sábado, 23 de março de 2013

Pra virar filme... ou não! - Prometheus² - Capítulo 13 - Prometheus


13. PROMETHEUS


Arthur não escondia estar surpreendido e irritado com a presença de Shaw. Na sua sala abafada, rodava de um lado para outro. Em tom de insulto, se dirigiu para ela.

— O que você está fazendo aqui dentro, mulher? James, o que significa isso?! 

Parou, virando-se para David.

— Quem diabos é esse? Achei que estivesse completamente destruído.

— Meu nome é David, senhor. E o senhor, quem é?

— Eu sou a pessoa responsável por este lugar. 

Lançou um olhar desafiador para o médico.

— O que eu lhe ordenei, James? Eu ordenei que mantivesse essa mulher na enfermaria até que viessem buscá-la e agora o que vejo: ela, passeando pela colônia, dentro do depósito!

— Senhor, eu posso explicar tudo...

— Até você, Yamato! 

— Então, é o senhor responsável pela direção do lugar? — interferiu Shaw, erguendo a mão direita e se antecipando para cumprimentá-lo. — Prazer, meu nome é Elisabeth Shaw e nós...

Arthur se encheu de altivez. Olhou para ela de cima a baixo. Resmungou:

— Eu não quero saber de sua ladainha, moça! Não quero saber de sua lorota. Você não tem autorização para entrar nesse lugar. 

— Espere um... — Shaw não conseguiu completar e não escondeu exaltação. O Bispo alteou sua voz como se quisesse mastigá-la e cuspi-la dali do planeta o mais breve possível.

— Eu sei quem você é... Sei muito bem quem você é...

James não se moveu.

— Se sabe, porque não nos conta? — interrogou David, com um complacente tom de ironia. 

— Escute... Este lugar foi mantido em paz e harmonia durante muitos anos graças ao meu esforço e ao desses homens.

— Bispo, por favor, não...

— CALE A BOCA! Eu estou falando, não me interrompa! — esbravejou o Bispo, dessa vez interferindo James. — Onde está o respeito que vocês adquiriram durante todo este tempo? ONDE?! O QUE HÁ COM VOCÊS?
O alvo de reclamação era James.

— Querem retornar praquela tenda de poeira radiativa que está se tornando o nosso planeta...? Migrando de uma região para outra, como nômades do inferno... Procurando por cidades abandonadas para transformarem em formigueiros de gente onde só se vê o próximo através do visor de uma máscara de gás? Quer viver de procurar por lares que nunca foi seu, para ficar longe do inverno nuclear e não morrer numa nuvem tóxica, doutor James...? — e os olhos do gordo estavam acinzentados de ameaça: — EU APOSTO QUE NÃO.

— Não, eu não quero — respondeu ele, baixando os olhos.

— Você está no céu, no paraíso...! A Terra está virando um castigo de Deus. Lembre-se sempre disso da próxima vez que me desobedecer e colocar em perigo todos os homens dessa colônia...!

Shaw tomou as dores. 

— Eu sou a culpada de tudo, se não se importa de saber da merda toda, seu gordo ignorante filho de uma mãe!

Yamato engoliu seco. O Bispo ergueu as sobrancelhas, em surpresa, chocado com aquele tom ofensivo dela. Shaw era a própria imagem de irritabilidade e não se redimiria diante de Arthur por nada, principalmente naquele momento delicado onde a segurança e saúde de todos se comprometia.

— Como ousa me ofender, mulher?! Olhe como você fala, você está dentro da minha colônia e se falar dessa forma comigo mando você pra fora daqui agora mesmo para morrer na superfície desse planeta!
James tentou afastar os dois. 

— Então, agora cale a boca e permita que eu fale ou eu vou ferrar com você e fechar essa porra de lugar quando sair daqui!

— Já chega...!

O Bispo deu uma gargalhada, tratando Shaw com tal insignificância que não se abalava. James implorou por calma. Arthur ajeitou sua manta, que caía precipitadamente pelos ombros, e rosnou como um cão irritado. 

— Fechar essa colônia?! Ora, o que diabos você bebeu quando acordou...? Você ainda não sabe, vai ser levada pela Weyland como prisioneira dentro de um porão de nave imundo comendo ração para cães, porque é assim que eles fazem com pessoas como você! 

— Senhor, não se esqueça dos ensinamentos do Senhor, nosso Pai! — pediu James, no meio deles, impedindo que os dois provocassem uma briga ainda maior. — Não é o momento para isso.

O Bispo deu um suspiro alcoólico e os ombros, ora tensos, relaxaram. Ajuizou. Olhou em volta. Yamato tinha os olhos arregalados e David não conseguia piscar. Shaw regressou dois passos, acanhada.

— Devo admitir...  — e fungou, tal qual um porco —, que tem razão, doutor — disse, mais calmo, baixando o tom de voz: — Em nome de Deus, peço desculpas para todos. Estamos muito estressados e muito nervosos com toda essa situação. Perdoem-me.

Shaw retomou.

— A minha presença por acaso abala sua fé, senhor Bispo? 

— Eu pedi desculpas, o que você quer agora, mulher: que eu fabrique uma nave em sua homenagem?

— Apenas responda a questão! É simples...

— Deus do céu, parem com isso vocês dois!

Ele respondeu a questão de Shaw com a mesma arrogância de sempre.

