sábado, 5 de janeiro de 2013

Tarde Demais - Beautiful Boy (2010)



Título Original: Beautiful Boy
Ano de lançamento: 2010
Direção: Shawn Ku
Roteiro: Michael Armbruster, Shawn Ku
Elenco: Michael Sheen, Maria Bello, Moon Bloodgood
Sinopse: Bill e Kate estão em um casamento em crise e a situação só irá piorar com notícias sobre o filho deles. Sam matou muitos colegas de faculdade em um atentado violento que culminou com seu suicídio.

Por Jason


Tarde Demais nos traz um tema urgente, atual e interessante. Ele apresenta o casal Bill (Michael Sheen) e Kate (Maria Bello) que tem um filho, Sammy. Embora os dois demonstrem estar em crise, Kate planeja uma viagem de férias para Miami, enquanto o filho está estudando distante, numa universidade, numa tentativa de reunir a família. Após um contato por telefone, nenhum dos dois percebe que há algo de errado com o menino. Pouco tempo depois, estoura a notícia de um massacre na universidade. O casal recebe a notícia que o menino está morto mas, pior - ele foi o responsável pelo massacre e se matou em seguida.

A partir daí, cada um reage de uma forma. A mãe passa pelo estado de negação. O pai fica em choque e só vai conseguir chorar muito tempo depois. Os jornalistas cercam o casal, que se refugia na casa do irmão dela. Lá, Kate começa a demonstrar a mãe que foi para o filho - uma pessoa obcecada (notem a forma como ela limpa a cozinha), detalhista (psicologia salientada na cena em que ela percebe o desalinhamento das portas da geladeira ou na "caneta vermelha") e até certo ponto autoritária (ponto visível na sequência em que ela quer impor ao seu sobrinho que ele coma algo que ele não gosta). 

Sua cunhada Trish (Moon Bloodgood, em boa e eficiente caracterização) começa a perceber que há algo de errado na forma com a qual ela quer educar a criança, ela começa a incomodar e eles se retiram com uma desculpa. Mas, o mesmo vale para ele - um pai que é de certa forma ausente (preocupa-se com o trivial, em voltar para a sua rotina de trabalho, esconde seus sentimentos e não demonstra ligações emocionais). Ambos tentam fugir um do outro e do fato, se defendem entre si, até a melhor sequência do filme, quando ambos explodem numa discussão e percebem que ambos falharam com o rapaz: ela por sufocá-lo demais e ele por não querer que ele nascesse e se sentir apenas na obrigação de criá-lo (e não de ser um pai exemplar). 

"Culpa" é o tema que permeia todo o filme, uma vez que o casal busca entender os motivos mas é incapaz de considerar e relativizar onde, como e quando eles falharam - embora isso acabe completamente infrutífero diante do acontecimento trágico. É a sina de qualquer casal pais de um filho que comete um evento como este e nesse ponto, Tarde Demais acerta em cheio na construção dos personagens. Ambos os personagens tentam retomar suas vidas, mas a memória do menino e o peso na consciência faz com que ele acabe paranoico e ela obcecada por encontrar respostas. O filme parece nos dizer aqui e ali que, mais do que culpados, são os pais que mais sofrem depois do acontecido, mergulhados em um tipo de caos pessoal, uma queda ao fundo do poço sentimental e psicológico impossível de reverter.

Maria Bello e Michael Sheen se defendem bem (ela se despe de maquiagem e vaidades, mostrando até uma cena de nu) e demonstram química como o casal que não sabe o que fazer depois do acontecimento. Há uma parábola e uma metáfora ao final, que se conectam com o começo do filme na forma de uma narração em OFF. Mas o filme, pequeno, modesto, confiante nos seus atores, talvez falhe por ser simplista demais (ele não dá a dimensão da tragédia para as outras famílias, por exemplo, fincando-se praticamente todo no casal): ele não estende o tamanho do estrago e não se aprofunda na personalidade do causador de tudo, nem dá muitas referências ao seu passado para guiar o espectador (como em outro interessante filme sobre o tema, "Precisamos falar sobre o Kevin"). Talvez porque a opção do roteiro tenha sido apenas a de mostrar o lado dos pais do rapaz nos momentos seguintes: a consequência -, o que, em tempos de violência constante nas escolas e universidades, já é de grande valor. 

Cotação: 4/5

Filme independente, com boas atuações, bom roteiro e um tema interessante, denso, atual e urgente.


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