segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O impossível - 2012 (The impossible - 2012)




Título Original: The Impossible
Ano de lançamento: 2012
Direção: J.A. Bayona
Roteiro: Sergio G. Sánchez
Elenco: Ewan McGregor, Naomi Watts, Tom Holland, Geraldine Chaplin
Sinopse: Maria (Naomi Watts), Henry (Ewan McGregor) e seus filhos tiram férias na Tailândia, para desfrutar alguns dias no paraíso tropical. Mas, na manhã de 26 de dezembro, enquanto a família descansa ao redor da piscina, um rugido apavorante sobe à partir do centro da terra. Uma enorme parede de água surge em direção à família.


Por Jason


Não vamos aqui comentar o desastre do tsunami da Ásia que arrasou a Tailândia e outras regiões, deixando um grande saldo de mortos e chocando o mundo. Indo direto ao ponto, O impossível é um drama de sobrevivência baseado em fatos reais, com um quê de filme catástrofe na esquematização de seu roteiro.


A tragédia já se desenrola logo no começo, como num aviso, seja no avião que balança aqui e ali deixando os passageiros atônitos, seja na figura insone de Maria e de seu filho, como se pressentissem ambos que algo de ruim irá acontecer - clichê típico do gênero catástrofe. O diferencial do filme, no entanto, é a sua execução. Quando o tsunami finalmente aparece, o filme assusta, impressiona e choca com seu realismo e sua crueza necessárias para dar a dimensão do estrago e da tragédia, algo que os telejornais da época não conseguiam de certa forma reproduzir. Trocando em miúdos, o filme joga o espectador dentro da ilha atingida pelo tsunami, que de paraíso vira um inferno, o último lugar no planeta em que gostaríamos de estar. 


Nesse momento em que a tragédia assola o local, a personagem Maria (Naomi Watts) e seu marido (Ewan McGreggor) são arrastados pela fúria da natureza, que derruba tudo em seu caminho. Os filhos se separam dos pais - são três meninos - e no meio da tragédia, Maria consegue encontrar um deles, Lucas, enquanto os outros dois são encontrados pelo pai. Começa aí uma luta pela sobrevivência. Maria está gravemente ferida, sua perna tem um buraco enorme, seu peito quase foi arrancado e ela por pouco não morreu empalada. Seu rosto está desfigurado, mas ela precisa cuidar do seu filho enquanto este tenta achar ajuda. Uma vez encontrada, Maria é arrastada entre a vida e a morte até uma vila, onde é levada finalmente para um hospital em que tudo está um caos, pois a região não tem lugar nem espaço para tantos feridos, muito menos hospitais para assegurar a saúde dos sobreviventes - e ninguém sabe como lidar com tamanha tragédia.


No campo técnico, o filme é impressionante. Durante os dez minutos seguintes a primeira onda do tsunami, a câmera passeia por dentro do caos, com carros, árvores, pessoas, pedaços de construções, água, postes, tudo sendo arrastado impiedosamente. Quando a segunda onda invade o local, a câmera é arrastada com ela, num efeito impressionante, acompanhando Maria e Lucas de perto enquanto os dois tentam se segurar, se separam e se apoiam em destroços. Tanto o tsunami, filmado com esplêndido e assustador realismo graças aos efeitos especiais e a habilidade da direção de J.A. Bayona, até a direção de arte e os cenários, são impecáveis. A fotografia do filme é perfeita, a maquiagem idem, e a direção, crua, não se incomoda em mostrar corpos, pessoas feridas, animais mortos e os rastros da destruição. Em determinado momento, a personagem Maria vomita lama e imundícies levadas pela onda para seu estômago. Um siri passeia por um corpo dilacerado. Lucas dá de cara com o corpo de um cachorro destroçado. O diretor coloca a câmera perto do rosto inchado e cheio de cortes de Maria. É o dedo na ferida, a exposição que não vimos durante a cobertura jornalistica, o lado cruel da tragédia. 

Nenhum impacto do filme seria impossível se não estivesse à frente dele o casal Naomi Watts e Ewan McGreggor. Ewan é ator competente, atua bem, mas é Naomi que se entrega completamente ao papel, numa dessas atuações que impressionam o público. Naomi se despe completamente de vaidade. Mostra os seios, manca, grita, chora, sofre. Sua cara está deformada. Como uma mãe dedicada, vai atrás do filho no meio da tragédia. Luta, sobrevive, sobe em árvore enquanto sangra com cortes absurdos no corpo. Mas não se importa de oferecer ajuda também a uma criança quando ela precisa mesmo que isso exija mais de si que ela possa dar. Tudo isso sem apelar para o dramalhão ou choradeira fácil como certamente faria alguém com menos habilidade. Ela é responsável por metade do êxito do filme.

O Impossível, entretanto, não é perfeito. Como já citado, além de alguns clichês pontuados aqui e ali (pássaros voando em outra direção prenunciando a onda, vento soprando mais forte, a insônia dos personagens, a sequência inicial do avião, etc), Tom Holland é um ator mirim que tem muito o que evoluir. Quando o filme pede que ele passe emoção, ele acaba devendo - e ele tem papel importantíssimo na trama. Há uma falta de um desenvolvimento melhor de personagens no primeiro ato (são apenas dez minutos antes do tsunami vir). A família é apresentada rapidamente e se criamos um vínculo com ela, isso deve mais a capacidade dramática de Naomi Watts do que ao restante dos personagens ou do roteiro. O impossível também se estende desnecessariamente nos encontros e desencontros da família (Maria se separa de Lucas, o encontra no meio do aguaceiro, depois se separa no hospital, depois o encontra novamente, quando todos os outros estão próximos dela e pai e filhos estão se desencontrando entre si também) e apela para o drama fácil quando estava se segurando bem - no encontro das crianças e do pai por um acaso (e, notem, Tom Holland falha nessa cena).

Mesmo com essas falhas, não há como negar que o resultado final é impressionante.

Cotação: 4/5

J.A. Bayona ensina como fazer um excelente, chocante e realista filme catástrofe sem perder o foco no que mais importa - o drama humano. Filmaço.

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