quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A baía - 2012 (The Bay - 2012)





Título Original: The Bay
Ano de lançamento: 2012
Direção: Barry Levinson
Roteiro: Michael Wallach
Elenco: Kristen Connolly, Christopher Denham, Jane McNeill, Andy Stahl.
Sinopse: O filme, que antes circulava com o título Isopod, mostra uma contaminação viral que se espalha na costa leste dos Estados Unidos, a partir da pequena cidade de Chesapeake Bay. Quando dois biólogos franceses descobrem um altíssimo nível de toxina na água, eles tentam avisar o prefeito da cidade, que se nega a causar pânico entre os habitantes. Como resultado, desencadeia-se uma praga mortal, transformando os residentes em hospedeiros de um parasita mutante. A história é contada usando imagens filmadas com celular, gravações de telefonemas para o 911 e outras mídias, para dar o tom documental.


Por Jason

A primeira coisa que a gente precisa reconhecer em The Bay é que a ideia, além de interessante, é perturbadora: moradores de uma cidadezinha pacata começam a morrer misteriosamente depois de um surto que parece provocado por uma bactéria. A cidade é um point de verão, com seus lagos e sua baía de águas tranquilas. Esse encontro entre um filme de epidemia com um horror que vem da água, nos moldes de Tubarão, já é por si só curioso.

Junte a isso um ou outro momento interessante, principalmente no fato de que ninguém sabe do que se trata tal incidente e os médicos e cientistas arriscam em uma super bactéria ou vírus mortal que está causando um surto. Há aqueles para culparem os pobres inocentes tubarões, há os que vão saber a verdade mas vão ignorar. Até descobrir o real motivo do surto epidêmico, o parasita age se alojando no corpo humano, provocando um tipo de reação alérgica infecciosa horrorosa e por fim devorando o corpo de dentro para fora já que põe suas larvas dentro dele, usando o corpo humano como hospedeiro para sua proliferação e por fim, como alimento ainda vivo. Bizarro? Sim.

Mais ainda: o filme tem direção e produção atribuída a Barry Levinson - de Bee Movie a história de uma abelha, Esfera, Mera Coincidencia, Assedio Sexual, Bugsy, Sleepers A vingança adormecida e o excelente Rain Man. Ou seja, não estamos lidando aqui com um diretor inexperiente: Barry sabe organizar o desenvolvimento da trama, apresentando a personagem principal, o local, a situação, a condição em que os personagens se encontram e o resultado da doença (sem esquecer a parte crua, de feridas purulentas, pedaços de corpos, sangue em profusão e toda uma série de nojeiras). Mas estar envolvido com um filme tão porcalhão como esse é um fim de carreira inglório para qualquer profissional.

O filme tem uma quantidade igualmente bizarra de problemas... The Bay é o tipo de filme "gravações encontradas" e é tão recortado que é impossível acompanhá-lo e se envolver com o terror daquelas pessoas. Não há como se relacionar com elas, uma vez que os personagens passam poucos segundos aqui e ali, servindo apenas de veículos para mostrarem a proliferação dos parasitas (ou para se destacarem em termos de mortes bizarras). Sem esse vínculo, é impossível se importar ou se incomodar com o que acontece na tela, já que todos os personagens são ocos, chegam e saem rapidamente, ou são unidimensionais. A ideia de construir o filme apenas por câmeras amadoras, seja de segurança ou de pessoas que estão na cidade, de celulares ou de telejornais já cansou - e só complica toda a situação na construção do drama e no suspense (há momentos mais tragicômicos do que de horror, embora o filme não se assuma como trash). 

Há ainda o excesso de gente - todos são atores ruins - e a questão da narração em OFF, totalmente infeliz, que entra todas as vezes que surge alguém em cena, para explicar quem são e o que fazem os personagens - uma aberração de script: a personagem principal Donna Thompson se encarrega de já dar o veredito daquelas pessoas antes mesmo delas concluírem suas cenas, o que tira totalmente o peso do suspense, já que o espectador não se surpreende em momento algum (só há uma cena interessante em que é possível se assustar, no momento de um ataque de um doente a um carro de polícia).

Para completar, fica difícil também conseguir engolir - e digerir - o argumento do roteiro: para The Bay, a culpa pelo super desenvolvimento de parasitas mutantes é  da bosta de galinha lançada na água da baía (sim, isso mesmo, no tolete das pobres galináceas, cuja ração é adubada com muita química e, SANTO DEUS, toda essa bosta misturada com tanta porcaria tóxica de uma industria foram capazes de despertar a fúria assassina dos pobres e preguiçosos crustáceos Cymothoa Exigua, que vivem no Pacifico comendo línguas de peixes e parasitando os animais para poderem se alimentar - e aqui, fazendo a linha Alligator, se tornaram marombados e super desenvolvidos a ponto de devorarem pessoas. A solução para matá-los, ao final, é igualmente tosca.

Seria trágico - se não fosse tão cômico.

Cotação: 0/5

A culpa é das galinhas.


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