terça-feira, 30 de abril de 2013

Duro de Matar 4.0 - 2007





Título Original: Live Free or Die Hard
Direção: Len Wiseman
Lançamento: 2007

Sinopse: Os Estados Unidos sofrem um novo ataque terrorista, desta vez através da informática. Um hacker consegue invadir a infra-estrutura computadorizada que controla as comunicações, transporte e energia do país, ameaçando causar um gigantesco blecaute. O autor do ataque planejou todos os passos envolvidos, mas não contava que John McClane (Bruce Willis), um policial da velha guarda, fosse chamado para confrontá-lo.

Por Jason



O filme trata de um terrorista hacker de computadores (Timothy Olyphant), que concebe um ataque nos serviços de transporte, telecomunicações, financeiro, utilidades e sistemas de infra-estrutura dos EUA. Para detê-lo, o policial John McClane vai contar com a ajuda de um jovem hacker, (Justin Long) que deveria ser levado pelo policial à sede do FBI para o diretor Bowman (Cliff Curtis), quando os ataques maciços começam. A série Duro de Matar entra assim na era da tecnologia, algo que nunca despertou amores no personagem John McClane, que, a esta altura, pai já de uma mulher (Mary Elisabeth Winstead), tem que conviver com o drama - raso como um pires - de não ser compreendido por ela.

Len Wiseman, de Underworld, é cineasta de ação genérico e aqui, as únicas novidades estão na inserção da filha de McClane. Sai o humor escrachado e entra o tom de piadas insossas em torno do velho e do novo (representado na figura careca de Bruce Willis/John McClane, que não entende lhufas das novas tecnologias). Os vilões terroristas megalomaníacos ainda estão lá, mas nada comparado a um Jeremy Irons - agora temos que suportar a figura almofadinha de Gabriel (Timothy Oliphant, caricato, sem acidez e inexpressivo) e todos os efeitos especiais pomposos que uma superprodução de 110 milhões podem pagar.

Em termos de atuação, ninguém sai ileso. Choca ver o quanto Bruce Willis tem preguiça de atuar no filme, completamente no automático e, não raro, parece completamente perdido e mal humorado. Oliphant, como já citado, não convence, Mary Elisabeth não tem muito o que fazer já que tem pouco espaço de tela - assim como a bela Maggie Q, que serve apenas para uma cena de luta. Justin Long é inexpressivo e não desperta qualquer empatia. O filme ainda tem a participação de Kevin Smith, outro que nunca foi primor de atuação, para agradar os nerds de plantão.

Como filme de ação, porém, não há do que se queixar. Duro de Matar é feliz ao mostrar o caos nas ruas da cidade sem controle de tráfego ou na bolsa de valores sem os computadores. É histérico como o público gosta, com destaque para as improbabilidades físicas de John McClane, que escapa de um carro capotando, lança um SUV dentro de um prédio até parar no poço de elevador, arremessa um carro de polícia num helicóptero, sangra como se fosse uma fonte infinita de sangue, é atacado por um caça enquanto dirige uma carreta por um viaduto, escapa dela saltando para o avião - e despenca rolando para o chão de uma altura exorbitante com, no máximo, alguns arranhões e umas dores aqui e acolá. 

O conflito final com o fuleiro vilão, cujo pecado é falar muita porcaria ao invés de agir, é fraco - como qualquer filme de Wiseman.

Cotação: 2/5

Não diverte e não tem o brilho dos anteriores, mas funciona como passatempo e entretém como filme de ação.


segunda-feira, 29 de abril de 2013

Duro de Matar 3 - A vingança - 1995




Título Original: Die Hard: With a Vengeance
Ano de lançamento: 1995
Direção: John McTiernan
Roteiro: Jonathan Hensleigh, Roderick Thorp
Elenco: Bruce Willis, Samuel L Jackson, Jeremy Irons
Sinopse: O policial John McClane (Bruce Willis) está separado há um ano de sua mulher, anda bebendo demais e também está afastado da polícia. 
Mas, como desgraça pouca é bobagem, o irmão (Jeremy Irons) de um antigo inimigo começa a colocar bombas em lugares movimentados de Nova York e dá ao policial uma série de enigmas, que podem evitar as explosões. 
Na tentativa de resolvê-los, ele começa acidentalmente a ser ajudado por um negro (Samuel L. Jackson) do Harlem, que o ajuda a desvendar toda a trama.


Por Jason

Depois de dois filmes de sucesso, a franquia Duro de Matar retornou em 1995 com mais uma superprodução trazendo Bruce Willis na pele do incansável policial John McClane, desta vez perseguindo terroristas em Nova York. 

Como nos outros dois filmes, um ator de calibre faz o vilão, no caso aqui é Jeremy Irons, um terrorista irmão do vilão do primeiro filme, estabelecendo assim uma conexão com o personagem McClane. Ele tem um plano mirabolante para roubar o banco de reserva federal usando caçambas e espalhando bombas pela cidade para desviar a atenção da polícia. Cabe ao policial, com a ajuda de Zeus (o impagável Samuel L Jackson) decifrarem as charadas que o vilão impõe e assim desarmar as bombas antes que ela causem tragédias.

Se Irons transmite alguma elegância com seu perfil - embora o personagem seja raso e estereotipado - de Bruce Willis não se pode esperar muito. Canastra como é, Willis atua no automático, num personagem que se tornou a sua marca (Willis ri o tempo todo de suas próprias piadas). Como em todo filme da série, à medida que avança, o personagem fica mais estupriado, todo arrebentado, sangrando, mancando, com suas atitudes suicidas mas, claro, escapa de chuva de balas e, como todo heroi que se preze, permanece de pé ao final. Samuel L Jackson garante cenas cômicas, e é de morrer de rir a sequência do telefonema com a falsa ameaça da bomba na lata de lixo.

