quarta-feira, 13 de março de 2013

Pra virar filme... ou não! - Prometheus² - Capítulo 4 - Uma mulher


4. UMA MULHER

 
  Tudo estava muito destroçado, aos pedaços. As paredes do aparelho tinham se contorcido como feitas de papel durante o impacto. E não havia garantia de que as partes daquele veículo não se desmontariam a qualquer momento. Metade da base do transporte jazia inteira no solo.
— Tenho certeza de que não caiu à toa, doutor — confirmou Yamato, agora mais adiante do guindaste, com uma visão melhor que a de James. — E aquele rombo na sua fuselagem... Não foi provocado pela queda. Ele foi abatido. Algo deu errado...
— Que estranho... E o Bispo não está sabendo do acontecido?
— E se soubesse, ele nos contaria? — questionou o oriental, pelo rádio.
— Eu não sei... Se essa coisa... Se esse veículo foi abatido ou não, vamos ter que entrar e checar se têm sobreviventes.
James ficou estático. Sua respiração, a esta altura tomando ares de um cachorro arfando, era ouvida por todos os outros. 
— Procurem por sobreviventes — ordenou ele, pelo rádio. — Tomem cuidado, ainda está fumegando...
James empunhou sua maleta e se adiantou em adentrar nos destroços. Não era o mais preparado, mas, havia de se reconhecer que era o mais habilidoso e corajoso na operação. Outro homem, mexendo na traseira do guindaste, se apossou de um aparelho do tamanho de uma britadeira. Era um cortador a laser e uma ferramenta semelhante a uma pinça hidráulica, desenhada para cortar e torcer metal com a facilidade com a qual uma tesoura corta papel. 
— Precisamos entrar! — disse um dos homens, se voluntariando para a arriscada tarefa.
— Doutor, há risco de explosão...
Sim, Yamato sabia dos riscos, assim como James. Se aquela coisa explodisse, com todo aquele tamanho, não sobraria ninguém ao redor.
— Temos que arriscar, Yamato. Fique aqui fora e organize um grupo. Eu volto em minutos. Preciso apenas de quatro homens para me ajudar... 
Com a ordem, os homens se voluntariaram. Um deles se apresentou  carregando uma enorme maleta, que parecia estar pesada e cheia de ferramentas dentro. Disse se chamar George.
— Venham comigo! 
Assim, um grupo de cinco homens entrou no veículo por um vão externo, um buraco aberto na fuselagem com a queda. Eram liderados por James. Os outros ficaram do lado de fora, sem nada o que fazer a não ser aguardarem o retorno deles.
— Manterei contato. Ao menor sinal de explosão, evacuem a área.  
O guindaste foi manobrado pelo oriental usando quase 250 metros de espaço para tal, e se posicionou, de maneira que sua traseira virou para a nave avariada. Yamato era o responsável por acompanhar e ajudar neste trabalho. 
Não era uma operação complicada, mas estava longe de ser simples. Qualquer descuido, e uma parte da nave se romperia com a força de uma explosão, causando um acidente. Do lado de fora era impossível saber a situação do interior daquela coisa. Pior: havia o risco de uma parte da estranha fuselagem tombar sobre eles. O guindaste poderia servir de apoio para amortecer uma possível queda de detritos.
Três ou quatro minutos depois, ele tentou contato com James, a esta altura revirando o interior do veículo.
— Doutor, responda... está me ouvindo?
James demorou a responder. Yamato repetiu a pergunta, vagarosamente. 
O sinal era frágil. Tentou melhorar a frequência, bateu no capacete. Mexeu nos comandos presos ao pulso. Reproduziu a pergunta. James finalmente respondeu: 
  — Sim, perfeitamente.
Yamato se tranquilizou.
— Como estão aí dentro...?
— A situação aqui dentro não é nada agradável de ver — respondeu James. — Não sei como explicar o que é isso.
  — Deus todo poderoso...! — toda a tranquilidade se foi neste exato momento.  
