quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O Espetacular Homem Aranha (2012)



Título Original: The Amazing Spider Man
Ano: 2012
Direção: Marc Webb
Roteiro: Alvin Sargent, James Vanderbilt,  Steve Kloves.
Elenco: Andrew Garfiel, Emma Stone, Rhys Ifans, Denis Leary, Martin Sheen, Sally Field,  Irrfan Khan,  Campbell Scott.
Sinopse: Peter Parker (Andrew Garfield) é um rapaz tímido e estudioso, que inicou há pouco tempo um namoro com a bela Gwen Stacy (Emma Stone), sua colega de colégio. Ele vive com os tios, May (Sally Field) e Ben (Martin Sheen), desde que foi deixado pelos pais, Richard (Campbell Scott) e Mary (Embeth Davidtz). Certo dia, o jovem encontra uma misteriosa maleta que pertenceu a seu pai. O artefato faz com que visite o laboratório do dr. Curt Connors (Rhys Ifans) na Oscorp. Parker está em busca de respostas sobre o que aconteceu com os pais, só que acaba entrando em rota de colisão com o perigoso alter-ego de Connors, o vilão Lagarto.

Por Lady Rá~

Eu já não canso minha beleza com essa onda de remakes, reboots, sequels, prequels e o caralho a quatro que tomou conta do mercado cinematográfico. É como dizem por aí: entreguei pra Jesus. Porque só mesmo com Jesus operando pra agüentar certos filmes, enfim... Mas não há motivo suficientemente plausível para explicar como em tão pouco tempo, produtores resolveram criar outra franquia do Homem Aranha, que não seja encher os cofres. Eu entendo que a produtora responsável é uma empresa e, como tal, visa o lucro. Afinal, mercado é mercado. E o mercado se sustenta com a venda de seus produtos, não é mesmo? E é isso que “O espetacular Homem Aranha” é, um produto, nada mais que um produto para atrair fãs do personagem ao cinema e aquecer o mercado de brinquedos. Tudo bem que a trilogia anterior, no comando de Sam Raimi teve um desfecho decepcionante, mas que não tira o brilho dos anteriores e da ótima abordagem do cineasta para o herói. Mas não pretendo me estender em comparações, embora, nesse caso, seja justo, visto que tanto essa versão atual, como a anterior explora basicamente as mesmas questões.

O caso aqui é crônico. “O Espetacular Homem Aranha” sofre do mal da falta de criatividade. Dizem alguns fãs, que a atual versão é bem mais fiel aos quadrinhos. E, pelo que me consta (já disse outras vezes que não leio HQ’s, mas isso não vem ao caso) pelo menos que no diz respeito a vida amorosa de Peter Parker, este parece ser mais fiel mesmo. Uma vez que seu interesse amoroso aqui é a dita “espevitada” Gwen Stacy, que foi a primeira namorada do herói. Começamos bem, já que era pra recontar a história do “cabeça de teia”, nada melhor do que fidelidade à história original. Porém, este adjetivo (original) só pode ser usado até aqui, para além disso, o filme é um desfile de clichês, inconsistência de roteiro, direção sem personalidade e personagens mal desenvolvidos.

A trama é bem parecida com a anterior, só muda de vilão e de interesse romântico do herói. Peter perdeu seus pais, foi criado pelos tios Ben e May. Porém aqui ele é um nerd legal (que anda de skate) e apanha do fortão da escola (embora aqui ele seja corajoso a ponto de enfrentar o grandão mesmo sabendo que não podia contra ele). E isso é o que basta para definir a personalidade de Peter Parker no filme (!). Um belo dia Peter encontra anotações de uma pesquisa sobre cruzamento genético de espécies que seu pai fazia junto com um certo cientista chamado Curt Connors e decide ir atrás dele, A busca o levará até o grande laboratório da OSCORP, onde Connors faz suas experiências genéticas e onde, coincidência ou não, Gwen Stacy, sua colega do colegial, é estagiária,  vejam só! Peter acabará impressionando o cientista e de bônus, levará uma picada de uma aranha geneticamente modificada, o que lhe dará os poderes que todos nós já conhecemos. Até aí, tudo normal. Os problemas começam a ficar evidentes na transição “moleque para herói”.