O filme tem muitos efeitos especiais físicos, o que permite cenas de grande impacto, desde uma explosão no metrô da cidade até um caos no centro da cidade, bem como uma ótima montagem, o que garante sequências alucinantes de perseguições pela cidade com direito a um McClane dirigindo um taxi por dentro de um parque, cortando o trânsito da cidade e fugindo num Mercedez enquanto é seguido pela gangue de vilões debaixo de uma cusparada de balas. Há uma ou outra cena em que os efeitos falham, como na fuga de McClane em uma caçamba enquanto o aqueduto é coberto de água ou numa explosão megalomaníaca de um cargueiro. Nada, contudo, que comprometa o resultado final da área técnica da produção.

O que deixa a desejar é o roteiro - esquemático e superficial como os outros - que aposta na dinâmica certeira entre Willis e Jackson, mas erra feio também por apresentar personagens que não servem para muita coisa, principalmente do lado dos vilões. Isso inclui uma ninja loira assassina que entra muda e sai calada e um capanga monossilabo de dois metros de altura que sobrevive a uma briga com McClane, apenas para morrer pouco depois - ou policiais que entram e somem no meio da trama caótica sem dizer a que vieram (como o chefe de McClane). Samuel L Jackson, aliás, rivaliza com Willis em importância e se transforma num heroi do filme uma vez que além de cômico ajuda o policial nos enigmas. A trama bem que tenta ganhar complexidade, uma vez que vai se dividir em duas linhas antes do final - a suspeita de bomba na escola e a invasão de McClane a um cargueiro - mas apela para a clicheria típica do gênero, com gente tentando desarmar bomba e os heróis escapando por técnicas mirabolantes de abrir algemas. Nada mais Duro de Matar

O final do filme, justamente no esperado momento de combate mais trabalhado entre o herói brucutu e o vilão, é abrupto. Ele parece deixar uma negativa sensação de que foi feito às pressas.

Cotação: 3/5

Diverte que só.



