sexta-feira, 15 de março de 2013

Cozinha da Hanni – Salada mista: Homenagem, plágio ou referência?

Por Ravenna Hannibal

Oiiii meus amores! Sei que faz teeempo que não apareço por aqui, mas resolvi dar as caras para inaugurar a minha cozinha.
Vocês sabem que meu pai, que é um psiquiatra famosíssimo, Hannibal, tinha alguns dotes culinários incríveis e fez questão de me deixar um livro de receitas. Então resolvi inaugurar minha cozinha aqui no mausoléu das irmãs Rá. Mas claro que sou meio hiperativa então já coloquei minha TV de 72 polegadas com tudo conectado nela pra eu ver meus filmes de horror e suspense enquanto cozinho, e também já coloquei a minha escrivaninha na cozinha.
Esses dias enquanto assava uns rins de canastrões, estava reparando em algumas coisinhas que acontecem no nosso cinema atual, sabe gente, e resolvi estrear minha cozinha aqui no blog – onde falarei do que eu bem entender – falando sobre essas coisinhas.
Vejam bem, darlings, em pleno século XXI parece que o cinema perdeu sua criatividade. E realmente hoje em dia é meio difícil inventar coisas novas – prova disso é que 90% das coisas que vemos no cinema são sequencias, prequels, remakes, releituras, adaptações... Uma verdadeira salada mista de tudo o que já existe.
Mas mesmo nas histórias originais, existem algumas coisas que vemos e dizemos: “eu já vi isso em algum lugar...”
Fiz uma listinha de 5 saladinhas do cinema de suspense que contém pelo menos uma cena ou qualquer coisa que faça referência a algum clássico do gênero. E quero ouvir a opinião de vocês sobre cada uma delas, criaturas estranhas... Você acha que são plágios, homenagens ou simples referências cinematográficas? E pelo menos deram certo?

A Orfã (Orphan, 2009)

Vou começar com esse suspense de 2009 que conta a história dessa nossa prima distante, a demoniazinha Esther.
O filme foi bastante elogiado e merece pelo menos metade dos aplausos que levou, mas ele não é exatamente original. Não precisamos voltar tanto assim no tempo. A órfã Esther poderia ser meia irmã de Henry Evans - interpretado por Macaulay Culkin em “Anjo Malvado” (The Good Son, 1993) – e filhinha bastarda de Peyton Flanders/Mrs. Mott  - a diva vilã de “A Mão que Balança o Berço” (1992) interpretada por Rebecca DeMornay.
A trama de “A Orfã” tem vários elementos que lembram e muito os dois filmes citados, seja na maldade presente em uma criança ou no que alguém estranho pode fazer dentro de casa. Existem muitos outros filmes que tem enredos parecidos, mas escolhi “A Orfã” tanto pelo seu prestígio no grande público, quanto por alguns sinais claros de que as referências a “Anjo Malvado” e “A Mão que Balança o Berço” são mais fortes do que qualquer outro filme.
E pra provar isso, segue abaixo duas sequencias muito parecidas uma com a outra. A primeira foi retirada de “A Mão que Balança o Berço” e a segunda de “A Orfã”. Assistam e reflitam:




Paranoia (Disturbia, 2007)

Esse filme de sessão da tarde, comédia romântica que pretende ser suspense de 2007 é divertidinho e tem lá seus bons momentos. Dirigido por DJ Caruso, “Paranoia” se encaixa nos times das releituras. Tudo estaria bem se ele não fosse – pasmem! – uma versão teen do clássico “Janela Indiscreta” do tio Alfie Hitchcock! A referência já sai desse âmbito e entra no âmbito de releitura mesmo, é quase um remake com mais drama teen. Se você duvida de mim, vou pegar um trailer reeditado ao estilo anos 2000 (e com alguns spoilers) de Janela Indiscreta e o trailer de Paranoia e colocar aqui. Veja por si:




Enterrado Vivo (Buried, 2010)

Já falei sobre esse filme aqui e já citei as referências hitchcockeanas obvias que há nele – clique aqui para ler -, mesmo que o filme em si não seja tão “Hitchock productions”. Mas para provar que não era paranoia minha, coloquei abaixo as sequencias dos creditos iniciais de “Psicose” do Hitch e de “Enterrado Vivo” do Rodrigo Cortés.




