terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Kinsey - Vamos falar de sexo - 2004 (Kinsey, 2004)


Título Original: Kinsey
Ano de lançamento: 2004
Direção: Bill Condon
Roteiro: Bill Condon
Elenco: Chris ODonnell, Oliver Platt, Veronica CartWright, John Lithgow, Laura Linney, Liam Neeson
Sinopse: Em 1948 Albert Kinsey (Liam Neeson) abalou a conservadora sociedade americana ao lançar seu novo livro, "Sexual Behavior in the Human Male". O livro trazia uma ampla pesquisa, na qual Kinsey levantou dados sobre o comportamento sexual de milhares de pessoas. O assunto, até então pouquíssimo abordado, passa a ser tema de debates e provoca polêmica na sociedade.


Por Jason


Albert Kinsey foi uma figura fascinante e, para muitos, uma pessoa repugnante. Ao tratar de um tema numa época que era tabu - o sexo - com seus estudos, Kinsey criou uma polêmica que mexeu com toda a sociedade americana, a moral, a religião, o conservadorismo e hipocrisia da população norte americana. Tentou, de muitas formas, mostrar o sexo como algo natural ao ser humano e separar o tema de sentimentalismos para uma análise clínica. É esse o mote do ótimo filme dirigido por Bill Condon, com Liam Neeson e Laura Linney nos papeis principais.

Liam Neeson transmite toda a consciência de Kinsey sobre as pessoas e as coisas em sua volta. Kinsey foi uma criança sozinha e, obviamente, um adulto solitário também. Quando jovem, passava o tempo em uma floresta na companhia de animais. Era repreendido sexualmente pela religião (ele casou virgem, já velho) e pelo pai neurótico pedante protestante, tornando-se um adulto obcecado por biologia, de temperamento complexo - e nada melhor que um ator calibrado e talentoso como Neeson para a tarefa. Dá gosto vê-lo fazendo o que realmente sabe fazer, ao invés de ficar pagando contas em filmes ordinários como Batalha Naval

Para auxiliá-lo, o filme traz a segura, ótima e competente Laura Linney, que se desnuda como Clara McMillen (pelo papel, a atriz ganhou indicação merecida ao Oscar) em um papel difícil e igualmente complexo de uma mulher adulta que não teve experiências sexuais antes do casamento e que precisa aceitar a condição de Kinsey como estudioso sexual. A sequência em que ambos tem sua primeira noite é crua, chocante e ao mesmo tempo de estranha sensibilidade. Mas a intimidade e interação criadas entre Neeson e Linney é o que garante o melhor do filme. Ambos desaparecem dentro dos personagens, que misteriosamente se entendem e se identificam até mesmo em uma sequência como a que descobrem o prazer sexual ou quando Kinsey confessa que se relacionou com um homem. 

É a partir desse mote que Kinsey descobre que é excelente em uma matéria: sexo. Kinsey se mostra com clareza, simplicidade e honestidade, em tratar o sexo como uma coisa normal, de todos os tipos e condições, até se envolver sexualmente com um de seus alunos para obter os resultados de seus estudos em uma ampla pesquisa que vai revelar dados importantes sobre o comportamento sexual humano. Seus estudos assim provocaram polêmica por estarem a frente do seu tempo, mas contribuíram por traçar um painel sobre a sexualidade humana durante uma geração - só que esses estudos acabam por consumir seu estado físico e mental devido a sua obsessão (em determinado momento ele chega a furar sua genitália para entender a sensação de um dos seus "pacientes").

Não é um filme fácil para pessoas mal resolvidas sexualmente ou que veem o sexo como algo sujo e nocivo. Há exposição de genitálias, seja no curso de Kinsey ou na pele do ator Peter Sarsgaard, a vontade em cenas de sexo e nudez. O filme ainda tem participações de Chris ODonnell, Oliver Platt, Veronica CartWright e do ótimo John Lithgow, como o pai de Kinsey, que mesmo depois de velho ainda exerce enorme poder sobre a personalidade reprimida de Kinsey (Lithgow e Liam protagonizam uma das melhores cenas do filme, em que Kinsey descobre mais sobre a vida sexual do pai). 

Por fim, Bill Condon dirige o filme com sensibilidade e trata do tema sexual com leveza e beleza ao mesmo tempo que traz profundidade, crueza e certo humor (reparem na conversa de Kinsey com o jovem casal que não sabe fazer sexo e são inexperientes). Nas mãos de um diretor sem criatividade ou sensibilidade, o filme poderia ficar pesado ou resultar em um dramalhão tolo, e nada disso acontece. Bill consegue extrair o melhor da dupla principal, de maneira que é impossível se distrair dos dois e da forma como o relacionamento entre eles se desenrola. Tudo conspirando para resultar em um trabalho simples, mas incrivelmente preciso e consistente. O final só mostra o quanto essa figura polêmica foi tão importante para a vida de muitas pessoas a se aceitarem como eram - e o quanto o sexo é tão nocivo e importante quanto o amor na vida dos seres humanos. 

Cotação: 5/5

Corajoso, sensível, simples, honesto, com boa recriação de época, e de atuações esplêndidas. Vale a pena conferir.

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