Pra virar filme... ou não! - Prometheus² - Capítulo 19 - Sacrifício



Capítulo 19 - Sacrifício

Naquele ambiente fisicamente deteriorado, os homens começavam a se deteriorar — não só fisicamente como mentalmente também. A sufocante sala central era o maior símbolo de loucura naquele momento dentro daquela colônia.
 A ideia de esfriar os ânimos e discutir sobre a doença que havia possuído George, e a probabilidade alta de que se espalhasse, desgastava cada vez mais o senso de respeito mútuo daquelas pessoas.
David, com sua expressão gélida habitual, raciocinou rapidamente. Percebeu que precisava estudar e reconhecer o local onde estavam.
— Precisamos de um mapa.
— Um mapa?! — indagaram.
— É, um mapa da colônia — persistiu ele.
— Procurem um mapa, rápido! — disse Shaw: — Precisamos nos familiarizar com o que temos, com o local todo... Tenho que conhecer esse lugar por um mapa ou posso me perder.
— Por quê?
— Por que assim teremos mais segurança para saber por onde andar e para onde seguir sozinhos ou conduzindo pessoas contaminadas, James.
— Eu... Tenho um... — disse o Bispo, fuçando os armários num gesto de colaboração finalmente.
O velho pegou um enorme e empoeirado plástico, que tinha uma enorme planta do local. Shaw tomou de suas mãos e o estendeu sobre a mesa, arremessando o que estava sobre ela no chão sem nenhum cuidado. Não tinha tempo para recolher aquelas coisas sem quebrá-las, aquelas tralhas do Bispo. Debruçaram-se sobre mapa, enquanto o Bispo começou uma oração em um tom de murmúrio.
— Onde estamos? Digam-me, onde estamos? Preciso me situar...!
— Ao centro — fixou Yamato, apontando: — Aqui!
— E onde está o templo?
— A leste — respondeu James: — Está aqui. Estes são os dutos de ventilação que ligam todo o complexo...
— A enfermaria?
— Aqui, ao norte...!
Shaw ponderou. Seus lábios, tão generosos, torceram: entre o caminho do templo e o da enfermaria, a nordeste, havia uma projeção, na qual se encontrava o lixão, que tinha abertura para fora da colônia. Os banheiros maiores estavam próximos da enfermaria, mas havia banheiros na maior parte da colônia. Do lado oposto do complexo, a outra saída, a baía de carga e descarga, ao oeste. Ao noroeste, o refeitório com as cozinhas. Ao sul, o cemitério. Ao sudoeste, a estufa.
Observando o mapa com agilidade, David memorizava pontos, imediações, situando-se dentro da colônia. Nada ficava de fora daquele olhar gigante deitado sobre o mapa.
— Em caso de uma epidemia, temos que ir para o setor de cargas. Temos trajes por lá? Trajes suficientes para nós?
— Sim, mas... Por onde vamos? — perguntou James, cruzando os braços.
— Pelo refeitório e cozinha. Se não conseguirmos, podemos ir por outro lugar?
— A estufa. Está abandonada, mas podemos passar por lá. E de lá saímos daqui.
— Certo. Refeitório, cozinha, área de carga — Shaw deslizou as mãos sobre o mapa, com os dedos indicando os pontos referidos: — Nosso plano é simples, mas precisamos de um plano B por aqui: Cozinha, refeitório, estufa, área de cargas. Uma vez que sairmos, teremos apenas as horas do traje para esperar um resgate. Poderemos voltar para a área de cargas e reabastecer usando os outros trajes. Eles podem se comunicar com naves em órbitas?
— Não, estes sistemas não funcionam mais.
O Bispo interrompeu suas orações.
— O demônio está aqui dentro — dizia, em direção à Shaw, fazendo com que ela perdesse a linha de raciocínio.
Arthur era uma figura que transpirava, além de suor em demasia, neurose. Forçava as mãos uma na outra, tremia: — Ele atacou as pessoas da colônia. Ele está matando os que aqui estão.
— Eu desafio que me prove onde está esse demônio, senhor — desafiava ela.
— Mulher, estes homens tinham uma vida tranquila, de paz, de harmonia, de busca pelo seu eu interior. EU tinha uma vida tranquila! — Arthur deu ênfase a cada palavra, com um gesto egoísta que apontava para si: — E o que aconteceu desde o momento em que você pisou os pés na colônia?
— Acalme-se, homem! — pediu James. Num gesto típico de nervoso, passou uma das mãos sobre a cabeça brilhante. — Com certeza isso não tem nada a ver com demônio! Eu sou o médico daqui, sei o que estou dizendo. Estamos no centro de uma emergência médica.
— Eu não me importo que o senhor pense que eu trouxe ou não o demônio para cá, mas seja qual for a sua visão... Eu estou aqui para ajudar a entender e arranjar a droga de uma solução para isso!
Arthur deu um passo atrás. Shaw prosseguiu.
— De quantas maneiras eu vou ter que repetir isso para que o senhor entenda? Se não vai nos ajudar, por favor, não nos atrapalhe com todas as suas baboseiras religiosas!
— Droga, mulher, estamos mesmo falando de contaminação por uma doença? — reclamou ele. Como sempre, mergulhado em suor. Não ajudava nada o fato de Arthur estar à beira de um colapso nervoso. — Como você explica aquela coisa em que George se transformou...? Diga-me, então, o que era aquilo, se não a própria besta?! Era um monstro... Uma aberração! Explique, mulher, o que era aquilo então? Nós vimos!      
— Eu não vou explicar nada. Sua ignorância me cansa.
Shaw estava muito resolvida e não voltaria atrás: — E, por favor, isso não tem nada a ver com “demônios”. É uma criatura alienígena. Eu não tenho muitos conhecimentos sobre ela, mas um homem teve seu corpo totalmente deformado por causa dessa coisa e acabou de morrer.
— Se não é esta a materialização do demônio, eu nem sei mais o que pensar...! — protestou, censurando-a. — Há seres, criaturas sobrenaturais, que estão além da compreensão humana. Estas criaturas são capazes de atravessar o mundo em que vivem, o plano em que estão, para o nosso. E, para isso, elas se apoderam de corpos mais frágeis, como o de George... Causam-lhes dores e sofrimentos... Doenças... Misérias e moléstias incuráveis... E o que vocês cientistas sempre tentaram fazer? Enganar-nos, nos causar dúvidas, nos questionar!
Os outros nada falavam, mas demonstravam, em suas expressões de insatisfação, o quão desconfortante era estar ali. Ou o cérebro de Arthur não funcionava direito, ou todos estavam em estado de loucura.
— Está vendo, James? Estão vendo? Vocês ouviram isso...? A tentação. A ignorância. Ela nos julga burros e ignorantes, porque somos homens voltados para Deus e a religião não é aceita pela ciência vaga dela.
— Podemos discutir isso outra hora.
O bispo ignorou o apelo de Yamato.
— A ciência só serve para nos dar uma ideia de quão extensa é a nossa ignorância . Cientistas não possuem Deus no coração, eu sei como eles são... Cientistas são ateus! E assim, com o ateísmo dessa mulher, começa a possessão demoníaca, atraem-se coisas ruins, porque seus corpos estão preenchidos apenas com vácuo. A ausência de fé é o que faz com que os corpos sejam possuídos pelo demônio. E assim, meu caro, se inicia a nossa ruína.
— Eu tinha Deus no coração... Até o momento que ele me fez parar aqui, neste lugar.
Shaw bufou de impaciência. Estava enraivecida, mas arriscava ainda não demonstrar.
— A ciência não é uma ilusão, mas seria uma ilusão acreditar que poderemos encontrar noutro lugar o que ela não pode nos dar.
