domingo, 31 de março de 2013

Recadinho do além - FELIZ PÁSCOA!


A todos os bbs mutantes que por aqui passam, para aqueles que ficam, aqueles que vão embora sem dar a mínima, aqueles que sentem vergonha de entrar aqui, aqueles que se assumem trash, aqueles que amam a Tia Rá, aqueles que querem queimá-la na fogueira, pra você alien, humano, anjo ou capetinha da Tia, preparei essa fotinha linda de quando a tia aqui era jovem e zenzual para guardarem de recordação. Emoldura isso pra mim, por gentileza? Brigada.
Então, povo, tia Rá e cia ltda aqui do blog desejam a todos 
um FELIZ NATAAAAAAAAAAAAALLLLL!

OHWAIIIIIITTTT, errei a data.
Que vocês tomem muita ovada e comam bastante chocolate até morrerem de diarreia RISOS DIABÓLICOS

FELIZ PÁSCOA!

Oz Mágico e Poderoso - 2013




Título Original: Oz, the great and powerful
Ano de lançamento: 2013
Direção: Sam Raimi
Roteiro: David Lindsay-Abaire, L. Frank Baum, Mitchell Kapner
Elenco: James Franco, Mila Kunis, Michelle Williams, Rachel Weisz 
Sinopse: Quando Oscar Diggs (Franco), mágico de circo de ética discutível, é carregado do poeirento Kansas para a vibrante Terra de Oz acha que tirou a sorte grande – teria fama e fortuna ao seu dispor. Até que ele encontra três bruxas, Theodora, Evanora e Glinda, que não estão convencidas de que ele é o grande feiticeiro que todos imaginam. 
Relutantemente tragado pelos épicos problemas em que a Terra de Oz e seus habitantes estão enfrentando, Oscar tem que descobrir quem é bom e quem é mau, antes que seja tarde demais. Colocando em prática suas artes mágicas da esperteza e do ilusionismo – e até um pouco de feitiçaria – o personagem se transforma não apenas no grande e poderoso Mágico de Oz como também em um homem melhor.



Por Tia Rá, a bruxa má do oeste

Posso fazer a Dorothy, povo?

"A luz do arco iris 
me fez ver, 
que eu vi esse filme e 
tive vontade de morrer" 

Ok, parei! Assim, eu tarra resistinu a tentação de ver esse desastre épico e tive todas as desconfianças do mundo quando minha querida sóquenão irmã Lady Rá disse que era bom, sabe? Porque Milady Rá é daquele tipo que vê coisa boa até em dor de dente, entendem povo da Terra? kkkkkkkk EU SOFROOOOO!!!

Eu não sei o que deu na cabeça desse povo de escalarem alguém tão sem carisma, sem talento e insosso quanto o James Franga para sustentar uma superprodução como esta (Hello, Disney! você não aprendeu nada com o seu passado?). Aqui, Franga tá apresentação do Oscar, tá maresia, tá a cara da maconha. Péssimo, caricato, lendo o roteiro no automático, Franga não consegue passar nenhuma verdade com seu personagem. Não consegue entreter, não consegue se destacar. Seu personagem é um mágico fuleiro fumambentu passa o tempo dando em cima das assistentes e fazenu números baratos em um circo de quinta categoria. Um dia, é arrastado por um tornado, enquanto fugia de tomar porrada, dentro de um balão e vai parar num reino encantado onde vai fazer parte de uma profecia macarronica tosca e ali mostrar que realmente pode fazer a diferença na vida de alguém.

Dói ver a diva Rachel Weiz cujo talento foi atirado no lixo, vestida pronta para desfilar num carro alegórico de escola de samba. Mila Kunis, fazenu o que sempre fez - cara de Lolita pronta pra dar pro primeiro que aparecer na frentchy. Sua versão mulher hulk de chapéu e vassoura é a cara da mágoa de caboclo, uma verdadeira exu macumbeira de terreiro de candomblé com direito a lente de contato de drag queen!!!! UA-TA-RRREEEUUUUU? Mas sabem, ela é até mais animadinha assim verde musgo, mas é tosca de d-o-e-r. PAUSA DRAMÁTICA: não pude me conter quando a vi montar em uma vassoura com problema de motor, fumaçanu que nem chaminé, vai numa oficina, mocreia! hahahaha L-I-X-O. E Michele Williams, C-O-M-O-L-I-D-A-R com essa aloprada, povo? Mulher dá sono só de olhar pra ela. Preguiça dessa mulher, gente. Me cansa.

Aí, a gente tem que aturar cenas do tipo menina de porcelana conhecendo os poderes milagrosos de uma boa super bonder e um macaco de asas cuja função é... carregar uma mala, fazer umas piadinhas sem graças, enfim... Aliás, o filme todo é uma super bonder mental, vamo' combiná? Porque faltou muito LSD pra tchia embarcar nessa podreira toda, engessada em tanta coisa programada pra se criar uma franquia (as bruxas vivem no feen, REFLITAM) e vender para a Disney (sempre ela, né gente...). 

Trilha sonora xoxa, colada de restos de outros trabalhos de Danny Elfman, que fica se repetindo quando tá com preguiça de fazer algo que preste e dá nisso daí. E assim como aconteceu com Burton em "Alice no brega das maravilhas", Sam Raimi dirige o filme como se tivesse sendo ameaçado de morte pelos executivos da Disney, que transformam tudo em porcaria do jeito que querem para virar um parque temático, sem sequer deixar o homem trabalhar pra dar uma nota autoral. E olha que de bruxa e trasheira pra gente rir horrores, Tio Raimi entende, né...? Que o diga nossa diva absoluta Sylvia Ganush, que faz uma participação pequena aqui no filme tentando se revelar na pele verdadeira da bruxa de Rachel Weiz kkkkkkkkkkkkk Já imagino Sam Raimi dizenu "deixa a Sylvia se revelar só um tiquinho? Por favor, por favorrrr" e o executivo reclamando "NEEEEEEEEEEEEEEEEMMMMM"

Aqui procê, óh Disney!



