domingo, 3 de fevereiro de 2013

O voo - 2012 (Flight - 2012)




Título Original: Flight
Ano de lançamento: 2012
Direção: Robert Zemeckis
Roteiro: John Gatins
Elenco: Denzel Washington, Melissa Leo, John Goodman, Don Cheadle
Sinopse: Quando o motor de seu avião dá problema, um piloto consegue salvar a aeronave e seus passageiros, tornando-se um herói. Quando a FAA (sigla nos Estados Unidos para Administração Federal de Aviação) investiga e acha evidências de abuso de drogas, o problema é posto de lado, para tentar preservar a imagem do capitão, que está tentando mudar o rumo de sua vida.


Por Jason

O filme começa com o personagem Whitaker (Denzel Washington) um piloto de avião divorciado, que ingere álcool como quem bebe água e aspira carreira de cocaína antes de tomar seu posto como piloto de um avião com problemas de funcionamento. Ele consegue livrar os 102 passageiros de uma decolagem que tinha tudo para  dar errado, debaixo de uma tempestade, mas pouco antes do pouso, problemas técnicos fazem com que ele precise se virar para manter a aeronave no ar com a ajuda de uma aeromoça e seu inexperiente co-piloto. No auge da situação desesperadora, o piloto precisa fazer o avião virar de cabeça para baixo, antes de fazer um pouso forçado em um descampado.  

O problema é que os exames toxicológicos revelaram que o comandante da aeronave era usuário de drogas e estava alcoolizado no momento do acidente. O co-piloto encontra-se inicialmente em coma, está com as pernas e a bacia esmagada e provavelmente não poderá andar como antes; além disso, outras seis pessoas morreram - incluindo dois tripulantes - e alguém precisa ser o responsável por isso. De herói  por ter salvado a vida de 96 pessoas, Whitaker passa a ser caçado como um assassino, um homem irresponsável que se isola fisicamente e psicologicamente por causa do problema com a bebida e as drogas e que ignora o fato de estar deteriorando. Como revelado na conversa entre o piloto, o presidente do sindicato e um advogado, a companhia quer jogar o problema para a fabricante do avião, enquanto a fabricante vai atirar em erro humano - o que faz do personagem um potencial homicida de seis pessoas. 

É nesse mote que Denzel Washington se dedica e, talentoso e carismático, faz um bom trabalho. De drogado e bêbado, passando pelo choque do acidente e pela tentativa fracassada de se livrar da bebida, retornando a ela quando o círculo começa a se fechar em sua volta, Denzel traz credibilidade e veracidade ao personagem na medida certa. O acidente é muito bem filmado por Robert Zemeckis: ele ainda mostra que é um ótimo diretor de ação e sabe criar tensão mantendo sua câmera muito mais dentro do aparelho no momento da confusão que antecede o acidente do que fora dele - e usando bons efeitos especiais a seu favor sem que transforme o filme num espetáculo pirotécnico. Mas depois desse momento, é inegável que O voo declina, tal qual o avião, rumo ao impacto no solo.

A prostituta drogada fotógrafa nas horas vagas (ou vice versa) se encontra com o piloto no hospital, depois fora dele, os dois se envolvem no meio do turbilhão (a atriz é fraca). É uma situação gritante do roteiro, envolvendo dois personagens perdidos na vida, tentando se alinharem - mas que não convence em nenhum momento (de novo, a atriz falha). O ritmo do filme parece se amarrar desnecessariamente passando a sensação de que o roteiro não sabe o que fazer com o personagem Whitaker (podia transformar tudo em um filme de tribunal ou de investigação, que provavelmente seria mais proveitoso e o resultado muito melhor). O acidente vai dando lugar a um relacionamento totalmente descompassado com o restante do filme. 

Há uma questão no meio da produção muito mal desenvolvida, sobre atribuir culpa e inocência aos envolvidos - sobra até para Deus - com a discussão, que poderia ser interessante, se resumindo em um diálogo aqui e ali, além de um senso de humor negro dentro do filme que incomoda, na figura de John Goodman. Basta dizer que em determinado momento, a ideia encontrada pela defesa de Whitaker para que o mesmo não pareça bêbado diante dos investigadores é oferecer a ele uma dose generosa de cocaína. E nisso tudo, a trilha muitas vezes ajuda no pior sentido, porque soa deslocada. Resta a Melissa Leo aparecer em poucos minutos de cena em um momento chave do filme e a Don Cheadle, papel de suporte desperdiçado.

No mais, o filme funciona para sabermos que é ótimo ter Robert Zemeckis de volta ao cinema com atores reais, depois de uma temporada incessante no mundo das animações computadorizadas em Motion Capture, porque o diretor ainda está em boa forma. Mas voo ainda não faz jus ao seu talento.
  
Preste atenção: nas sequências bem filmadas envolvendo a queda do avião, que Zemeckis filme até com certa elegância, mesmo envolvendo ação e tensão, e não picota o filme como se estivesse num videoclipe, coisa de quem sabe - e muito - filmar. Também a cena do avião no chão, visto pelos olhos de Whitaker.

O tema envolvendo esse transporte e isolamento social e psicológico de um personagem não é tema novo na filmografia de Zemeckis. Basta lembrarmos que ele também é responsável pelo bem sucedido O náufrago (2000), com Tom Hanks.

Cotação: 3/5

A sensação que tive ao assistir O voo foi a de que ele é o típico filme para passar numa sessão de sábado da tv aberta, como o Super Cine.




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...