sexta-feira, 22 de março de 2013

Pra virar filme... ou não! - Prometheus² - Capítulo 12 - Peter Weyland


12. PETER WEYLAND

Yamato entrou na enfermaria trazendo uma sacola de couro velha com diversos dispositivos. James e Shaw o aguardavam ansiosamente.
— Trouxe algo que acredito nos servirá.
— Onde arranjou essas coisas?
— Na baía de cargas — respondeu Yamato, colocando a tralha sobre uma maca —, são coisas antigas, mas ainda operantes. Não temos muitas tecnologias aqui, tudo o que temos é ultrapassado, fruto de doações. Não sei vou conseguir religá-lo.
— Apenas tente — disse ela.
David repousava sobre a maca, com a cabeça separada do corpo, uma cena no mínimo peculiar, intimidante e ao mesmo tempo, de certo modo, engraçada.
— Senhor Yamato... Perdoe-me a curiosidade... — dizia ela —, os ensinamentos que prega aqui... São de uma religião específica? Ela foi criada por vocês?
A pergunta fazia todo sentido. Shaw percebera desde que cruzou o lugar que os homens pareciam monges budistas, com aquelas túnicas, suas sandálias, suas cabeças raspadas — e se comportavam reclusos como tal — mas usavam conceitos e orações de outras religiões.
— Não. Somos uma religião com base em ensinamentos e conceitos próprios ou de outras religiões. Nossos ensinamentos são passados desde que o primeiro homem de Iosis aqui apareceu e aqui fundou esta colônia para pessoas que gostariam de encontrar Deus — esclareceu ele.
— Este lugar não me parece uma colônia feita para homens religiosos... Esse lugar me parece uma prisão abandonada...
Para sua surpresa, o homem confirmou suas suspeitas balançando a cabeça repetidas vezes em afirmação, sem sequer piscar.
— E era esta a intenção de Peter Weyland quando a ergueu. Mas a prisão acabou mudando de planeta para um planeta chamado Fiorina Fury. Não falamos sobre isso por aqui, para evitar que os homens discutam ou questionem nossa segurança e o caráter do lugar. Mas, sim, Iosis foi um planeta prisão durante uma época e foi desativado por causa de altos custos de manutenção. Os prisioneiros foram transferidos para Fiorina e o prédio e as sucatas vendidas. Foi reformado com o passar do tempo para que ficasse mais “aconchegante” aos moradores. 
  Shaw torceu a boca, em deboche. Para ela, não havia nada de aconchegante naquele buraco.
Como ele explicara, os fundadores da colônia queriam montar uma espécie de retiro espiritual, um local de descanso temporário de viajantes espaciais, mas a ideia cresceu a ponto de atrair mais pessoas.
  — Pessoas que vieram morar aqui pelo resto de suas vidas. Com mais pessoas, mais regras passaram a ser adotadas. Ainda temos muito que fazer aqui, é verdade... Mas, aos poucos, transformaremos isso em um lugar mais agradável. Se for possível, gostaria que visitasse nosso templo antes de ir embora...
Yamato começou a desenrolar fios e um tipo de pinça de dentro da sacola.
  — Eu ficaria grata. Seria um enorme prazer... Mas... Quer que eu faça isso mesmo sendo eu uma mulher? Não é permitido mulheres andarem por aí...
— Não há nada de errado em ser uma mulher, desde que siga os conceitos de Deus e honre a sua posição na natureza humana, como esposa, irmã, filha, mulher e mãe. Acontece que aqui deixamos os prazeres carnais de lado e elevamos o nosso espírito. Deixamos tudo para trás para vivermos um novo estilo de vida, mais limpo, mais puro, mais distante de tudo. 
— Entendi — disse ela, meneando a cabeça. — E onde está sua esposa?
Yamato tremulou em responder. Sugou o ar para os pulmões como se estivesse dando um último suspiro em vida e não disfarçou o seu incômodo pela curiosidade dela. Ajeitou a túnica. Shaw não era de fazer rodeios e Yamato acabava de testemunhar a erupção de sua personalidade seca e direta. 
Ao notar tal desconforto, porém, Shaw se redimiu do que julgou para si mesma ter sido um ato de falta de respeito, e procurou contornar a situação. 