Momentos fails épicos: o filme prepara para a plateia um número de anões dançarinos cantores de corar a alma e um combate final histérico neurótico cheio de explosões e efeitos especiais - eu até esperei que a Katy Perry entrasse num palco ali dublando "Fireworks". Porque se é pra avacalhar eçapoha, vamos fazer direito né gente? Mas, OHWAIT! A horrível música tema tem a Moreia Carey, já tá de bom tamanho mesmo!

Assim, embala esse troço, joga no mar e sai correndo porque é capaz de ele fazer a fada do rio com cara de piranha - e cuspir de volta na sua cara.

Cotação: 1/5

Com muito esforço, cheguei ao final depois de roncar horrores, porque a direção de arte é criativa. Mas pra mim é e sempre vai ser um dos piores e mais descartáveis filmes de todos os tempos. Pronto, já podem queimar a tia bruxa aqui na fogueira HAHAHAHAHAHHAHA

sexta-feira, 29 de março de 2013

A fortaleza infernal - 1983




Título Original: The Keep
Ano de lançamento: 1983
Direção: Michael Mann
Roteiro: Michael Mann
Elenco: Scott Glenn, Ian McKellen, Alberta Watson, Gabriel Byrne
Sinopse: Outono de 1941, Passo Dinu - Alpes Cárpatos (Romênia): Em plena Segunda Guerra Mundial, um pelotão de soldados nazistas é designado para ocupar um fortim como posição estratégica. O local, repleto de cruzes pelas paredes e projetado para impedir que alguém saia (e não entre) na construção, provoca apreensão nos alemães. Principalmente quando mortes misteriosas e violentas começam a acontecer entre as paredes da fortaleza. Ironicamente, o único que pode ajudar os nazistas a descobrir o que acontece ali é um pesquisador judeu. Mas longe dali, na Grécia, um misterioso personagem ligado à história do fortim pressente o despertar de um Mal secular.




Por Jason


No bizarro, brega e fracassado "A fortaleza infernal", Michael Mann se aventura pelo reino do fantástico e sobrenatural em um filme trash de cair os cabelos de tão horrível.

O filme começa até bem, convenhamos. Na época da segunda guerra mundial, os nazistas se alojam em uma fortaleza na Romênia  assustando o povoado onde ela está localizada. O zelador da fortaleza logo pede para que eles partam, pois lá ninguém consegue ficar. Os nazistas ignoram os alertas e dois deles, loucos pela prata das cruzes que cercam o interior do lugar, abrem uma fenda que, na verdade, é uma passagem para outro lado - e libertam, assim, uma entidade maligna, que deseja se libertar dali mas é impedida por um objeto místico (ou qualquer coisa parecida).

Até esse momento o filme se segura - daí em diante começa a avacalhar. Para conseguir levar o objeto, a criatura fará um pacto com o Dr Theodore (Ian McKellen, desperdiçado). Ele está debilitado, e é retirado de um dos campos de concentração para o qual foi enviado com sua filha especialmente para ajudar os nazistas a compreenderem o que está havendo ali - ao passo que a criatura se antecipa e oferece a ele mais saúde em troca da possibilidade de libertação. Entra em cena uma espécie de guardião do lugar, algo como um anjo, que mantém a criatura presa lá por gerações e gerações, se envolve com a filha do doutor (?), mas é metralhado, morre, ressuscita, faz uma recarga de energia e vai combater o maligno - só que é morto pois a natureza de um está ligado a outro, deixando o desenvolvimento e o final do filme completamente soltos.

É difícil saber o que é pior nisso tudo. Da direção frágil de Michael Mann, à trama completamente insossa, da trilha sonora horrorosa e totalmente deslocada, passando pela concepção dos cenários cobertos por gelo seco que impedem o espectador de entender o que se passa, chegando ao desperdício dos atores (o filme ainda tem Gabriel Byrne) e os efeitos especiais horríveis, nada funciona como deveria. A produção passou por altos e baixos, é verdade, teve sua metragem cortada pelo estúdio, problemas com efeitos, e é renegada pelo diretor, que também é roteirista aqui e se baseou numa obra literária (que envolvia vampiros, diga-se de passagem, e é irregular). 

Notável a perda completa da subtrama religiosa que o roteiro  começou e dos personagens que somem para depois reaparecerem, apenas para morrerem. O envolvimento da temática religiosa é evidente na concepção da criatura - ela parece um demônio que rouba as almas dos homens, afinal; no padre da vila que tenta mostrar ao doutor que Deus é maior do que tudo e lhe dá uma cruz (que de nada vai lhe servir); ou na figura do protetor, que tem uma ligação com a criatura (ambos viriam do paraíso?) e se envolve amorosamente do nada em um relacionamento que vai... para lugar nenhum. Nada disso, contudo, é explorado e soa como se o roteiro estivesse enchendo linguiça. O aspecto da produção ganha tons ainda mais ordinários quando a aparência da criatura é revelada - e ela parece um cosplay do vilão da DC Comics Darkseid, em versão pobre miserável. 

Para desespero de qualquer cristão.