James perdeu a paciência.
O Bispo iterava, encenando expressões de pavor, o que tinha presenciado e o que tinha acontecido na enfermaria em detalhes que beiravam o sadismo. Explicava tudo o que viu, porém sem a clareza necessária: para ele, eram ações de um demônio. Agitado, com os nervos a flor da pele, borrando-se de medo, o velho era o próprio esboço do horror. Não sabia relatar com concisão sequer o que tinha visto George se transformar: sua mente imaginava um ser bizarro que, para ele, era meio homem, meio monstro. Parecia que tinha braços alongados, como ossos em forma de foices. E suas análises sobre o que advinha dentro daquela colônia se baseavam apenas nisso.
— George se transformou em um demônio, de chifres... — inteirou —, com ossos por todos os lugares do corpo... Esta mulher trouxe o demônio para cá... Ela trouxe satanás...
— Já chega de acusações vazias, Bispo! — gritou Yamato. — Não vamos resolver nada dessa forma!
— Eu estou tentando avisar a todos, mas ninguém me dá ouvidos! Vocês se arrependerão! Deus irá nos castigar!
— O senhor fala como se estivesse no mesmo estado deplorável que George! — reclamou James.
— Mas foi o que eu vi dentro daquela enfermaria! Ele segurou em minhas mãos e eu pude sentir, vocês não compreendem?
— O senhor não viu demônio coisa nenhuma — desmentia Shaw, estressada. — Sua religião está te deixando cego!
— Agora eu sou mentiroso? — o Bispo, afoito com aquelas afirmações, ia partir para a briga física com Shaw. — Como ousa me acusar disso, sua filha de satanás? Como ousa debochar da minha crença e da minha fé? O que lhe dá o direito de fazer isso comigo?
Shaw alteou os braços, revoltada.
James entrou no meio dos dois, impedindo-os que a confusão explodisse em uma agressão.
— Parem vocês dois!
Shaw parou, pedindo espaço. Os ânimos se exaltavam.
— Bispo, o senhor fala como se ela fosse uma enviada de satanás para nos atormentar, mas não consegue ao menos cogitar a possibilidade de que ela foi mandada por Deus.
— Para quê, Yamato? Por que Deus nos mandaria uma mulher?
— Para testar a nossa fé, é claro! Para testar nossas crenças, para avaliar nosso respeito, nossa capacidade, para nos testar se somos dignos de entrarmos no paraíso. E eu poderia ficar aqui falando sem parar até que não tivesse mais uma gora de sangue dentro de meu corpo, o senhor me entende? Isso nunca passou por sua cabeça desde que Shaw pisou aqui?
— Eu sei de tudo aqui dentro, eu sou o senhor da razão e estou aqui por que Deus me escolheu. A minha palavra é a ordem — destrinchou, com sua arrogância típica: — Deus não manda mulher para colônias religiosas, Deus me mandou um sinal quando eu estava naquela exploração de gás e todos foram queimados menos eu. Isto é um sinal do poder de Deus. Isto é a interferência de Deus na vida de uma pessoa.
Yamato não poderia acreditar que pudesse existir tamanha ignorância na humanidade.
— Achei que depois de tanto tempo você tinha aprendido a distinguir as ações de Deus e as enganações do demônio — continuou Arthur. — Todas essas questões, todas estas interrogações são artes do demônio para nos confundir cada vez mais. Tudo o que precisamos fazer é resistir. Esta mulher tem que sair daqui o mais rápido possível, isso é um fato que não dá para ser negado!
— Que bom seria se isso acontecesse agora! Seria ótimo não ter mais que olhar para a sua cara! Ótimo! — berrou ela, em desabafo, para aquele velho insuportável.
Yamato era mais equilibrado nas conclusões.
— Concentrem-se no que estamos procurando. No que estamos pensando.
O Bispo chiou.
— George tinha passado por situações limites durante boa parte de sua vida. Levava uma vida miserável em uma mina subterrânea, extraindo minérios usando pesado maquinário e os transportando em vagões — contou o Bispo.  — Trabalhava mais do que o previsto por lei, não tinha direitos respeitados, era humilhado. Não tinha estudos. A bebida começou a atrapalhar ainda mais sua vida quando George, bêbado, invadia os postos de trabalho causando riscos não apenas a si como aos colegas. Não era sabido de seus familiares; se tinha, se estavam vivos, ninguém sabe. Não era uma pessoa que pudesse ser considerada normal, mas não era um louco a ponto de manter relações sexuais com um cadáver, por exemplo — salientou.
— E acha que o que aconteceu com ele pode ser um castigo...?
Com a pergunta de David, o Bispo se calou.
Shaw teve consciência, naquele momento, que a ameaça que enfrentavam era apenas um veículo de confissão da fragilidade humana diante de um perigo — cujo tamanho e potencial de destruição eram desconhecidos. Toda a fé dos homens, já abalada pela chegada daquela bela mulher ao local, entrava em conflito com uma ameaça que não se sabia o que era, qual o tamanho tinha, do que se tratava, o que queria. Se fosse possível, naquele momento, medir a escala de tensão dentro daquela sala, certamente ela explodiria. Todos eram fieis reproduções da irritabilidade, da aflição, do desespero. O bispo, aliás, só provava seu total despreparo para agir em uma situação emergencial como aquela, com sua papada enrugada e toda aquela gordura, caminhando de um lado para outro como se estivesse tonto.
Yamato pediu calma, rodando pela mesa como se procurasse um chão. Suas mãos ora se cruzavam na altura do abdômen, ora estavam ansiosas, sem pararem. Precisavam discutir sem agressões verbais ou físicas.
— Do que precisamos para deter essa coisa? — indagou.
Todos olharam para David. David enrugava a testa e sorriu, um sorriso de sarcasmo.
— Vocês não têm armas aqui? Não tem nada que possa ser usado como arma?
— Estamos em uma colônia de religiosos, não uma penitenciária ou um covil de assassinos. O que esperava? — interrogou o Bispo, abarrotado de estupidez.
— Lanternas, pelo menos?
— Só no setor de cargas. Não usamos lanternas. Lanternas consomem baterias e geram lixo. Usamos velas e tochas, que se desgastam e podem ser consumidas pela terra por serem feitas de materiais orgânicos.
— Droga... Estamos lutando contra uma coisa maior que nós e não temos armas para isso? — e Shaw sentenciou: — Vocês estão cheios de tecnologias ultrapassadas, sem noção alguma de tempo...
Arthur ergueu os braços. E implicou:
— Nossa noção de tempo é instintiva. Somos conscientes do passado, do presente e do futuro e isso é o suficiente.
— Não há relógios, não há cronômetros, não há nada que possamos usar para contar um tempo de ação e desenvolvimento dessa coisa nessa merda de lugar. Não temos como executar um plano de ação sem noção exata de tempo — explicou David, sério.
— Nós vamos todos morrer se ficarmos aqui.
Shaw não era uma militar treinada, mas a experiência com a Prometheus em LV 223 tinha lhe dado conhecimento de diversos fatores necessários à sobrevivência humana em um local hostil. O primeiro fator tinha ido pelos ares: não permitir que os integrantes do grupo mais próximo dela entrassem em pânico. O Bispo era a reprodução exata do medo. Suas mãos e suas pernas se abanavam como o rabo de um cão.
