segunda-feira, 1 de abril de 2013

Star Wars - Episódio III - A vingança do Sith - 2005




Título Original: Star Wars - Episode III Revenge of the Sith
Ano de lançamento: 2005
Direção: George Lucas
Roteiro: George Lucas
Elenco: Natalie Portman, Ewan McGregor, Samuel L. Jackson, Hayden Christensen
Sinopse: As Guerras Clônicas estão em pleno andamento e as diferenças entre o Conselho Jedi e o Chanceler Palpatine (Ian McDiarmid) aumentam cada vez mais. Anakin Skywalker (Hayden Christensen) mantém um elo de lealdade com Palpatine, ao mesmo tempo em que luta para que seu casamento com Padmé Amidala (Natalie Portman) não seja afetado por esta situação. Seduzido por promessas de poder, Anakin se aproxima cada vez mais de Darth Sidious (Ian McDiarmid) até se tornar o temível Darth Vader. Juntos eles tramam um plano para aniquilar de uma vez por todas com os cavaleiros jedi.


Por Jason

Eu confesso: eu já fui um fã de Star Wars, do tipo que colecionava filmes, quadrinhos e quinquilharias. Mas cresci. E crescer pressupõe certas mudanças de atitude. Podei os exageros, mas continuo sendo fã e espero ansiosamente pela nova trilogia que terá seu primeiro filme pilotado por J. J. Abrams. Para falar a verdade, torço para que Abrams consiga lapidar Star Wars da mesma forma que fez com Star Trek, reduzindo os excessos e coisas espalhafatosas, e se concentrando no desenvolvimento dos personagens, algo que esse Episódio III parece ter tentado, assim como a nova trilogia inteira, mas sem nunca chegar aos pés da trilogia original. Avaliado pela crítica, de maneira geral, esse episódio teve recepção positiva, se tornando o terceiro melhor filme de toda a hexalogia - e sim, ele é.

O filme começa bem, com uma espetacular guerra que ocorre na órbita do planeta Coruscant, com Obi Wan e Anakin iniciando o resgate do Chanceler Palpatine e topando de frente com o tuberculoso e cheio de pigarro General Grievous. A manobra atrapalhada leva a morte do Conde Dooku e um cruzador espacial ao chão. A criatura bizarra Grievous, aliás, é especialista em fugas mirabolantes e vai protagonizar mais tarde uma luta de sabres com Obi Wan que descobre, por um erro de projeto no ciborgue - para não supor outra coisa pior -, que o mesmo guarda algumas partes vulneráveis que vão levar ao seu fim. 

São os absurdos que jogam contra a nova trilogia e incomodam no terceiro episódio logo a partir deste momento. Para cada sequência linda e bem filmada, como o massacre dos Jedis, há cenas idiotas como a trapalhada sequência em que Palpatine dá as caras como o terrível Lorde Sith e luta com Mestre Windu, uma sequência que beira o trash com Windu discutindo com Anakin o que fazer com o infeliz. Para cada sequência bem elaborada, como a luta épica entre Obi Wan e Anakin, o roteiro precisa embutir novas criaturinhas, como robozinhos espalhafatosos que se revelam uma verdadeira praga espacial. Para cada cena insinuada de um massacre de crianças aprendizes de Jedi, de uma luta homérica entre Yoda e o Lorde Sith, o roteiro empurra goela abaixo do espectador a morte absurda de Amidala, aqui virando enfeite de cenário - uma vez que a rainha lutou nos primeiros episódios e aqui se transformou praticamente em uma barriga de aluguel pelo roteiro. Não seria melhor se o estopim do lado negro de Anakin fosse a morte de Amidala nesta guerra ou algo parecido? Não faria mais sentido e seria mais coerente até com a personagem?

São perguntas que pipocaram o tempo todo quando assisti o filme nos cinemas e agora o revendo, continuam a martelar. Há outros destaques dentro do filme, para o bem ou para o mal. Contemos as cenas em que o roteiro se preocupa em mostrar pousos de veículos e decolagens:  parece uma obsessão de George Lucas - são tantas que levaríamos anos contando, uma falta de criatividade que choca. No quesito efeitos visuais e direção de arte, o filme sobra na tela, mas para isso, precisamos esquecer os nossos parcos conhecimentos de física das coisas - prédios no alto com janelas enormes que misteriosamente não ventam, mundos de lava que não fazem suar nem molhar os cabelos de tão quente, chuva digital, explosões barulhentas no vácuo, raios lasers, quedas espetaculares de milhares de quilômetros de altura que não causam sequer arranhões, etc. O mais impressionante: faça chuva, sol, dê piruetas no ar ou tome um banho de lava - e o cabelo de Obi Wan continua impecável de tanto creme de pentear. Talvez fosse exigir demais de uma fantasia, mas são detalhes que volta e meia passam e o espectador inevitavelmente solta aquele risinho de canto de boca de desdenho. 

As criaturas exuberantes desfilam pela tela, a começar pelo Grievous, chegando a uma montaria usada por Obi Wan, uma mistura de lagartixa verde com penas, que corre que é uma beleza. Mas Episódio 3 sofre do mal dos outros dois primeiros filmes quando evoca o romance porcalhão entre Anakin e Amidala, constrangedoramente capitaneado por diálogos melosos e frágeis e a falta de química do casal. O destaque fica por conta de Hayden Christensen. Sem envergadura para um papel que merecia alguém com capacidade dramática, o ator é um evento trash dentro do filme, daquelas coisas que a gente vê e nem acredita que exista de tão ruim. Ele continua péssimo e, glória a Deus mais uma vez, sua carreira não decolou. 

Sofrendo de esquizofrenia, o menino Anakin que ele interpreta precisa de um psiquiatra com urgência - mas ninguém é capaz de notar isso. Sua obsessão por Amidala e o risco de perdê-la deveria ser o motivo pelo qual ele despertaria para o lado negro da força, tentado constantemente pelo demoníaco Palpatine, mas o que se vê na tela é totalmente diferente e menos impactante do que a revelação de que Luke era filho de Darth Vader. O desenvolvimento de Anakin é um engodo, uma azia, uma pedra no sapato que ninguém consegue tirar do filme. Anakin deveria ser uma pessoa sem personalidade definida, ansiosa pelo poder que nunca teve, mas vira um festival de caras e bocas na pele de Hayden. Melhor para Ewan McGreggor, mais solto e muito melhor em cena. 

Não dá para falar nos erros de conexão entre a antiga e a nova triloga, que dariam uma tese de mestrado. Por fim, fica a sensação ao rever essa nova trilogia de que o universo de Star Wars não amadureceu como "O império contra-ataca" sinalizou ou como deveria. Ele se infantilizou como o sexto episódio, "O retorno de Jedi". Ao menos a presença de Darth Vader e sua imagem mitológica salva o time, num deleite para os fãs. Pouco, diante do que poderia ser.

Cotação: 3/5

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