terça-feira, 26 de março de 2013

Star Wars Episodio 1 - A ameaça fantasma - 1999


Título Original: Star Wars: Episode I - The Phantom Menace
Ano de lançamento: 1999
Direção: George Lucas
Roteiro: George Lucas
Elenco: Natalie Portman, Liam Neeson, Terrence Stamp, Samuel L Jackson,  Ewan McGregor, Jake Lloyd
Sinopse: Quando a maquiavélica Federação Comercial planeja invadir o pacífico planeta Naboo, o guerreiro Jedi Qui-Gon Jinn (Liam Neeson) e seu aprendiz Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor) embarcam em uma aventura para tentar salvar o planeta. Viajam com eles a jovem Rainha Amidala (Natalie Portman), que é visada pela Federação pois querem forçá-la a assinar um tratado que é para eles muito importante. Eles têm de viajar para os distantes planetas Tatooine e Coruscant em uma desesperada tentativa de salvar o mundo de Darth Sidious (Ian McDiarmid), o demoníaco líder da Federação que sempre surge em imagens tridimensionais (a ameaça fantasma). Durante a viagem Qui-Gon Jinn conhece um garoto de nove anos que deseja treiná-lo para ser tornar um Jedi, pois o menino tem todas as qualidades para isto. Mas o tempo revelará que nem sempre as coisas são o que aparentam.


Por Jason


Quando A ameaça fantasma foi anunciado, foi como se o mundo tivesse entrado em chamas e o apocalipse se aproximasse, sem exageros. Numa época em que a internet não havia explodido e se popularizado (não faz muito tempo, era o final da década de 90) e muitos anos depois da primeira trilogia povoar os cinemas, os fãs entraram em neurose com a certeza do retorno nos cinemas ao universo criado por George Lucas. Os executivos de cinema tinham uma intenção declarada - faturar, e muito, mais do que Titanic em bilheterias, certos de que a marca Star Wars tinha poder de fogo para isso. 

O retorno ganhou até mesmo matérias em jornais de TV e capas de revistas no mundo todo. Filas e mais filas se formaram na estreia, com direito a fãs fantasiados e gente acampando nas portas dos cinemas, um verdadeiro fenômeno. O filme foi um grande sucesso, é claro - abaixo do que esperavam, mas ainda assim um sucesso de público. O problema é que, primeiro, esqueceram que Star Wars é uma franquia fechada, do tipo que ou se gosta ou se odeia, porque é praticamente impossível encontrar um apreciador "meio termo" para ela - só com muito LSD para conseguir consumir um festival de cores, tipos exóticos e falhas de física absurdas. Segundo, o esperado retorno não eclipsou os graves problemas da produção.

A começar pelo roteiro. Na concepção de George Lucas, Anakin Skywalker é um enviado, um messias (ele não tem pai, como diz a mãe, simplesmente ela o gerou e o criou). Antes de se transformar na essência do mal Darth Vader, o icônico vilão da saga e talvez um dos mais conhecidos do cinema, Anakin é o "escolhido", a representação da pureza e da bondade na pele do péssimo Jake Loyd (que, graças a Deus, a carreira não decolou). Lucas tenta fazer um paralelo entre beleza e terror, sugerindo que a maldade pode nascer até da inocência, ou que todos nascemos inocentes até sermos corrompidos pelo poder. Como diz Yoda em determinado momento do filme, o medo de Anakin é evidente e o medo é o caminho para o lado negro, porque prenuncia a raiva e em seguida o ódio e o sofrimento. Mas essa questão é subtraída pela infantilização com que o roteiro trata a trama, o que acaba dando ao filme uma superficialidade incômoda. A ameaça fantasma parece uma vitrine de efeitos especiais barulhenta, onde a técnica excessiva acabou o transformando no pior filme da série.

Temos que aturar o insuportável Jar Jar Binks, com suas idiotices, que incluem até piada de flatulência - um personagem tão inútil que não faz a trama avançar em nada. Choca o espectador a total ausência de drama da produção. Amidala, a Rainha jovem e despreparada, traída e usada pelo chanceler e posteriormente senador Palpatine, vem acompanhada sempre de um figurino bizarro, como uma cabeça mutante feita de cabelo, um par de chifres pavoroso e um vestido de penas de urubu de dar inveja a qualquer escola de samba. Os efeitos especiais trazem o melhor da época e ainda impressionam, embora falhem aqui e ali - em uma sombra que não aparece, em uma exótica criatura sem peso, nos droides cujo pecado é a burrice -, nada que comprometa ou influencie no resultado do quadro digital criado pelos poderosos computadores da ILM. A direção de arte e de cenários é bela e rica, cheia de detalhes preciosos, seja nos veículos, nas cidades ou planetas, e a maquiagem é a responsável pela maioria das criaturas exóticas que povoam o filme, tudo típico de uma super produção como esta, regada pela incessante trilha sonora de John Williams que cria um tema notável ao menos (o da luta com Darth Maul). Técnica é mesmo o ponto alto do filme.

O diretor cria sequências de grande impacto visual, como a corrida de Pods, mas ela parece durar uma eternidade desnecessariamente, como se fosse criada apenas para render jogos de vídeo game (e o filme rendeu, aliás, uma enxurrada deles), além da passagem pelo núcleo de Naboo com seus peixes carnívoros gigantes e a luta final com o vilão Darth Maul, outra boa criação do filme - mas totalmente descartável pelo roteiro. Em termos de atuação, ninguém consegue se destacar - proeza das proezas, o filme prejudica a dinâmica entre Liam Neeson, Ewan McGreggor, e Natalie Portman, assassinados pelo carnaval visual, e deixa Samuel L Jackson de escanteio fazendo participação especial. 

No mais, ao rever A ameaça fantasma, fica uma sensação de preocupação, uma vez que a saga passou a pertencer a Disney e, como todos sabemos, o estúdio tem uma grande tendência de infantilizar suas tramas, mirando nas famílias e nas crianças. Só resta torcer que os próximos filmes fujam desse miserável destino. 

Cotação: 2/5

Um carnaval de efeitos visuais e barulho sem alma e sem drama.




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