Avaliou rapidamente a sala central. Shaw precisava aferir, inicialmente, a situação. O que a circunstância impetrava naquele momento era precaução. Menos irritação, menos emocional, mais racional. Fator que ela dominava bem, mas que estava lhe escapando.
Refletiu. E mediu o ambiente, calculando seu tamanho mentalmente.
— Em primeiro lugar, não estamos seguros aqui... — concluiu. — Isso vai se espalhar e eu não tenho como precisar o grau e a rapidez de contaminação. E vamos ficar encurralados aqui dentro sem termos por onde sair!
— Esta sala é segura, podemos trancar as portas.
— Estamos no centro da colônia. Temos todas as chances de ficarmos encurralados se mais homens ficarem doentes e vierem para cá. Quanto tempo até os militares chegarem?
— Dias. Talvez uma semana.
Shaw ficou boquiaberta. Yamato murchou.
— Isso nos leva a tomarmos medidas drásticas — recomendou ela.
As lâmpadas piscaram. A luminosidade diminuiu, deixando o ambiente com uma claridade falha. Encontrar-se numa área desolada, longe do planeta Terra, esperando um resgate que provavelmente demoraria a chegar, dividindo um espaço com algo desconhecido disposto a matar não era uma experiência para a qual qualquer pessoa estaria plenamente preparada.
Shaw tinha conhecimento e clareza suficiente para perceber que o tempo que tinham para tomar uma decisão e agir era mais curto do que as ações do inimigo incógnito. Mas possuía uma vantagem: não estava sozinha. Isso poderia fazer toda a diferença.
— Rápido — exigiu ela.
Shaw olhou para o Bispo, de baixo para cima. Aquele corpo enorme de Arthur estava ali, diante dela, molhado de tanta transpiração. O Bispo, de tão gordo, não era capaz de entrar em um traje espacial, muito menos de se mover com todo o peso da roupa sem o auxílio da ausência da gravidade.
— Nós temos duas alternativas: desligamos a central de oxigênio de toda a colônia e usamos os trajes até religarmos. Depois, quando a nave aportar, não há outra saída... é chegarmos ao setor de cargas e ir embora daqui ou... chegarmos ao setor de cargas e irmos embora daqui. Qual será a nossa escolha?
— Por que desligar, Shaw?
— Sem isso, sem gravidade nem oxigênio, o vácuo criado aqui dentro matará todos que estejam contaminados ou ao menos, deixará todas em estado vegetativo... Se George ainda é um ser vivo, então precisa de oxigênio para sobreviver. Sem oxigênio, o corpo hospedeiro morrerá, forçando-as a incubação.
— O que você está dizendo...? Meu Deus, todos aqui vão morrer se fizermos isso! — deduziu o Bispo, atônito com a proposta dela. — Há pessoas vivas, seres humanos aqui dentro!
— Pense positivo, senhor Arthur. Sem gravidade, o senhor se sentirá leve como nunca esteve — disse David.
James esboçou um sorriso num canto da boca com a piada.
— Eu digo que não farei isso. E ordeno que os meus homens não façam, não colaborem com essa loucura.
Shaw sabia, perfeitamente, depois de trabalhar tanto tempo em grupo em sua vida, que as dificuldades de sobrevivência a uma situação grave como aquela só aumentariam proporcionalmente as discordâncias.  Precisava contornar a situação, mas sua paciência estourava.
— Infelizmente, Bispo... Eu não dou a mínima nem para você nem para ninguém aqui dentro. Por que eu deveria me importar com um grupo de homens religiosos em um planeta como este? Por que deveria me preocupar com um bando de religiosos tarados, que não são capazes de conviver pacificamente com uma mulher, sem pensar em estuprá-la? Qual a função da religião neste lugar: não era livrar estes homens do mal?
— Antes de sermos religiosos, somos homens.
— E antes de eu ser mulher, sou um ser humano.
— Espere um pouco... Eu discordo da posição do Bispo, mas... Preste bem atenção no que você está dizendo, Shaw, não somos assassinos! Não podemos simplesmente sair e deixar essas pessoas a própria sorte. O que eles estão fazendo agora... Orando por uma salvação que não virá?
Shaw se virou para ele e cruzou os braços.
— Ou pensando em meios de me atacarem e me queimarem. Eu não sei. Tudo o que eu sei é que não existe alternativa, James. Não estamos enfrentando apenas um inimigo, mas uma infestação deles, uma contaminação. Podemos ter apenas George. Podemos ter todos os colonos, incluindo você. Você é médico e sabe o que deve ser feito em um momento como esse!
James pensou.
— Para começo de conversa, temos que isolar o restante dos colonos...
—... E colocá-los aonde? — observou ela.
— Está bem, Shaw, eu estou tentando ajudar, eu não estou sendo egoísta a ponto de só pensar em mim! Eu não me tornei médico para isso. Temos que chegar a um consenso! — interferiu James, discrepando da atitude dela.
— E eu também! Não cometam o mesmo erro que eles cometeram naquela nave! Você sabe o que se deve fazer quando não podemos isolar um grupo, você sabe!
— Evacuação...
— Exatamente...! Então porque insiste nessa tecla de salvar as pessoas, James?
— Estou certo que não temos como evacuar todas estas pessoas. Mas... Podemos ficar e lutar enquanto esperamos por socorro!
— Sem armas? Vamos lutar com o quê? Garfos e facas? — perguntou ela, virando seu corpo para a figura gorda e asquerosa do Bispo agora. — Estamos completamente despreparados para enfrentar isso. Imagine se todos começarem a passar pelo que George passou, de uma só vez... E apresentarem aqueles sintomas de violência e confusão mental. O que será de nós? David...
— Ou tentamos nos salvar ou todos nós morreremos.
Ela voltou, inclinou a cabeça, como se quisesse prestar mais atenção no que James ia dizer: — O que você acha que essa coisa fará conosco? Vai pra o templo orar com vocês?
— Você conhece, você sabe do que se trata e do que é capaz! — insistiu James. — Deve haver uma maneira. Vamos tentar o isolamento por enquanto...!
Enquanto falava, a luz diminuía, branca, ficando amarela, depois alaranjada, finalmente, avermelhada. Piscaram.
— O sacrifício de todos para nos salvar — interpretou Yamato. O oriental deu um suspiro, decepcionado com o que teria que fazer para se salvar: abandonar o restante dos moradores à própria sorte. — Deus, a que ponto nós chegamos... Nós não podemos decidir pelos outros. Há pessoas que merecem e precisam ter esta opção. Não podemos decidir por eles, Shaw.
— Eu sinto em dizer que seu Deus está preocupado com os assuntos terrenos, Yamato. Estamos no meio do nada e só temos a nós mesmos. É pegar ou largar.
— Se ponha no lugar delas.
— Sim, eu estou me colocando no lugar delas — ela reconheceu, irritando-se e gesticulando desesperadamente —, mas estou me colocando no meu também. Ou ficaremos aqui aguardando o próximo caso da doença e todos nós morreremos.
— Não, Shaw. Não podemos deixar essas pessoas aqui, abandonadas, e simplesmente sair, sem ao menos tentar, sem ao menos esperar até que o resgate venha e que tudo seja feito como deve ser. E eu preciso de você para isso. Mais do que nunca, eu preciso de você.
  Shaw parou. Rodou, de um lado para o outro, com as mãos na cabeça. Passou os cabelos por detrás das orelhas. Queria ir embora dali, mas algo dentro dela, que ela não conhecia nem saberia dizer o que era, falava mais alto. Os homens mostravam sua verdadeira cara. Shaw não queria ficar e defendê-los, já que eles foram hostis com ela desde o momento em que caiu ali — poucas as exceções estavam ali naquela sala.  Ela queria sair da colônia e deixá-los lá abandonados à própria sorte.