Para começar a história perde um pouco de sua poesia ao mostrar um Peter Parker marrento, seguro de si, pois isso dilui toda e evolução pela qual o personagem passa ao adquirir poderes. Tudo bem que os cineastas devem ser livres em suas abordagens, mas aqui essa história não colou. Outro fator importante na evolução do personagem central é a morte de seu Tio Ben, já que isso é o que mudará sua vida para sempre. A cena é mal escrita e ainda é dirigida com uma frieza e  tão pouco caso por parte de Marc Webb que chega a dar raiva. Não há um fiapo de drama sequer, é tudo feito nas coxas de modo que não há como se emocionar com a morte e muito menos com o “sofrimento” de Peter. O roteiro apenas sugere que a morte do tio teve papel fundamental nas escolhas do rapaz, mas nada é aprofundado. Inclusive, Peter embarca numa perseguição do assassino que não vai parar em lugar nenhum. O vilão também é mal desenvolvido, nunca sabemos qual é a do Dr. Connors. Ele é um homem desesperado para encontrar sua própria cura ou um monstro sedento por poder? O ator faz o que pode, mas é sabotado pelo roteiro precário. Sem mencionar aquela tentativa de estabelecer alguma dualidade na personalidade do vilão, numa cena bizarra em que ele conversa com si mesmo (da mesma forma que Norman Osborne fazia em Homem Aranha). Eu tive pena do ator, que teve que ser submetido a esse papel ridículo, numa cena tão porca e carente de tensão. O que dizer de personagens/situações que são fundamentais no desenrolar da trama e são descartados sem dó nem piedade pelo roteiro? Como por exemplo, o executivo da OSCORP, responsável pela mudança do Dr. Conors Afinal, o que aconteceu com ele?

Se o roteiro é cheio de clichês e pontas soltas, Marc Webb, como diretor se limita a fazer o básico. Já citei o descaso com a cena da morte do Tio Bem, mas a cena em que Peter descobre seus poderes não fica atrás, pois não emociona. A confusão causada pelo Lagarto numa ponte é fria e sem emoção. Porém há bons momentos, como o início do romance entre Peter e Gwen, é bonitinho e na medida certa para agradar as meninas (e não há mal nenhum nisso), ou a cena criativa em que os trabalhadores da cidade ajudam o Aranha ferido a chegar a OSCORP, onde acontecerá o clímax do filme.  Parece haver uma tentativa de deixar o longa mais colorido e leve em certos momentos, o que soa divertido, mas esses momentos são pontuais, de forma que o filme não equilibra bem humor e drama.
A parte técnica (a fotografia, o designer de produção e os efeitos) é boa, mas nada espetacular (sem trocadilho), Embora a trilha sonora constante acabe cansando em alguns momentos.

Quanto ao elenco, Andrew Garfield bem que tenta, mas sua composição de adolescente americano chega a constranger em certos momentos, com seus gestos exagerados e sua mania de fazer beicinho para arrancar suspiros das meninas. Emma Stone faz o básico e não convence nos momentos em que ela é colocada em foco. Como numa cena que ela confronta Peter após um velório, ou quando lamenta a profissão do pai enquanto cuida dos ferimentos do namorado.  Por outro lado, ainda que em papéis menores e pouco aproveitados, os experientes Martin Sheen e Sally Field brilham como os tios de Peter Parker. Repare na cena em que o garoto diz ao tio “você é um bom pai”, com apenas um rápido olhar o ator transmite a emoção necessária que o personagem sente ao ouvir aquela declaração do sobrinho. E Sally Field com o olhar sempre acolhedor de uma tia que é ao mesmo tempo mãe. Rhys Ifans, como já disse, é sabotado pelo roteiro, mas mostra potencial.


No fim das contas, não há nada em O espetacular homem aranha que justifique sua existência. Mas já que haverá continuações, vamos esperar que elas sejam mais bem trabalhadas. Afinal, mesmo que seja um filme pipoca feito pra encher os cofrinhos da Sony, não custa fazer um trabalho de qualidade só pra variar, custa?

Cotação: 2/5

Fraquinho de dar pena.

TRAILER


2 comentários:

  1. Quando vi pela primeira vez no cinema, achei bastante fraco, como as cenas que ele "cria" o uniforme foram rápidas de mais, o teaser trailer que foi no estilo câmera em primeira pessoa, era melhor; eles tentaram fazer o filme bem diferente do de Sam Raimi, como por exemplo a cena em que o tio Ben morre, foi muito forçada e mal feita. O filme começa com o Peter querendo saber o porque os pais dele desapareceram, e depois vai ele quer encontrar o assassino do seu tio, e depois ele precisa deter o Lagarto...Quase se transforma num Sombras da Noite (terror, comédia, drama, terror, comédia, romance...).

    Depois de re-ver o filme, ele não é tão ruim, ao contrario, é bem divertido, é legal mesmo.
    Antes eu tinha pensado em dar uma nota 7/10, mas coloquei 8, e tá bom assim mesmo.

    Enfim, massa o blog, a imagem de Arraste-me Para o Inferno, Apocalypse Now...

    -Gustavo (Combo Nerd)

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    Respostas
    1. Oi Gustavo, obrigada pela visita. Pois é, eu tava até gostando no começo, mas enfim... rsrs

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