguir que fiquemos apreensivos com o que pode acontecer durante a produção, mesmo que já saibamos que Psicose foi um sucesso (virtude que falta a muitos filmes de prequel, por exemplo, que necessitam disso). Não mostrar o resultado final do filme na tela também foi um toque de gênio: além de evitar refilmar as cenas de Psicose (o que poderia ser desastroso), causa um efeito espetacular em quem já assistiu o clássico. 

O filme também merece créditos pela reconstituição de tudo, pelas atuações dos protagonistas, por cenas criativas e bem filmadas. E, claro, por nos mostrar um lado do gênio do suspense que não é tão conhecido. Não é TUDO o que se esperava do filme, mas com certeza é ótimo e é recomendadíssimo para os fãs do Tio Alfie e também para os fãs do bom cinema.


Cotação: 4/5

TRAILER

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