quinta-feira, 4 de abril de 2013

Maurice - 1987




Título Original: Maurice
Ano de lançamento: 1987
Direção: James Ivory
Roteiro: E.M. Forster, Kit Hesketh-Harvey
Elenco: Hugh Grant, Rupert Graves, Ben Kingsley, James Wilby 
Sinopse: A dificuldade em assumir a homossexualidade é vivida por um jovem executivo inglês, no início do século 20.



Por Jason

O sensível "Maurice" conta a história de um jovem estudante de Cambridge, na Inglaterra do começo do século XIX, que acaba se apaixonando por um colega, Clive. Maurice tenta viver este amor de toda forma possível, apaixonado como ele está, enquanto Clive espera dos dois apenas uma amizade colorida, sem admitir completamente o seu amor pelo amigo nem o rejeitá-lo completamente. A situação foge do controle dos dois quando ambos passam a ficar juntos por muito tempo e Maurice é expulso pelo reitor por ficar muito tempo abandonando as aulas.

Naquela época, ser homossexual não era apenas difícil, mas um crime, em que os gays eram presos e condenados, fato que ocorre com um amigo próximo dos dois, o que só complica a relação de Maurice e Clive - que decide terminar o relacionamento sentindo que pode ter o mesmo destino se for descoberto. Para manter seu status e agradar a sociedade, Clive acaba casando com uma mulher, o que deixa Maurice abalado e busca ajuda psiquiátrica para acabar com sua homossexualidade e se curar. Maurice vai acabar se envolvendo com outro homem, Alec, do qual não esperava nada - e descobre nesse rapaz um homem capaz de retribuir o amor que Clive não retribuiu. 

James Ivory, de "Howard Ends", dirige o filme com sua sensibilidade, sem uma gota de apelação. O filme é adaptado de uma obra literária, Maurice, de E. M. Forster, e é eficiente no sentido de transmitir toda a atmosfera da época sem ser meloso demais ou áspero. A relação de Maurice e Clive é sublime, de entendimento intelectual e de admiração mútua, mas a direção e o roteiro não deixam de salientar que falta algo entre os dois, como se existisse um impasse ou problema impossível de se resolver. Clive sempre reage de alguma forma negativa à dedicação do companheiro. Recusa um beijo, tenta se afastar, recrimina sua ajuda quando está doente, mas sente medo de perdê-lo - e não quer ficar com ele para não prejudicar a sua vida e sua carreira. Clive decide omitir sua condição sexual para  manter o seu status - fingindo que estava apenas em um momento de descoberta sexual com Maurice e este era apenas uma brincadeira ou passatempo. Maurice fica emocionalmente arrasado com essa mudança de atitude de Clive.

Do mesmo modo, o romance entre Maurice e seu novo parceiro, Alec, soa paradigmático, ousado e provocativo, uma vez que Maurice tem boa condição financeira e o outro não - mas Maurice se envolve com este jardineiro e encontra nele um amor e dedicação em troca que não havia encontrado em Clive. Ambos decidem arriscar um relacionamento, para desespero de Clive, que não poupa Maurice de uma cena de ciúmes ao saber da felicidade dos dois. Além de romper assim, com os costumes sexuais de época, Maurice se encontra, rompe com o social, condição aplicada apenas para romances de época heterossexuais, ao unir duas pessoas de classes distintas - e do mesmo sexo - em nome do amor.

O filme é tecnicamente impecável, tanto na reconstituição de época, com cenários deslumbrantes e meticulosamente recriados, quanto na belíssima fotografia e nos figurinos. Tem participações de Ben Kingsley (com cabelos!), como um doutor que o aconselha a deixar a Inglaterra para viver onde a homossexualidade não é mais um crime, e Helena Bohan Carter em uma pequena aparição. A direção é segura e precisa: ela consegue arrancar boas atuações, até mesmo de Hugh Grant, que nunca foi um exemplo na área. Não há nenhuma cena pesada de sexo ou algo parecido, é um filme leve, bem elaborado, bem feito, com um final feliz. 

O que pesa contra o filme é o ritmo: Maurice, apesar da temática atual, não deixa de ser um romance de época, demorado, complexo e com diálogos bem trabalhados, com tramas bem resolvidas (não existe subtramas paralelas, o foco é o personagem central e a forma como lida com sua sexualidade), o que pode afastar a maioria dos espectadores ávidos por maior ação e fortes emoções.

Cotação: 4/5

Bonito, original, sensível sem ser brega, com um tema atual, bem dirigido e requintado. Os apreciadores de filmes e romances de época aproveitarão melhor.

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