quarta-feira, 13 de março de 2013

Horror em Amityville - 1979 (The Amityville Horror - 1979)




Título Original: The Amityville Horror
Ano de lançamento: 1979
Direção: Stuart Rosenberg
Roteiro: George Lutz (II), Jay Anson, Kathy Lutz, Sandor Stern (I)
Elenco: Margot Kidder, James Brolin,Brad Davis, Rod Steiger
Sinopse: 13 de novembro de 1974. Em Amityville um pai, uma mãe e os filhos foram assassinados sem motivo aparente, por um dos filhos do casal. Um ano depois a casa é habitada pela família Lutz, que gradativamente descobre que o novo lar é possuído por um espírito demoníaco. Assim eles passam a conviver com um medo da morte cada vez maior.

Por Jason

Há algumas contradições envolvendo a história de Horror em Amityville. A primeira diz respeito a veracidade dos fatos, eternamente questionada desde que a família Lutz abandonou a casa em que viviam, palco de um assassinato envolvendo uma família. O assassino, um jovem, matou os pais e os irmãos com tiros de espingarda e depois se disse movido por forças demoníacas.  Os Lutz, moradores seguintes, relataram que foram atormentados por forças sobrenaturais dentro da casa durante 28 dias - e é nesse período que o filme de 1979, indicado ao Oscar de Melhor Trilha Sonora, se baseia, seguindo também o livro com os relatos do acontecido escrito por Jay Anson.


A segunda é que outros moradores, para quem não sabe, voltaram a viver na casa em que a chacina ocorreu e ninguém apareceu para reclamar de porta batendo nem de janela temperamental que só abre e fecha quando quer, o que fez do casal Lutz dois mentirosos - ou, pelo menos um deles, George, mentalmente perturbado. A terceira, dentre outras, é que não se sabe o quanto de ficção foi colocado no livro de Jay Anson ou na história do casal, mas podemos prever que o escritor também é parte de toda a ladainha criada em torno da lendária história.


O fato é que na produção, vemos James Brolin interpretando o pai de família George, que aos poucos começa a ficar atormentado por uma estranha presença na casa. Ele é marido de Kathy (Margot Kidder, a eterna Lois Lane), uma mulher um tanto cética, e pai de três crianças. Aos poucos, a relação dos dois começa a deteriorar. Paralelo a isso, um padre amigo da família sofre os efeitos da casa e adoece, ao passo que tenta que livrá-los do mal que habita a residência.


Se há algo de bom na trama, além das boas interpretações dos atores, é a técnica envolvida no filme e a forma como o mistério é colocado. Não há efeitos especiais mirabolantes. O horror vem na forma de uma tortura psicológica, na menina que brinca com alguém que ninguém sabe quem ou o que é - e que acaba também adoecendo - nas moscas que atormentam o padre e George, nas janelas que só abrem e fecham quando querem ou na aparência da casa, que por si só tem algo de sinistro, filmada no breu. 


A deficiência do roteiro, no entanto, vem com a entrada de dois personagens que ajudam o casal e buscam descobrir o que está acontecendo, o que tira parte do impacto e do mistério envolvendo a casa. Pior: temos que aturar uma mãe de santo sensitiva que descobre o passado envolvendo a casa - e o filme é bom justamente enquanto se mantém os pés na realidade e soa plausível. Quando apela para explicações dos fenômenos, ironicamente, ele se perde na fantasia, comum a todos os filmes de gênero da época. Personagens como a freira entram e saem sem dizer a que veio, bem como o irmão de George que surge na trama apenas para se casar e desaparece. Não há um desenvolvimento em relação a eles - a exceção é o padre. A trilha sonora é boa, mesmo sendo restos da partitura não incluída no conjunto final de O exorcista.


No mais, como drama familiar, fica evidente que o filme de 1979 se segura bem, principalmente na figura do atormentado James Brolin e no modo como ele muda seu comportamento diante da família. É melhor do que todas as continuações bizarras lançadas seguidamente sem repetir o sucesso do original e muito melhor do que o remake produzido por Michael Bay em 2005. Como suspense sobrenatural, o tempo mostrou que o filme deixa - e muito - a desejar.



Cotação: 3/5 



Vale uma visita pela aura de clássico do gênero que o filme ganhou com o tempo.



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