James insistiu que precisavam separar os homens que tiveram contato com George para uma análise clínica. Shaw insistia que não dava certo e traçava um plano de fuga:
— A falta de oxigênio provocaria perda de consciência depois de um ou dois minutos, seguida finalmente pela morte por asfixia. Cortamos o oxigênio. Somos os únicos que não tivemos contato com o líquido negro.
Ninguém respondeu. A despeito de sua ignorância religiosa, Shaw chamava uma responsabilidade para si, a qual nenhum dos homens demonstrava ter poder para assumir: a carga de procurar um meio de sobreviver. Entendia que, forçadamente ou voluntariamente, alguém teria que assumir este posto. Mas não se dispunha a convencer ninguém ou se expor por ninguém. Shaw atacava com o que tinha em mãos. Alguns homens, um mapa e vontade de sair dali.
— Sem os trajes espaciais, elas não conseguirão sair daqui, então podemos aguardar até esperar um próximo contágio ou tomamos uma atitude antes disso. Eu fico com a segunda opção.
— Eles me acolheram e me deram um lar e uma religião para adorar — salientava Yamato, com os olhos cheios de lágrimas. — Não há veículos emergenciais, não há roupas espaciais suficientes para todo mundo. E agora quer que os condenemos a morte.
— Por que não tem veículos emergenciais aqui, Bispo?
— Bem... O que queria que tivesse: jipes para os presos passearem no deserto? Não há nada que possa fazer sairmos daqui, além daqueles velhos trajes e um guindaste. O que você sabe sobre Iosis, David...?
— Iosis. Solitário planeta ao redor de uma estrela, o nome Iosis deriva de um dos quatro estágios de processo alquímico e significa enrubescimento. Foi nomeado desta forma devido a sua coloração vista do espaço — entre marrom e vermelho, — e na sua superfície — com aspecto dourado no final da tarde. Com uma inclinação orbital de 7 graus, o planeta é coberto de rocha e deserto, sem vegetação, fauna ou áreas cobertas por água. Sua coloração é avermelhada, barrenta, suas nuvens são feitas de areia amarelo-ouro, o que dá uma bela aparência alaranjada e arenosa para o planeta ao ser visto do espaço. Iosis é uma terra estéril, um verdadeiro grand canyon planetário. Um mundo semelhante ao solo da lua terrena: montes ondulados de poeira erodidos pela constante ação da natureza. Existem escarpas com vários quilômetros de altura e centenas de quilômetros de extensão. Está cheio de crateras, e contém bacias que variam em tamanho, desde os 100 metros até 1.300 quilômetros — cheio de grandes penhascos que se formaram quando o planeta se arrefeceu e sofreu uma compressão de alguns quilômetros.
O Bispo se manteve impassível. Shaw não conseguia piscar os olhos, encarando a figura pálida de cabelos dourados de David, com aquela bandagem no pescoço, quase que o impedindo de falar corretamente com sua voz mecanizada.
— A maior parte da superfície está coberta de planícies. Estas planícies foram formadas quando as correntes de lava cobriram os terrenos mais antigos. As planícies suaves são recentes, com poucas crateras. Além de colisões de meteoritos, a superfície permanecia assim fazia milhões de anos. E agora, o mais importante.
Todos se viraram para ele.
— Iosis possuía uma prisão espacial destinada a prisioneiros de todos os cantos do universo, mas foi desativada em nome de cortes de custos de governos e de empresas que forneciam manutenção, incluindo a Weyland Corporation. Os prisioneiros foram transferidos para outro planeta, Fiorina Fury, e no lugar da prisão foi fundada uma espécie de retiro espiritual de caráter universal, controlado por integrantes de uma seita religiosa que visam se desprender dos bens materiais e elevarem seus espíritos com orações e conceitos — para assim, alcançarem a paz e interior e chegar mais perto de Deus. A entrada de mulheres, crianças e animais não é permitida.
O Bispo demonstrou incômodo. David revelara mais do que Arthur pensava que ele soubesse.
— Como sabe disso, David? — questionou Shaw.
— Por que no início da construção prisional, foi cogitada a possibilidade de terra-formação do planeta pela Weyland Corporation. A terraformação é um processo de transformação da atmosfera para que esta tenha condições de abrigar vida animal e vegetal, como no planeta Terra, através de complexas e caras estações de processamento de gás.
— Metamorfose. Que irônico — resmungou Shaw.
— O processo demonstrou sucesso em outros planetas, mas foi abandonado e o consórcio de empresas desfeito. Estudos preliminares geológicos mostraram que Iosis não era potencialmente econômico para exploração.
Shaw se virou para James.
— Weyland desistiu de Iosis.
Eles a encararam como se quisessem esquartejá-la. Suas expressões denotavam grande reprovação. Shaw não desviou o olhar de ninguém:
— Shaw, por favor... Weyland desistiu... Mas você não pode desistir.
— Eu vou tentar por sua causa, James. Mas se não der certo, se algum destes homens passar pelo que George passou antes de morrer, estou determinada a escapar, com vida, daqui. Se alguém quiser, que fique na minha frente e tente me impedir.
O velho não se mexeu. Recuou, cabisbaixo, a um canto da sala e começou a orar novamente.
— É possível abrir as comportas de saída daqui da sala central?
James não soube responder.
— Senhor!
O Bispo parou mais uma vez sua oração. Suspirou.
— Sim, mas só as do lixão. Temos todo o controle operacional daquela área apenas porque o processo é todo automatizado. As de carga precisam ser abertas manualmente porque estão com defeito — explicou o velho.
— Isso é ótimo. Yamato, abra as comportas do lixão e acione as prensas. Feche os dutos de conexão para lá.
— Mas isso matará quem para lá for sem o traje espacial. A pressão e a atmosfera do planeta acabarão com o setor! — contestou o asiático, sem entender.
— Eu sei. Só estou traçando a minha rota de fuga. Porque essa ideia de separar pessoas que não sabemos se estão doentes das outras, que não sabemos se estão saudáveis, não vai dar certo.
Shaw deu as costas, no seu assombro de pessimismo. Ela amarrou os cabelos, e a imagem que tiveram não era mais a de uma mulher fragilizada, uma vez atacada por molestadores da colônia durante uma cerimonia religiosa. Não havia vaidade. Shaw, desarrumada, vestida num traje masculinizado, era o espectro de uma mulher que se rebaixava a condição degradante daqueles homens, alienados, de passados nebulosos e trágicos.
Do lado de fora, os colonos inquietavam-se, todos enlouquecidos, querendo respostas e exigindo a presença do Bispo para explicações.   
— Vá lá fora e acalme as pessoas. Ordene que elas voltem para os seus alojamentos — pediu James. — Vá com ele, Yamato. Rápido!
— Eu não vou sair. Não até ter uma explicação razoável sobre isso.
— Está bem, eu vou tentar, James! — ele bufou, furioso. — Mas não sei se dará certo!
— Tem que dar, o senhor é autoridade aqui dentro e eles têm que lhe respeitar!
O Bispo saiu. 

