quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

J. Edgar - 2011 (J. Edgar - 2011)




Título Original: J. Edgar
Ano de lançamento: 2011
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Dustin Lance Black
Elenco: Leonardo DiCaprio, Naomi Watts, Judi Dench, Armie Hammer
Sinopse: Filme biográfico sobre o fundador do FBI J. Edgar Hoover, o polêmico e controverso fundador do FBI, instituição que dirigiu até 1972, ano de sua morte. Hoover era tido como um homem dedicado à justiça. No entanto, ele foi acusado de ser homossexual em segredo. Além disso, por meio dos seus agentes, perseguiu ativistas políticos e recolheu informações estratégicas sobre os líderes dos Estados Unidos. O filme irá explorar a complicada relação entre Hoover e Tolson, que trabalhavam no FBI e sempre eram vistos juntos, até que as pessoas desconfiaram que a relação ia além de uma simples amizade.



Por Jason

J. Edgar é um filme bem dirigido, bem filmado no geral, que tem a marca de Eastwood. Me lembrou "A troca", na maneira como é filmada, na segurança da câmera, no roteiro seguro, bem delineado, técnico, embora eu acredite que o filme estrelado por Angelina Jolie tenha um ritmo melhor. A reconstituição de época é perfeita e a estruturação de um momento importante na história dos EUA, com a fundação e o crescimento do FBI é bem delineada.

Mas acho a fotografia do filme escura demais e pesada desnecessariamente. A trilha sonora é deslocada e a maquiagem não ajuda os atores quando eles interpretam suas versões mais velhas. O filme parece longo acima do suportável - o vai e vem do roteiro às vezes prejudica o entendimento da narrativa, que não é linear. Não sei se a culpa é do Di Caprio, que para mim não demonstrou arrombo de interpretação, como da mesma forma senti por Angelina Jolie em "A troca", ou se é culpa do personagem, mas é quase impossível se conectar com ele durante o filme. Naomi Watts está solta, discreta, eficiente e adorável como a eterna secretária de confiança Candy, e Judi Dench, um arraso como a mãe dele. 

Repare o quanto que Anne Marie Hoover (Judi Dench) tem a percepção das coisas que o filho faz e fala com ele sempre nas entrelinhas, como se ela soubesse de tudo antecipadamente, até de quando o filho fuma escondido.... Autoritária, não se importa em dizer que "prefere ter um filho morto a ter um filho homossexual" e o ensina a dançar com mulheres. Tão complexa quanto ela, seu filho Edgar era um homem sozinho, não tinha amigos, nem conhecidas mulheres, escapando delas sempre que elas davam em cima dele. Há uma relação de possessividade e dependência entre mãe e filho, o que influencia na personalidade de J Edgar, como um homem um tanto narcisista, emocionalmente distante, arrogante, manipulador, egocêntrico, difícil, mentiroso, desejoso por fama e sexualmente mal resolvido. 

E essa é a parte mais interessante do filme: ela não está nos feitos de J. Edgar, mas nas entrelinhas e sua forma como vive com o amigo Clyde. A relação dos dois, de amor e ódio, é complexa. Clyde admira Edgar, o respeita, mas não consegue atravessar sua blindagem emocional nem depois de muitos anos convivendo juntos. Há a troca de olhares, troca de elogios, um aperto de mão aqui e ali, horários marcados entre os dois, para almoços, jantares, sempre levantando suspeitas a respeito de sua sexualidade. Os dois tem uma relação de muita proximidade até que Clyde começa a ter ciúmes de Edgar, o que vai culminar numa cena decisiva de discussão entre os dois. É nessa cena, aliás, que fica evidente o quanto o coadjuvante Armie Harmmer, canastra, é ruim e quase bota tudo a perder.

Durante o lançamento na época do filme, houve hype em torno de DiCaprio para concorrer e levar o Oscar pela atuação no filme, mas seu desempenho - e o do filme - não fizeram jus a indicações. Ao final, J. Edgar funciona por traçar muito bem um período histórico dos EUA,  em detrimento de sua carência de melhor ritmo, de estofo dramático - resultado aquém do esperado em se tratando de um filme de Clint Eastwood.

Cotação: 2/5


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