sábado, 6 de abril de 2013

O exterminador do futuro 2 - O julgamento final (1991)




Título Original: Terminator 2: Judgement Day
Ano de lançamento: 1991
Direção: James Cameron
Roteiro: James Cameron, William Wisher Jr.
Elenco: Arnold Schwarzenegger, Linda Hamilton, Robert Patrick, Edward Furlong
Sinopse: Uma criança destinada a ser líder (Edward Furlong) já nasceu, mas é infeliz por viver com pais adotivos, pois foi privado da companhia da mãe (Linda Hamilton), que foi considerada louca quando falou de um exterminador vindo do futuro. 
Neste contexto, um andróide (Arnold Schwarzenegger) vem do futuro, mais exatamente um modelo T-800 igual ao filme original, para proteger o garoto, mas existe um problema: o mais avançado androide existente no futuro, um modelo T-1000 (Robert Patrick), que é feito de "metal líquido", não pode ter nenhum dano permanente e pode assumir a forma que desejar, também veio para o passado com a missão de matar o menino.




Por Jason

James Cameron já tinha demonstrado entender de continuações ao criar o clássico de ação e ficção "Aliens - o resgate" e aqui conseguiu novamente acertar a mão numa continuação que superou o original em toda a sua plenitude. Na trama da continuação do sucesso de bilheteria O exterminador do futuro, de 1984, somos levados novamente a uma viagem temporal que traz para o presente o robô T-800, interpretado por Arnold Schwarzenegger, para salvar John Connor, agora um adolescente, cuja mãe Sarah Connor se encontra presa em um hospital psiquiátrico. John será, no futuro, o líder da rebelião dos humanos contra as máquinas, que enviam para o passado o sofisticado T-1000, um androide nanotecnológico, para matar o líder e assim mudar os rumos do futuro.

De Arnold Schwarzenegger não se pode esperar nenhuma atuação redentora, mas Arnold, com seu carisma, criou um ícone do cinema, o robô brucutu de poucas palavras e expressões que no primeiro filme foi enviado para matar Sarah Connor e agora é reprogramado e enviado ao nosso presente para salvar o seu filho. O destaque do filme fica por conta, no entanto, da personagem Sarah Connor. Linda Hamilton, com corpo definido e beirando a insanidade, faz uma Sarah completamente diferente da Sarah do primeiro filme. Da sensível e desastrada personagem do primeiro filme para a que temos aqui há um abismo absurdo que Linda consegue transformar em algo incrivelmente tátil e crível. Sarah sabe no que acredita e luta por isso, é tratada como louca e humilhada como pessoa, mas antes de tudo é mãe e precisa proteger o seu filho, estando disposta a qualquer coisa por isso. 

Nota-se no roteiro de Cameron um arco interessante, que diz respeito aos motivos que levam Sarah a proteger seu filho: inicialmente é o fato do menino ser importante na luta contra as máquinas (ela se exalta ao ser salva por ele, salientando que ele fique vivo pela humanidade). Aos poucos, à medida que o filme avança, Sarah vai ganhando motivos e preocupações relacionadas muito mais a sua maternidade e o seu amor pelo filho (quando percebe os valores familiares no momento em que vai matar um homem para evitar o dito Julgamento Final). Sem Linda explorar essa transição, o filme e a personagem perderiam seu impacto.

Completam o elenco Robert Patrick, com seu seu corpo esguio, que parece um contraponto aos músculos e o porte de Arnold, lhe dando um ar de sofisticação e de mais inteligência - ou, no caso, de modernidade, por se tratar de um robô de metal líquido. E Edward Furlong, o John Connor, o adolescente problemático que, com a mãe trancafiada em um sanatório e sem pai, se envolve em roubos e furtos e dá dor de cabeça para a família adotiva. Ironicamente, o ator viria a se envolver com drogas e muitos problemas na vida real e sua carreira não decolaria. A relação de Connor com o androide é um dos pontos altos da trama, uma vez que o garoto começa a enxergar nele uma relação paternal que nunca conheceu - e que vai formar o Connor como a série propõe mais tarde: o de líder dos seres humanos na luta contra as máquinas.

Em termos de técnica, o filme, vencedor de 4 Oscars, é soberbo e é de se admirar como muitos dos seus efeitos especiais continuam ótimos e chegam a humilhar muito material atual por aí - porque ironicamente, tudo o que foi empregado parece adiante do seu tempo. Não só a computação gráfica - o filme nasceu no limiar do uso massivo de CGI que culminaria nos efeitos especiais de Jurassic Park dois anos depois, também pelos magos da ILM - mas também no uso de maquiagem, de efeitos práticos e protéticos realizados por Stan Winston. Há um erro aqui e ali, cenas em que são possíveis ver os dublês dos atores, uma janela que se quebra e depois misteriosamente volta ao lugar, uso de robóticos, bonecos em cenas de ação, maquetes, mas nada que comprometa o sólido resultado final de uma super produção de 100 milhões de dólares, a primeira produção de Hollywood a atingir tal valor.