— Perdoe a minha curiosidade. Não precisa...
— Está tudo bem — intrometeu-se ele, satisfazendo a indiscrição dela: — Ela morreu. Com meus dois filhos, em um acidente envolvendo uma nave espacial. Foi a caminho de uma colônia espacial em Korbbos. Já faz muito tempo...
— E... Este foi um dos motivos que o trouxeram para cá?
— Sim — respondeu, erguendo a cabeça. — A maior parte das pessoas que estão aqui perderam seus entes queridos. Ou nunca sequer tiveram parentes. Eles vêm aqui para ficarem em reclusão e tentarem encontrar algo que tanto procuraram, mas nunca encontraram.
— Encontrar o quê...?
  — Paz de espírito.
— E você encontrou a sua...?
— Sim. 
—... E... como sabe?
  — Eu me desapeguei de tudo e desde então estou vivendo muito bem — afirmou ele. 
Ela meneou afirmativamente sua cabeça.
James comentou que, em geral, pessoas que moravam em outros planetas falavam muito pouco de si, como se carregassem algum fardo ou não quisessem recordar do passado. Não era algo que ele observava apenas naquela colônia e, sob seu raciocínio, pessoas de origem oriental como a dele não costumavam ter muito contato com outros. Ele falava por experiência própria. 
  Seus colegas de trabalho de origem asiática em geral guardavam grande apego a Terra e as casas e famílias que tinham deixado para trás para vagarem no espaço em busca do dinheiro que não conseguiam na Terra. Yamato, para grata surpresa, parecia ir de encontro a esta sua teoria pessoal.  Influência da religião? Shaw, por exemplo, não saberia responder, só conseguiria dizer que Yamato aparentava ser uma pessoa agradável e prestativa. 
Embora, contudo, não admitisse, Yamato guardava certa saudade de casa e lamentava que quase tudo estivesse sob escombros. O espaço tinha esse efeito perturbador nos seus viajantes: eles saíam de casa para um planeta e, ao chegarem lá, descobriam que milhares de coisas tinham acontecido com os homens na Terra. 
O tempo era um fator psicológico massacrante e isso talvez explicasse a tentativa de desapego daquelas pessoas a este fator.
— Um dia você está na Terra. No outro, você está acordando em Korbbos — disse ele. — Há uma diferença gritante de tempo entre o dormir e o acordar. Você acorda e descobre que sua mãe está morta, que seu cachorro morreu, que sua ex-mulher casou e tem um ou dois filhos adolescentes, e que o planeta está soterrado debaixo de entulho por uma guerra que começou uma década antes. E você, onde estava que não acompanhou tudo isso? Fisicamente, você tem uma idade, mas a realidade é outra...
E reiterou:
  — Toda noção de tempo acaba diluída. Você morre, e vive novamente. 
Shaw entendia perfeitamente, ao passo que Yamato sentia saudades da Tóquio movimentada, superpopulosa, com seus arranha-céus de meio quilômetro de altura, suas bolhas de armazenamento de oxigênio para purificar o ar e céus cobertos de chuva, neons e veículos flutuantes. Sua ambição escondida era a chefia de uma das Estações Marcianas, mas tudo mudou de repente com o acidente em Korbbos. 
  Yamato, contudo, não demonstrava complexos ou problemas. Era um morador de Iosis, um conhecedor natural do lugar, como se tivesse nascido ali mesmo.
  Shaw agradeceu as explicações. Mas ao ser perguntada sobre o seu passado, ela se esquivou com um pedido.
— Hã... Verifique os sistemas do androide, por favor. Veja a possibilidade de colher os diários e arquivos de áudio ou imagem, tudo o que possa explicar como vim parar aqui. É possível?
— Tudo bem — disse o oriental, respeitando sua atitude. — Verei o que posso fazer...
— Preciso saber em que ano estou, quanto tempo fiquei desacordada... tudo o que puder.
Yamato titubeou pela questão de tempo, alegando não ser permitido aos colonos saberem em que ano se encontravam. Mas, no final das contas, cedeu.
      Os dois reviraram a pequena sacola. Yamato puxou o corpo de David como se fosse um cirurgião, posicionando a cabeça sobre o restante. Ele e James começaram a tirar toda o traje bastante danificado que ele vestida. Shaw se virou, evitando aquela visão desagradável.
