domingo, 24 de março de 2013

Batman O retorno - 1992 (Batman Returns - 1992)




Título Original: Batman Returns
Ano de lançamento: 1992
Direção: Tim Burton

Roteiro: Sam Hamm, 
Daniel Waters


Elenco: 
Michael Keaton, 
Danny DeVito, 
Michelle Pfeiffer e Christopher Walken


Sinopse: 
Com o objetivo de manipular Gotham City, um milionário (Christopher Walken) tenta transformar o Pinguim (Danny DeVito), um ser deformado que tinha sido abandonado ainda bebê nos esgotos, em prefeito da cidade. Como se isto não bastasse, surge a Mulher-Gato (Michelle Pfeiffer) que, apesar de ser linda e sedutora, também tem dupla personalidade, em razão de problemas no passado. Ambos se tornam verdadeiros pesadelos para Batman.


Por Jason

Depois do sucesso do primeiro filme de Batman, dirigido também por Tim Burton, era inevitável que a Warner procurasse dar continuidade nos cinemas a saga do morcego. Mantendo Michael Keaton como o herói e Tim Burton na direção, o resultado foi o sucesso Batman Returns três anos depois. A Warner não poupou gastos acreditando que seu filme seria um sucesso comercial que, além de obter êxito financeiro nos cinemas, daria lucro nas quinquilharias vendidas aproveitando o rastro deixado pelo filme. O orçamento foi de superprodução, 80 milhões de dólares (arrecadou mais de três vezes) e o resultado tecnicamente se vê na tela. É um filme bonito, feito com que se havia de melhor em técnica na época de maquiagem à grandes efeitos especiais (ambos indicados ao Oscar). 

Aprecio a direção de arte e os cenários do filme, embora reconheça que a opção por não fazer tomadas externas e sim dentro de estúdio prejudique algumas cenas com uma artificialidade que incomoda. Do mesmo jeito que é destaque o tom pessimista, sufocante e sombrio da fotografia que casa com o personagem, sempre um dos méritos das produções de Burton e que aqui não decepciona - gosto mais do que o tom e das cores usadas nos filmes do Nolan para o personagem.

O que chama atenção, lembrando inevitavelmente da nova trilogia realizada por Nolan, no entanto, é um fato que aconteceria também em Batman O cavaleiro das trevas: se o Coringa transformou o herói em um personagem quase sem destaque e apagado, roubando todas as atenções, aqui os vilões despertam mais interesse do que o canastra Michael Keaton em sua roupa emborracha cheia de enchimentos. Danny DeVito criou um Pinguim asqueroso, uma criatura bizarra manipuladora, egocêntrica, carente e interesseira, ávida por sair dos esgotos e ganhar seu espaço e poder na sociedade. Na performance exagerada do ator, ele faz parte das criaturas bizarras que compõem a vitrine de criaturas de Tim Burton, mas é Michelle Pfeiffer que rouba toda a cena. 

Amparada por uma personalidade dúbia, a meiga, solitária e atrapalhada Selyna se transformará na sexy, vingativa e manipuladora Mulher Gato. Michelle criou a Mulher Gato definitiva, um misto de fetiche, acidez e psicose que atormentará Batman. Como nos quadrinhos, Michelle consegue passar toda a personalidade complexa da personagem, às vezes sensual, às vezes agressiva, amorosa ou não, individualista ou não, apoiada no figurino espetacular que acabou ajudando a criar um verdadeiro ícone no cinema. É uma daquelas combinações que acontecem volta e meia no cinema, em que um personagem casa com o ator ou atriz e cria uma figura que não sai da cabeça do espectador.

Há cenas inesquecíveis, como a lambida de Mulher Gato em Batman ou a explosão que ela provoca na loja de Shreck (Cristopher Walken, como sempre bizarro) depois de um miado, cenas que permanecem no imaginário popular. A trilha sonora é adequada ao papel de dar o tom de fantasia obscuro, mas falha na ação que o filme igualmente implora para ter. Burton cria uma cena climática interessante e bizarra logo no prólogo do filme, com o nascimento e o descarte do bebê pinguim, atirado nas redes de esgoto. Mas o roteiro durante as duas horas que se passam é a reprodução da fragilidade. 

Ele envolve a construção de uma usina nuclear que sugará a energia da cidade (!) - motivo pelo qual a personagem Selyna é "morta" - e a incorporação de Pinguim a cidade, para que ele a domine - o velho papo de vilão querendo dominar alguma coisa. Há uma trama política - o personagem milionário Shreck de Walken quer vender a imagem de Pinguim para que ele se transforme em prefeito e assim poderem executar seus planos, mas a trama se perde no meio do caminho. Reparem que até nisso, a personagem de Mulher Gato se sobressai - ela está lá para roubar, para se vingar do que fizeram com ela, por ser egoísta e, anárquica como é, tascar fogo no império daquele que a destruiu, mas para isso precisa colocar Batman fora da jogada. 

O ritmo da produção é outro ponto contra: ele demora a passar e Burton parece dirigir o filme de maneira burocrática, como se estivesse com uma arma apontada para a sua cabeça. As cenas de luta são um fracasso de tão mal elaboradas - todas elas, sem exceção, mas o primeiro encontro de Batman com a Mulher Gato no alto de prédio chega ser lamentável. Sem conseguir desenvolver cenas de ação marcantes, é o conjunto visual do filme e as interpretações dos vilões que seguram o interesse do espectador até o final. Final, aliás, em aberto, e de grande beleza estética.

Cotação: 3/5


Um comentário:

  1. Lendo aqui o post sobre este que foi um dos filmes preferidos de minha infância, além da vontade enorme de revê-lo, abri os olhos pra uma coisa: realmente o tio Burton não foi muito feliz em suas sequências de ação.. Parando pra pensar, ele não executa-as bem em praticamente todos os seus filmes.
    Mas bem, falando de Batman, este é e sempre será o meu favorito de todas as adaptações. Acredito que isso se deva aos dois destaques: Mulher Gato e Pinguim. Mas gosto muito, muito mais dessa versão do homem morcego do Burton do que a série ''humanizada'' de Nolã, rs
    Me parece que tem alguns heróis que ficam melhor nas suas versões caricaturescas

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