domingo, 28 de abril de 2013

Os escolhidos - 2013




Título Original: Dark Skies
Ano de lançamento: 2013
Direção: Scott Charles Stewart
Roteiro: Scott Charles Stewart
Elenco: Keri Russell, Josh Hamilton
Sinopse: 'Os Escolhidos' acompanha um garoto de seis anos de idade que é marcado por um extraterrestre - escondido entre os seres humanos - para uma futura abdução.


Por Jason

A primeira parte de Os escolhidos é sólida. O tema é abordado de maneira interessante e séria: o foco é muito menos no suspense e no horror e mais no drama, o que deixa o filme com mais corpo. A família da trama está se desestruturando: o patriarca está desempregado, a vida sexual do casal está arruinada e o filho menor, Sam, apresenta problemas, sinais de alterações ou distúrbios mentais. O filho mais velho está com a vida começando a fugir dos eixos, atormentado pelo fato de que a vizinhança tem olhos tortos para a sua família desajustada. 

Essa parte do filme em que desenvolve os personagens é consistente. A presença de J K Simmons orienta o espectador e explana sobre o mote central do filme mais adiante, embora sua presença seja reduzida e mal elaborada. Há um conflito de negação, ceticismo e crença correndo pelo filme, que tem dois momentos pelo menos perturbadores: o ataque de aves desorientadas a casa da família e um momento de horror protagonizado pelo filho mais novo da família e o seu pai.  As crianças entregam boas performances e a direção, de Scott Charles Stewart, é segura (um alívio, vindo de um diretor dos fracos Legião e O Padre). Os efeitos especiais são poucos, mas bem utilizados.

Mas não dá para ignorar o fato de que o filme parece um capítulo de Arquivo X, com um viés mais dramático nessa primeira metade - há ainda heranças dos produtores de Atividade Paranormal, que assinam o filme. Isso porque em determinado momento, para descobrir o que está acontecendo na casa, o patriarca instala câmeras de vídeo (uma desculpa para tentar fazer suspense). Essa artimanha do roteiro, embora viável dentro da trama, não traz nada de inovador. 

Falta também à personagem principal um desempenho emocional no mínimo satisfatório - e aqui o problema é Keri Russell, que não convence como mãe de dois filhos atormentada por coisas estranhas acontecendo com eles dentro de sua casa. Isso vale também para Josh Hamilton, sem carisma para segurar o filme, uma vez que seu personagem, reparem, é mais complexo do que o dela, já que ele guarda sinais corporais dos invasores e parece estar surtando com a sua situação pessoal e com o que acontece na casa. Ambos carecem de estofo dramático. 

Difícil suportar também os problemas de roteiro. Porque a família tranca a casa, se os invasores eram capazes de invadi-la mesmo com as portas trancadas?! E como ficam os vizinhos, que pouco ou nada interferem na vida do casal? A casa é alvejada por pássaros, o que desloca uma agente para investigar o caso - mas o resultado do acontecimento se resume a um rápido telefonema. J. K Simons, como já citado, embora seu personagem acrescente uma explicação para os fenômenos, entra e sai rapidamente, um total desperdícioA última parte do filme é prejudicada também pelo roteiro, com um desfecho ordinário que invade um lado sobrenatural deslocado com o filho mais velho do casal, antes do último ato. E o que ainda é pior, o filme parece deixar uma brecha, como uma continuação, uma situação que soa completamente deslocada do que foi visto anteriormente. 

