terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Um crime americano - 2007 (An American Crime - 2007)




Título Original: An American Crime
Ano de lançamento: 2007
Direção: Tommy O'Haver
Roteiro: Irene Turner, Tommy O'Haver
Elenco: Catherine Keener, Ellen Page, James Franco
Sinopse: Baseado na história real que chocou a nação em 1965, o filme reconstrói um dos crimes mais chocantes já cometidos a uma só vítima. Sylvia (Ellen Page) e Jennie Fae Likens (Hayley McFarland), as duas filhas de um casal que trabalha com um circo são deixadas para uma estadia demorada em Indianápolis, na casa Gertrude Baniszewski, uma mãe solteira com sete crianças. Tempos difíceis, e as necessidades financeiras de Gerturdes (Catherine Keener), obrigam-na a fazer este arranjo antes de perceber como esta obrigação levará sua natureza instável a um ponto de ruptura.



Por Jason

Gertrude Nadine Baniszewski junto com os filhos e outras crianças da região de Indiana, torturou até a morte Sylvia Likens, uma garota de dezesseis anos. Pelo crime, Gertrude foi condenada a prisão perpetua.

Um crime americano, traça um perfil dessa mulher psicopata e instável, emocionalmente e psicologicamente, e o sofrimento por ela empregado na adolescente Sylvia. Gertrude teve uma vida problemática. Se relacionava com todo tipo de homem, tinha vários filhos de maridos diferentes. Em idos de 1965, dois atores circenses deixaram suas duas filhas - Sylvia Likens, 16, e Jenny Likens, 15 - na casa de Gertrude por 20 dólares por semana enquanto eles viajavam pelo país. Gertrude demonstrara aos pais das meninas ser uma pessoa sociável, educada e gentil, quando na verdade era uma pessoa doentia e desequilibrada. Ela surrou as duas garotas por motivos fúteis, começou a acusa-las de mentiras e calunia-las alegando proteger as filhas (uma delas, Paula, demonstrava ter a mesma instabilidade da mãe). Os abusos aumentaram absurdamente até torturarem a menina de todas as formas possíveis. Sylvia era espancada pela mulher e pelas outras crianças, obrigada e enfiar uma garrafa de coca cola na vagina, humilhada de todas as formas possíveis e inimagináveis na frente de outras adolescentes e crianças. 

Sobe

O que mais chama a atenção no caso debatido pela produção é como uma enorme quantidade de crianças foi induzida ao crime pela mulher - e a ausência total de cuidado dos pais de Sylvia, que abandonaram as crianças ao léu com uma pessoa desconhecida. Igualmente desperta atenção a irresponsabilidade dos pais das outras crianças que participaram ativamente do crime e da vizinhança, que, relapsa, nunca prestaram socorro a menina. Igualmente é a inocência das meninas, que, mesmo espancadas e maltratadas, não procuravam ajuda na vizinhança muito menos com autoridades, o que deixa o caso com um aspecto surreal - mesmo a realidade tendo sido trágica e cruel.

O filme em si traz uma boa reconstituição de época, com boas atuações. Ellen Page faz um ótimo trabalho como Sylvia Likens, todas as crianças e adolescentes também cumprem bem seus papeis na trama, mas é Catherine Keener que se entrega ao papel completamente como a assassina psicopata, trabalhando com olhares e com o seu tom voz. Atriz maiúscula, Keener se arroja, seja numa cena em que precisa se envolver sexualmente com um homem que a explora, seja quando precisa maltratar a garota. 

Desce

Entretanto, o filme peca por não ter uma direção corajosa e arrojada - é burocrática - e ter James Franco que aparece e some sem nem deixar saudades. Também por não se aprofundar no caso (é um filme de tribunal, com os fatos contados em flashback) deixando muitos fatos envolvendo Sylvia de fora do contexto (quem se aprofunda no caso sabe que o filme é superficial) e se acovarda nos momentos mais difíceis em que deve explorar o sofrimento da menina, apelando até para uma visão sobrenatural com a finalidade de atenuar o peso da tragédia (algo que me lembrou, de longe, o mal fadado Um olhar do paraíso, de Peter Jackson). 

Reparem que nos momentos de brutalidade, a câmera não raramente se afasta, muda de posição, corta, some da cena, como se quisesse livrar o espectador da crueza e da realidade trágica a qual a menina foi submetida. Sem o peso real e a exploração de todo o sofrimento de Sylvia, e os cortes bruscos trazendo o espectador de volta para o tribunal, o filme acaba oscilando e perdendo no drama. Sylvia foi torturada sadicamente e morta cruelmente - os detalhes de sua morte e as fotos reais estão espalhadas pela net para qualquer um que queira conferir - e não se trata de pedir que o filme seja cru, mas o problema é que ele, tal qual Gertrude, se acovarda diante dos fatos e do sofrimento da menina, resultando em um trabalho de aspecto novelesco e superficial. 

Preste atenção: na performance de Catherine Keener, que rouba todas as cenas. Na boa reconstituição de época - estamos falando de um filme independente - e na filha de Gertrude, Paula, que tem os traços de personalidade da mãe, acusa Sylvia com mentiras e calúnias, é dissimulada, tem um caso com um homem casado, mas é uma das crianças que conseguem perceber que a mãe está indo longe demais e tenta ajudar a menina por culpa e peso na consciência - quando já é tarde demais.

Cotação: 3/5

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