quarta-feira, 3 de abril de 2013

Piaf - Um hino ao amor - 2007




Título Original: La Môme / La Vie en Rose
Ano de lançamento: 2007
Direção: Olivier Dahan
Roteiro: Isabelle Sobelman, Marit Allen, Olivier Dahan, Tetsuo Nagata

Elenco: Marion Cotillard, 
Emmanuelle Seigner, 
Gérard Depardieu


Sinopse: A vida de Edith Piaf (Marion Cottilard) foi sempre uma batalha. Abandonada pela mãe, foi criada pela avó, dona de um bordel na Normandia. Dos 3 aos 7 anos de idade fica cega, recuperando-se milagrosamente. Mais tarde vive com o pai alcoólatra, a quem abandona aos 15 anos para cantar nas ruas de Paris. Em 1935 é descoberta por um dono de boate e neste mesmo ano grava seu primeiro disco. A vida sofrida é coroada com o sucesso internacional. Fama, dinheiro, amizades, mas também a constante vigilância da opinião pública.



Por Jason

Quando a bela Marion Cotillard surge completamente transformada por maquiagem e todo o seu drama logo no começo do filme, já se tem noção do impacto de sua composição para o personagem. Mas até chegar ao resultado final de seu trabalho, Piaf - um hino ao amor vai e volta no tempo, para mostrar da vida miserável da cantora apelidada de "pequeno pardal" até a sua morte. 

Piaf teve uma vida de miséria. Foi abandonada pela mãe, criada dentro de um prostíbulo pela avó, onde desenvolveu forte ligação com uma das prostitutas, Titine. Piaf ficou cega por anos, até recuperar sua visão, situação atribuída a Santa Tereza, de quem ela se tornou devota. As duas foram separadas e ela obrigada a viver com o pai alcoólatra que fazia espetáculos circenses e na rua para ganhar alguns trocados. Até que ela começou a cantar nos subúrbios e ganhar dinheiro por conta própria na companhia de uma amiga. 

Nesse período, Piaf trabalha cantando para não se prostituir até ser descoberta por um dono de cabaré que a contrata para cantar e entreter os visitantes, e ela começa a se destacar no cenário musical. A morte deste homem compromete a sua carreira, uma vez que ela é ligada aos acusados do crime. Duas costelas quebradas depois de um acidente de carro comprometeram sua saúde. Mas Piaf prosseguiu, como algo indestrutível. Maltratada até por um novo produtor musical, Raymond Asso, que começa a trabalhar sua imagem e seu talento, impaciente com sua teimosia e ignorância, mais tarde Piaf se tornará mundialmente conhecida pelo seu inestimável talento vocal e pelas canções que contam sua história e seus amores.

O grande trunfo do filme é mesmo Marion Cotillard, merecidamente ganhadora do Oscar de Melhor Atriz por este papel que a revelou para o mundo. Marion simplesmente desaparece debaixo do personagem, numa dessas interpretações que consomem tudo ao redor. Primeiro vivendo uma vida de excessos e sofrimento, depois mais velha, curvada, com aparência fragilizada, Marion é Edith Piaf, em toda a derrota e toda a glória. Sua personalidade amarga e difícil reflete toda o sofrer que a personagem carregou, nas doses de morfina para acalmar as dores de seu corpo, na bebida, na ignorância, na persistência, nos romances infelizes trágicos e fracassados, no seu choro para voltar ao palco porque não consegue cantar. Reparem na transição de Marion, de uma cantora constrangida sem desenvoltura no palco, até a alegria e emoção de "La Vie en Rose". É trabalho esplêndido de atriz de grande calibre. Mas o filme está longe de ser perfeito e de conquistar completamente o espectador.

Apesar da boa reconstituição de época e da atuação monumental de Marion, a fotografia do filme é por vezes escura e mal elaborada - parece amadora - comprometendo os belos cenários da Paris do começo do século XX. Notem que no começo de sua vida, por transmitir pobreza, é escuro o tom da fotografia, uma ideia interessante, uma vez que a fotografia é usada aqui de maneira a ser parte da trama, mas não necessariamente bem feita - principalmente em ambientes fechados (mais tarde, com o sucesso da personagem, o filme ganha tons mais luminosos, que melhora e muito a sua qualidade).

O roteiro do filme também não é linear. Ele vai e volta praticamente o tempo todo, causando uma bagunça no entendimento da trama. Ele é responsável por deixar as coisas atravessarem a tela com velocidade incômoda, de forma que passa a sensação de que Marion está brigando com ele para poder realizar o seu personagem e segurar o espectador. Uma hora estamos em Nova York, somos cortados para a pequena Piaf, depois voltamos para a velha e doente personagem, retornando para a infância, entra a juventude, e assim suscetivamente. Entramos em um romance com o lutador e grande amor de sua vida, mas a trama não se desenrola, porque aqui as coisas são atiradas na tela com uma sensação de desordem.

Isso vale também para o fato de Piaf teve uma filha que morreu de meningite, e o filme não explora essa parte importante de sua vida - uma vez que Piaf foi tão negligente com a menina do mesmo modo que sua mãe foi com ela, o que formaria, grosso modo, uma interessante parábola e lhe daria uma maior clareza sobre sua personalidade complexa. A trilha sonora é maravilhosa, nos desperta a vontade de conhecê-la e de ouvi-la mais e mais vezes, mas sobra na tela momentos em que é mal utilizada. Como resultado desses deslizes, o filme, como um conjunto, passa a sensação de que dura mais que sua metragem real e de estranho distanciamento e falta de envolvimento com o espectador - não fosse pela interpretação sobrenatural de Marion Cotillard.

Cotação: 3/5

O trabalho arrebatador de Marion e a retratação da vida desse ícone valem a visita e é o que seguram o espectador até o final num filme irregular.

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