      Após trocar as roupas do corpo do androide, por uma manta com a que eles usavam, ambos tiveram uma noção do estrago no corpo do sintético. Tudo no androide era uma confusão, de conectores, artefatos microeletrônicos e indutores de fios quase invisíveis. Havia coisas penduradas na altura do pescoço, cabos, aparelhagens quebradas, restos. Cacos de acrílico. Pedaços do interior chacoalhados na queda do veículo em que vinha. 
     Yamato tentou organizar alguns dos fios que dele saía. Pegou uma caixa transparente, de material plástico, cheia de cabos e conectores, mas ela estava muito danificada e ignorou-a. 
     Tirou da sacola uma espécie de mesa de comando. Shaw enroscou alguns fios dependurados — e não sabia de onde os fios e condutores saíam nem para onde vinham. 
     — Essas coisas funcionam com um aparelho a distância... Com um tablete virtual ou de acrílico, capaz de interagir com o sistema principal dele — explicava Yamato. Impossível não mencionar a expressão pálida dela ao perceber que ele realmente sabia do que estava falando e conhecia toda aquela parafernália eletrônica. — Eu conheço o sistema do David, tenho todo desenhado em minha cabeça. Não vai ser difícil... Se encontrarmos a base de controle... 
     — Está tudo quebrado — disse ela. — Se havia algo inteiro aqui no momento da queda, ele voou ou se desintegrou. Sei que ele tem uma fonte de energia na cabeça, um cérebro eletrônico, que o permitiu sobreviver à degolação.
     — Como ele foi degolado?
     Shaw se esquivou.
     — Provavelmente no acidente.
   — A câmara dele estava selada e intacta quando o encontrei — retrucou James, agora do outro lado da maca em que David repousava. 
Ela recuou um pouco da maca. Baixou os olhos.
    — Não me referi ao acidente aqui em Iosis. Foi em um acidente, no satélite LV 223, em Zeta Reticuli.
     — O que faziam lá? — insistiu James.
  — Fomos para lá com o apoio do senhor Peter Weyland — desconversou ela. — Encontramos vestígios de vida alienígena inteligente e uma nave... Uma nave abandonada. Foi com ela que conseguimos cruzar o espaço.
     — Estavam fugindo de algo?
     — Uma tempestade no satélite. Tivemos problemas com a operação e nossa nave acabou acidentada. Mas, conseguimos escapar.
James meneou a cabeça positivamente, mas tinha um olhar de desconfiança. Ele e Yamato se entreolharam. Shaw não tinha muito conhecimento em eletrônica ou mecânica, mas o pouco que sabia seria capaz de fazer com que um relógio funcionasse ou algum monitor pudesse ser ativado e lhe dissesse, ao menos, em que ano ela estava.
     — O Bispo a interrogou?
     — Ainda não — respondeu James.
    David levou um choque neste momento, assustando a todos. O corpo balançou sobre a maca.
   — Que droga...! — reclamou ela, mãos na cabeça, expressão de aborrecimento. — Não vai dar certo!  
    — Só mais um minuto — disse Yamato, seguindo o rastro de fios coloridos dependurados: — Estou conseguindo. 
Yamato perguntou: — Havia pessoas acordadas no momento do impacto? Alguém na cabine?
    — Não havia. Só havia nós dois. 
E ouviram um sinal. Um bip.
  — Ouviu isso? — questionou Yamato, posicionando os fios e conectando a uma mesa de comando. — Um sensor. Ainda está ativo e está me reconhecendo. 
    — O que é isso?
   — Uma maravilha nano-tecnológica — disse Yamato, sorrindo: — Um computador de mão. Ele é acionado por sensores de movimentos e trabalha com micro células nuclear. Sua energia não acaba nunca. 
    — O que você pode fazer com isso? — indagou James.
   — Acessar o sistema central da nave, mas creio que ele está muito danificado para isso. Se não podemos ir manualmente, talvez o computador central possa conversar conosco.
    Yamato mexeu no aparelho, dançando seus dedos sobre ele com alguma agilidade. Por uma tela, correram diversos códigos, feitos de letras e números, linguagem que Shaw não entendia. James, atento, perguntou o que ele fazia naquele momento. O homem explicou que ele conectava-se ao banco de dados do androide. Dessa forma, poderia colocar os sistemas não danificados em operação o mais depressa possível.