A trilha sonora traz o conhecido tema de Brad Fiedel, e inclui elementos eletrônicos e batidas metálicas para ajudar com sucesso a transportar o espectador ao clima do filme. A montagem do filme, indicada ao Oscar, é excelente. Num delírio de Sarah Connor, em que ela vê o pai de seu filho John Connor, Kyle, somos transportados dos corredores do hospital psiquiátrico em que está para um parque de crianças numa praça depois de abrir uma porta. A grade de um caminhão se torna suavemente o desenho de um prédio; a câmera de segurança leva à câmera do filme a outra cena e assim por diante. As sequências de ação são todas bem filmadas e eletrizantes, sem perder contudo a elegância e o entendimento - nada aqui se parece com um filme picotado de Michael Bay ou um videoclipe. Cameron nos mostra tudo como acontece, com tempo de sobra para entendermos e nos situarmos na ação - e a sequência de fuga com uma carreta que despenca de um viaduto, a perseguição final que envolvem um helicóptero, um caminhão tanque carregado com nitrogênio líquido ou o confronto final entre as duas máquinas são exemplos disso. A edição é ponto importante do filme porque torna crível as mudanças e transições do androide sofisticado T-1000, capaz de copiar as formas de outra pessoa. O mesmo vale para a fotografia, também indicada ao prêmio da academia, que alterna um tom azulado que soa ora estranho, ora futurista, e um amarelado, na sequência final da industria, muito diferente e mais bonito do que a sujeira empregada no quarto filme da série. Mas se tudo funciona bem até aqui, não dá para fazer vistas grossas aos buracos no roteiro de Cameron e 
William Wisher Jr


O T-1000, por exemplo, localiza a família adotiva e John Connor com uma consulta rápida no computador de uma viatura policial - quando no primeiro filme, por exemplo, o exterminador vai atrás de diversas pessoas com o mesmo nome que Sarah até achar a verdadeira. Os encontros e desencontros dos androides é outro fator contra, uma vez que se encontram com facilidade absurda numa cidade tão grande quanto Los Angeles: em uma cena, Connor está fugindo de um furto com seu amigo e o androide está logo ali por perto. As coincidências continuam, como quando Sarah Connor tenta matar o responsável por desenvolver a tecnologia que vai resultar nas máquinas sofisticadas do futuro e o homem escapa de um tiro certeiro porque seu filho fez um carro de controle remoto bater no seu pé - o filme também não explica como Sarah foi capaz de encontrar a casa dele nem como ele, que mora em uma mansão, não tem sequer um sistema de segurança melhor. O personagem Enrique entra na trama e sai sem um passado conhecido - Cameron não explica como essa peça, que será fundamental para a trama ao fornecer o armamento para os heróis, a conhece.

No mais, mesmo com os deslizes, o esforço de Cameron e os desafios que ele impôs para criar esta brilhante continuação e solidificar o universo da série transformaram "O exterminador do futuro 2 - O julgamento final" num sucesso estrondoso de bilheterias (foram mais de 500 milhões de dólares na época) e em um clássico inquestionável da ficção.

Cotação: 4.5/5

Da apresentação fantástica que mostra o futuro apocalíptico e a guerra contra as máquinas, ao final apoteótico, James Cameron criou um filmaço épico de ficção e ação onde tudo funciona maravilhosamente bem. "Hasta la vista, Baby".

2 comentários:

  1. Junto com Jurassik Park, esse filme marcou fundo minha infância.
    O prólogo com os créditos é simplesmente perturbador, com o crânio do Exterminador no meio do mar de fogo. A ação é perfeita, a música é antológica, enfim, não é a toa que tornou-se o clássico que é. Lembro bem que morria de medo do T1000 e que quase chorei quando o T800 se suicidou na caldeira, o que me rendeu uma pergunta filosófica típica de criança: "Pai, o que aconteceu com o robô depois que ele morre? Ele vai pro céu dos robôs?" Eu realmente perguntei isso, e até agosto de 1997 eu morria de medo que a Skynet realmente se tornasse autoconsciente e destruísse a humanidade. Boas lembranças,,,

    Uma pena que a franquia foi maculada com uma série sem graça e duas sequências porcas...

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