Poder Paranormal (Red Lights, 2012)

E olha o Cortés aqui de novo gente, mesmo diretor de “Enterrado Vivo”, que em “Poder Paranormal”, além de fazer altas referências ao modo de filmar do “Hitchcock”, aqui também flerta – conscientemente ou não – com um suspense louco dos anos 70, a adaptação de Nicolas Roeg para o conto de Daphne DuMaurier chamado “Don’t Look Now”, aqui no Brasil “Inverno de Sangue em Veneza” (1973). Aliás, a autora também foi responsável pelos originais que deram origem aos aclamados filmes do tio Alfie, “Os Pássaros” e “Rebecca”.
O condutor narrativo das tramas não se parece, são distintos e tem abordagens distintas, mas as semelhanças são várias. Desde coisas mais palpáveis como a dúvida em relação a pessoas com poderes paranormais, quando à presença de médiuns na narrativa. E a propósito, em ambos os filmes, os “médiuns” que estão do lado antagonista em algum ponto da história são cegos! Mas não é só aí que as semelhanças se encontram: há um jogo com cortes não lineares e fotografia que brinca com elementos vermelhos que são características fundamentais dos dois filmes.
E o desfecho polêmico. Dê uma passeadinha em comentários a respeito de ambos, que você verá opiniões divididas. Há quem ache os dois filmes geniais, e há quem ache ambos decepcionantes. Mas posso dizer que apesar de gostar mais da história do Cortés, devo ressaltar que em termos de direção e perícia narrativa, o Roeg dá uma surra no Cortés.
Abaixo os trailers:



Cisne Negro (Black Swan, 2010)

Vi uma crítica do Pablo Villaça a respeito do aclamado filme de Darren Aronofsky e foi uma das poucas vezes que concordei com ele plenamente.
Além da relação de quase hibridez que “Cisne Negro” estabelece com o balé que usa de pano de fundo (O Lago dos Cisnes de Tchaikovsky), nas palavras do Villaça “Cisne Negro é o que o clássico Os Sapatinhos Vermelhos seria caso tivesse sido dirigido por David Cronenberg e David Lynch numa parceria inédita.”
E sim. Essa é a sensação que se tem quando se vê o filme e você já assistiu “A Mosca” do Cronenberg ou “Estrada Perdida” do Lynch.
Você tem o pano de fundo do balé e a obsessão pela perfeição de Nina, o que lembra muito o clássico supracitado “Os Sapatinhos Vermelhos”. Mas no estilo de filmagem e aspecto doentio do filme, você tem elementos que estão presentes nos filmes perturbadores e paranoicos do Lynch, enquanto as transformações físicas de Nina lembram o tempo inteiro a transformação assustadora do protagonista em “A Mosca”. Se duvida, cheque os trailers abaixo que são respectivamente de “Estrada Perdida”, “A Mosca” e “Cisne Negro”:





Menções Honrosas:

Revelação (What Lies Beneath, 2000) – Dirigido por Robert Zemeckis, Revelação é um suspense cujo primeiro ato parece um segundo “Janela Indiscreta”, mas aí descobrimos que essa trama era apenas um McGuffin (Recurso utilizado amplamente pelo Hitchcock) para dar inicio a uma segunda trama que parece fazer companhia à onda de filmes de assombração que sucederam “O Sexto Sentido”. Isso sem contar o jeito de filmar.

O Inquilino (The Lodger, 2009) – Assim como “Paranóia”, porém com mais eficiência e minúcia, “O Inquilino” de 2009 é uma releitura de um clássico do Hitchcock, ou talvez uma releitura do livro que Hitchcock adaptou em 1927. O livro de Marie Belloc Lowndes serviu de base para ambos os roteiros, mas se Hitchcock usou a premissa original, David Ondaatje a adaptou para se passar nos Estados Unidos. A releitura foi muito bem feita e ainda se utilizou te artifícios de filmagem tipicamente Hitchcockeanos. Uma alternativa bem melhor do que a refilmagem quase exata porém inferior de Psicose feita por Gus Van Sant em 1998. Uma pena que em "O Inquilino" o elenco não ajudou e nem a produção. O filme passou despercebido.

Então gente, gostaram das saladas? Me digam, please! E aguardem a proxima receitinha da Cozinha Maravilhosa da Hanni gente, por que provavelmente vou fritar alguém. MUAHAHAHA.

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