sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Teus olhos meus (2011)




Título Original: Teus olhos meus (nacional)
Ano: 2011
Direção: Caio Sóh
Roteiro: Caio Sóh, Darciana Moreno Izel,
Elenco: Emílio Dantas, Remo Rocha, Paloma Duarte, Roberto Bomtempo, Jayme Matarazzo, Graziella Smichtt, Cláudio Lins, Juliana Lohmann, Gustavo Novaies, Gugu Peixoto.
Sinopse: E se a vida tropeçasse no destino? E se a felicidade fosse encontrada justamente em um lugar impossível de imaginar? Quanto podemos nos permitir ao novo sem medo de abandonar o passado? Gil é um jovem de 20 anos, questionador de si e do mundo, órfão criado pelos tios. Seu estilo de vida regado a violão, poesia e álcool, gera uma guerra familiar fazendo com que Gil vá embora de casa. Com o violão nas costas, sem rumo, dinheiro ou retaguarda de amigos, Gil conhece Otávio, um produtor musical que mudará seu destino para sempre.

Por Lady Rá

Teus olhos meus é um daqueles filmes que chamam atenção logo pelo título, mas não é um filme para qualquer público. Não por abordar uma questão  que ainda é tabu e incomoda muita gente, que é a homossexualidade, mas pelo modo como a produção é feita. Caio Sóh (diretor, produtor, roteirista) conseguiu fazer o filme com ajuda de vários amigos que toparam fazer o filme sem receber cachê, usando como locações casas de conhecidos, apenas com uma câmera na mão, um bom roteiro e muita boa vontade. É um filme artístico, a câmera tremida dá um aspecto meio amador, mas ao mesmo tempo, confere um aspecto de confusão, que remete à situação que vive o protagonista Gil (Emílio Dantas), um jovem músico, sensível, sem rumo, um tanto irresponsável, que vai tocando a vida sem ao menos compreender o que espera dela.

Gil é órfão, foi criado pelos tios. A tia Leila (Paloma Duarte, ótima) tenta proteger o sobrinho da fúria do marido (Roberto Bomtempo), que não tem um mínimo de amor pelo rapaz. As brigas são constantes, a situação fica insustentável, até que Gil sai de casa com a roupa do corpo. Paralelamente, conhecemos Otávio (Remo Rocha), um produtor musical de meia idade, que acaba de terminar o relacionamento com o namorado de longa data (Cláudio Lins). O destino tratará de fazer com que Gil e Otávio se encontrem.

O encontro entre Gil e Otávio acontece de forma quase mágica, os diálogos soam como poesia. Ambos nutrem o mesmo amor pela música, o mesmo repúdio pelas amarras sociais. E assim surge um relacionamento que levará ambos a se descobrirem. Não se trata apenas da descoberta da homossexualidade, mas da própria identidade. O tema é abordado com sinceridade e naturalidade pelo roteiro de Caio Sóh, sem levantar bandeiras. Em certo momento Otávio diz a Gil “Um dia eu me apaixonei, e percebi que era por um homem”. Simples assim. Sem tornar essa descoberta um dramalhão.

Teus olhos meus é um belo filme sobre o amor, sobre se encontrar, mas também sobre como o destino pode ser cruel. Absolutamente poético, o longa conta ainda com uma ótima trilha sonora e uma participação especial da cantora Maria Gadú. A falta de financiamento, porém, faz com que a produção não tenha um bom acabamento, com cortes bruscos, sem um áudio limpo, o que faz o filme em muitos momentos parecer um vídeo caseiro, mas se você estiver disposto (a) a ignorar esses detalhes, tudo o que restará é um bela e surpreendente história. Caio Sóh conseguiu realizar um belo trabalho com poucos recursos, imagine o que não teria feito com um bom patrocínio?

Cotação: 4/5

Um belo exemplo de que não boas histórias ainda são o elemento principal de um bom filme.

TRAILER



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