sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Titanic - 1997 (Titanic - 1997)


Título Original: Titanic
Ano de lançamento: 1997
Direção: James Cameron
Roteiro: James Cameron
Elenco: Leonardo DiCaprio, Kate Winslet, Billy Zane, Gloria Stuart, Bill Paxton
Sinopse: Uma expedição aos destroços do Titanic leva uma sobrevivente do naufrágio a relembrar uma grande história de amor que viveu no navio. Em 1912, na única viagem do que então era o maior navio já construído, Rose (Winslet) é uma jovem da alta sociedade prestes a se casar com seu rico noivo. Mas a bordo do Titanic ela conhece Jack Dawson (DiCaprio), um jovem simples e aventureiro, e se apaixona pelo rapaz. As diferenças sociais fazem com que muitos se oponham ao relacionamento que surge. Em meio ao intenso romance e à rebeldia dos dois, acontece o trágico acidente, que eles enfrentam juntos.

Tia Rá

Tia Rá anda cheia de saudosismo e melancolia. Deve ser a idade, gente... #TENSA!

Enfim, vamos falar de coisas boas né? 

Titanic. James Cameron. Jack e Rose. OI? Quem se lembra? Quem viu nos cinemas? (além de mim e o resto da população mundial da época?). Quem gostou, quem chorou, quem fez escândalo? EU!


Pois é. Eu fico triste ao ver essa geração alienada tapada de hoje em dia, aqueles fãs de Prepúcio, pobres coitados, que torcem para a Bella fica com o Edward ou com o lobo ou com uma porta, ENFIM, e me pergunto o que seria de mim e de minha geração sem Titanic. Porque a primeira vez que a tia aqui foi para o cinema, eu enfrentei uma fila monstruosa para poder entrar na sala e ter o prazer de ver o filme, que começou com um atraso de mais de uma hora (até fazer o povo todo entrar na sala foi um Deus nos acuda!!!). Eu não entendia o motivo de todo aquele alvoroço em torno de um filme, que para mim só parecia ser mais um filme genial de ação do tio Cameron (que eu conhecia do já clássico Exterminador do Futuro e pelo excelente Aliens). 

Abriram as portas do inferno cinema e lá fomos nós que nem vacas entrando num curral (se alguém peidasse ali era morte por asfixia RISOS), nos amontoamos pelo chão, pelas cadeiras, pelas portas dos banheiros (sim, os banheiros tinham entradas aos fundos da sala de cinema, olha que bacana? SÓQUENÃO). Eram 250 lugares, mas entraram 300 ou 350 pessoas segundo contagem da bilheteria. Dei um golpe em uma guria que estava sentada (falei que estavam chamando ela na primeira fila, sou dessas) pra ela poder sair e lá fui eu sentar linda e maravilhosa lá na fila do meio. O filme começou e estava uma algazarra. Ninguém parava de falar, de soltar piada, de jogar pipoca, aquela palhaçada. Mas aí...

Aí a Old Rose voltou para o Titanic, que é o momento em que o filme começa a embalar realmente e que era impossível desgrudar a atenção. E ao final do filme, quando os letreiros subiram, não se escutava mais nada a não ser uma choradeira absurda, com todo mundo paralisado e sem querer deixar a sala para pegar a próxima sessão (o que aconteceu, porque ninguém queria sair, tinha um mar de gente querendo entrar, e todo mundo lá dentro para uma segunda sessão). Eu, por exemplo, escandalizei até dizer chega, óbvio! Não sairia de lá por NADA NESSE MUNDO! 

A partir dali eu tinha certeza que sim, tio Cameron tinha conseguido fisgar definitivamente uma plateia que cresceria a uma proporção esmagadora (e cresceu a ponto do filme se manter hoje como o maior público do cinema em quantidade de pessoas que assistiram). Porque Titanic não era um filme qualquer, não era um filme comum, não era um filme de ação genérico. Era um espetáculo, absurdamente simplista em sua trama (um Romeu e Julieta sobre as águas, fim), mas em que técnica se unia a uma direção segura capaz de dominar um cenário monstruoso como o de um navio afundando para criar uma história atemporal, de amor, de luta, de sobrevivência - uma tragédia que ninguém esquece e um micro cosmo da sociedade da época, uma amostra de que as coisas ainda hoje estão como eram antigamente. Mudaram as pessoas, mudaram as roupas, mas no fim das contas, existe um abismo social na humanidade - e o navio é um dos maiores representantes da história humana nesse sentido. Tio Cameron misturou tudo, incluiu uma dose de humor aqui e ali, drama, medo, suspense (Rose está no meio de um corredor, gritando por ajuda, enquanto as luzes se apagam e o navio rui como se estivesse agonizando de dor), tragédia, bateu tudo no liquidificador e foi. Irresistível.

