terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

As sessões - 2012




Título Original: The Sessions
Ano de lançamento: 2012
Direção: Ben Lewin
Roteiro: Ben Lewin
Elenco: John Hawkes, Helen Hunt, William H. Macy, Moon Bloodgood, Adam Arkin, Robin Weigert.
Sinopse: Mark O'Brien (John Hawkes) é um escritor e poeta que, ainda criança, contraiu poliomielite. Devido à doença ele perdeu os movimentos do corpo, com exceção da cabeça, e precisa passar boa parte do dia dentro de um aparelho apelidado de "pulmão de aço". Mark passa os dias entre o trabalho e as visitas à igreja, onde conversa com o padre Brendan (William H. Macy), seu amigo pessoal. Sentindo-se incompleto por desconhecer o sexo, Mark passa a frequentar uma terapeuta sexual. Ela lhe indica os serviços de Cheryl Cohen Greene (Helen Hunt), uma especialista em exercícios de consciência corporal, que o inicia no sexo.

Por Lady Rá

Ainda hoje o sexo é tratado como tabu. Lidar com os próprios desejos de maneira natural é difícil para muitas pessoas.  Isso talvez se deva a herança cultural/religiosa da maioria. Desde pequenos, nós seres humanos desenvolvemos uma curiosidade pelo sexo, que muitas vezes é repreendida pelos pais. Desde pequenos somos ensinados sentir vergonha do nosso próprio corpo. Seja pecado, necessário, essencial, prazeroso, o sexo é visto por diferentes ângulos. E como é para uma pessoa que passou a vida deitado numa maca, que precisa de ajuda de outras pessoas para tudo, lidar com tudo isso? Esse é o tema central de As sessões, filme de Ben Lewin, que tem chamado atenção nos circuito das premiações e pelo qual Helen Hunt foi indicada ao Oscar de atriz coadjuvante.

As sessões é um filme delicado que não se preocupa muito com o antes ou o depois e sim com o agora. O John Hawkes vive um jornalista de 38 anos, religioso, que tem o corpo todo paralisado, por ter adquirido pólio na infância. Porém ele pode mexer pescoço e tem sensibilidade no corpo. Além disso, precisa de uma máquina que o mantém respirando durante o sono, sendo que consegue respirar sozinho por algumas horas, porém ele lida bem com suas limitações,  o que não o impede de trabalhar e ter amigos. Mas mesmo assim, Mark sente que falta algo em sua vida, aos 38 anos ele nunca experimentou o sexo. Assim ele conhece uma terapeuta sexual que lhe indica uma especialista/substituta sexual vivida por Helen Hunt, que irá introduzi-lo ao sexo e prepará-lo para uma vida sexual saudável.

A história é mostrada de forma bem intima e consiste basicamente nessa troca entre o jornalista e a terapeuta. Mas abordando o assunto também por um ponto de vista religioso, o que fica evidente nas divertidas conversas entre Mark e um padre. Ben Lewin dirige com precisão e sensibilidade, explorando a nudez dos atores de forma delicada e natural sem criar nenhum incômodo, assim como seu roteiro é objetivo, partindo logo para o que interessa, sem deixar de desenvolver bem seus personagens e sem cair no melodrama barato, abordando o assunto de forma honesta e até com uma boa dose de humor, sem banalizar a situação. Talvez algum problema resida na abordagem dada à família da personagem de Hunt e a forma como seu marido encara seu trabalho. Um detalhe que não prejudica o filme.Vale destacar a bela trilha sonora, com composições delicadas, que se encaixam perfeitamente no longa.

John Hawkes e Helen Hunt estão maravilhosos em seus personagens. A química entre os dois é excelente. A dedicação dos atores é impressionante, Helen encara a nudez com total naturalidade, expressando bem a forma como sua personagem lida com a situação de forma respeitosa e profissional, sem causar nenhum desconforto. Já John Hawkes brilha com olhares intensos que traduzem a explosão de sentimentos de seu personagem, uma vez que ele não pode se expressar com o corpo. A forma como sua religiosidade, o medo, a ansiedade, a inexperiência e o desejo se confrontam e influenciam em sua decisão, além da maneira  como ele vai se descobrindo sexualmente, são traduzidas em olhares, voz e respiração (repare no momento em que ele hesita em conversar com a terapeuta por telefone). Além disso, o casal de protagonistas nos fazem gostar de seus personagens. Há ainda a ótima participação de William H. Macy, como o padre de mente aberta e bastante divertido, que é o confidente de Mark.

As sessões é belo e delicado. Um filme memorável que encanta pela sua simplicidade, além de nos trazer reflexão sobre um tema importante. Afinal, o sexo, consensual é saudável, é uma dádiva, não um pecado. 


Cotação: 4/5

John Hawkes é um excelente ator, na minha opinião, merecia ser indicado ao Oscar.

TRAILER

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