terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Stargate - 1994


Título Original: Stargate
Ano de lançamento: 1994
Direção: Roland Emmerich
Roteiro: Dean Devlin, Joseph A. Porro, Karl Walter Lindenlaub, Roland Emmerich
Elenco: Kurt Russell, James Spader, Djimoun Hounsou, Jaye Davidson
Sinopse: Um egiptólogo (James Spader) não-reconhecido por suas teorias é convidado a trabalhar em uma base secreta e lá toma contato com um anel de trinta metros coberto de hieróglifos. Ele descobre a chave para se chegar a um novo mundo, pois aquele anel é um portão estelar e, junto com uma pequena tropa de elite, atravessa o portão e se vê diante de uma experiência e uma aventura inimaginável.


Por Jason

Sabe aquele filme que você vê milhares de anos atrás e acha o máximo, daí você envelhece, vê de novo.... e percebe o quão tosco que era? Aqui temos um desses representantes absolutos dessa máxima. 

É inegável que Stargate virou um cult, porque ele tem uma ideia interessante - mas um desenvolvimento que, visto hoje, se tornou terrível. Emmerich dinamiza perfeitamente a primeira meia hora do filme, apresentando os personagens até a chegada do portal estelar e a travessia. Tudo em clima de aventura que desperta o interesse através do mistério em torno da cultura egípcia e da descoberta do portal - esse começo parte de 8.000 anos de Cristo, passa pelo Egito em 1928 e chega aos tempos atuais. Não há do que se queixar de ritmo nem da produção até aqui: até a trilha sonora, com o ótimo tema de David Arnold (compositor de cinco filmes da franquia James Bond), funciona maravilhosamente bem. Os efeitos, econômicos, são usados em cenas pontuais aqui e ali, o que deixa uma sensação de que Emmerich já foi menos espalhafatoso no que diz respeito a técnica. 

A partir desse momento, no entanto, o filme começa a cavar a própria cova. Kurt Russell é uma porta e faz um herói sem brilho algum, que o roteiro esquece completamente - seu personagem perdeu o filho (e não há drama relacionado a esse fato, apenas a eterna cara amarrada do ator). James Spader zanza daqui pra lá e, embora se esforce, tem carisma perto do zero. Seu personagem é um sortudo - porque tudo é descoberto na sorte (uma pedra que aparece do nada, uma inscrição do nada, uma coisa que surge de repente, assim, sem mais nem menos, e lhe dá uma explicação...). O romance com uma nativa do lado de lá não funciona e é deslocado, completamente sem química. Esquecidos também são os outros personagens - os que ficaram do outro lado do portal, reparem: eles sumiram depois que o grupo de militares atravessaram o portal e perderam totalmente a importância. Fato curioso, uma vez que o roteiro do filme não trabalha com o fator tempo (se o grupo avançou no tempo e espaço adiante, o que houve com aqueles que ficaram na Terra?).

Stargate a certa alturadeixa de ser uma ficção com ares épicos para se tornar uma corrida estabanada para desativar uma bomba. Incorpora sequencias Trash (como no momento em que surgem os guardas imperiais, que nocauteiam o time de soldados) e bizarras (quando Rá, na pele de um travesti, eletrocuta o guarda e Spader para lhe sugar o conhecimento e fritar o cérebro . E se infantiliza - a aldeia em que eles são acolhidos, notem, é cheia de crianças brincando o tempo todo e que, de repente, vão manusear armas como se fossem soldados experientes. 

O desenvolvimento do roteiro é arrastado (ele lembra algumas vezes outra porcaria mais recente de Emmerich, 10.000 A.C., reparem) e possui buracos assustadores, a começar pelo fato de que ele nos conta sobre os humanos que foram recolhidos em épocas antigas através do portal para servirem do outro lado ao Deus Rá, que proibiu o desenvolvimento da leitura e da escrita para manter o seu povo ignorante o bastante para ele reinar absoluto, já que eles quase nem se comunicam pela fala - mas o povo é craque em manejar armas militares do nosso século (OI?) e se entendem facilmente aqui e acolá. É trash

O mesmo pode-se dizer, aliás, do drama do Deus Rá (o Rá egípcio  nao o das irmãs Ravenna, rs). O roteiro do filme acerta em criar a imagem do Deus Rá: ele copiou a forma humana para se livrar da morte, como um parasita, se travestiu, na figura andrógina de um integrante da tribo milhares de anos antes para ali viver e governar uma vez que seu planeta estava morto. E em virtude de presenciar uma rebelião que ameaça seu poder, Rá quer mandar a Terra pelos ares usando a bomba que foi levada para lá. Mas erra miseravelmente quando o filme explica por A + B tudinho que aconteceu com ele, acabando com o mistério em torno de sua figura ao mostrar sua verdadeira forma e suas verdadeiras intenções. O personagem de Spader explica tudinho antes de Rá, com direito a imagens e flashbacks. Depois o vilão vai lá e explica tudo de novo, porque parece que o público, além de infantil, é débil mental. Tudo desnecessariamente - e não sobra nada para o espectador mastigar e ver a não ser um ator vestindo um figurino de escola de samba. Como o mineral que ele extrai é usado para se manter jovem e vivo, aí já são outros quinhentos.

Essa falha gritante tira o peso e a ameaça do vilão. Não ajuda também o clima de filme feito para televisão, com aquela maquiagem pobre, figurinos idem, e aqueles cenários de novela da Record. Mas se tem uma coisa que Stargate é infalível é na forma de revelar os seus momentos de criatividade, e é inacreditável que um diretor que tenha demonstrado tamanha inventividade tenha se tornado essa porcaria que conhecemos como Roland Emmerich, autor de filmes tão medíocres. Talvez, quem sabe, se Emmerich tivesse menos dólares inchados nas mãos para fazer um filme não voltasse ao - bom e velho - básico. 

O público, por não se sentir ofendido, agradece.

Cotação: 2,5/5

Vale por aquela sensação de nostalgia, quando o filme passava repetidamente na tv aberta, vale pelo entretenimento e pelas ideias interessantes do roteiro acerca do vilão. Como produção, contudo, funciona para ver que Emmerich, com orçamentos menores, pode fazer coisa mais digna que as porcarias  que ele fez posteriores a este filme.

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