Cotação: 0/5

O filme está completo no Youtube.

Star Wars Episódio II - O ataque dos clones - 2002




Título Original: Star Wars: Episode II - Attack of the Clones
Ano de lançamento: 2002
Direção: George Lucas
Roteiro: George Lucas, Jonathan Hales
Elenco: Hayden Christensen, Ewan McGreggor, Samuel L Jackson, Frank Oz, Natalie Portman, Joel Edgerton, Ian McDiarmid
Sinopse: Dez anos após a tentativa frustrada de invasão do planeta Naboo, Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor), Anakin Skywalker (Hayden Christensen) e Padmé Amidala (Natalie Portman) estão juntos novamente. Neste período de tempo Obi-Wan passou de aprendiz a professor dos ensinamentos jedi para Anakin, sendo que ambos foram destacados para proteger a agora senadora Amidala, que tem sua vida ameaçada por facções separatistas da República, que ameaçam desencadear uma guerra civil intergalática. Com o passar do tempo surge um romance proibido entre Anakin e Amidala, pois os cavaleiros jedi não têm permissão para se apaixonarem.


Por Jason

O filme começa bem, com um atentado terrorista contra Amidala que vitima uma de suas assistentes. Mais tarde, uma reptiliana camaleoa assassina, contratada para matar a senadora, falha graças a presença de Obi Wan e Anakin, e iniciam uma perseguição pelo trânsito flutuante do planeta Coruscant - e que vai terminar em um bar cheio de figuras exóticas. 

As certezas em relação a super produção de George Lucas começam a brotar na primeira meia hora do filme: o episódio 2 da nova trilogia é melhor que o primeiro, o que não quer dizer muita coisa. Os efeitos continuam brilhando mais do que tudo dentro da trama, como na espetacular sequência de caça no campo de asteroides entre Obi Wan e Jango Fett e o combate final, um festival de explosões, tiros e sabres de luz de cair o queixo (embora falhem em uma ou outra sequência, como na constrangedora cena em que Anakin monta uma criatura que mais parece um carrapato gigante ou quando monta em uma moto voadora para ir atrás da mãe). O roteiro de "Ataque dos clones", contudo, continua igualmente capenga. 

Temos que suportar, além da frágil trama de investigação que o roteiro tenta empurrar, o desenvolvimento no mínimo embaraçoso do relacionamento entre Anakin e a agora senadora Amidala, prejudicado pelo fato de que Hayden Cristensen, além de não ter carisma, é péssimo, adora umas caras e bocas e, graças a Deus, a carreira não decolou. Para piorar, Amidala, como no primeiro filme, continua se vestindo como fosse desfilar por uma escola de samba, com seus figurinos bizarros e cabeleira mutante que muda a cada quadro em que ela aparece - cabelo e figurino, aliás, que só vão melhorar na última parte do filme. 

Já Anakin, com os hormônios estourando, despeja seu estoque de cantadas de quinta categoria para conquistar a senadora, ao passo que ambos se refugiam no planeta Naboo enquanto Obi Wan tenta identificar o autor do atentado contra a senadora no planeta Kamino. O planeta, habitado por aliens grandes e de aparência delicada, leva a investigação  ao exército dos clones, ao caçador de recompensas Jango Fett - sua genética serviu de modelo para os clones - e até o Conde Dooku na batalha final no planeta com um campo de asteroides Geonosis. 

Mas a coisa piora quando Anakin, mimado como só ele, presencia a morte da mãe e solta os cachorros no povo do deserto, colocando o pé direito no lado negro da força. A sequência é absurda dentro do contexto do filme - Anakin localiza o antigo dono da mãe, depois o marido e mais tarde a própria, apenas para morrer nos seus braços, numa esquematização meio capenga e forçada do roteiro. A trilha sonora de John Williams não consegue atingir o brilho da primeira trilogia - e por vezes, por não ser subtraída, torna o filme mais barulhento ao invés de épico. Difícil também engolir a arena de Geonosis para onde vão o trio Obi Wan, Amidala e Anakin, que, claro, escapam facilmente - com direito a cena brega de declaração de amor fora de hora da senadora - sem contar as pausas irritantes dos vilões, apenas para permitir que os heróis virem facilmente o jogo, um clichê que chega a incomodar. 

Nesse engodo todo de desfile visual que mata qualquer possibilidade de incrementar o filme com um subtexto político, como se refere os letreiros iniciais, Ewan McGregor se defende como pode, atuando praticamente o tempo todo com fundo azul e criaturas criadas pelos poderosos computadores da ILM. Ian McDiarmid faz bem o seu papel de advogado do diabo, tentando o espírito maligno de Anakin enquanto orquestra o avanço do lado negro da força contra os Jedi. Samuel L Jackson ganha mais destaque como Mace Windu, o que é bom pelo poder que o personagem carrega e pelo papel importante que terá na próxima parte.

Por fim, o filme ainda traz deleites para os fãs e detalhes para os nerds de plantão - Obi Wan, com toda a sua sabedoria e conhecimento em artes maciais, sai no tapa com Jango Fett com direito a voadora alá Mortal Kombat e tudo mais. Além, é claro, da presença do atrapalhado alívio cômico eficiente C3PO, R2D2 - que milagrosamente aqui voa (!) -, o caçador de recompensas Jango Fett e o pequeno Boba Fett, além de Yoda, que, em momento decisivo, precisa entrar em ação para colocar as coisas nos eixos. "O ataque dos clones" também elimina o personagem trash Jar Jar Binks dando a ele uma mínima presença de tela e tenta colocar o pé na seriedade e no lado mais sombrio da série, revelada em O império contra ataca. Mas é pouco.