    — Está inicializando... Eu posso acessar algumas informações que estão disponíveis. As outras pastas não podem ser acessadas porque necessitam de uma senha ou os sistemas estão danificados o bastante para não me permitirem acesso.
    — Tudo bem... Eu quero saber, ele poderá andar? 
    — Eu ainda não sei.
    — Pode me colocar em contato com ele antes disso?
   — Sim. A prioridade é o sistema de comunicação. Mas ele não vai funcionar ou funcionará por tempo limitado se as placas principais não fizerem o restante ou estiverem muito danificadas.
    — Não entendi...
    — O próprio computador de David precisa procurar o que funciona e o que não funciona dentro dele. Mais do que isso, ele precisa encontrar. Se fizer isso, ele poderá me mostrar o que pode ele pode fazer e o que não pode por causa das avarias.
   Os olhos de David se abriram e brilharam pacientemente, como se dessem suaves suspiros de vida. Yamato operou o sistema de forma que ele abrigasse tudo o que não havia sido danificado. E ele respondeu, através de movimentos vagarosos nas mãos. Algumas faíscas assustaram os três, mas não havia perigo de incêndio. David ressuscitava, vagarosamente. Parecia sair de um estado de transe e remendar seus circuitos internos. Tudo, até ali, parecia estar sob controle.
    — Está na linha... fale alguma coisa, David precisa te ouvir.
    — David, está me ouvindo? — perguntou ela: — Se estiver me ouvindo, por favor, responda...! Se estiver me ouvindo, por favor, responda. 
Houve um ruído. Uma espécie de ajuste. A máquina parecia processar a voz de Shaw até que, solenemente, sem emoção alguma em sua voz, respondeu:
    — Estou ouvindo, Doutora Shaw.
  Shaw se agitou, feliz por ter conseguido aquele contato. E respirou aliviada por ouvir aquela voz robótica, falha — e ruidosa —, que vinha de David.
    — Fazia tempo que não ouvia nada assim antes — disse James, não escondendo sua hesitação e curiosidade com aquilo. — Pergunte a ele... pergunte...
    — David, preciso que me informe o que houve no veículo e me explique porque viemos parar aqui. Você nos ajudou com a programação dos sarcófagos criogênicos, você sabia operar aquele veículo, deve entender o que houve com ele. Você estava acordado e ainda funcionava quando o coloquei dentro da câmara.
    Com a mesma imprecisão e ruído, ele respondeu.
    — Fomos bombardeados enquanto você dormia.
   Yamato conseguiu conectar a cabeça ao restante do corpo. Havia, no entanto, um rasgo mostrando as juntas e fiações. Ele pediu para James bandagens e o doutor prontamente atendeu. Yamato e James começaram a enrolar a cabeça de James, o mais preso que pudessem, para cobrir os fios e nervos sintéticos, com a finalidade de fixa-lo e pudesse se levantar. Era bizarro. Ambos pareciam cuidar de um doente, imobilizando-o. 
    Os olhos de David não piscavam, encarando sordidamente a figura pálida de Shaw diante da cama.
    — Quem disparou contra a nave?
    — Eu não sei — respondeu, depois de um ou dois segundos.
   Shaw e James se entreolharam. Tinham expressões de interrogação. Yamato não conseguia piscar os olhos, sem nada entender.
    — David, você consegue se levantar?
    David fez um movimento, sem sequer balançar a cabeça. Mexeu os braços e as pernas, tentando se levantar. Desajeitadamente, o androide conseguia, apoiado em James e Yamato. O curativo parecia seguro e a cabeça fixa ao restante do corpo.
    — Você perdeu mobilidade do pescoço — explicava Yamato, como um médico explicando para o paciente: — Vai ter que se adequar a isso. Não temos como consertá-lo.
    — Eu agradeço.
   David emitiu um pulso, como uma frequência falha. Desengonçadamente se colocou de pé. Pareceu distante, testando os movimentos das pernas, braços e mãos. Seu cérebro mecânico estava agora conectado ao restante do corpo.
    — Onde estamos, Elisabeth?