Agora me deparei com a versão em Blu Ray do filme. Tecnicamente, não há o que se questionar - e até você que acha o filme ruim não pode discordar. Tudo em Titanic beira a perfeição: a recriação dos cenários é assustadora, dos figurinos, a fotografia, efeitos sonoros, trilha sonora, tudo é superlativo. Olhe para as louças, olhe para os tapetes... gente, as lamparinas! Olha a madeira, o verniz dela... PQP! É trabalho de gente obcecada, doida, neurótica por detalhes. O filme resistiu ao tempo porque poupou o espectador de excessos de efeitos especiais digitais: o cenário é real, o uso de maquetes está lá, mas os truques de câmera da direção também. Cameron não enche o filme de coisas digitais (o que chega até a chocar em se tratando dele, uma vez que ele adora efeito especial, né povo...?). Os dublês criados em computadores são usados aqui e ali nos momentos finais. Toda a sequência no naufrágio, a partir do momento em que o navio bate no iceberg é irretocável e ainda se mantém atual, mesmo com os erros de montagem, mesmo com as falhas do roteiro, mesmo com Jack morrendo no final com aquela porta - já que a gente sabia que a Rose podia colocar ele lá RISOS.

Mas tem a trama né... Titanic é tão simplista que seu roteiro é frágil. Tem o Calledon Hockley (Billy Zane, cuja carreira flopou lindamente) que para ser mais estereotipado e afetado, bastava ter um bigodão. Tem o Leonardo DiCaprio, mostrando que era bonitinho e que embarangou horrores com o passar do tempo. Tem aquela cena do cuspe, né gente, que sempre me pareceu brega, tem aquele papo do machado quebrando as algemas e forçando a barra legal, o que nunca me desceu... céus, tem Rose chamando Jack 5 milhões de vezes, tem Jack chamando Rose outras 5 milhões de vezes até dar gastura no espectador... Bill Paxton fazendo papel de... Bill Paxton... e tem a porta. Aquela maldita porta boiando... OI?

Mas tem a Kate Winslet, rechonchuda e talentosa, para salvar o time. Rose é uma das provas definitivas que Cameron sabe como poucos lidar com personagens femininos. Suas heroínas estão sempre um passo adiante do seu tempo e desafiam as leis masculinas para se sobressaírem. Buscam se impor a todo custo, com sensibilidade e com garra. Rose não hesita em correr atrás daquele que ama quando o navio está afundando, não hesita em desafiar a família e a sociedade opressiva masculina e nesse ponto, o trabalho de Kate Winslet ainda continua esplêndido. Gloria Stuart, a Rose idosa, mimetizou a personagem de Rose jovem, nas suas expressões, na sua fragilidade, mas ainda assim, nas suas atitudes (reparem como ela é desaforada). Se há alguma coisa de excelente no roteiro em termos de personagens, é justamente esse arco em que as duas se conectam, sem deixar brecha, razão pela qual as duas atrizes foram merecidamente indicadas ao Oscar.

E tem a cena antológica dos dois na proa do navio, voando com o por do sol (pobre de tio Michael Bay, que nunca soube usar um em seus filmes para conseguir um resultado de tamanho impacto...), e o final desta cena, em que tudo escurece, como se Cameron estivesse ali avisando que a partir dali, tudo ia se quebrar, anunciando o fim de tudo. Ah, e tem a cena em que ela desiste de ir no bote salva-vidas para ficar com seu amor - eu devo ter naufragado o cinema nessa hora de tanta choradeira e por ter chamado a infeliz de todos os nomes possíveis... E tem a cena do desenho... E...

Bom, tem uma aula de como fazer um épico e como marcar época.  De como fazer um filme definitivo sobre a tragédia. Porque Titanic no fim das contas representa o fim de uma era, de uma década, a década de 90, em que pegávamos uma fila enorme para nos emocionarmos e torcermos pelo amor de dois personagens, enquanto a tragédia real se desenhava na tela. Vemos o show de emoção e tecnologia de  Avatar em dias atuais, batendo recorde de bilheterias, superando até mesmo Titanic com todos os seus méritos. Mas Titanic continua imbatível, sobrevivendo, tal qual a tragédia, no imaginário popular daquele público que não só viu, como participou - e sentiu na pele - do verdadeiro sentido da expressão fenômeno.

Cotação: 5/5  

Já entrou para a galeria de clássicos inesquecíveis do cinema. 



Bonus
Trailer promocional com a música de Enya "Book of days" ao fundo, realizado na época em que o filme estava programado para ser lançado em meados do ano de 1997, mas devido a atrasos na produção, não conseguiu ficar pronto a tempo da estreia e foi adiado, o que fez com que muitos críticos começassem um obituário artístico do diretor antes mesmo da estreia. Tio Cameron trolou todo mundo RISOS


Um comentário:

  1. Como todo adolescente homem da geração 90, eu não podia de maneira alguma admitir que eu chorei quando vi Titanic pela primeira vez, sob a acusação irremediável de ter masculinidade duvidosa. hauhauhauahu. Hoje já não existe esse problema, pois o Tio Cameron provou de uma vez por todas que fez o épico definitivo. Ponto!

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