Cotação: 2/5



Teu passado te condena - Tom Hanks

Por Tia Rá

Olha, contar uma coisa procês... Depois que a tia aqui inventou essa bagaça desse blog, minha vida mudou completamentchy. Hoje sou uma mulher renovada, ungida pela cachaça, dormindo em mesas de bares,  dominada pelo poder das aspirinas e das pílulas do dia seguintchy (tampem os olhos minhas bbs mutantes recém nascidas para não verem as asneiras da tchia, grata!). Essa net é perigosa demais, meu povo! 

A Net tem o poder de revelar aquele seu vídeo mais intimus gel e soltar aquele esqueleto que você empurrava no armário a todo custo, mas uma hora ele deu aloka, jogou um kung fu panda, deu um chute na porta, gritou AAAAAAAAAAAAAAA e saiu rebolando e dançando "I WILL SURVIVE!"

Vejam só se não é um caso para bebermos a noite toda, amigos e amigas e rivais da tchia! Reflitam sobre este cold case em questão. 

Você tá navegando pela net e se depara com essa loka com esse cabelo que nunca viu um Garnier Frutis Antifrizz em toda sua vida e não sonha nem em acontecer nos poderes milagrosos da chapinha e da escova progressiva marroquina permanente. Mas aí...   

OHWAIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIITTTTTTTTTTTT!!!! 

Who-the-fuck-is-this-bitch?


Queridos, tenho cinco graus de miopia, não consigo enxergar direito! Amplia eçapoha por favor!


Ainda estou Sega! Joga eçapoha no zoom, diabo!


Mas comassimmeupaiJesusMariaJoseJoaoDaviGoliasJulioCesar, vou ter que usar microscópio pra confirmaaaaaaaaaar!


OH...MY...GOD...

Meu ídolo!

CATAPLOFT
I DIEEEEEEEEEEE!!!





quinta-feira, 28 de março de 2013

O Príncipe do Egito - 1998 (The Prince of Egypt - 1998)




Título Original: The Prince of Egypt 
Ano de lançamento: 1998
Direção: Simon Wells, Brenda Chapman, Steve Hickner
Roteiro: Philip LaZebnik, 
Nicholas Meyer
Elenco: Val Kilmer, Ralph Fiennes, Michelle Pfeiffer, Sandra Bullock, Jeff goldblum, Patrick Stewart, Danny Glover, Helen Mirren, Steve Martin, Martin Short e Ofra Haza
Sinopse: 
No Egito antigo, quando os hebreus lá viviam como escravos e o faraó Seti, temendo o constante nascimento de crianças hebréias, pois no futuro poderiam se tornar uma força que ameaçasse seu poder, ordena que todos os bebês hebreus do sexo masculino sejam afogados. Uma hebreia se desespera ao ver que seu filho poderá ser morto e, para salvá-lo, o coloca em uma cesta no rio. A criança acaba sendo encontrada pela rainha, assim Moisés é criado como irmão de Ramsés, o herdeiro do trono de Seti. Os dois crescem e se tornam grande amigos, mas Moisés acaba descobrindo sua origem, decide abandonar o palácio e libertar os hebreus, para levá-los para a Terra Prometida.


Por Jason

No belo e impressionante "O príncipe do Egito", a história de Moisés é contada simplificadamente na forma de uma animação que mistura elementos em 3D e 2D. Do seu abandono nas águas do rio Nilo, passando pela sua adoção pelo faraó, o dia em que matou um carrasco que chicoteava um velho escravo, até sua fuga, seu casamento e a libertação do povo do Egito da escravidão fazendo a travessia pelo Mar Vermelho.

O filme foi o primeiro do gênero produzido e lançado pela DreamWorks e um sucesso comercial, arrecadando três vezes mais o seu orçamento de 70 milhões. É tecnicamente impecável, em cores, ritmo, e com um elenco de vozes de grande porte. Foi indicado ao Oscar de Melhor Trilha Sonora e de Melhor Canção - ganhando por este. Traz sequências ainda marcantes - como no contato entre Moisés e Deus na forma de uma luz; na noite em que Deus passa pelo Egito levando o filho do Faraó e, claro, na abertura do Mar Vermelho. A trilha sonora é linda e o desenvolvimento de personagens é outro ponto a favor: chama a atenção o personagem Ramsés que, diferente do que é esperado, não é um vilão estereotipado. 

O Faraó viveu a pressão e cobrança de se moldar às expectativas de seu pai, sem nunca atender ou superá-las. Uma vez adulto, se torna alienado pelo poder, cego em seu conceito de religião e cético, mas sente dor ao perder o seu filho, arrependimento por deixar Moises ir embora com o povo e o sentimento de vingança que o faz caçá-lo. Há um conflito que permeia a animação entre crença e ceticismo, seja no cajado que se transforma em serpente ou no rio que se transforma em sangue, para provar o poder de Deus - o que para Ramsés não passa de mágica barata.

Joga contra a animação o seu tema bíblico - o tema pode afastar o público de diferentes religiões - e a sua indecisão entre ser uma animação mais voltada para o público adulto (o Faraó Seth, em sua preocupação com a explosão demográfica dos escravos, que poderia comprometer o seu império, manda caçar os bebês e crianças e atirá-las aos crocodilos do Nilo) ou mais palatável ao público infantil, com dois personagens atrapalhados que não chegam a se destacar (o humor é raso). 