Cotação: 2/5

A primeira metade é sóbria e consistente e a abordagem do tema é séria e interessante. A segunda faz o filme descer ladeira abaixo.




Trailer

sábado, 27 de abril de 2013

O legado Bourne - 2012



Título Original: The Bourne Legacy
Ano de lançamento: 2012
Direção: Tony Gilroy
Roteiro: Dan Gilroy, Tony Gilroy
Elenco: Jeremy Renner, Edward Norton, Rachel Weisz, Albert Finney
Sinopse: O novo filme da série conta a história do agente Aaron Cross (Jeremy Renner), que se encontra sozinho em um lugar remoto e gelado desempenhando uma série de atividades desgastantes enquanto se medica e recolhe amostras do próprio sangue por um motivo desconhecido. Cross é, assim como Jason Bourne, resultado de um experimento médico para criar indivíduos superiores do ponto de vista físico e mental, fazendo parte de um programa secreto chamado Outcome – e que, correndo o risco de ser exposto agora que Jason está à solta, é encerrado pelo frio coronel Eric Byer (Edward Norton), que ordena a morte de todas as “cobaias”. Perseguido e dependente dos medicamentos para não retornar à condição de mero humano, o herói acaba se aliando à médica Martha Shearing (Rachel Weisz), também transformada em arquivo vivo pela decisão de Byer.



Por Tia Rá

Vô contar o filme pra quem nunca assistiu, adoro contar filme e entregar a pohatoda RISOS

Tô véia dimais pra iço, povo...
num guento... 
"A ladainha Bourne" começa com Jemmy Rena, fazenu A selvagem do Alasca meets A garota da capa vermelha. Pra dar o contraste na cena com tudo branco, tem de jogar vermelho, entende gente? Fugitiva, Rena vai parar na Brockeback Mountain, onde encontra outra ninja como ela perdida na neve, na rua, na fazenda, numa casinha de sapê. Rena tá toda drogada, viciada em dorgas, manolada, toma Viagra e outras pílulas - mas sabe lá Deus porque num ataca o estômagu, porque tanto remédio assim, sei não... Tem que tomar muito omeprazol viu...

Daí que os dois tem uma noite de amor, sexo e violência - ok, parei - a Rachel Weisz apareceu e tomou DORIL! Eu num entendi o que ela tarra fazenu no filme, só depois de QUARENTA MINUTOS DE DURAÇÃO, quando o filme já virou meio Carmem San Diego feat Gloria Perez, fazenu turismo por tudo quanto é canto do mundo com aquela sensação de que saiu do nada e não vai chegar a poha de lugar nium. Os agente drogado começa a morrer por causa do Viagra, Rena começa a ser cassçada por uns avião, porque a coitada tem até sinalizador embutido (é completa, modelo vem com GPS SOFRRIIIIIII). Edward Norton Free Anti Virus fica passeanus pra lá e pra cá, mas a gente num sabe muito qual é a funssaum dele naum, entende gente? Ele quer matar o Rena. É isso. Feen.

#xatiada
Daí, Rachel VOLTA pra atuar porque ela é muito deewa, mas tipo, não ajuda muito né? Ela escapa de um cara que surtou no laboratório e mata todo mundo, mas depois vão caçar ela aí POW entra Rena em ação feito I wanna be James boonda e salva ela. Começa então finalmentchy o corre corre do filme. Tudo vira umas coisas de Viagra, vírus, contaminação, ROINC. Melhor momento: além de James Boonda, Rena faz a McGyver falsificadora de documentos para curar o vicio das dorgas  nas Filipinas (XOKADA COM A FALTA DE SEGURANÇA DE LÁ! kkkkkkkkkkkkkkkk). Mas aí o filme vira meio que Soldado Universal, fizeram um outro soldado MADE IN CHINA sem garantia de fábrica e mandam ele lá pra matar a Rena, que é especialista em Pacu, escalada, kung fu, karatê, judô e todas arte macial além de ser um piloto de fuga capaz de malabarismo como duplos twists carpados numa motocicleta de cross com uma pessoa na garupa. Daiane dos Santos, nossa eterna moosa pigmeu, fazenu escola! TEM COMO NAO AMAR ESSA PODREIRA? #altasconfusões #sessaodatarde

Eu gosto do Jemy Rena, sabe gente... Ele acredita que é uma estrela de ação, que brilha, que é tipo Daniel Craig, mas óh... tipo o Daniel, é feio de cara e boa de boonda. Com o dinheiro que ele vem acumulanu nos flops podia fazer umas plásticas, consertar aquele nariz de pobre que ele tem... fazer uns peelins, uns tratamentus de peles, porque a pele dele é de pobre, parece pobre que teve catapora, num fica bem em Blu Ray, povo... num tem make que arrume aquilo, meu pai! O Norton Anti Virus, gente... homem envelheceu 70 anos em cinco. Cabelo ordinário, muitas rugas. Botox, gaton, toma umas bombas, volte a ser American X, o HULK porque neam... tá tenso o negoço!

Num sô flop naum, tchia!
Mas, pra feXar, com Xave de ouro, o filme demora pra passar que é um porre. Tem duas horas, mas parece que tem oito, é uma consumição dos diabos, dói que nem parto. Mas tudo poderia ser resumido em um só momento: comolidar com a inutilidade do soldado Made in china? Cara foi lá, perseguição na moto, toma um chute, cai, morre, feen. OIIIIII? Naum so obrigada né...

Cotação: 1/5

Axei James Boonda paraguaio, axei Bourne de segunda linha, axei xenérico. Mas adorei as paisagens, sabe? Vou pras Filipinas zenzualizar. Besos. 
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