sexta-feira, 19 de abril de 2013

Recados do além - A morte do demônio - 2013



Como a Sra Rá se antecipou em comentar o filme esta semana, postarei aqui somente as minhas considerações sobre ele, conforme ordenado pelas donas do blog, já que elas permitem postar diversas visões de um mesmo filme.

Por Jason

Ao ver o trailer de "A morte do demônio" tive a sensação de que estava diante de um filme realmente assustador e que, grosso modo, poderia superar facilmente o seu material original. Mas trailers são frutos de estratégias de marketing, feitos para venderem e impressionarem os espectadores - e muitas vezes vender gato por lebre. 

Em "A morte do demônio", remake do filme trash de Sam Raimi, de 1981, o que se tem é justamente isso, uma sensação de frustração. A ação começa com uma garota sendo queimada pelo próprio pai e incorporando o demônio antes de levar um tiro que vaporiza sua cabeça. O filme promete então ser um filme aterrorizante, encher a tela de suspense ao mesmo tempo que é cru - mas pouco depois, a coisa começa a desandar e vai tudo por água abaixo rapidamente.

Com poucos minutos de filme, o roteiro - que teve as mãos de Diablo Cody - já abre o horror com a libertação do tal demônio através da leitura do livro dos mortos, após um dos personagens perceber que na casa havia animais mortos usados em rituais. Coisas soltas começam também a aparecer e deixar os furos do roteiro mais visíveis aos espectadores mais atentos, que inevitavelmente começam a questionar uma série de coisas. Por exemplo: a função de cada um dos personagens. Em "A morte do demônio", os personagens secundários são apenas material para morrerem, porque ninguém parece ter importância no filme - nem mesmo a personagem principal, acreditem (!). 

No começo da confusão, o jovem Eric (Lou Taylor Pucci, fazendo cara de zumbi o tempo todo) abre e lê o livro antigo - do nada, assim, só por curiosidade mesmo -, libertando o capeta. Mia é possuída no meio da floresta pela entidade, mas, absurdamente, ao invés de socorrer e tentar tirar a menina de lá, eles insistem em mantê-la dentro da cabana porque combinaram não deixá-la sair (!) - e quando tentam, levada pelo irmão, descobre que o lugar está bloqueado (em sacrifício de outra personagem). Para entender como isso foi acontecer, é preciso engolir o argumento frouxo do filme, que é outra tragédia. 

Mia (Jane Levy, péssima atuando, boa de grito) é uma drogada querendo se livrar das drogas e pede para o irmão acompanhar em uma viagem (?) para tal. A cabana pertence a família, ambos estão estremecidos e numa relação desgastada (pra não dizer superficial porque o drama do filme é de uma nulidade ímpar). Mesmo que a menina esteja claramente precisando de psiquiatra e de uma Rehab com urgência, o irmão idiotamente aceita (!), para desespero de qualquer espectador que espera alguma coerência nisso. Para completar, leva a tira colo os inúteis dos amigos. 

Cora até a alma ver a representação do demônio, que vem nas formas de uma versão mais aloprada da Samara com lentes de contato de Linda Blair em O exorcista. O próprio aspecto da floresta e a fotografia acabam nos remetendo as peripécias da condenada Samara. Os clichês do gênero explodem tal qual a chuva de sangue no final, uma falha terrível para um filme que tenta se levar a sério demais o tempo todo: sai o humor negro do filme original e o herói estabanado Ash, entra uma mistura de filme de possessão nos moldes de "O exorcista, o início" com qualquer terror fuleiro japonês. Há até truques de cena envolvendo espelhos que vitima a pior atriz do grupo - Jessica Lucas, horrível, cujo momento de encarnação do demônio é de uma breguice assustadora - e, como qualquer filme de exorcista que se preze, voz de personagem modificada para parecer aterrorizante.

E tome cena de amputação tosca porque a ideia aqui é causar nojo, chocar pela violência gráfica, mas que, ao invés de despertar gargalhadas ou espantar, são cenas que acabam revelando a tamanha precariedade da atuação dos atores. "A morte do demônio" é um filme que quer superar seu original a todo instante, dando viés de seriedade a uma trama que não se sustenta e tudo o que vem de violência é extremamente gratuito. Tome uma cena de amputação de um braço com uma serra elétrica, feita apenas para causar, mas que parece não ter o impacto esperado. Insatisfeito, o roteiro empurra um disparo de escopeta para explodir um braço. Quanto mais sangue - grita o roteiro -, melhor!  Mas e a trama? E os personagens? Seria exigir demais um melhor trabalho com eles? Uma serra elétrica amputando pernas engole a trama, discussões em torno da menina possuída são subtraídas por um personagem que volta da morte e temos que aturar uma cena em que a então vilã, cujo capeta foi exorcizado do corpo, se transforma do nada em heroína  para dar continuidade a uma possível franquia - e, claro, arrancando seu próprio braço no contexto, depois deste ser esmagado por um jipe. Só faltou a viradinha do pescoço.

A direção ainda tenta impor algum estilo, é seca, áspera, os cortes são precisos: ele entende que o que importa aqui é desconfortar o espectador com todas as bizarrices possíveis. Para tal é ajudada por um orçamento que não havia no original e por recursos como efeitos e maquiagem que não existiam em 1981. Vamos manter os olhos nele, porque o diretor tem potencial. Mas não adianta quando tudo joga contra. Falta no elenco alguém com maior talento dramático ou com carisma. Falta maior desenvolvimento de personagens, falta trama melhor acabada. Ao final, "A morte do demônio", se sobressai muito mais pelo gore e o sangue em profusão com que explode na tela do que como um filme de horror ou suspense para assustar. Está longe da eficiência do original e fede a filme descartável.

Cotação: 1/5

Sangue falso em profusão e muito barulho num filme são suficientes para fazerem um filme de terror digno de nota apenas para a geração Crepúsculo.
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