O príncipe do Egito é um filme que deve ser visto como uma celebração à liberdade e é eficiente em transmitir as lições reveladas por Moisés - mais importante do que acreditar ou não em Deus é amar o próximo independente de sua cor, raça, idade, religião ou classe social para adquirirmos a virtude de sermos justos e honestos. Não só com os outros - mas conosco também. 

Cotação: 4/5

No mundo em que vivemos, sua mensagem continuará sempre atual e necessária.


quarta-feira, 27 de março de 2013

Resident Evil Extinção - 2007 (Resident Evil Extinction - 2007)



Título Original: Resident Evil: Extinction
Ano de lançamento: 2007
Direção: Russell Mulcahy
Roteiro: Paul W.S. Anderson
Elenco: Ali Later, Milla Jovovich, Ashanti, Mike Epps 
Sinopse: O T-Vírus experimental, criado pela Umbrella Corporation, foi liberado no mundo, transformando a população em zumbis que se alimentam de carne humana. Com as cidades sem segurança alguma, Carlos Olivera (Oded Fehr) e L.J. (Mike Epps), juntamente com as sobreviventes K-Mart (Spencer Locke) e Betty (Ashanti), reúnem um grupo e fogem pelo deserto, em um comboio blindado. Eles procuram outras pessoas que não estejam infectadas, mas apenas encontram outros mortos-vivos. O grupo é acompanhado pelo dr. Isaacs (Iain Glen), que está num complexo laboratorial subterrâneo da Umbrella Corporation, escondido sob uma torre de rádio abandonada em Nevada. Isaacs acompanha também Alice (Milla Jovovich), que, após ser capturada pela Umbrella, foi submetida a um teste biogenético que alterou sua configuração genética. Agora transformando-se constantemente e sob o risco de ser traída pelo seu próprio corpo, Alice segue o comboio e tenta conduzi-los ao seu destino: o Alasca, onde acreditam que estarão livres dos zumbis.



Por Tia Rá

Uma das séries do cinema que mais a tia ama xoxar é essa com a minha, a sua, a nossa Camomilla Xoxovixe protagonizando essa ladainha xoxa de tosca para arrancar doletas em cima do conhecido jogo de video game que ADORO. Mas eu num guento com certas coisas, sabe? Filme me implora pra ser xoxado. Eu num resisto. Vamos xoxar mais um? Então, tia Rá não perdoa! 

Prepara o sangue falso e o make podreira e VEM COMIGOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!

Aqui, começamos recapitulando praticamente o primeiro filme, até o momento em que Alice tá loka das ideia e começa a fugir das instalações da colmeia. Só que essa fuga é na verdade um prólogo hahahaah filme troll. Até aí tá bem, tia gosta, tia aprova, tá ryco, tá glamour o filme. Mas aí vem a explicação pros burro e as child jumenta, que num viram os outros filmes. Camomilla precisa explicar tudinho e não deixar nada pras criancinhas que vão assistir o filme pensarem, já que ele deduz que se elas querem assistir o filme é porque são acéfalas. Porque neam gente... Alice não escreva aquela carta de amor.... agora é a versão pobre de calcinhas de Mad Max, com direito a uma luta numa prisão com uns dogs zumbis depois de quase ser estuprada por causa de uma véia mulambenta troll

Pausa dramática.

Analisem comigo essa maravilhuosa intro: toda a sequência de briga com os dogs serviu para____________? 

A) Nada.
B) Hum... Nada.
C) Ué... Nada?
D) pohaninhuma

EU SEI, EU SEI!!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Ai gente, é demais pra mim. Tou ficando velha pra isso. Sério! Um monte de cena, de luta, briga com dog pra NADA! ABSOLUTAMENTE NADA! Tipo, encher linguiça, entendem? AFE.

Na cota racial de Hollywood, sobra pros coadjuvantes negros, uma que morre logo porque ninguém acha necessária e outro que fica fingindo que tá tudo bem quando todo mundo sabe que não. Igualdade racial, a gente vê por aqui, né Hollywood? Mas tem coisa pior né, povo? O teste de memória com os zumbis (W-T-F? O_O). Zumbi ligando no celular (SERIOGENTE?). Zumbi tirando foto (OHREALLY?) Zumbi revoltado atacando os povo. E o momento mais épico da produção: um ataque de corvos zumbis

Corvos. Zumbis. Já tínhamos cães zumbis. Onde estão os urubus zumbis? E porque não ovelhas zumbis? O que vem depois disso, piriquitas zumbis? Galinhas zumbis? Piranhas zumbis? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Até imaginei vacas zumbis, mas elas num come carne infectada, então não rola. Já imaginaram leões zumbis, tubarões zumbis? MOSCAS ZUMBIS! huahuauahauhuahua porque se é pra avacalhar eçapoha logo, vamos descer o nível até o insuportável né galera? Num sou obrigada.

Mas assim, eu tenho MESMO que aturar a Camomilla Xoxovixe, em seu período pré menstrual Jean Grey, que agora tem poderes telecinéticos e até câmera embutida com recepção via satélite e bloqueador de sinal (oooooooooooiiiiiiiiiiii????!!!!!!). Camomilla, que perdeu o foco pra Michelle Rodriguez no primeiro e teve que aturar a Suina Guilhorrivel no segundo filme roubando as atenções da pobre, agora tem que suportar em cena a presença da Ali Later no papel da inutilidade Claire. As duas disputam qual o melhor make da produção, reparem. Porque o mundo acabou, mas toda mulher pós apocalíptica precisa ter nem que seja aquele batom vermelho numero 8, né gente? I D-I-E.

