sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Twister - 1996 (Twister - 1996)


Título Original: Twister
Ano de lançamento: 1996
Direção: Jan De Bont
Roteiro: Michael Crichton, Anne Marie Martin
Elenco: Bill Paxton, Helen Hunt, Philip Seymour Hoffman, Cary Elwes, Jami Gertz
Sinopse: No Oklahoma, uma tempestade que não acontece há décadas está se prenunciando e dois grupos de cientistas rivais planejam entrar para a história colocando sensores no tornado, para que estas informações possam ir até um computador e, assim, seja possível prever sua chegada com maior antecedência. Mas para colocar os sensores é necessário ficar o mais próximo possível do tornado e torcer para que os sensores sejam sugados pela tempestade. Em uma das equipes está uma jovem (Helen Hunt) obcecada por tal ideia  pois em 1969 ela viu o pai ser sugado por uma tempestade, e atualmente ela planeja conseguir seu intento ou morrer tentando.


Por Jason


Twister é um filme que me desperta empatia e ódio quase que da mesma forma. Empatia porque o filme traz efeitos especiais portentosos, que sobreviveram bem ao tempo - ao menos ao advento da tecnologia Blu Ray - e traz ação e aventura em doses certas. A combinação dos produtores de Jurassic Park, incluindo Steven Spielberg, e direção de Jan De Bont, de Velocidade Máxima, é certeira - bem como o envolvimento do já lendário Michael Crichton, autor de Jurassic Park. A trilha sonora é ótima e os efeitos sonoros são outro ponto alto do filme (experimente em Home Theater). A personagem principal, Jo, é simpática, bem delineada e bem defendida por Helen Hunt antes de ganhar o seu Oscar por "Melhor é impossível". Jo é sem sombra de dúvidas o relevante e único eixo dramático para o filme de roteiro frágil.

Porque Twister não escapa, contudo, de uma melhor revisão. Há sequências em que os cabelos dos personagens mudam constantemente (em uma cena está cheio de lama, na próxima está limpo; em outra está molhado, na seguinte estão secos). Quando um tornado errante arranca uma série de postes, nas tomadas seguintes eles milagrosamente estão lá - pior, o céu, que estava escuro, muda também duas ou três vezes seguidas em uma única tomada. Nessa mesma sequência, vemos o carro ser atingido por um poste e ter o aparelho arrancado com a tampa da carroceria - mas nas cenas seguintes, tudo está intacto. Vemos granizo caindo fora do carro e, num corte para o interior do carro, percebemos que não tem nada caindo do lado de fora, notamos que o céu não está escuro - até a próxima tomada de dois segundos. É para-brisa que quebra numa cena e aparece intacto um segundo depois; é janela de carro que aparece aberta e fechada em questão de um segundo. Os carros estão numa pista de asfalto num momento e um segundo depois somos transportados para uma pista de lama. 

É algo que a montagem de Michael Kahn, um notável e experiente editor colaborador constante de Spielberg, o mais indicado nesta categoria ao Oscar e ganhador de três prêmios da Academia (ele concorre com Lincoln este ano, já ganhou três com filmes de Spielberg) não consegue solucionar. Sem falar na ausência de física: na cena do cinema, por exemplo, nenhum carro se movimenta quando o tornado está chegando - mas pouco depois um deles (apenas um) é arremessado contra um galpão que serve de abrigo; nas sequências finais, os ventos do tornado balançam enlouquecidamente os cabelos de Helen Hunt, mas o milharal permanece intacto sem se mover; as cercas são arrastadas pela ventania, mas em uma tomada seguinte a vemos intactas, para depois serem arrastadas novamente. 

A iluminação do filme é outra loucura. O céu de Twister muda de cor em fração de tempo. Temos um céu escuro do lado de fora e, de repente, quando a câmera está dentro do carro, pode-se notar que o céu está azul e limpo por várias vezes em diversas cenas. Em um take noturno temos o céu escuro em que é impossível ver um tornado. No próximo, vemos o tornado nitidamente. Depois não o podemos ver mais - e em seguida, olha lá ele! São coisas bobas que, certamente, para quem viu o filme no cinema quando estreou mais de quinze anos atrás, no calor da emoção, passaram desapercebidas, mas começaram a ficar nítidas a partir de quando revemos o filme com frequência. Nada disso, entretanto, supera a aberração do script. 

Personagens secundários só fazem volume em cena. O roteiro é didático e precisa colocar a descartável personagem Melissa apenas para que os outros possam ensinar detalhes sobre os tornados - tudo mastigado, sem que o espectador conclua nada por si. Pior: o vilão de Cary Elwes some em parte do filme sem que sintamos saudades - para depois aparecer apenas para morrer. E somos levados a aturar que os dois personagens se prenderam em cintos e não foram destroçados pelas forças de um tornado daquela categoria ao final do filme, claro - nem os fones de ouvido da personagem Jo, que permaneceram inteiros.  

Em se tratando de elenco, Jami Gertz, indicada ao framboesa de ouro pelo filme, é ruim, mas Bill Paxton é péssimo. O resto do elenco incluindo aqui um então jovem Philip Seymour Hoffman, é puro enfeite de cenário. Mas Twister, de algum modo inexplicável, como num milagre Spielberguiano, funciona. Funciona porque tem aquela sequência excelente e bem filmada da picape amarela avançando com o tornado ao fundo. E o que dizer da já antológica cena da vaca voando? Há de se reclamar das cenas de troncos de árvore sendo atiradas pela pista e impedindo uma picape (tração nas quatro rodas que o motorista esqueceu de usar, recordemos) de desencalhar - um mero artifício de roteiro para fazer um caminhão tanque ser jogado contra os personagens - e contra a plateia - indefesa. Não chega a ser uma aberração como um filme catástrofe de Emmerich, nem uma tortura picotada como um filme barulhento de Michael Bay. Ele tem estilo, tem uma marca, é eficiente no que se propõe e uma vez que fisga você, não adianta, o espectador embarca.  

Tamanho empenho só poderia gerar um divertido espetáculo.

Cotação: 3/5

Filme vem sobrevivendo bem como uma aventura eletrizante cheia de ação e efeitos especiais. Se você quer mais, fuja disso.




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