— Você não significa nada, nunca significou para nós. Mas a é importante para a Weyland.

— Por quê? Agora, todos nós queremos saber — disse o oriental.

O Bispo rodou, pressionado por todos aqueles olhares. Foi para detrás da mesa e se sentou, fazendo a cadeira ranger com o seu excesso de peso.

— Muitos de vocês não se lembram. Eram muito jovens... Vocês moradores dessa colônia sequer imaginam. Mas muitos anos atrás, o senhor Peter Weyland patrocinou uma viagem para um planeta distante. O projeto era chamado de...

— Prometheus — completou David.

— Ele consistia em uma nave tripulada enviada para um ponto do universo em que supostamente encontraríamos respostas sobre a nossa criação. Tal projeto foi muito alardeado na mídia. Peter Weyland adorava um sensacionalismo... Pode-se dizer que Weyland sempre foi um visionário, desde que sua empresa nasceu no começo do século XXI, investindo em tecnologia e em todos os ramos inimagináveis. Mas ele faleceu... E a nave Prometheus foi dada como perdida. O projeto, enfim, resultou num fracasso e num rombo de trilhões de dólares na época. Todos os tripulantes foram dados como mortos. Uma equipe de marines foi enviada para um resgate, para procurar por vestígios, mas nada encontraram.

— Nem poderiam. Nada encontraram, porque não havia uma rota que se pudesse seguir. O destino era confidencial.

— O que isso tem a ver com a Shaw e o David? — interrogou Yamato, ainda sem entender.

— Os dois eram tripulantes da Prometheus — respondeu o Bispo.

James enrubesceu. Shaw e David se entreolharam. 

— Como sabe disso?

— Ora, mulher, quem você acha que construiu esse lugar?

— A operação não foi um fracasso — contestou Shaw. — Nós encontramos os nossos criadores. Os criadores da espécie humana... Nós os chamamos de “engenheiros”. Eu os estudei e eles têm a mesma codificação genética que nós temos. E por algum motivo, eles estavam a caminho da Terra para destruir a humanidade.

— Você está mentindo. Deus nos criou.

— Quem nos criou está com raiva de nós, homens.

Shaw olhou para David, que apontou seu indicador direito para o seu pescoço.

— Eles tinham planos para nos matar cerca de dois mil anos atrás, na Era de Cristo — continuou ela. — Não sabemos por qual motivo depois de nos criarem, eles se revoltaram contra nós. O fato é que descobrimos em LV 223 uma série de bases contendo experimentos bioquímicos, que estavam abastecendo diversos veículos em direção a Terra. Conte a eles, David!

— A nave que vocês vieram? — indagou Yamato, cruzando os braços, mais atrás.

David confirmou com a cabeça, ainda desajeitadamente por não conseguir movê-la totalmente.

— Jaggernaut. Os porões estão abastecidos de ampolas contendo um reagente bioquímico infeccioso mortífero. Quem a criou, criou os reagentes. Os criadores dos seres humanos. Supõe-se que tenham visitado a Terra desde quando nela brotou a vida. Depois, em pelo menos 300 mil anos antes de Cristo, devido à evidências encontradas de cerimonias e ritos religiosos em uma caverna na Espanha. Foram encontradas evidências da presença dos engenheiros na Croácia, datadas de 130 mil anos e em Israel, 100 mil anos antes de Cristo. Há fortes indícios que essa espécie fez com que a humanidade desse saltos de mais de 50 mil anos em conhecimento e desenvolvimento de habilidades.

— Nós temos que destruir o que restou. Isso não pode chegar às mãos da Weyland! — protestou Shaw, nervosa.

— Embora eu tenha dúvidas do que você está contando... eu vi a nave. Devo lhe perguntar... como você acha que faríamos isso? Não temos como fazer — disse James.

— Ninguém sairá daqui para nada. Deixe que a Weyland resolva esse empasse. Eles estão a caminho. Enviei uma mensagem para os mesmos e expliquei o que estava acontecendo. Você terá muito que explicar para eles, mulher. E logo tudo isso vai terminar — e fez uma pausa, sem que ninguém ali dentro dissesse uma palavra. 

— Se não se importa, eu queria dizer que tínhamos uma suspeita de que houvesse possibilidade de contaminação na colônia.

O Bispo virou-se para ele com uma expressão de total reprovação. Estava enfezado. James continuou falando.

—... Mas as suspeitas estão acabadas. Não há perigo para nós.

— James... — Shaw demonstrou surpresa.

— É claro que as suspeitas estão terminadas — confirmou o Bispo. — Nunca houve problemas, James. O que acha que eu sou? Idiota? Eu trabalhei por muito tempo nesse meio e sei como as coisas funcionam. Quando James me informou da suspeita, eu procurei por informações, que é o que uma pessoa inteligente faria. Eles me explicaram o ocorrido. 
Shaw cruzou os braços.

— Se não quer me obedecer, ao menos respeite os demais. Não somos obrigados a nos incomodar com sua presença... — Arthur sorriu para James: — Se é que você me entende. 

Shaw virou o rosto. Alguém entrou pela porta neste momento. Era um homem caucasiano e estava afobado. Todos se viraram para ele:

— Deus do céu, homem, o que aconteceu?!

— É George! Precisamos de toda a ajuda possível!

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