Oh, quase ia me esquecendo... O vilão, né gente, que depois de infectado vira um monstro com lombrigas nas mãos, aí morre daquela forma.... COMOLIDAR? Não adianta ter fotografia boa, não adianta ter direção melhor se o resto não ajuda né... Porque ninguém venha pra cá me dizer que zumbi no meio do deserto é terror não porque não rola, viu? Me economizem.

Cotação: 1/5

Só é melhor que os outros porque parece menos pobre, mas nenhum diretor por melhor que fosse seria capaz de salvar essa porcaria do fiasco com um roteiro tão vagabundo como esse. CHUTA QUE É MACUMBA!


Pra virar filme... ou não! - Prometheus² - Capítulo 17 - Sangue Negro


17. Sangue Negro


Shaw avançou contra o doutor. Segurou seus ombros e o sacudiu com força, aos berros: — James, temos que tirá-lo daqui AGORA! Vamos levá-lo para o necrotério! Ele está infectado! Ele está infectado! Empurre a maca, vamos!

James a empurrou e se afastou, desnorteado. 

George deu um último impulso e segurou fortemente a mão do Bispo, quase quebrando seu pulso. Em seguida, seu corpo caiu mais uma vez na maca.

James meneou a cabeça em negação e estendeu os braços, para que Shaw não se aproximasse.

— Não, Shaw! Eu não posso fazer isso, meu Deus, eu não sou assassino! Ele só está inconsciente e eu posso salvá-lo...!

— Ele já está morto, James! 

— Ele está paralisado, mas ainda vive inconsciente! Está vivo! Ele tem pulso, está em coma!

O doutor analisou. Segurou o pulso do homem, ainda esperançoso. Pediu para que os outros se afastassem.

O Bispo não se afastou. A mão de George se agarrara a dele de tal forma que ele não conseguia soltar.

— Fortaleça sua fé dia após dia, mês após mês — murmurava Arthur. — Se enfraquecer mesmo um pouco, os demônios aproveitar-se-ão. Amém!

— Escute o que eu digo! — implorava Shaw: — Essa coisa está dentro do corpo dele e não está morta! Ele foi infectado! Está acontecendo, James, como eu avisei!

Os segundos rolavam e eram preciosos. James ainda se dispunha a tentar salvá-lo. Procurava a calma que não chegava.

George, sem pulso, ali jazia inconsciente e flácido. O corpo estava enegrecendo.

James colocou as pontas dos dedos no pescoço, ao lado da traqueia. E começou, assim, uma massagem cardíaca.

— Vamos, reaja!

— James, ele não vai reagir! — contestou Shaw, se afastando da maca e demonstrando abandonar o médico naquela complicada situação.

— Eu sou médico, esse é o meu trabalho! Salvar pessoas! Ele ainda está vivo!

Averiguou. Nada. Verificou mais uma vez. Voltou a fazer a massagem. Nada. Nenhuma reação, nenhum sinal de vida. Shaw o puxou. E os dois começaram a discutir, aos berros.

— Ele já era! Nós temos que congelá-lo!

— Não!

— James, por favor!

— Não, não, não! Afastem-se todos! — e, com a ordem do doutor, o Bispo finalmente conseguiu soltar sua mão e se apartou. — Eu vou salvá-lo! Eu estou dizendo que vou salvá-lo!

— Ele está morto, James!

— Não está, Shaw! Ainda não!

— Isso não vai trazer sua família de volta!

James cessou automaticamente. Os olhos vivos, as sobrancelhas erguidas, a expressão assustada. Não se moveu. Não acreditava que Shaw tivesse dito aquilo, mas ela, direta como era, prosseguia. Sem imaginar no mal que faria a ele com suas palavras e sem sensibilidade para saber o quanto o magoaria.

— Não adianta...! Isso não vai trazer ninguém de volta, James... Ele está morto. E isso não é culpa sua. Aceite a ordem das coisas! Você não pode mudar isso, James... Você não tem controle sobre essas coisas! 

James agitou a cabeça em negação. Rodou para um lado e para outro, num estado de visível tormenta. Todos olhavam para ele, aguardando ansiosamente sua reação.

— Droga, eu tentei avisar... eu tentei...

— E do que você sabe, Shaw? — indagou, se enfurecendo. Shaw, inerte, não se moveu. — Você não sabe de nada! Você não sabe de merda de nada! Você não é desse lugar, Shaw, você nem pertence a ele!

— Ninguém pertence a essa droga de lugar, James! Ninguém, nem mesmo você! Achou o que? Que vindo para cá você esconderia suas lembranças, o seu passado? Achou que Deus apagaria tudo, James? O seu Deus não quer saber de vocês. Ele não quer saber de mim, ele não quer saber de ninguém! 

Houve alguns segundos do mais absoluto silêncio, em que todos se entreolhavam e consideravam, mesmo sem admitirem, que Elisabeth Shaw tivesse toda a razão. Bastava olhar para os corpos suados e desesperados próximos daquele que já parecia ser o cadáver de George, estirado sobre a maca.

— Estamos no meio do nada — considerava ela, serenando todo o nervosismo —, e vamos comprometer a segurança de todos aqui dentro por causa deste homem cujo destino de morte é certo. 

Shaw estava decidida por retirar o corpo de George dali o mais rápido possível. Ignorou James e caminhou até a maca.

— Vamos, todos vocês, por favor, me ajudem a tirá-lo daqui! Vamos, David, você sabe o que temos que fazer!

O doutor James não concordou com a postura dela e se virou, impedindo que qualquer um ali dentro se movesse.