   — Em um planeta chamado Iosis. Dentro de uma colônia religiosa. Fomos resgatados por eles.
   David pareceu medir o ambiente com os olhos. Olhou para os lados, com uma expressão de que não compreendia muito bem o que estava havendo. Não havia, contudo, estranheza que sua lógica não pudesse processar.
   — Posso te explicar tudo mais tarde, David. Mas você terá que me ajudar a entender como viemos parar aqui, se a nossa rota traçada era para outro planeta. Eu não conheço nem nunca ouvi falar em Iosis. Devíamos estar em outro planeta... não se lembra?!
   — Eu sinto muito, Elisabeth — disse ele, com uma expressão de desalento. Em seguida, David soltou um sorriso cínico no canto dos lábios.
   Shaw sentiu suas mãos tremelicarem. Agora ela podia entender tudo. David a estava levando para outro lugar que não aquele que ela pretendia. Aquele raciocínio a abalou emocionalmente, de tal forma, que ela procurou um lugar para escorar seu corpo. James procurou ajudá-la, mas ela pediu que ele se afastasse.
   — David... — Shaw tomou ar, equilibrando-se e apertando os olhos, para não ver o mundo em sua volta girar —, por que você fez isso...?
   — Nós precisávamos sair de LV 223.
   — Seu filho de uma...! Você estava levando a nave para a Weyland!
   Ela retomou sua atenção para o androide. Permaneceu incendiada de revolta. James a segurou para que ela não avançasse para cima do robô e o despedaçasse tamanha sua raiva.
   — Ainda não terminei...!
   — Seria o único presente deixado por Peter Weyland, meu criador — disse ele, com sua típica voz fria.  
   — Seu... Seu... 
   Shaw sentiu um ódio tão grande correr pelas veias que a vontade que tinha, naquele momento, era de quebrar todo aquele robô. Nada, contudo, adiantaria. E ela, com certeza, precisava obter mais respostas que elucidassem suas questões. Ela precisava daquela fonte de informações, precisava daquela entidade eletrônica quebrada e sem emoção chamada David.
   — Qual era o nosso destino, David? Fale!
   — As coordenadas indicavam o planeta Fiorina Fury. Deveria haver uma estação espacial da Weyland lá. Era o local mais próximo para ancorar.
Shaw perdeu a voz e o rosto descorou como se todo o sangue descesse para as pernas. James percebeu imediatamente sua reação e questionou se ela sentia algo de ruim, ao que ela respondeu, devagar, como se saísse de uma consternação: — Eu estou bem.
   Os dois se encararam. Yamato, temeroso com aquilo que acabara de ouvir, viu James e suas feições de surpresa, mas a de Shaw estava carregada de tristeza. 
   — Veja pelo lado bom: ao menos não temos que nos preocupar com nada. Mil e uma pessoas estão a salvo agora.
    — Por que lá, David?
   — Peter Weyland nunca se importou com as suas descobertas, Elisabeth. Tudo o que ele procurava era tecnologia para expandir a sua vida. E os seus domínios pelo espaço. A carga biológica que tínhamos seria de bom grado para o departamento bélico em desenvolvimento da Weyland.
   Shaw balançou a cabeça em negação. Ainda não se conformava pelas ações de David e não se daria por vencida até que arrancasse daquela coisa todas as respostas para as questões que tanto a atormentavam. Shaw era uma mulher forte o bastante para suportar qualquer dor ou qualquer que fosse a revelação; mas saber sobre David e o que ele tinha feito, ela admitia, era como levar um golpe baixo o bastante para derrubá-la.
— Onde está a nave?
— Ela explodiu e quase nos matou. Caiu no meio do deserto do planeta e não vai para lugar algum, se é essa a sua preocupação.
— Alguém teve contato com a carga biológica?
— Ninguém teve contato com nada a não ser vocês, se é isso que está preocupando vocês —interferiu James. — Eu posso assegurar que não existem problemas de segurança nem de saúde entre nós. Mas vocês vão ter que nos explicar porque tamanha preocupação com esta carga.
     Nesse momento, alguém entrou violentamente pela porta. Era o Bispo.
   — É claro que eles terão que explicar tudo, James. A mim. Todos vocês para o meu gabinete. AGORA!

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