quinta-feira, 14 de março de 2013

Westworld, onde ninguém tem alma - 1973 (Westworld, 1973)



Título Original: Westworld / il mondo dei robot
Ano de lançamento: 1973
Direção: Michael Crichton
Roteiro: Gene Polito, Michael Crichton
Elenco: James Brolin, Richard Benjamin
Sinopse: Dois amigos, Peter Martin (Richard Benjamin) e John Blane (James Brolin), resolvem passar as férias no hipermoderno centro de diversões de Delos. Lá foram criados os ambientes da Roma Imperial, Idade Média e do Velho Oeste, todos povoados por robôs perfeitos. Eles optam por este último "mundo", onde enfrentariam em duelos "terríveis bandidos" e seduziriam "belas mulheres". Os androides foram programados para satisfazer os clientes e nunca os ferir, mas devido a problemas técnicos os robôs dos três "mundos" se tornam assassinos. 

Por Jason

No interessante Westworld, um parque de diversões gigante e de alta tecnologia proporciona num futuro não muito distante para os visitantes a experiência de vivenciarem uma temporada em três épocas da humanidade e realizarem assim suas fantasias, algumas infantis como duelar no velho oeste ou se tornar um imperador romano ou adultas e bizarras, que envolvem sexo e matar pessoas - no caso, androides de alta tecnologia, destinados a interagirem, falarem, viverem, sofrerem e sangrarem como se fossem pessoas reais. 

São três áreas separadas, cada uma com uma atração especial. No velho oeste, uma completa recriação da vida de armas e mortes no ano de 1880 no interior dos EUA. Na época medieval, os cavalheiros e princesas europeus, com costumes da época e seus castelos, sua sociedade recriada "perfeitamente" em que os visitantes passam a fazer parte dela e a interagirem com os moradores do local. O terceiro é o império romano. O preço a se pagar é caro - mil dólares ao dia - mas a diversão, segundo o parque, é garantida.

Uma das atrações do velho oeste é um robô programado para iniciar duelos de bang bang, e é claro, para perder sempre e proporcionar assim uma bizarra sensação em quem atirou de que acabou de matar uma pessoa, vivendo uma descarga de adrenalina em um duelo armado. As armas tem dispositivos de segurança, que não disparam contra nenhum ser que emite calor. Durante o período da noite, como num Big Brother, o pessoal do parque aparece para recolher os corpos dos androides e recomeçar assim a diversão, fazendo com que as cidades voltem ao seu dia a dia normal.

Como nada é perfeito - e Crichton entende de parques que dão errado - uma pane no sistema aparentemente provocada por vírus de computador começa a se espelhar pelas áreas e atinge aquela que está Peter e John (James Brolin). No mundo medieval, um turista é morto depois de um confronto de espadas. Depois de uma noitada e uma briga de bar, os dois turistas acordam ressacados sem saber o que está acontecendo nem o que os aguarda. Os robôs estão descontrolados contra os humanos e o pistoleiro, antes programado para perder sempre, agora está a caça de Peter, transformando a diversão em um jogo de mate ou morra.

Os cenários que mostram o futuro envelheceram amargamente - curiosamente, a recriação do passado envelheceu menos, o que dá ao filme uma estranha ironia onde o passado parece sempre mais vivo e palatável do que o futuro. A direção de arte e cenários ainda se garante, mesmo com a idade do filme e os cenários de plásticos e isopor visíveis. Dos atores, nenhum se sobressai - mas a direção consegue criar momentos interessantes com o vilão, o pistoleiro de olhos brilhantes fixos e frios que anda de forma rija e implacável, do mesmo modo que outro robô faria anos mais tarde, em Terminator, de James Cameron. A sequência em que ele, com a visão danificada, não consegue ver corretamente e temos seu ponto de vista, quando ele só é capaz de enxergar as chamas das tochas, é brilhantemente executada (eu diria que chega a ser uma ousadia de Crichton). 

Há outros poréns, que jogam contra o filme. A trilha sonora é estranha e deslocada. O final é um tiro no pé, vazio e solto, como se deixasse algo pendente de conclusão ou como se não recompensasse o espectador. Crichton dirige o filme com bastante segurança, embora falhe em uma ou outra cena de ação - a mais notável delas, na cena de briga do bar que se estende além do necessário. O filme é curto, simples e objetivo, mas, felizmente, ao mesmo tempo, agrega complexidade. A trama tem bom ritmo e as mensagens são claras. Como visto em O parque dos dinossauros, do mesmo autor, fantasia e realidade se misturam perigosamente na humanidade. A tecnologia é sempre falha, tratada como algo sempre deficiente e imperfeito e, a depender do seu uso, pode ser extremamente nociva ao ser humano. 

E o ser humano, inevitavelmente, é sempre vítima - o que é ótimo - da sua ambição e da sua ganância. 

Cotação: 4/5




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