sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

O Abrigo (Take Shelter, 2011)


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Título Original: Take Shelter
Ano: 2011
Direção: Jeff Nichols
Roteiro: Jeff Nichols
Elenco: Michael Shannon, Jessica Chastain, Tova Stewart, Shea Whigham
Sinopse: Curtis LaForche (Michael Sannon) mora numa pequena cidade de Ohio com a esposa Samantha (Jessica Chastain) e sua filha de seis anos, que possui uma deficiência auditiva. Os dois trabalham pesado para juntar o dinheiro para suprir as necessidades especiais da filha, mas mesmo passando por algumas dificuldades, eles podem dizer que são felizes. Isso começa a mudar quando Curtis passa a ter pesadelos com uma tempestade apocalíptica e começa a ficar obsessivo. Ele começa a construir um abrigo no quintal e desperta a preocupação da esposa e a desconfiança dos amigos e colegas de trabalho.


Por Ravenna Hannibal


Oi, gente!

Rá Hannibal resolveu dar as caras de novo pra tranqüilizar mamãe e Tia Rá que estão a ponto de me matar por causa das minhas ocupações extras. E por que não dei a caras no réveillon pra falar das minhas impressões sobre 2012. Mas bem, preciso dizer que Hanni anda muito ligada ao passado e vendo filmes que me relembram meus tempos de juventude a uns bons séculos atrás. Mas vi algumas coisas mais recentes também e devo dizer que ainda estou em choque depois do último filme que assisti, o elogiado “O Abrigo” (Take Shelter). 

Deixe-me explicar a vocês: “O Abrigo” é um filme que conta a história de um pai de família que não sabe se salva a família da tempestade terrível com a qual tem pesadelos ou se a salva de si mesmo e sua obsessão em relação a isso.
Quem espera um filme de suspense apocalíptico nos moldes de deficientes como Presságio, passe longe. Aliás, fico pensando o que Jeff Nichols teria feito com aquele filme... Mas divago.
O fato é que aqui nos deparamos com algo que pode soar chato e arrastado para quem assiste pensando que encontrará alguma coisa no estilo citado acima, mas que é na verdade um interessantíssimo desenvolvimento de personagens calmo, sem pressa, mas ao mesmo tempo instigante e intrigante.

Jeff Nichols, que escreveu e dirigiu o filme, mostra competência e sensibilidade ao estabelecer com segurança o quanto aquela família é feliz até surgirem os pesadelos perturbadores de Curtis. Aliás, o trabalho conjunto de direção, fotografia e Michael Shannon (já comento a respeito do elenco) é eficiente ao passar toda a angústia que esses pesadelos causam. Tão eficiente, que mesmo quando o personagem toma a decisão sensata, verossímil e convincente de procurar ajuda psicológica devido ao histórico familiar de esquizofrenia, nós espectadores acreditamos quando ele diz que são mais do que pesadelos e entendemos o porquê aquilo o perturba tanto.

A construção bem feita das relações entre os personagens e a personalidade destes é fundamental para o bom andamento do filme, caso contrário se tornaria apenas mais um filme maçante. A tensão psicológica é o maior mérito e trunfo do Jeff Nichols que mantém seu recurso através desse bom desenvolvimento de personagens, a atmosfera perturbadora e uma boa fotografia, que sem sair do natural – a fotografia é realista, assim como os cenários – coloca tudo ainda mais convincente. Digo isso por que se alguns filmes são perturbadores por um visual distorcido ou fotografia obscura, aqui a eficiência se encontra justamente em tornar tudo o mais próximo da realidade possível. Nisso a utilização comedida de efeitos visuais em CG – que quando aparecem são eficientes, mas evidentemente não estão entre os melhores - e trilha sonora sem exageros - ela está lá apenas nos momentos certeiros – são fundamentais.
O andamento só é comprometido pouco antes do terceiro ato, quando, mesmo mantendo a atmosfera perturbadora, a história começa a parecer extensa demais (e foi, o filme poderia ter sido menor e melhor sucedido).

Claro que grande parte dos méritos do filme se encontra na atuação de Michael Shannon na pele de Curtis. Vejam que Curtis é um personagem complexo passando por situações complexas. Se até então ele tinha sido feliz o suficiente para esquecer seus fantasmas, os pesadelos – que sempre soam como premonições – despertaram nele um sentimento constante de dúvida e angústia, aumentando sua máscara de verniz social e tornando-o alguém de expressão dura e perturbada. E essa transição é retratada com talento por Shannon, que mesmo na fase mais “inexpressiva” do personagem consegue passar toda a angústia pela qual ele passa.

Jessica Chastain no papel de Samantha, esposa de Curtis, foi bastante elogiada, mas na verdade sua atuação não é exatamente espetacular. Ela foi adequada, e bem convincente como mãe de família. Ela parece natural nas cenas mais corriqueiras e isso merece pontuação.
Mesmo tendo um desempenho importante na trama, a filha do casal é pouquíssimas vezes o foco da cena, mas a atriz mirim faz um trabalho que não compromete o filme.
A tempestade que vemos nos pesadelos é sempre assustadora e verossímil: sem as manias de grandeza de filmes de catástrofe, mas sempre parece ameaçadora e perturbadora o suficiente para entendermos a obsessão do personagem principal.
Com alguns pontos que impediram o filme de tornar-se uma obra de arte definitiva, O Abrigo no fim das contas se mostra um interessante, instigante e sensível estudo de personagem envolvendo relações familiares e distúrbios psicológicos. Mas não posso deixar de pontuar algo sobre o desfecho do filme, que sempre causa reações controversas: Se você acha o final dos filmes do Christopher Nolan, por exemplo, (especificamente A Origem e O Cavaleiro das Trevas Ressurge) controversos, ambíguos e toda essa coisa que gera polêmicas, é por que ainda não viu o desfecho de “O Abrigo”. Alguns ficam boquiabertos, outros com raiva, alguns sem entender exatamente o que viram, outros se sentem diante de algo arrebatador.
Não sei se quando assistirem as outras Rá concordarão comigo  por que elas são mais chatas que eu mas eu fiquei com a última opção.

Cotação: 4/5

TRAILER



4 comentários:

  1. Não gosto de ler críticas antes de ver os filmes, mas eu não iria vê-lo até ler sua crítica. Vou baixar aqui, adorei a forma que você colocou as coisas.

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  2. https://www.google.com.br/maps/dir/Myrtle+Beach,+SC,+Estados+Unidos/Lagrange,+OH+44050,+USA/@37.6500969,-80.7482858,6z/data=!4m14!4m13!1m5!1m1!1s0x890068953b552101:0xbc0fb115b5d09618!2m2!1d-78.8866943!2d33.6890603!1m5!1m1!1s0x8830bcc3307f6b27:0x5db372bce894ac63!2m2!1d-82.119872!2d41.2372753!3e0

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  3. Acabei de assistir e o filme é ótimo e sim não sei o que pensar do final.

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  4. Eu fiquei com a seguinte interpretação. A Filha e a esposa dele viram o que ele estava vendo. Ali se confirmou as visões dele. Ele não estava doente. O filme mostra como as pessoas tratariam esse "Nóe" moderno: Exatamente como o trataram, como um louco.

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