domingo, 10 de março de 2013

O monstro do Ártico - 1951 (The thing from another world - 1951)



Título Original: The thing from another world
Ano de lançamento: 1951
Direção: Christian Nyby, Howard Hawks
Roteiro: Ben Hecht, Charles Lederer, Howard Hawks, John W. Campbell Jr., Russell Harlan
Sinopse: "Clássico da “Era McCarthy”, foi dirigido por Christian Nyby e produzido por Howard Hawks, a partir de um texto clássico do renomado editor e escritor de ficção cientifica John W. Campbell jr. (“Astounding Science Fiction”, hoje “Analog”). O conto se chama “Who Goes There!”. O monstro é uma criatura alienígena cuja nave se chocou no círculo polar ártico e é descoberta por exploradores americanos, cientistas e soldados. eles trazem-no para a base em um bloco de gelo, porém ele é descongelado e se mostra bem vivo, hostil e anti-social ao extremo, interessado nos seres humanos apenas como seu alimento. Seria a criatura indestrutível?"

Por Jason

O capitão da força aérea Patrick voa com sua equipe para o Pólo Norte com o objetivo de encontrar a Expedição Polar Seis, um grupo de cientistas liderados por Arthur. Os cientistas estudam as condições do Ártico para entender a razão de um avião ter se chocado no gelo. Quando Patrick se encontra com Arthur lhe são mostradas imagens de um estranho objeto cruzando o céu. Rapidamente é montada uma equipe para investigar um objeto que caiu no polo norte. Uma vez lá, encontram um disco soterrado na neve e algo que parece ser um animal congelado.

Os homens removem o bicho do gelo, escavando um bloco com o corpo, e levam para a base, onde o filme deixa a ação e passa para o mistério e suspense. Uma vez aquecido o bloco de gelo, a criatura escapa, ataca cães sugando seu sangue e deixa uma parte dele para trás, que é autopsiada. Descobre-se que o bicho é na verdade um hematófago  se alimentando de sangue para sobreviver, mas tem uma condição genética semelhante a de um vegetal, como uma planta carnívora - e curiosamente, isso soa até plausível dentro da trama. Um dos envolvidos, o doutor, quer manter contato com a criatura, mantendo-a em cativeiro. A ideia dos outros, no entanto, é exterminá-la por segurança - embora ela seja imune a disparos de armas. 

Esse mote parece frágil, mas é a forma como é conduzido que faz toda a diferença. A trama é enxuta, bem amarrada e conduzida. O filme é rápido, não tem nem uma hora e meia de duração, e a montagem é ágil, dando ritmo de filme de ação apesar da idade - é um filme de 1951, em preto e branco, recordemos. Sem contar que chama atenção o mistério em torno da criatura, o que já garante metade do êxito da produção. 

A sacada do disco soterrado, em que os exploradores tentam medi-lo sobre o gelo, é excelente, bem como o fato de que a descoberta é escondida do resto do mundo por motivos óbvios. Em determinado momento, um dos personagens diz que é o evento mais importante do mundo, mas é censurado pela força aérea, uma ideia de que como o assunto era tratado à época (o Caso Roswell, o mais famoso incidente ufológico que se tem notícia, havia acontecido 4 anos antes, o que deixa um filme com tom de conspiração, sintonizado com o seu tempo). 

A criatura também é escondida o máximo possível, o que mantém a curiosidade do espectador até o final - antes,  suas descrições são conhecidas através de diálogos de personagens e de relances, como no ataque aos cães ou em invasões na base. O grupo arma uma emboscada para a criatura, uma vez que ela precisa do sangue deles para se alimentar e destrói o sistema de aquecimento da base, para deixar o ambiente congelante e espantar o grupo para fora. Graças aos seus hábitos particulares, há momentos interessantes e tensos, quando a criatura é presa dentro da estufa, mas em seguida foge, invade um dos quartos e todos tentam queimá-la; no aparelho que mede a radiação e que sinaliza quando ela está se aproximando; ou na cena em que eles descobrem que ela deixou um cão morto dentro da base. 

Se o mistério é mantido até praticamente o final, contudo, é a revelação que acaba estragando a produção - e é quando a idade do filme acaba realmente comprometendo o entretenimento: o bicho nada mais é do que um ator com maquiagem barata se movendo lentamente. A última sequência, com o monólogo de alerta, é abrupta e deixa uma sensação de que poderia ser melhor resolvida. Nada que acabe com a aura de um clássico que serviu de inspiração para refilmagem duas vezes, no excelente - e superior - filme de John Carpenter (de 1982, que curiosamente também escorrega na resolução final) e no péssimo filme de 2011.

Em tempo:
Só para constar, O monstro do Artico foi realizado por Howard Hawks, o mesmo de Hatari (1962), Rio Bravo (1959), El Dorado (1966), Scarface (1932) e outros tantos filmes clássicos.

Cotação: 4/5

É preciso relativizar o ano da produção - 1951 - mas inegavelmente o filme tem todos os atributos de um clássico do gênero. Não é ruim como parece ser apesar da idade, tem ritmo bom, passa bem, tem momentos interessantes e uma trama enxuta e bem amarrada, cheia de mistério. Vale a pena conferir.


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