— Há sinais de fumaça aqui dentro. Eu não sei... Tudo é muito confuso no momento para fazer uma avaliação preliminar... 
— Estão todos bem?
— Sim, pedi que George e outra pessoa verificassem outra ala. Divididos, podemos cobrir melhor a área.
  — Tudo bem, entendido. Há sinais de vida? Pode ver alguém?
— Estou tentando encontrar a cabine, Yamato. Mas o que posso dizer é que esse lugar parece um formigueiro... É gigante... O local... Bem, o local parece uma sala grande e as paredes são tortuosas, como se estivéssemos dentro de um tórax de uma baleia... Há uma sala com... Câmaras... Ei, espere! — disse ele, despertando a atenção de Yamato.
— O que foi?
Houve dois segundos para obter uma resposta, mas aquilo pareceu atordoar o oriental durante toda uma eternidade.
— Parece que há um corpo... Encontrei uma câmara e está fechada, parece intacta...
Do lado de fora, Yamato, preocupado com os cabos que amarravam no veículo avariado, dividia sua atenção entre o que James dizia e os outros homens, que já demonstravam impaciência, zanzando de um lado para outro. 
— Está vivo? — perguntou ele. — É humano?
— Sim... Estou verificando, estou vendo... Mas não está respirando. Estou olhando com mais cuidado... espere um pouco... tem traços humanos... definitivamente, tem aparência humana.
Os homens, ouvindo a conversa, então comemoraram. 
  James, contudo, notavelmente transpirava horror de estar dentro daquela nave avariada. Sua voz ofegava e, de certo modo, ele não conseguia disfarçar seu nervosismo em uma situação que exigia árduo trabalho de controle mental.
  — Meu Deus, isso parece um... Sarcófago... — descrevia ele, sem a técnica de quem entendia de tecnologia ou mesmo de transportes e naves espaciais. — Há oxigênio aqui dentro... A câmara parece selada... A pressão aqui dentro parece normalizada. Isso é muito estranho...
— Como assim “normalizada”?
— Sim, normal. Temos oxigênio, temos temperatura ambiente... Yamato... eu não sei explicar, você tinha que ver com os seus próprios olhos. A nave parece viva e está protegendo os passageiros.
Yamato ficou um tempo em suspensão de ideias. Depois retomou um raciocínio fulminante.
— James... saia já daí! Essa... Essa coisa ainda está funcionando! Alguém pode estar operando!
— É um tipo de tecnologia que desconheço... Podemos voltar aqui outra hora para que você possa ver com seus próprios olhos... Um dos homens trouxe um aparelho. Vamos quebrar a câmara e remover o corpo com cuidado — narrou ele —. Precisamos transportá-lo desta forma para não haver nenhum dano. 
— Você compreende a aparelhagem acerca do corpo, doutor?
  — Pelo pouco que entendo destes aparelhos, a máquina que o mantém vivo ainda está funcionando perfeitamente. É como uma câmara criogênica.
— Sim, provavelmente se trata de uma energia auxiliar, mas não vai durar muito se não agirmos rapidamente — informou o asiático.
  — E tem mais uma coisa... Yamato... Está me ouvindo...?
— Sim, estamos na escuta, o que houve?
— Há outro corpo.
— Apenas dois?
— Sim, temos outro corpo...
— O quê, doutor? — indagou Yamato, do lado de fora. — O que está ocorrendo aí dentro?
Os outros homens, todos ouvindo a conversa, pareceram se entreolhar. Neste momento, George deixava a nave carregando sua maleta acompanhado de dois dos homens. Um deles reparou que George estava com dificuldade de carregar o objeto, ao que ele prontamente pediu que se afastassem, pois ele carregaria sozinho. Yamato desviu sua atenção para que o James lhe dizia.
— A pessoa dentro da câmara... 
— O que tem ela? 
Houve uma pausa, sem que o oriental soubesse dizer se James tinha perdido a fala ou se era interferência de rádio. Até que a voz surpresa de James lhe tomou os ouvidos de assalto.
        — James!
  — É uma mulher.

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