— Ele não vai sair daqui! — vociferou, com olhos se enchendo de lágrimas. — Saiam todos vocês daqui! Saiaaaam! Saiam daqui! 

— James, tenha calma!

O Bispo tentou acalmá-lo, mas não conseguiu sequer dar um passo à frente. James estava incontrolável e irreconhecível. 

  Na discussão que começava a tomar proporções caóticas, Shaw não deu ouvidos aqueles apelos e se moveu para tentar empurrar a maca, sozinha, para fora dali, mas não conseguiu. Era tarde demais. 

Como se estivesse sob uma pressão extremamente baixa, o ar preso dentro do corpo de George começou a se expandir, rasgando seus pulmões. De repente, George deu um pulo em direção a Arthur, agarrando seu pulso outra vez, agora com força bestial. O Bispo deu um grito, mas o susto o impediu de ir mais longe. George tentava mordê-lo, como um cão, e esmurrá-lo, cheio de gritos, impulsionado por destruidoras e nauseantes alucinações. 

Yamato o segurou com o apoio de James, mas o braço de George começou a se entortar, forçando o Bispo a girar seu próprio braço para evitar que quebrasse ou que George o mordesse violentamente. A princípio, o Bispo se esgoelou de dor, quase caindo. Depois se agarrou na maca, rasgando o lençol sobre ela.

Em seguida, George lhe deu um empurrão e, demonstrando inacreditável força, o velho se arrebentou em uma das camas. Os outros se afastaram. Shaw gritou.

Lentamente, George sentou sobre a maca. Começou a sacudir os braços. O pescoço dobrou para trás, soltou um barulho de quebra, rasgou-se na região da traqueia e formou praticamente um ângulo de 90 graus com sua própria coluna. George não era mais humano. Era uma coisa, malévola, um animal, um monstro. Todos se separaram, aos berros, espantados com aquela reação súbita. Depois se apertaram apenas num canto, em torno de Shaw que, a esta altura, empurrava os homens para ter uma visão completa daqueles momentos de agonia de George. 

George parou, rodando sobre a maca. O sangue negro escorreu pela sua boca, pelos olhos, na forma de bolhas que estouravam dentro de suas narinas. Depois desceu por todo o seu corpo totalmente escanifrado. Soltou ruídos, como se ainda sentisse dores, e defecou bolas enormes de um líquido negro nauseabundo. 

A cena desagradável prosseguiu. 

Seu corpo começou a inchar mais uma vez, na altura do pescoço e do peito, violentamente, como se um balão de hélio dentro dele quisesse subir. A pele começou a esticar e todos, ao verem aquilo, começaram a gritar. Ninguém, porém, teve coragem de chegar próximo dele ou tentar impedir que aquela transformação macabra prosseguisse. 

  Num gesto súbito, George deitou, jogou a nuca contra a maca com tal estupidez que quebrou a goela. Ele não tinha mais poder sobre seu corpo. Os braços batiam, dobravam-se, as pernas tremelicavam. Moribundo, vibrava furiosamente sobre a mesa, em convulsão. Gemia como se estivesse vivo, quebrando-se como se fosse feito de plástico. 

  Um jato de líquido preto estourou em direção ao teto. Ouviu-se o som de estalos de ossos: eram as costelas, partindo-se como biscoitos e se transformando em algo que era impossível descrever. Os olhos se dilataram e arrebentaram. A boca, forçadamente, se vergava e abria, até que o maxilar despedaçasse em duas partes, empurrando a língua para fora e expondo os ossos da mandíbula. Os ossos da queixada esticavam até encurvarem, como se fossem duas presas enormes. George gritava. E tossia. 

  David, pela primeira vez ali dentro, estava atônito, aflito, desesperado. Uma mistura de terror e fascínio impregnava o ar. Aquilo era, sem dúvidas, a coisa mais bizarra que já tinha presenciado em sua vida. 

— OH MEU DEUS! OH MEU DEUS! — gritava o Bispo. 

A pele das pernas do cadáver se distendeu, fazendo buracos. Soltava uma gordura pastosa negra que escorria pela mesa, cheia de odor e de pus. A bexiga estrangulou até forçá-lo a urinar. Ele vomitou. Então mais bolhas pútridas, cheias de pus, pipocaram pelos braços. Os gases dos intestinos e estômago o fizeram defecar seu reto sobre a mesa, como se fosse pedaços de tripas de porcos. As imundícies espirraram, desceram pelo chão. Esparramaram-se em meio a uma quantidade inimaginável de sangue negro. Despejaram-se sobre o corpo de George, sobre a maca.

Gritos. 

Quando o corpo, sacolejando, ameaçou cair, todos recuaram até a porta. Foi o momento em que o Bispo tentou sair correndo, mas, sem coordenação motora suficiente, tomado por aquela sensação desesperadora, esbarrou no próprio medo e ali ficou.

As mãos e pernas de George esticaram, os ossos deformavam e cortavam a pele. Ninguém conseguia sequer piscar os olhos, tamanho terror que existia naquela sala: o esqueleto de George crepitava dos pés a cabeça, agitado como peixes fora d’água, e crescia cheio de fraturas expostas, tortuosas e quebradiças, tal quais galhos de árvores no outono. 
A barriga dele inchou, rompendo as fibras da derme até ficar do tamanho de um armário, e explodiu. Suas vísceras caíram no piso e o corpo desabou. Havia algo dentro delas, como uma outra criatura, um outro ser, uma outra coisa. Contorceu-se, esfregando-se no chão como uma lesma em agonia, girou e soluçou. 

David sacou o pote de ácido.

— David! — gritou Shaw.

