quinta-feira, 18 de abril de 2013

Alucinações do passado - 1990



Título Original: Jacob's Ladder
Ano de lançamento: 1990
Direção: Adrian Lyne
Roteiro: Bruce Joel Rubin
Elenco: Tim Robbins, Elizabeth Pena, Danny Aiello, Jason Alexander, Ving Rhames

Sinopse: Jacob (Tim Robbins) é um veterano da Guerra do Vietnam, em quem o conflito deixou marcas profundas. Diariamente, Jacob vê seres estranhos que o ameaçam de morte. Podendo contar apenas com o apoio e a ajuda de sua namorada Jezebel (Elizabeth Peña) e do seu melhor amigo, Louis (Danny Aiello), Jacob tenta descobrir a verdadeira causa dos seus delírios.


Por Jason

Adrian Lyne, o cineasta obcecado por temáticas sexuais - são dele os filmes 9 1/2 semanas de amor, Atração Fatal, a refilmagem de Lolita, Proposta Indecente, e Infidelidade - aqui realiza aqui um interessante, intricado e  perturbador filme com um final no mínimo surpreendente. 

É difícil falar da produção, aliás, sem entregar um pouco da trama e defini-lo dentro de um gênero específico. Alucinações do passado começa como um filme de guerra. O grupo militar de Jacob Singer está no Vietnã quando eles são atacados e Jacob é ferido. Cortamos para Jacob e ele está em um metrô, acordando. Tudo parece não ter passado de um pesadelo. A partir daí, no entanto, o roteiro propositadamente confuso do filme vai criar três realidades para o espectador - e cabe a ele prestar o máximo de atenção nos personagens e nos diálogos travados por eles para entender o que se passa com Jacob antes do final revelador.

Na primeira esfera, Jacob ainda está no Vietnã, enquanto é encontrado ferido e é socorrido por uma equipe. Na segunda, a principal do filme, Jacob está vivendo com uma mulher, Jezebel, depois de perder seu filho - e se separar da mãe do menino -, em um acidente presenciado por ele. Jacob é um homem ressentido pela morte do menino e as memórias de guerra parecem ter deixado sua mente paranoica e esquizofrênica. Ele acredita estar sendo perseguido, começa a ter visões e alucinações, acreditando ter demônios em seu encalço. Perturbado mentalmente, só encontra a paz nas mãos de seu médico, que trata as dores que os ferimentos de guerra lhe proporcionaram. Acredita que o exército esconda algo, deixando o filme com ares de thriller conspiratório, uma vez que descobre que outros soldados estão desaparecendo e que o exército parece ter feito o pelotão de Jacob como uma cobaia para experimentos envolvendo um gás alucinógeno.

Na terceira - e também a mais complexa - Jacob começa a avançar em um terreno mais perigoso, como ter sonhos e pesadelos de quando ainda tinha o seu filho e era casado com a mãe deste (e o filme envereda pelo drama). Nessa parte do roteiro também, Jacob - e o espectador - já começam a tratar as outras realidades como pesadelos (e o filme ganha ares de horror psicológico). À medida que o filme avança, contudo, o roteiro começa a embaralhar todas as cartas do jogo. 

Fica inevitável para o espectador supor se Jacob seria um doente mental (ele começa a ver coisas que os outros não veem), se ele está em um tipo de purgatório pagando seus pecados (ele trata o médico como um anjo, já que alivia suas dores, e o diretor propositadamente enquadra o ator Danny Aiello com uma luz sobre sua cabeça), ou se ele na verdade está avançando no tempo de forma que é impossível saber o que é passado, presente e futuro (o passado seria o de seu filho falecido e a guerra no Vietnã e o presente de esquizofrenia). Não dá para falar mais. O final, com uma única imagem, é explicativo e resume tudo o que se passou de maneira surpreendente e eficaz. 

Tecnicamente, não há nada que desabone o filme: ele ainda é excelente, em ritmo, fotografia, cenários e tudo o mais. Lyne embute aqui seu tema preferido - o sexo - pontuando-o em diversas cenas (na da festa em que Jacob encontra a cigana e imagina a própria mulher transando com um demônio, na nudez de Jezebel e Jacob, na conversa que ele tem com a ex mulher, etc) mas de maneira branda. O roteiro, por ser complexo, pode afastar os espectadores que desejam filmes fáceis e de fácil assimilação. O que pesa contra o filme ao final das contas é o seu elenco, que nem sempre convence. Tim Robbins, como Jacob, se esforça, mas o restante do elenco aparece no automático e falta gente de maior potencial dramático - porque Elisabeth Pena, que mais aparece no filme ao lado de Robbins, é fraca de doer. 

Preste atenção: no jovem Macaulay Culkin antes de se tornar uma estrela infantil.

Cotação: 4/5

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. Muito bom..o lance do purgátório e as visões alucinações mais confundem que explicam..achei um filme diferente na carreira de Lyne.

    ResponderExcluir

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...