segunda-feira, 22 de abril de 2013

Trilha Sonora - Blade Runner, o caçador de androides (1982)




Por Jason

Existem inúmeras versões para a trilha sonora do filme Blade Runner, de 1982, mas aqui nos focamos na versão de 1994, chamada "Official Vangelis Score", que é um conjunto mais perto do que o compositor imaginou para o filme mais de uma década antes do lançamento dela. A versão mais completa é um disco triplo, lançado em 2007, com canções que não foram apresentadas em nenhuma outra trilha do filme lançada anteriormente, mas que, ou apareceram no filme, ou foram descartadas, ou serviram de inspiração para a seleção final. 

A trilha de Vangelis abre com Main Titles, com seus sintetizadores e enxertos eletrônicos, que parecem remeter a um tipo de canção new age, daquelas usadas em clínicas de relaxamento. Como se fosse saída da trilha de um vídeo game de 16 Bits, entra "Blush Response". Sax se mistura ao eletrônico na sensual "Wait for me". Um vocal feminino glacial e fantasmagórico pode ser ouvido na bela e sombria "Rachel Song", uma das melhores.

A melhor do composto é com certeza o conhecido "Love Theme", que acabou tão popular que muitas vezes é confundido como o tema central do filme. Elementos de blues e jazz chegam em One More Kiss, unindo passado (a canção parece ter saído de 1950) e futuro numa canção - o blues, nota-se, é também presente na canção seguinte, "Blade Runner Blues", transformado por sintetizadores eletrônicos. Um piano entra em "Memories of Green", misturados a sons de bipes e enxertos que lembram uma sirene ao fundo, em que Vangelis se supera em beleza e harmonia com elementos tão diferentes entre si. 

"Tales of the future" é uma canção bizarra, estranha, que traz um pouco do Oriente Médio misturado a elementos eletrônicos, com poderosos vocais femininos. Sua voz é suave e assombrada ao mesmo tempo, inserida dentro do filme numa representação da Los Angeles do futuro, caótica e multiétnica.  "Damask Rose" nos remete novamente a outro país, como a Índia, inspirando religiosidade e escuridão no futuro pessimista e opressivo do filme. End Titles, que sobe ao final do filme, de novo abusa de eletrônicos, tal qual um Tron, com a diferença que o ritmo nos remete mais a ação. Por fim, a linda Tears in rain, suave e melancólica, com aspecto new age novamente, é inserida numa das cenas mais memoráveis do cinema, que incorpora o monólogo do personagem de Rutger Hauer e inspira vida e morte num mesmo tema.

Vangelis conseguiu criar um material dark, melancólico, clássico, que ora parece destoar do tom do filme, ora parece casar completamente com ele. Porque se o tempo fez com que Blade Runner se transformasse não apenas em uma experiência visual, mas auditiva, a trilha sonora é claramente uma experiência sensorial. De contra, o uso massivo de eletrônicos deixa a trilha repetitiva e é inevitável que o seu aspecto soa datado. A trilha não consegue, ironicamente, pelos recursos utilizados pelo compositor, soar atemporal -, o que não tira seu mérito, seu exotismo, sua beleza e originalidade. 

Cotação: 5/5


2 comentários:

  1. Grande coisa essas versões BLADE RUNNER TRILHA SONORA sem a principal faixa instrumental (são duas na vdd): a End Title e End Title Reprise), as únicas + a "One more Kiss, Dear" q valem o CD. Meu irmão tem a versão de 8 faixas com as duas "End Title".

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