O androide atirou o ácido. Houve um grito furioso com uma intensidade tão absurda que toda a colônia pareceu ouvir. O ácido corroeu seu rosto, soltando sua pele e deixando transparecer uma casca negra brilhante. George, ou agora o que parecia ser ele, deu um salto e se agarrou no teto, de cabeça para baixo. Rosnou furiosamente como um cão raivoso, caminhou rapidamente pelo teto, soltando imundícies, e violentamente, adentrou um buraco do duto de ventilação.

Todos estancaram ali de tal modo que era impossível removê-los de sua posição de defesa. Shaw, de braços erguidos e mãos abertas, impedia qualquer pessoa de se aproximar.

As luzes piscaram. Respirações afoitas tentavam se controlar em vão.

— Já vimos o suficiente — disse David, com os olhos arregalados.

Isto fez com que Shaw se afastasse precipitadamente e se atirasse para os braços de James. Os dois trocaram empurrões, mas ela fincou seus pés e não se mexeu mais. Mesmo perturbada e terrificada, havia algo latejando em sua cabeça, obrigando-a a não sair dali. 

Nada se comparava a experiência de estar naquela sala, com aquela aberração que agora estava no duto de ventilação. Seus rostos não tinham cor, eram fisionomias deformadas por pavor. De nada adiantou as preces do Bispo, a esta altura do fato com a cor de um tomate e encharcado de suor. Não tinha palavras que pudesse falar porque sua garganta tremulava. 

As pernas de Yamato tremiam, sua pressão subia a ponto de deixá-lo zonzo. Serenava sua respiração, em vão. Não conseguia ter forças para se mexer, tão pasmado estava em estado de transe, agarrado ao armário. O coração batia enlouquecido no peito; a garganta estava seca, tal qual a de alguém que vê a personificação da própria morte.

Fez-se silêncio, durante talvez um minuto. O ar estava pesado, cheio de asco e vulgaridade. Uma luz, posicionada sobre eles, piscou. Pareceu demorar uma eternidade. 

— James...? — chamaram. 

O terror se dissipava, pouco a pouco. Os corações, outrora descontrolados e arrítmicos, agora repousavam. Sugeriam que não havia mais nada a temer, pois o pior tinha passado. George, ou aquela coisa em que ele se transformou, tinha fugido. 

Shaw se aproximou, lentamente, da maca onde o líquido ainda escorria. A imagem de uma mulher, aparentemente mais frágil que os homens da sala, mas muito mais corajosa do que todos eles juntos, fez todos os homens ruírem, impressionados com sua ousadia. 

Um ou dois passos longos adiante, Shaw paralisou-se. Fitou aquilo, como se avaliasse uma melhor posição para ver, e engoliu seco. Era impossível descrever o seu nojo. 

— Shaw...?

— Eu sei o que estou fazendo, James.

— Shaw, não chegue perto dessa... coisa... Fique onde está!

— Silêncio...!

— O que você vai fazer, saia já daí! — implorou Yamato. — Saia daí! Saia! Não pegue nessa coisa!

Deu um passo minúsculo, depois outro, depois mais um. Tanto quanto sua prudência e seu medo possibilitavam chegar mais perto.

— David, você sabe o que temos aqui.

— Nós precisamos estudá-lo, Shaw — contrapôs ele, com toda a frieza que lhe cabia sua cientificidade. 

— Estudar?! — Shaw não conseguiu conter sua surpresa: — O que você quer dizer com estudar? Nós dois sabemos do que essa coisa é capaz de fazer... Do que essa coisa foi capaz de fazer com Charlie, com todas aquelas pessoas! Aquela nave carregava a morte e agora estamos com ela aqui DENTRO!

— Temos que tirar isso daqui e limpar sem que ninguém veja — disse o Bispo —, mas eu confesso não ter coragem de pegar isso... Não, eu não tenho, eu não posso fazer isso...

— Eu não tinha visto isso, Shaw. Ainda. Nunca tinha presenciado esta metamorfose.

— No que ele se transformou, David?

— Você viu o que houve com ele, já viu o que essa coisa pode fazer! — gritava o Bispo, impressionado. — Agora, por favor, vamos sair todos daqui! James, limpe esta coisa! Tire essa coisa daqui... o mais rápido possível!

Shaw avançou contra David disposta a quebrá-lo, mas James a impediu de ir mais longe: — Responda, SEU DESGRAÇADO!

— Essa coisa matou George... e você sequer se importa com ele...!

— Ela não o matou, Bispo! — discordou ela, eufórica. — Essa coisa o transformou em outra! E David sabe muito bem o que ela é e como age...!

— Alguém precisa pegar aquela coisa e colocar de volta na maca — disse David, friamente. — Nós temos que estudá-lo agora. Como vamos nos prevenir de uma contaminação se não sabemos com o que estamos lidando?

— Eu não vou fazer isso... — disseram.

— Shaw, não temos equipamentos adequados aqui...!

Ouviu-se um silvo, violento. E uma gritaria explodiu pelos dutos de ventilação até a enfermaria. O Bispo chamou por Deus incontáveis vezes seguidas.

— De onde vem isso?!

— Oh, céus... O REFEITÓRIO...!

— Não é hora de refeição! Eu ainda não autorizei ninguém a ir pra lá! 

— Mas está vindo de lá — praguejou Yamato, como que pedindo ajuda a todos —, precisamos ir!

Todos deixaram a enfermaria correndo.

O líquido preto e toda aquela sujeira deixada pelo corpo de George, lentamente, escorria pelo piso, em direção ao ralo.

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